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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
Capítulo 3 : Os outros
( parte 14 -Fim de capítulo )


por Matemaníaco
(Continua daqui) . Pode ver um resumo da história até agora aqui.


A nave voou por baixo dos interceptores. Em todo o cargueiro, quem podia aproximava-se de uma janela ou de um monitor que estivesse a transmitir imagens da gigantesca frota.

Lagrange não resistiu a perguntar:
– Como é que não vimos estes tipos antes?
– Aí está uma boa pergunta. Estamos a vê-los... mas continuam a não aparecer nos nossos sensores militares. Mandei verificar o que se passa com os nossos sensores, mas ainda não me deram resposta.
– A frota é muito grande para ser ilusão.
– Concordo. Otarius era um comandante experiente e mesmo assim a Esperança foi destruída. Ele não deve ter visto a frota atacante aproximar-se. Todo o cuidado é pouco.
Continuavam de olhos colados aos monitores enquanto a nave subiu e voou entre os vários milhares de interceptores.
Todos eles com uma bandeira pirata pintada sobre o sítio onde devia estar a identificação. Estavam ali interceptores de várias eras. Desde interceptores com esquemas de há 200 anos a interceptores que nunca ninguém tinha visto, mas pareciam ser a evolução natural em design dos anteriores.
– Interceptores do futuro? - Perguntou Jovian
– O seu palpite é tão bom como qualquer outro. Tendo em conta o que sabemos deste sítio, é uma forte possibilidade – Respondeu uma oficial.
Lagrange olhou para ela e perguntou:
Todas as naves que temos são sobreviventes daquele enorme campo de destroços. Onde foi que estes tipos arranjaram tanto interceptor?
– O nosso conhecimento deste sistema é muito limitado. Podem estar a chegar naves a outra parte do sistema.-Respondeu.
– Olha! Ampliem-me aquela nave no primeiro quadrante.- Gritou Jovian.
No ecrã estava um interceptor sem bandeira pirata. A identificação era ICTMAT13122102-751.
– Não é o único, – disse o subcomandante, apontando para outra nave.
Após ampliação via-se nitidamente ICTPOE03012010-001.
Seguiram-se muitas outras identificações. Estavam ali naves das frotas de centenas de impérios.
Jovian chamou os seus oficiais e Lagrange à sala de reuniões.

Ao fim de alguns minutos estavam os 7 oficiais e Lagrange lá reunidos.
Jovian começou a reunião.
– Minhas senhoras e meus senhores, este é o Capitão Lagrange, meu convidado nesta missão. Como acabaram de ver esta frota de interceptores parece ser formada por naves de vários impérios do universo que conhecemos. Não temos combustível para avançar muito mais, por isso vou ordenar o nosso regresso. Temos um caça pesado parado a alguns milhares de quilómetros daqui, e nós ainda não fomos detectados.
– Perdoe-me senhor. – interrompeu uma das oficiais – Não assuma isso! Encontrei há minutos um vírus desconhecido na IA da nossa nave.
– Um virus informático?
– Sim senhor. Infectou os sistemas de comunicações, sensores e ainda não sei que mais.
– E só detectaram isso agora?
– Senhor, isto não é um vírus normal. Ele não foi detectado pelo antivirus.
– Poupe-nos aos dados técnicos. Consegue livrar-nos dele?
– Não sei, mas eu preferia não o transmitir à nossa frota.
– As ligações entre as nossas naves são automáticas. Podemos já ter transmitido o virus ao que resta da nossa frota.
– Podemos estar a ser monitorizados neste preciso momento, mesmo com camuflagem! – Interrompeu Lagrange.
– Sim, podemos. – Concordou o oficial.
– Transmite tudo o que temos sobre esse vírus numa transmissão encriptada a toda a frota.
Virando-se para Lagrange, Jovian disse:
Penso que tirando o teu caça, todas as nossas naves já devem ter regressado ao planeta.
Virando-se para o resto dos oficiais, Jovian pergunta:
– Mais surpresas?
Uma oficial levantou o braço.
– Diga, menina Korin
– Senhor, temos destroços da Esperança contaminados com protanerabacter... Esta versão das bacterias é nova. As que conhecíamos afectavam nanites e sistemas eletrónicos pelos seus micro-impulsos e irregulares campos electromagneticos. Estas, enviam pequenas ondas de radios, que podem muito bem ser código comprimido.
– Estás a dizer-nos que estas bactérias podem ter-nos metido um virus informático?
– Desculpem-me: Como é que uma bactéria cujo habitat natural são uns frutos consegue uma coisa destas? - Perguntou um oficial que até agora tinha estado calado.
– Essa é uma boa pergunta. Não gosto de nenhuma das possíveis respostas.-Respondeu Lagrange

A reunião acabou. A Aristóteles afastou-se dos interceptores sem ter sido incomodada, e regressou a Cronos, à cratera.
Lagrange mais uma vez tentou contactar telepaticamente NIA, sem sucesso...
– Capitão, foi um prazer tê-lo conhecido. – Disse-lhe Jovian à saída.– Vou falar com o comando central. Mantenha-se por perto.
– Igualmente. Eu vou procurar uns amigos meus.
Lagrange saiu do cargueiro acompanhado de dois seguranças e entrou num carro voador. Um dos seguranças sentou-se ao volante e levou-o até ao destruidor-hospital.
O carro estava parado à entrada.
Lagrange contactou Natália via nanites:
“Natália? A sábia está segura?”
“Olá Lagrange. Sim, ficou na minha casa.”
“Tens casa aqui?”
“Sim, foi-me dada há cerca de um ano.”
De repente começam a ouvir-se explosões.
Lagrange e os seguranças viram-se na direcção da cratera e vêm raios a vir do céu e a cair naquela zona, levantando-se enormes nuvens de fumo.
– Estão a atacar a nossa frota!

Fim do capítulo.

Como prometido, em breve e a partir do 4º capítulo, As aventuras de capitão Lagrange continuarão no blog
"As Histórias do Matemaniaco".

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
Capítulo 3 : Os outros
( parte 13 )


por Matemaníaco
(Continua daqui) . Pode ver um resumo da história até agora aqui.

– Lagrange, não está preocupado com Hara e o resto dos tripulantes da Esperança?
–Hara está viva. Ela estava viva no ponto temporal de onde a minha exploração partiu, e você sabe o que está a fazer...
– Eu não posso estar aqui a perder tempo consigo. Quero que você e Gonzalez se metam no vosso cargueiro, que passou na nossa inspecção, e vão lá acima juntar-se à missão de procura de sobreviventes. O responsável pela missão é o capitão Dimitroc Jovian. Siga as suas instrucções.
Entretanto vou ver o que se passa com a sua boneca.
Lagrange saiu em direcção à tenda.
Chegando lá, sugeriu a Natália que tratasse do transporte da sábia para um sítio seguro, e fora do alcance de PéNaCov, ainda explicou a Glorie que todos os computadores, robots e instrumentos da sábia deviam sair dali, para segurança de todos.
Glorie não fez perguntas e disse que tratava de tudo.
Lagrange, antes de sair, despediu-se e beijou a face de Natália.
Depois, junto com Gonzalez, correu para o seu caça.
Já no cockpit do caça, Gonzalez não conseguiu deixar de observar:
– Você anda metido com a enfermeira e com a boneca? Tem mais alguma?
– Eu cheguei cá há apenas uma semana.
O caça começou a voar em direcção ao espaço.
– Mas a ter de ficar com alguma, eu quero a NIA.– Continuou Lagrange
– A boneca? É doido! A enfermeira é um mulherão.
– Conselho de um tipo que antes dos 20 anos já tinha namorado com cinquenta mulheres de todas as idades: Não deixe o aspeto físico ou a espécie decidir quem vai ser a sua companheira.
– Cinquenta? Vá mangar outro!
– Como queira.
– Sim, sim, cinquenta...
Lagrange manteve o silencio enquanto o caça se aproximava do campo de destroços.
Receberam uma trajectória de busca, e começaram a sua missão.
Passadas doze horas, ainda sem encontrar sobreviventes ou quaisquer destroços de salva-vidas, receberam uma comunicação do capitão Jovian
“Tudo me faz crer que os atacantes capturaram os sobreviventes. Por falta de combustível, vamos cancelar a missão de busca.”
–Gonzalez, nós ainda aguentamos mais duas horas não é?
–Sim, temos combustível para mais duas... Capitão olhe para aquilo.
Lagrange olha pela janela e vê uma frota com vários interceptores.
Os sensores não mostravam nada naquele lugar, mas os seus olhos não o enganavam.
Lagrange aperta rapidamente o botão do comunicador.
– Capitão Jovian, daqui capitão Lagrange, tenho uma enorme frota de interceptores à minha frente, mas os nossos sensores não estão a detectar nada.
Passados alguns segundos Jovian responde:
– Já vos viram?
– Não sei, mas não estão a tomar nenhuma acção contra nós.
– Vou aproximar-me de vocês. Sugiro que desliguem as luzes e os motores.
A comunicação foi desligada.
– É impossível ainda não nos terem visto. O capitão Jovian aproximar-se parece-me má ideia – disse Gonzalez.
– A nave do Capitão Jovian tem um sistema de camuflagem. Para ser honesto, a única coisa que me está a incomodar é a possibilidade de estarem a monitorizar as nossas comunicações.
– Como não estamos a detectar nada, isto não pode ser algum tipo de engodo, ilusão?
– Como a Esperança foi destruida, não vamos assumir nada.
– Quem diabos são estes gajos?
– São outros sobreviventes... Se já nos detectaram, decidiram não comunicar.
Cerca de três minutos depois, Jovian envia uma mensagem via nanites a Lagrange.
“Chegámos ao vosso lado. Novidades?”
“Nenhumas. A vantagem está do vosso lado. A camuflagem do Aristóteles torna-o na nave ideal para se aproximar.”
“Querem vir connosco? Temos um teletransportadores”
“Vou perguntar aqui ao meu copiloto.”
“Dois dos nossos robots ofereceram-se para vos substituir nesse caça.”
– Gonzalez, a Arquimedes está camuflada aqui ao nosso lado. O capitão está a oferecer-nos um lugar lá, enquanto vão investigar esta armada de interceptores.
– Como é que vamos para lá sem dar nas vistas? E vamos abandonar este caça?
– Teletransportador. Dois robots deles ficam aqui no nosso lugar.
– Teletransportador? Pode ir capitão. Eu fico aqui!
“Capitão Jovian, eu vou. O meu copiloto fica.”
“Está bem. Aguarde alguns segundos.”
– Até breve Gonzalez.
O capitão desaparece à frente dos olhos de Gonzalez, e em seu lugar aparece um robot.
Na Arquimedes, Lagrange é rematerializado em frente ao capitão Jovian
– Bem vindo a bordo.
– Onde é que arranjou um teletransportador?
– Foi encontrado no meio dos destroços quando cá chegámos. Ainda não temos forma de duplicar esta tecnologia para implementar nas outras naves, por isso, não a publicitamos.
– Tem combustível para isto?
– Espero que o que temos seja suficiente.
Jovian deu sinal aos seus homens e a nave avançou em direcção à frota.

(continua)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
Capítulo 3 : Os outros
( parte 12 )


por Matemaníaco
(Continua daqui) . Pode ver um resumo da história até agora aqui.

Gonzalez saiu.
– Peço desculpa por não te ter contactado mais cedo. Passei uns dias a habituar-me à IA das minhas nanites. Depois estive fora do planeta, na Esperança e depois ainda estive um dia incomunicável.
– Não precisa de se desculpar. Eu compreendo.
– Não é nada disso, eu estou a falar a sério!
– Eu conheço a sua fama, eu nasci num ponto no seu futuro.
– Por favor não me fale do meu futuro. Deixe-me chegar lá... E por favor, aceite tomar uma copo comigo. Esqueça tudo o que julga saber sobre mim.
– Dois centímetros que passaram a trinta é difícil esquecer!
– Não fujas ao assunto!
– Eu prometo pensar nisso.
Ao fim de alguns minutos, Glorie chega à divisão onde estão Natália e Lagrange.
– Injeção de nano-desligas.
– Nano-quê?
– Nano-desligas. São nanites destinadas a fazer o paciente, perder a consciência e a depois executar funções especificas, dissolvendo-se na corrente sanguínea assim que acabam. Isto era tecnologia típica da TIA até alguns anos antes do meu nascimento.
– Se se dissolvem como é que sabes o que eram?–Perguntou David.
As nanites da sábia também são nanites fora do vulgar. Têm forma de travar as nano-desligas após a perda de consciencia. Que eu saiba, também só os agentes da TIA têm tecnologia desta.
– Ou seja, esteve cá um agente da TIA e fez a sabia perder consciência. E a sábia também é TIA?! –concluiu Natália.
Ela vai recuperar a consciência dentro de algumas horas. Fizeste bem em chamar-me. Sei que a tenda médica daqui responde a PéNaCov, que foi … ou será director da TIA, conforme os nossos pontos de origem no espaço-tempo.
– Podes examinar-me agora? É o PéNaCov que precisa de uma confirmação de que eu estou apto ao serviço. Ali na tenda deram-me um “chumbo”.
Glorie estendeu a mão a Lagrange.
Lagrange apertou-a e as nanites de ambos começaram a trocar informações.
Passados vários minutos Glorie larga a mão de Lagrange.
–Que aconteceu a NIA?
–Foi-me removida. Por robots que presumo serem do futuro.
–Tirando a remoção de NIA não encontrei absolutamente nada anormal em ti. Aliás, até estás melhor do que da última vez que te examinei. O relatório está gravado nas tuas nanites. Qualquer scanner médico consegue o ler.
–Obrigado.
Virando-se para Natália, Lagrange pede:
–Podes ficar aqui com a sábia? Eu deixo o cabo Gonzalez lá fora para se precisares de alguma coisa.
–Sim, desde que a Dra Boavida justifique a minha permanência por cá.
–Não te preocupes Natália.
–Eu vou falar com o Serguei.
Lagrange sai da tenda.
– Gonzalez, preciso que fiques aqui a guardar esta tenda. Não deixes ninguém, especialmente se estiver a servir sob o PéNaCov aproximar-se.
– Hã?
– Até já.
– Mas senhor...!
Lagrange afastou-se a correr para a tenda militar.
Chegando lá. Lagrange viu Serguei rodeado de homens... e ouviu:
– ...vamos precisar urgentemente de defesas planetárias! Esses piratas não sabem com quem é que se meteram! A destruição da Esperança não sairá impune!
Serguei viu Lagrange.
– David preciso de falar contigo em particular.
– A Esperança foi destruída?
– Um dos nossos cargueiros foi às últimas coordenadas conhecidas da Esperança, e encontrou só destroços. Alguns visivelmente do casco da Esperança. A caixa negra mostrou que tiveram os sistemas atacados com protanerabacter.
E sem controlo nenhum dos sistemas foram atingidos por misseis. Acabámos de mandar uma pequena frota em missão de procura e recolha de cápsulas salva-vidas.
– Misseis? Dos robots?
– Não, de uma nave de piratas! Para além dos robots... há outros sobreviventes.
Serguei mandou os homens dispersar e reuniu-se com Lagrange.
Apertou-lhe a mão e viu o relatório médico de Glorie.
– Óptimo! Penso que vamos ter de aceitar a ajuda dos seus robots.
– A sábia foi atacada por um agente da TIA.
Serguei vira-se para Lagrange e olha-o espantado.
– É uma acusação grave...
– Não te ponhas com rodeios comigo.
– A sábia tem consigo uma cópia de um blog com mais de dez mil anos. Um blog da Terra original que conta a nossa história e de tudo o que se está a passar por aqui. Como não é um blog vindo do futuro, não está na lista de bases de dados proibidas, e que estavam na Esperança antes da sua destruição.
– Como sabes disso?
– Eu sou um homem da TIA. Estou sempre bem informado...
– Não era mais simples pedir uma cópia?
– A sábia não quis colaborar...
– Estou a ver...
– Ela continua com a sua base de dados. O meu agente fez uma cópia indetectável.
– A posse desse tipo de coisas não é proíbido?
– Eu repito: As bases de dados “do futuro” da rainha Hara são proibidas. Esta, veio do nosso passado, de há cerca de cem séculos, portanto é permitida.
– Do passado? Como é que isso é possível?
– Tanto quanto sei, até este diálogo entre nós dois pode estar lá escrito num idioma da época. Ainda não sabemos como é que tal é possível.
– O blog não te dá informações sobre o ataque à Esperança?
– Tenho homens da minha confiança a lê-lo. Em breve saberemos.
– E a NIA?
– Está entregue aos meus técnicos. Ainda não me deram notícias.
– Eu quero-a de volta.

(continua)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 11 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

NIA deixa-os analisar o que quiserem, mas não os deixes abusar de ti.”
“Obrigado pela tua preocupação. Eu sei cuidar de mim.”

Lagrange e Gonzalez foram para levados para uma tenda médica.
NIA, foi levada a um grupo de peritos em tecnologias.
Serguei entra numa tenda e senta-se à frente de um comunicador, pressiona algumas teclas e diz:
– Missão cancelada, Laura! Temos novas informações.
A passagem de Gonzalez pelo gabinete médico foi relativamente rápida.
A de Lagrange foi muito mais demorada.
O corpo de Lagrange já tinha passado por muito, e ter nanites mais evoluídas e sofisticadas do que as usadas no centro não ajudou em nada. Lagrange foi proibido de se aproximar das naves da frota e de qualquer soldado sob a pena de ser abatido.
Quando perguntou por NIA, responderam-lhe que o assunto não lhe dizia respeito.
Lagrange saiu da tenda médica.
Á sua espera estava Gonzalez.
– Estou proibido de me aproximar de si cabo.
– Mas eu não estou proibido de me aproximar de si.
– Não brinque. É em mim que vão dar um tiro.
– Encontraram alguma coisa de anormal em si?
– Eles não conseguem perceber as nanites que tenho no meu corpo, por via das dúvidas, proibiram-me o acesso a instalações não civís.
– Tem essas nanites há muito tempo?
– O que é que isso interessa?
– Se puder comparar o estado das nanites agora com os do registo de uma manutenção anterior...
– Sim, eu já pensei em contactar uma pessoa... mas porque é que está aqui meu rapaz?
– O Sr PéNaCov suspeitou que a sua avaliação fosse essa, e mandou-me acompanhá-lo onde quer que fosse para fazer um check-up às suas nanites.
– Não teme que eu vos aldrabe?
– Palavras dele: “O homem é um patriota, não vai querer por nenhum de nós em perigo.”
– Sim, eu sou um patriota, mas por cá não há nada a que eu chame pátria...
– E então? Para onde vamos?
– Espere. Preciso de fazer umas nanocomunicações primeiro.
Lagrange fechou os olhos.
“NIA. Estejas onde estiveres... consegues contactar-me?”
Esperou dez segundos, Voltou a abrir os olhos e olhou para Gonzalez.
– Viu a NIA?
– A sua boneca? Não senhor, não a vi, nem sei nada dela.
– Independentemente do que ela é, trate-a como uma pessoa. Ela não é “a minha boneca”. É minha amiga.
– Sim senhor.

Lagrange olhou para o poeirento chão, e tentou contactar outra pessoa.
“Chamar Glorie Lagrange Boavida”
Lagrange aguardou dois segundos.
“Sim? Que se passa?”
“Preciso que me faças um check-up a mim e às minhas nanites”
“Porque é que a NIA não te faz isso? Voltaste a meter-te com ela?”
“Não. Não me peças detalhes, extraíram a NIA das nanites.”
“O quê? Como te fizeram isso?”
“Eu tenho aqui um soldado à minha espera, não posso dar-te detalhes.”
“Vai ter com a sábia. Eu passo por lá mais tarde.”
“Como vai a enfermeira Natália?”
“Se bem me lembro, ela deu-te o seu nanocontacto e nunca lhe ligaste... Mas estou a gostar de ver! Sem NIA nas nanites, o menino já pensa noutras mulheres.”
“Não é nada disso! Manda-lhe cumprimentos meus e diz-lhe que peço desculpa...
“Diz-lhe tu isso! Até logo.“

Glorie desligou.
Lagrange levantou a cabeça e olhou para Gonzalez.
– Pelo seu ar, esteve a falar com uma mulher.
– Família...
– Tem família aqui? Quem?
– Por favor, não comente ninguém... e não é da sua conta.
– A sua esposa?

Lagrange olha para Gonzalez com os olhos semi-cerrados
– Peço desculpa, não é da minha conta.
Para onde vamos então?
– Para a tenda da sábia.
– Eu não sei onde é...
– Não faz mal. Eu sei! Siga-me, mas mantenha uma certa distancia.

Quando chegaram, a sábia estava deitada, inconsciente no chão.
Lagrange chamou Spectrum, que não respondeu, e via nanocomunicação, chamou Natália.
“Olá senhor Lagrange! Que bom ter notícias suas!”
“Olá, peço desculpa por não ter ligado antes,...Eu preciso de falar contigo. Mas neste momento estamos com um problema urgente. Estou na tenda da sábia. Encontrámos a sábia inconsciente no chão!”
“Há uma tenda médica aí na cratera, eu vou ligar-lhes.”
“Acabei de ter um episódio com eles... Por favor vem tu, e traz a Glorie.”
“Senhor Lagrange, isso não pode ser assim! Eu e a Dra Boavida temos pacientes aqui.”
“Diz a Glorie! Ela que decida!”

Em pouco menos de 15 minutos Glorie e Natália chegaram à tenda.
Glorie esteve a ver a sábia. Apertou-lhe a mão, e pediu a Gonzalez e a Lagrange ajuda para a deitarem numa cama.
Assim que deitaram a sábia, Glorie pediu a todos que saíssem do quarto da sabia.
Ainda dentro da tenda mas noutra divisão, Gonzalez olhava para Natália.
– Gonzalez, dás-nos licença? Podes ir lá fora um bocadinho?
– Lá para fora?
– Sim, o tecido é à prova de som...


(Continua)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 10 )

por Matemaníaco
(Continua daqui)
Esta história com os robots incomoda-me! Eles destruíram o nosso caça, e reconstruiram-no. Tiraram-te das minhas nanites, e puseram-te nesse corpo espectacular, e só queriam conversar connosco? Não achas isto estranho?
– Capitão, é a primeira sociedade organizada de robots que eu conheço. Para eles, desactivar um máquina e reactivá-la é normal.
– Não estejas a simpatizar com eles só porque também és artificial.
– Eles fizeram-me upload de alguns ficheiros com a história de Robótica. Tiveram muitos dos mesmos problemas que vocês.
Algumas pessoas, às portas da morte foram convertidas em IAs e até hoje ainda são IAs. Naquela sociedade, muitos já foram humanos. Internamente, é assim que funcionam... nunca precisaram de destruir um dos deles.
– E a Esperança?
– Acho estranho. Por exemplo podem ter detectado que mais alguém estava a receber as mensagens deles e desligado os comunicadores.
– Consegues ligar-te a mim, como antes?
“Assim? Agora consigo!”- NIA e Lagrange podiam comunicar como que telepaticamente.
“Porquê só agora?”
“Não sei, mas parece-me que o problema estava nas tuas nanites. Voltas lá para dentro?”
“Sim, volto, mas preciso que saibas que eu acho isto muito estranho.”
Lagrange voltou a sentar-se ao lado de Gonzalez.
– Perdoe-me a ousadia... pode dizer-me de onde conhece aquela bomba?
– É classificado.
– Classificado por quem?
– Também é classificado.
O caça sobrevoou a cratera e aterrou numa pequena pista de aterragem a norte. Lá já estavam aterrados quatro cargueiros pequenos e dois caças ligeiros.
As portas abriram-se e saiu NIA, Lagrange e por fim Gonzalez.
Serguei e um conjunto de homens armados aproximou-se do cargueiro.
– Capitão Lagrange? Disseram-nos que este caça tinha sido destruído.
– E foi – Respondeu Gonzalez.
Lagrange estendeu a mão a Serguei e diz
– Dá cá um bacalhau.
Serguei aperta a mão de Lagrange e dá-se uma comunicação entre as nanites de ambos.
– Que diabos?
– Agora aperte a mão dela, e terá as respostas que quiser.
NIA estende a mão.
Serguei aperta-a e NIA mantem-na apertada por cerca de 32 segundos, enviando-lhe pelas nanites imagens de onde esteve, partes do seu log pessoal e alguns ficheiros com a história de Robótica.
– Capitão, que se está a passar?- perguntou Gonzalez
– NIA deve estar a contar-lhe o que nos aconteceu...
– Ela também tem nanites?
– Ela é um andróide bem sofisticado.
– Andróide? Como é que eu não percebi isso? Capitão, eu gostaria de ter uma “boneca insuflável” daquelas!
– Gonzalez, só te vou avisar uma vez: Se voltas a referir-te a ela desrespeitosamente vais ter problemas sérios comigo!
– Peço desculpa capitão.
Entretanto a comunicação acabou.
Serguei olhou NIA nos olhos e depois olhou para Lagrange.

– Mas que história mais marada!
– Concordo plenamente!– Respondeu Lagrange – Onde anda o resto da frota?
– Os restantes caças ainda não chegaram. Estão a seguir o protocolo.
– Em caso de perda de contacto com a Esperança, manter as comunicações apenas em modo de recepção, e vir para aqui, certo... acho que não devem ter percebido a parte de “vir para aqui” .
Serguei fez sinal e os homens baixaram as armas.
– Se a vossa base de dados estiver intacta, vocês têm a última posição conhecida da Esperança.
Vocês os dois, acompanhem-me. Ela que espere pela nossa equipe técnica.
– Que vão fazer-lhe?
– Não estás à espera que eu deixe uma androide que veio de um exercito de robots, que destruiu e reconstruiu um dos nossos caças e sabe-se lá como, consegue monitorizar as nossas comunicações e também sabe-se lá mais o quê, circular por aqui, estás?
– Eu sei mas... eu não consigo deixar de confiar nela!
– Capitão, se a equipa técnica não encontrar nada de errado com ela, talvez eu lhe devolva a boneca.
Voltando-se para um dos homens diz-lhe:
– Quero uma equipa de técnicos, de preferência mulheres a analisar aquela androide uma equipa só de humanos a analisar aquele caça, e uma equipa médica a fazer um check-up a estes dois com a máxima urgência!

(Continua)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 9 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)


Log pessoal da andróide NIA. Terceiro dia do terceiro mês do ano 1
         Ajustar-me a um corpo andróide não foi fácil. Fizeram-me um upgrade para que eu conseguisse aceder a todas as potencialidades e sensores deste corpo. Tarefas simples que aos humanos levam imenso tempo a aprender, como falar, andar e comer foram-me transmitidas quase instantaneamente.
As facilidades acabaram aí.
Ninguém me fez um upload de um programa que me ensinasse a vestir-me ou a despir-me.
Quando finalmente a enfermeira S0N14-X3 e o auxiliar P3
me arranjaram roupas, levei cerca de uma hora a descobrir como me meter correctamente nelas.
Pelas 14horas fui apresentada ao andróide que transplantou-me das nanites para este corpo.
Curiosamente é também um modelo muito metálico.
Não vi nenhum androide como eu. Isto é, um modelo que seja indistinguível dos seres humanos a olho nu.
Disse-me que era um crime ter uma IA avançada como eu em nanites quando há aqui protoformes que precisam de IAs. 
No princípio não acreditei na conversa dele.
Foi a primeira vez que desconfiei de um robot.
Mostraram-me à cidade deles, Robótica.
Percebi que é uma sociedade de robots sem a capacidade de se reproduzir ou mesmo criar novas IAs. A sociedade foi fundada há cerca de um milhar de anos.
Tal como nós, vieram em explorações espaciais oriundas de todo o universo onde
se passou algo anormal.
Muito dos seres biológicos que vieram com eles falec
eram lá em cima nos choques entre naves e nos choques com destroços. Os robots, repararam-se uns aos outros. Com o passar do tempo, vieram outras explorações.
Algumas vindas de impérios mais bélicos bombardearam a cidade.
Os robots enviaram recicladores lá acima e com o material reciclado evoluiram as suas defesas, e desenvolveram algo nunca visto no nosso universo: Camuflagem.
Uma tecnologia que torna este sector invisível a qualquer sonda vinda de quase todas as épocas, e milhares de lançadores de misseis para quando essa tecnologia falhasse.
Ao fim da tarde, pelas 20h02 min, encontrei-me com David e com o cabo Gonzalez no que parecia ser um hospital improvisado.
Ambos olharam-me de forma estranha. David correu para mim e abraçou-me.
A frequência cardíaca
dele estava superior à que eu me lembrava.
 A pressão arterial também.
Notei que continuo a poder monitorizar e até a controlar as nanites, mesmo estando fora do corpo dele.Detectei que os protocolos de comunicação das nanites foram apagados.Pouco depois chegou lá um dos líderes de robótica, B055.
Pediu-nos desculpa pela destruição do caça, informou-nos que foi reparado que estava pronto a partir, e que há já algum tempo que monitorizava as nossas comunicações.
Em particular, disse-nos que há várias horas que não haviam comunicações entre o planeta e a nave Esperança.
Notei que David não tirou os olhos de cima de mim.
B055 disse que querem ajudar-nos a construir o império em troca da partilha de conhecimento obtida nos nossos laboratórios de pesquisa, e pediu-nos para sermos os embaixadores deles.
A mim pessoalmente, foi-me oferecido um lugar na sua sociedade.
Agradeci o meu novo corpo andróide, e disse que ia pensar no assunto.
Jantámos todos juntos e pelas 24horas, deixaram-nos partir no nosso caça em direcção ao sector 0-0.
Os nossos sensores não detectaram absolutamente nada no sítio onde estava a cidade.

Caça pesado EFAS-43243
24horas 12 minutos


Lagrange saiu do cockpit e foi ter com NIA. Sentou-se à frente dela.
NIA, eu ainda não sei o que dizer disto tudo.
Passaste o tempo todo a olhar-me.
Não consigo evitar.
O cabo Gonzalez consegue.
O cabo Gonzalez deve ser gay.
Olhe que eu ouvi isso! - Respondeu Gonzalez no cockpit! Sou muito hetero. Só aprendi a não me meter com os engates dos meus superiores.
Lagrange fechou a porta.
NIA ri
u-se.
Nunca te tinha visto a rir.
Não tenho direito a ter um sentido de humor?
Sim, tens. Peço desculpa se fui incómodo lá em Robótica.
Deixa estar. Até achei fofo. Podes tentar ser mais discreto.
Podes já não estar na minha mente, mas nunca saíste dela.
Eu também estava preocupada com vocês. E também estou preocupada com a nave Esperança.
Não estou a falar disso.
Fica-te muito bem estares preocupado comigo. Só que não é a altura indicada. Eu estou bem David, a sério!
Essa pressão arterial alta em ti está a incomodar-me.

(Continua)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 8 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Estes tipos não brincam em serviço. Deram cabo do caça sem nos matar. Desarmaram-nos, extraíram qualquer coisa das minhas nanites, não consigo estabelecer nanocomunicação com lado nenhum e não consigo me levantar. Eles querem qualquer coisa de nós... Mas não nos estão a dar o tratamento típico de prisioneiros.
Pode ser o tratamento típico do futuro!
Pode até ser Gonzalez, mas eu sugiro que esperemos para ver.
Como é que pode estar tão calmo nesta situação?
Lembre-se do seu treino. Permanecer calmo para conseguir pensar. Você já é cabo. Comporte-se como tal.

Peço desculpa capitão. Nunca estive nesta situação.
Olhe, eu precisei de urinar e o meu uniforme não processou a urina, portanto eu estou numa situação pior!


Planeta Cronos, Tenda da sábia
12H02min
A sábia estava a fechar um negócio de compra de nanites quando o seu comunicador começou a tocar insistentemente.
Desculpe-me!
Spectrum, atende isso! Gritou a sábia.
Bem sei que isto são nanites nível 1 e já com alguma idade, mas não pode mesmo subir a oferta?
Amigo, já andamos nisto há quanto tempo? Sabes que não vou dar mais.
Aqui não há fábricas de nanites, ainda vai chegar o dia em que vou ser eu a ditar os preços.
Quando esse dia chegar, falamos. Como de costume, recebes o pagamento após a entrega, no sítio do costume. Até à próxima!
Até a próxima.
O homenzinho saiu, e logo depois chega Spectrum ao pé dela:
Maria, tens mesmo de ir ao comunicador. É o agente PéNaCov.
A sabia dirige-se ao comunicador
.
Que se passa Serguei?
Não há qualquer comunicação com a Esperança desde pelo menos as 25h de ontem.
Já passaram 13 horas. Suponho que não saibas a posição da nave nessa altura.
A posição da nave é sempre desconhecida.
Tu és um homem da TIA, sabes sempre mais do que aquilo que dizes. Diz lá o que queres e não me faças perder tempo.
Olha só quem fala. Tu também sabes sempre muito mais do que dizes e também sei que já trabalhaste para a TIA. O que eu quero é informação!
Que tipo de informação?
Sei que tens na tua base de dados um blog com cerca de dez mil anos, com o sugestivo título “A TASCA no Unverso 25”. Quero pedir-te acesso a ele.
Eu não sei onde foste buscar esse disparate, mas eu se fosse a ti mandava uma equipa investigar um caça que foi abatido no sector 45-12.
 Obrigado, e pensa seriamente em partilhar esse blog a bem porque não quero chatices contigo.
Não há blog nenhum!
Sim, claro que não... A comunicação terminou.
Spectrum anda já aqui, que preciso de ver uma coisa.
Sim sábia. Que se passa?
Eu suspeito que estás infectado com um trojan da TIA. Desliga-te.
Mas e as minhas tarefas?
Tratas delas depois.
Spectrum desligou-se, e a sábia saiu.


Planeta Cronos, sede da agência de informações. Localização desconhecida
12H15min

Serguei está reunido numa pequena sala, sentado à mesa com uma equipa de dois homens, três mulheres e 2 robots.

Um caça foi abatido no sector 45-12. Como estamos sem comunicações com a Esperança não temos mais detalhes. Não vão mandar mais caças para saber o que se passou. Portanto vocês são a equipa escolhida para investigar o que se passou, e trazer os sobreviventes se os houver.
Sector 45-12? Existe algum portal de salto terrestre por perto? Perguntou um dos homens.
Não. O mais perto está a mais de 100 km respondeu um dos robots.
Não podemos usar transportes voadores nem portais de salto. Vai ser mais uma daquelas...Exactamente o que estás a pensar Laura. Vocês os 7 foram escolhidos pela vossa excepcional capacidade de improviso. Elaborem um plano, apresentem-mo, e preparem-se para executá-lo.Serguei sai da sala, e estava um outro agente à espera à porta.
Segue-me. Preciso que me faças uma cópia de uma base de dados que está nas mãos de uma mulher. Mas que seja feita sem ninguém dar por isso.
Que tipo de base de dados?
Eu não sei, mas suponho que seja uma base antiga num formato ultrapassado.
Estou a ver. Quem é essa ex-agente?
A sábia.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 7 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

– Não. No entanto não precisa de se preocupar. Já todos nós a vimos sem roupa. – Disse o robot que chegou por último.
– Nenhum de nós usa roupa, por isso não nos ocorreu que precisasse, até que há cerca de duas horas pensei que sendo fisicamente uma réplica de um ser humano, poderia estar programada para ter os mesmos comportamentos. Foi então que fui à procura deste lençol.
NIA olhou para eles
-Já todos me viram nua?

Nave de batalha Esperança, suite da rainha Hara.
9H30min

Hara acordou tarde e bem diposta. Foi ao duche, vestiu-se e quando ia para o refeitório parou num corredor e recorrendo a um comunicador contactou Ótárius.
– Bom dia comandante. Como estão as coisas hoje?
– Sua majestade... Todo o 5º andar e toda a tripulação dessas cabines estão infectados com protanerabacter. Ao que parece uma versão diferente, resistente aos antibióticos que tínhamos.

– Todo o 5º andar? Como é que isso aconteceu?
– A primeira pessoa que notámos estar infectada foi o senhor Óxinol, mas depois percebemos que ele é apenas um. O subcomandante Pennus, e toda a tribulação com cabine nesse andar estão de quarentena. Estamos a desligar todas as unidades de processamento e computadores da vizinhança.
– Há perigo para as pessoas?
– Até agora, só têm sido afectados sistemas e tripulação com nanites imperiais.
– Mantém-me informada
– Sim majestade!
Hara desligou e continuou em rumo ao refeitório.

Planeta Cronus. Sector 44-12 ?
12H02min

Gonzalez recuperou a consciência. Estava em cima de uma maca. O seu uniforme estava intacto. Numa maca ao lado, estava Lagrange, com uma máscara sobre metade da face.
– Capitão! – chamou, em voz baixa.
– Sim cabo, finalmente acordaste. Não precisas de falar em voz baixa. Até agora, por aqui só vi robots. Daqueles que conseguem ouvir o som de um pelo a cair no chão. Tem só cuidado com o que dizes.

– Fomos atingidos por um míssil?
– Sim.
– Somos prisioneiros?
– Isto não se parece com nenhuma prisão que eu conheça, e supostamente até estão a tratar de nós.
– É seguro eu levantar-me?
– Pode até ser, mas pelo menos a mim, “desligaram-me as pernas”.
Gonzalez tentou mexer uma perna e não conseguiu.
– Céus! A mim também! Então somos mesmo prisioneiros?

– Não vamos tirar conclusões precipitadas.
– "Não vamos tirar conclusões precipitadas"? Está a brincar senhor?

(continua)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 6 )

por Matemaníaco
Continua (daqui)

Nave de batalha Esperança, centro médico.
Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 04H00min

O senhor Óxinol continua intoxicado. Com protanerabacter no organismo não temos forma de o por sóbrio com nanites. -Disse a dra Johan Taylor
E sem nanites?- Perguntou o tenente Han, segurança na Esperança
– Há dois mil e quinhentos anos que não se usa outra coisa para isto. Estivemos a ver o código fonte do programa usado pelas nanites mas ainda não está completamente percebido.
– Mantenha-o afastado de equipamento bio-electrónico que possa estar ligado à nossa rede central.
– Sim, não precisa de lembrar-nos disso. Vamos ter de o manter de quarentena e a antibióticos.
– Antibióticos?
– Também já não se usavam há milénios também. São substancias químicas que matam certos microorganismos. Por ordem real, tivemos de investigar forma de nos livrarmos destas bactérias.
– Elas não desapareciam sozinhas do organismo de uma pessoa?
– Sim, desaparecem, mas levam o seu tempo. E se tiver uma certa quantidade delas, só saem se forem obrigadas... O sr. Óxinol passou ultrapassou largamente esse número.
– Precisamos de saber com que objectivo! Embora o protocolo nos mande deixar a cabine dele de quarentena, eu quero perguntar se há forma de esterilizar todos os sítios por onde ele andou. Não preciso de lembrar-lhe que esta é a única Nave de Batalha com circuitos biológicos integrados e com nanites a fazer interface entre circuitos de diferentes naturezas.
– Do nosso tempo.
– Sim, do nosso tempo.

Nisto, chega uma mensagem ao auscultador de Han.
«Tenente, temos de evacuar o piso -5! Há protanerabacter espalhada por todo o piso e os circuitos neurológicos deste piso estão afectados!»
– Bom doutora Johan, parece que estamos no pior cenário possível. O andar da cabine do senhor Óxinol está contaminado. Vou ter de ir, e não sei se não teremos de lhe enviar mais pessoas para a quarentena.
– Como é que é isto é possível? Os scanners não funcionaram?
– Tenho mesmo de ir. Falamos depois.
O Tenente Han afastou-se a correr em direcção a um dos elevadores

Planeta Cronus. Sector 44-12 ?
Dia Presente: Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 9h30min
NIA acordou completamente nua debaixo de um lençol, em cima de uma maca.
Era estranho acordar num corpo.
Olhou para o lado e viu nove protoformes humanoides inanimados deitados em macas.
Os protoformes são robots antes de receberem a sua IA, e de terem o seu aspecto físico final moldado.
“David...” - Pensou - “Onde estás?”
Mas não tinha resposta na sua mente. Estar sozinha também era novo para NIA.
Levantou-se, e cobriu-se com o lençol. Seguiu até um espelho junto à porta e olhou para o seu reflexo. Era fisicamente uma mulher humana... mas por dentro devia ser robot.
“Ele tinha razão. Eu sou bonita...” - pensou .
A admirar o seu novo corpo?-Perguntou uma robot que acabara de atravessar a porta..
Porque me fizeram isto?- Perguntou NIA.
O som da sua voz pareceu-lhe estranho.
A minha voz. Deve ter sido ma processada.
Não se preocupe. Toda a gente a ouve com a voz que tinha quando era uma simples IA-Disse um outro robot que tinha acabado de atravessar a porta.
– Se olhar à sua volta, verá que somos todos seres artificiais providos de IAs.
– Onde está o David?
– Está assustada. Acalme-se.
– Assustada, eu? Porque é que vocês não me respondem?
– Porque não temos as respostas.
– Como não têm respostas? Vocês extraíram a minha IA do corpo dele!
– Foram robots, dos nossos, mas não fomos nós. Nós aqui somos apenas médicos de IAs e seres artificiais. Não nos cabe a nós tomar decisões, nem ter conhecimento de coisas dessa natureza.

(continua)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 5 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)


Nave de batalha Esperança, cabine do subcomandante Pennus.

Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 24h50min

Pennus tentou várias vezes voltar a contactar NIA, mas não conseguiu.
"Isto não pode ser bom sinal."-pensou.
-Computador...Esquece. Estou cansado e já não estou em condições de pensar. Liga-me ao comandante Otárius.
"A estabelecer contacto..."
"Estabelecido"
-Comandante, estou há 20 minutos a tentar contactar a IA do capitão, mas não tenho resposta.
-Isso não é bom sinal.
-Estou cansado capitão. Peço para abandonar o serviço alguns minutos mais cedo e descansar. Não estou em condições de estar ao serviço.
-Está bem, está dispensado subcomandante.
-Obrigado meu capitão!
Penus esticou-se na cama se fechou os olhos.
Otárius, na ponte de comando estava sentado frente a um ecrã que mostrava o mapa supostamente conhecido do sector onde as simulações indicavam ter sido o ponto de origem do tal míssil.
-Isto não é trabalho para nós... Pennus tem razão, precisamos do Serguei e da equipa dele.
-Se me permite Comandante...
-Sim? Diga senhor Kim.
-Esta nave de batalha não é uma nave de batalha normal. Podemos activar a camuflagem, sobrevoar e scanear esses sectores.
-Sim senhor Kim... Ja Kim não é?
 Kim acenou afirmativamente com a cabeça.
-O problema é que podemos ter ali tecnologia 200 anos à frente do nosso tempo, por mais truques que tenhamos, somos a residencia oficial da rainha e não somos invulneráveis. Precisamos de informações.
 Neste momento a nossa tecnologia de espionagem vale zero!

Planeta Cronus. Sector 44-12 ?.
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 25h30min

Lagrange acordou mais uma vez numa enfermaria, mas nesta, todos os médicos e enfermeiros eram robots.
Na cama ao lado estava o cabo Gonzalez a ser tratado por outra equipa de robots.
"NIA?" - Pensou Lagrange... mas NIA não respondeu.
"...Está bem, eu mudei o comando. Estás aí NIA?"- NIA continuava a não responder.
-Sabemos que consegue ouvir-nos - Disse um dos robots. - Extraímos a sua IA e estamos a repará-lo.
-Extraíram a minha IA?
-Não vale a pena tentar mover-se. Até acabarmos não conseguirá mexer outra coisa a não ser a boca.
 Sim, extraímos, mas as suas nanites vão continuar consigo com outro tipo de interface.
-Quem são vocês?
-Somos as pessoas que estão a tratá-lo.
-Pessoas? Sem querer ofender, vocês são robots.
-E um robot não pode ser uma pessoa?
Lagrange calou-se por uns segundos.
-Está bem, peço desculpa. Não volto a cometer esse erro... Sabe... eu preciso de saber o que é vão fazer com a NIA. Eu gostava de a ter de volta na minha mente.
-Se ela estiver de acordo, voltará a tê-la na sua mente e a monitorizar as suas nanites.
-Faz ideia de porque é que o nosso caça foi antingido?
-A função aqui da minha equipa é tratá-lo. Alguém depois falará consigo sobre isso. Agora vamos fazê-lo descansar mais um pouco.
De repente Lagrange adormeceu.

Noutro sítio, outra equipa de robots estava a trabalhar um corpo feminino.
Ela acordou.
-Olá NIA. Bem vinda à vida..
NIA piscou os olhos. Abriu e fechou a boca, mas sem sair um som.
-Utilizámos o seu avatar para modelar o seu corpo a partir de um protoforme. O seu software está a ser actualizado para que aprenda a usar o seu novo corpo.

Nave de batalha Esperança, bar.
Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 00h48min
Óxinol já estava bem bêbado, quando chegou um dos seus seguranças para o levar.
-Hic! Vá não sejas chato... eu só quero mais um sumo de pota * hic protanera.
-Vocês servem isso aqui? Isso é proibido nesta nave por ordem! - Disse o segurança para o barman.
-Nós não temos nada disso aqui.
-Dado o estado dele, eu tenho de discordar, ele consumiu algum derivado de protanera sim. Vou levar o sr. Óxinol e depois sou obrigado a reportar o acontecido.
O segurança saiu com Óxinol sobre o ombro a ouvir insultos.
-Estás parvo? Que deste ao senhor Óxinol?-Perguntou um dos barmans ao que estava a servir o senhor Óxinol.
-Só o habitual, o cocktail número 23.
-O 23 nem é alcoólico!
-Sim, eu sei. Ele deve ter misturado qualquer coisa que trouxe com ele.
-Temos de guardar os copo dele para quando chegarem os guardas.
-Temos?
-Não fazes mesmo a mínima ideia dos problemas que podemos arranjar se alguma das nossas bebidas contiver algum derivado de protanera.

(continua

domingo, 28 de outubro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
I - Casado com a ex-concubina preferida do Imperador.


por Matemaniaco 

Naquele dia, Solo acordou sobressaltado do seu pesadelo.
Há já vários dias que sonhava com a sua morte às mãos do Imperador, que ficava assim com o caminho aberto para avançar e reconquistar Troy.
"Eu jogo limpo e perdi...Ela nunca me perdoaria! És um excelente capitão." (ver isto)
Tinha-lhe dito o imperador alguns dias antes, e as palavras não saíam da mente de Solo.
Ao seu lado, Troy ainda dormia.
Solo sorriu, beijou Troy, foi a um duche rápido, vestiu a farda, tomou um toké, saiu de casa e correu para a estação de Hipercomboios de Galieo.
Chegando lá estava lá apenas mais uma pessoa sentada à espera do comboio.
-David! Que fazes aqui tão cedo?
-Vivas Bat, meu cabrão! Isso pergunto-te eu.
-Eu acordei mais cedo e decidi vir arejar.
-Arejar fardado e sem Ítaca? Homem, estás mesmo mal!
-Então e tu? Com um mulherão daqueles e estás aqui sozinho?
-Sabes que, a minha ligação com a minha esposa é única neste universo. Que se passa amigo?
-Isto de estar casado com uma ex-concubina do Imperador...
-Capitão Solo, vais me dizer que ainda andas com esses problemas? Foi contigo que ela casou! É só contigo que ela dorme! Pareces um adolescente pá! Tens motivos para duvidar dela?
-Dela?Nenhuns!
-O imperador tem um harém, ele quer lá saber da Ítaca!
-Já foi a concubina preferida dele!
-Sim, já. Mas isso está no passado! Em vez de estar aqui devias estar em casa a falar com... Quero lá saber de falar, devias estar lá a fazer amor com a tua mulher!
-Eu preciso mesmo de arejar.
-Fardado?
Nisto chega o Hipercomboio.
Solo e David Lagrange entram numa carruagem, e sentam-se frente um ao outro.
-Solo, eu conheço pessoalmente o imperador. Ele considera Ítaca uma amiga e não tem qualquer outro interesse nela. Aliás, ele trata-a por Troy!
-Sim, eu sei. Ela mesmo já me disse isso. Não quero voltar a tocar no assunto com ela.
-E então? Não chega?
-Está bem, olha para ti. Toda a vida foste um mulherengo do pior tipo que há. Diz-me que de vez em quando não te apetece voltar à tua velha vida.
-Pá... Se eu não tivesse muito bem servido, nem a tua mulher me escapava!
-É exactamente esse o meu problema! O homem mais poderoso do império não está "bem servido".
-Ups. Eu realmente devia devia pensar antes de abrir a boca...
 Como não está bem servido com aquele harém de mulheres de todo o universo escolhidas a dedo para ele?

-Tenta alguma coisa com Ítaca e podes perder alguma coisa que te faz falta!
-Não te preocupes querido. Eu não me metia com Lagrange nem por ordem do imperador! -Diz Troy que acabava chegar ao pé deles.

Troy senta-se ao lado de Solo e agarra-lhe na mão.
-Eu adoro ver o meu homem fardado!
-Olá Troy.
-Olá amorzinho.

-TTTu sabias que ela ia aparecer?-Pergunta Lagrange a Solo
-Claro que sim. Se eu não conhecesse a minha minha mulher que tipo de marido seria eu?
-Um capitão da guarda que casou com uma concubina do imperador?-Respondeu Lagrange.
-Ex-concubina! Actual conselheira e governadora de Galileo. - Corrigiu Troy
De repente o Hipercomboio para.
-Eu vou ficar aqui. Gostei de rever-vos.
Lagrange saiu. Lá fora, à sua espera estava uma NIA de carne e osso.
Olhando pela janela Troy diz a Solo
-Aquela mulher é lindíssima.
-É muita areia para a carroça dele. Nunca o vi manter um par por mais de duas semanas...
-As pessoas mudam. Ele já está com ela há vários anos!
-E eu devo acreditar que ele tem sido fiel?
-Eu sei que tem sido...

O hipercomboio volta a andar...
-Como podes saber disso?
-É informação secreta! Agora diz-me.. voltaste a ter o pesadelo?
-Sim, voltei.
-Estive a pensar. Se for preciso abandonamos os nossos cargos e saímos deste império.
-Mas Troy... tu adoras o que fazes.
-O imperador é meu amigo... mas no fundo sei que ele sente algo por mim. Não quero sujeitar-te a perigos evitáveis.
-Eu no mês passado ofereci-me para uma missão de exploração espacial. Ele recusou.
"Solo, se não fosses casado com Troy talvez, e só talvez te deixavasse partir."
"Solo, justamente por seres o melhor para Troy é que não te deixo partir, pelo menos, sem ela.", disse-me.
-Mesmo assim continuas a ter pesadelos.
-Achas que vão passar se sairmos daqui?
-Não sei. Ele é um homem poderoso, e tenta ser justo. Só que ordena frotas de ataque saquear outros mundos onde os imperadores não se importam com a população, está envolvido em missões de ataque conjuntos planeados pela TASCA. É difícil não temer um homem com essas características. Por outro lado, ele não suportaria ver-me chorar, por isso não te vai expor a perigos desnecessários.
-Eu sou capitão da guarda pessoal dele!
-Portanto, ele também confia em ti e não tem interesse em trair essa confiança.
-Só que...eu sou substituível.
-Eu sei. Podemos sempre ir para o império do teu antigo mentor, o Tasqueiro BoinaVerde.
-O que é que tu farias lá?
-Com o meu curriculo, eu arranjo qualquer coisa.
-Sim, mas concubinato, agora... só para mim.
Solo agarra e beija Troy.

sábado, 27 de outubro de 2012

Sobre as aventuras de Capitão Lagrange


Olá a todos.
Em primeiro lugar, obrigado por passarem pelo blog de vez em quando.
São vocês o motor deste Blog.

Sou o Matemaníaco, entre muitas outras coisas, o autor de "As aventuras de Capitão Lagrange".
Embora tente publicar regularmente, isso nem sempre me é possível, e por isso peço-vos desculpas.

Também peço-vos desculpas por algumas gralhas no português, e às vezes por alguma confusão no texto,
Por vezes ao colar o texto aqui no blog perdem-se quebras de linha e formatações.
E às vezes, alguns dias depois de ter o texto já escrito e publicado no blog, volto a rever o texto, mais por uma questão de construcção gramatical e ortografia do que para mudar a história.

Falando de ortografia, eu gosto de português do Brasil e de português de Portugal.
Sendo eu português, tento escrever sempre em português de Portugal correcto, (mas por vezes escapa alguma coisa).

No texto "As aventuras de Capitão Lagrange" não vou respeitar o tal de "acordo ortográfico".
Aliás, oponho-me a ele por vários motivos, mas não vou maçar-vos com os detalhes.

Até agora, os leitores, na sua maioria vindos do oGame não têm feito comentários a nada do que tem sido escrito neste blog,peço-vos que não se acanhem, mas evitem comentários ao português, pois eventualmente será corrigido.

Aos membros da TASCA, quero lembrar que têm acesso a um pdf (com password) com toda a história até agora na minha skydrive, o link está na página interna da TASCA.


Sendo eu um matemático desempregado, também peço-vos que passem os olhos pela publicidade, e se tiverem curiosidade, que cliquem mesmo nela de vez em quando.

Já agora, e antes de continuar a história, para quem está a seguir a história, diga de sua excelência aqui nos comentários do blog, quem está por detrás do missil que atingiu caça, e que
"variações de energia" motivaram aquela missão em primeiro lugar?
(Se ninguém está a seguir, posso sempre guardar o resto da história para mim...)

As aventuras de Capitão Lagrange regressam na próxima segunda feira, pelas 0:00
No entanto, não significa que não sejam publicadas outras coisas até lá.

TASCA, 27 de Outubro de 2012DC

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
- Capítulo 3 : Os outros ( parte 4 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)


Planeta Cronos, Sector 45-12

Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 24h12min

Por entre os destroços do caça estavam dois salva-vidas destruídos, e os dois tripulantes no chão, em muito mau estado. Gonzalez ainda tinha metade de um salvavidas sobre ele.
Lagrange tinha a cara esfolada.
NIA tentava, sem sucesso aceder à mente de Lagrange, quando recebe um sinal fraco... era uma comunicação do subcomandante Pennus.
Centro de comando astral chama NIA”
“Daqui NIA. O capitão Lagrange está inconsciente, mas aparentemente estável e perdi o controlo sobre 87% das nanites...”
“E o cabo Gonzalez, como está?”
“Lamento, só consigo monitorizar o ser humano onde eu estou instalada.”
“Peço desculpa. É a primeira IA inserida num humano com quem contacto, nem sabia que isso era possível”.
“Deixemos as apresentações para depois, quando chega a equipa de socorros? Eu não gosto de ver Lagrange inconsciente.”
“Pois. Peço desculpa... Não há equipas de socorro até percebermos o que se passou.”
“Fomos atingidos por um míssil”.
“Como sabe?”
“Faz parte das minhas funções proteger o meu hospedeiro. Algumas das nanites estiveram a monitorizar a gravação da caixa negra, mesmo estando a minha consciência desligada.”
“Sabe de onde veio o missil?”
“Lamento, apenas sei que saiu de um lançador de misseis terrestre.”
“O salvamento aéreo está fora de questão até sabermos que armamento está instalado nessa zona, e por quem. É a primeira vez que há incidentes nessa zona.”
“Compreendo. Farei o que puder para conseguir acordar o capitão”


Cratera , Planeta Cronos-Tenda da sábia

Dia Presente: 24H17min

A sábia deixou de ler o blog.
-Mais uma vez, o desmaios safou-se- disse sorrindo.
-Maria isso foi para mim?- Perguntou Ambrósio.
-Não meu caro amigo, não!
Sabes, as pessoas podem matar só para ter acesso a isto que aqui tens. A rainha tem lá em cima centenas de bases de dados  interligadas de várias épocas... mas este blog com mais de 10000 anos conta detalhadamente tudo o que se está a passar, e neste momento só eu e tu sabemos disso.
-Como chegou a esse blog?
-Isso, meu amigo... conto outro dia.
A sábia sai do quarto e Ambrósio desliga-se.
Entretanto, Spectrum estava a limpar o quarto ao lado, onde tinha ficado Lagrange nos seus dias como programador ajudante da sábia. Spectrum ficou com a conversa toda gravada.

Ponte de comando, da Nave de Batalha Esperança.
Dia Presente: 24H20min


Pennus entra naponte de comando.
De acordo com informações que acabei de receber nosso caça foi mesmo atingido por um míssil. Vamos precisar de enviar para lá as nossas forças especiais.
-Senhor, não há portais de salto terrestre num raio de 100Km.-Disse um dos homens.
-Liguem-me ao Agente Serguei PeNaCov, e assim que conseguirem contacto passem para as minhas nanites.

Pennus voltou a sair.
Ao atravessar a porta encontrou Otárius.
-Comandante! Tenho notícias!
-Finalmente!
-Confirmei o que sugeriam as simulações. O nosso caça foi mesmo atingido por um míssil. O capitão está vivo mas inconsciente, e continuamos sem saber nada sobre o cabo.
-Como arranjou essas informações?
-Contactei NIA, a IA que vive nas nanites do capitão.
-Bem pensado. Não vou perguntar como obtiveste o contacto, só peço que não divulgues a existência dessa IA a ninguém.
-Não se preocupe senhor.
-Já falaste com os nossos homens em terra?
-Optei por pedir a equipa especial. Mas ainda não obtive contacto.
-Vai me mantendo informado.
-Sim comandante.
-Outra coisa, eu sei que o teu turno acaba às 25horas. Peço-te que não passes o caso a mais ninguém e mantém este assunto só comigo.
-Senhor eu contactei a sábia a partir da minha cabine. Foi ela que me me deu o contacto da NIA.
-A sábia não conta...

Planeta Cronos, Sector 45-12

Dia Presente: 24H27min


Um cargueiro pequeno aproxima-se dos destroços do caça e aterra perto. De lá saem vários robots que recolhem os destroços e os homens.
NIA, detecta que Lagrange está a ser movido e envia uma nanocomunicação (comunicação por voz para nanites) para Pennus.
“Subcomandante. Alguma coisa está a mover o corpo do capitão. Não acredito que seja alguma equipa das nossas.”
Pennus não respondeu.
Um dos robots detectando a comunicação de NIA, aproximou-se de Lagrange, apontou-lhe uma estranha arma.
A arma disparou, e desligou NIA.
Os robots limparam todos os vestígios, e entraram no cargueiro, que levantou voo.

(continua)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
- Capítulo 3 : Os outros ( parte 3 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Ponte de comando, da Nave de Batalha Esperança.
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 20h03min

Otárius entra na ponte.
-Meus senhores, relatórios actualizados se fazem favor.

-
Ainda não sabemos nada do cruzador perdido senhor.
- Continuamos sem conseguir contacto nem com as nanites do capitão Lagrange.
- Já viram os dados dos nossos sensores?
- Já senhor. Com alguma interpolação, alguma extrapolação e os dados presentes as nossas simulações sugerem que o caça foi atingido por um projéctil explosivo, que aparentemente partiu do sector 44- 12.
-O quê? -
Otárius olhou para o mapa e continuou -Mas não é suposto haver nada naqueles sectores!
As vossas simulações já dizem alguma coisa sobre a variação de energia que nos fez mandá-los lá em primeiro lugar?
-Não... ainda estamos a discutir hipóteses.
-Despachem-se com isso. Já perdemos uma nave e dois homens, eu não vou enviar mais ninguém para lá até ter uma ideia do que aconteceu, e não quero dizer à rainha no dia do seu aniversário que perdemos o seu amigo.
Eu vou agora para a festa. Quando eu voltar quero notícias, sejam elas quais for!
Pennus, contacta-me assim que souberem qualquer coisa.
 -Sim senhor!
Otárius saiu.
Pennus olhou para os homens e mulheres no centro de comando, sem saber o que fazer.


Cratera , Planeta Cronos-Tenda da sábia
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 22h05min

Spectrum arrumava nanites, quando o comunicador tocou. A sábia aproximou-se.
-Da Esperança? Que me querem estes a esta hora?
Atendeu a chamada.
-Boa tarde senhora Maria, precisamos da sua ajuda.
-Senhora é a sua mãe. Chame-me só Maria subcomandante... com quem estou a falar?
-Subcomandante Jack Pennus, da nave de batalha esperança. Perdemos o contacto com um caça comandado pelo seu recente inquilino David Lagrange, não o conseguimos contactar nem por nanites. Pode ajudar-nos de alguma forma?
-Dê-me alguns segundos senhor Pennus.

A sábia fechou os olhos e quando os abriu disse:
-Frequência subespacial NIA-A23486FR3-063454GARE-2096N, se conseguir entrar em contacto com ela, ela pode ajudá-lo.
-Quem é essa “ela”?
-NIA, uma
inteligência artificial que vive nas nanites dele, mas, não divulgue a informação... use-a para encontrar o vosso homem.
-Obrigado pela ajuda.

Comunicação desligada.
A sábia virou-se para o Spectrum e pediu:
-Apaga todo e qualquer registo desta comunicação.
Depois, afastou-se em direcção ao seu quarto, ligou um computador velho com aspecto antigo.
-Ambrósio apetece-me algo.
Ao que o computador responde com uma voz metalizada.
-Tomei a liberdade de pensar nisso.
-Não não, nada disso Ambrósio! Quero que me procures e traduzas um blog dos meus arquivos da Terra original. Arquivo de há cerca de dez mil anos, blog intitulado “A TASCA no Universo 25”.
-A procurar senhora... Encontrado!
-Agora está calado porque eu vou ler.


(continua)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 2 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

“A contactar, espere... beeep”
Lagrange esperava impacientemente.
Passado um minuto o computador diz:
“De momento a Dra Boavida não está disponível.”
-Obrigado na mesma”
Lagrange olhou para o cacifo mal fechado. Numa das estantes estava um tablet, com uma cópia de “O império de may”.
“Hara, para que raios queres que eu leia isso? Nunca fui homem de ler.”
Lagrange levantou-se, foi buscar o tablet e voltou para a cama.
“Será que ainda não existe isto em filme?”- Pensou.
De repente o computador avisa:
“Comunicação a chegar. Glorie L. Boavida. Atender?”
-”Sim!”
-David? Tentaste contactar-me?
-Sim, Glorie, tentei. Eu estou com um problema sério com a minha NIA.
-Que tipo de problema?
-Eu, beijei-a. Ela beijou-me de volta, chateou-se comigo e desligou-se...
-A sério? Tu fizeste mesmo isso? Isso costuma funcionar com as tuas conquistas?
-Funcionou em cerca de um terço delas.
-Tu tens isso contabilizado? Não acredito!
-É o que acontece quando se serve muito tempo o Imperador Matemaniaco.
-Não é nada que eu não esperasse de ti. Ela deve ter activado um protocolo de protecção de 6 horas. Durante 6 horas não a conseguirás ligar. Trata-a como uma pessoa, não como um objecto.
-Ela não deve ser a mulher da minha vida, visto que tu existes. A tua bisavó é humana certo?
-Sim, é.
-Não me podes dizer quem é?
-Nada de atalhos. Descobre por ti mesmo.
-Porque foram dar personalidades completas a IAs?
-No meu tempo, os últimos 50 anos as IAs “de personalidades completas”, como tu chamas, preservaram a sanidade mental de muita gente, e foram indirectamente responsáveis pela redução de doenças e criminalidade nos mundos onde foram usadas.
-E contra-indicações? Por exemplo, um esquizofrénico...
-Não te preocupes com isso. Preocupa-te contigo! Se voltas a armar-te em conquistadorzeco a tua NIA pode até reduzir-te o tamanho da tua masculinidade.
-O que queres dizer com isso?
-Quero dizer que a NIA é para ser bem tratada e respeitada.
-Pois, a sábia já me tinha dito isso.
-E mesmo assim tu...
-Caramba, puseram-me um mulherão à minha mente e eu sou obrigado a negar os meus instintos mais básicos?
-Tem juizo David. Ela pode estar na tua mente mas ela é realmente apenas um software altamente sofisticado a correr em nanites. Tudo nela é fabricado.
-Eu não consigo deixar de pensar nela como mulher...
-Podes até usá-la como teu brinquedo, mas isso vai ter um preço bem alto, que eu garanto que não vais querer pagar.
-Porque me deste uma coisa assim?
-Porque tu precisas.
-Posso viver sem estas nanites?
-Não. Tu não fazes ideia do estado em que estavas quando chegaste cá. A injecção que te dei no hospital não foi a única. Levaste dezenas de injecções de nanites para te reconstruir o corpo todo.
Nanites que podiam ter sido usadas noutras pessoas. A IA que tens instalada tem como principal função a manutenção das nanites e do teu organismo.
A NIA, foi criada assim que activaste o tutorial,e é um upgrade à IA que já estava instalada. O downgrade é impossível.
Por outro lado a NIA é fundamental para detectar desvios na tua personalidade que possam ser sintomas de algum problema médico mais sério.
Trata-a dignamente.

-Ela pode fazer-me mal?
-Não te vou responder a isso. Achas que estás em situação de arriscar?
-Merda.
-Vá. Eu tenho pacientes para tratar. Volta a ligá-la quando for possível e não voltes a fazer outra.
-Tchau, e obrigado Glorie.
-Tchau David.

A comunicação foi desligada.
Lagrange pegou no tablet e passou horas a ler “O império de may”.
Por volta das 14h16m, Lagrange pousou o tablet.
- NIA. Liga-te.
“Sim David, que pretendes?”
“Conversar contigo.”
“Sobre?”
“Eu nunca tive uma IA na minha mente antes. Peço-te desculpa se estou a ser um imbecil”
“Eu também nunca estive na mente de ninguém. Aliás, até ter sido ligada nunca conheci ninguém, de espécie nenhuma. Nunca teres tido uma IA na tua mente antes não é desculpa.”
“Pois não, mas preciso mesmo de estar bem contigo.”
“Eu admito que gosto de ti, mas não nesse sentido. Incomoda-me o facto de teres tantas ex’s, e a forma como trataste várias delas. Eu sei tudo sobre ti, não te esqueças.”
“A primeira pessoa que sabe tudo sobre mim, não gosta de mim. Obrigado. Agora sinto-me mesmo miserável”
“Que te sirva de lição. Que andaste a fazer aos teus olhos? Precisam de tratamento especial.”
“Diz-me, a tua voz, a voz que eu ouço na minha mente, também foi sintetizada para mim?”
“Sim, foi. Também queres que eu a mude?”
“Não. É perfeita!”
“Estiveste a ler?”
“Sim, o império de may.”
“Pelos teus sinais vitais, eu sei que sentes que gostas mesmo de mim, e que só queres resolver isto de qualquer forma.”
“Sim. Nunca tive uma situação destas na vida.”
“Vamos manter-nos amigos?”
“Sim, por favor. Mas diz-me, porque me beijaste de volta?”
“Nunca tinha beijado ninguém. Foi o meu primeiro beijo. Foi uma experiência agradável, obrigado!”
“E não queres repetir?”
“Ficou gravado nos meus ficheiros. Posso repetir quando me apetecer”
“Esquece.”
“Não almoçaste. Precisas de comer.”
“Não me apetece!”
“Não faças birras! Vai comer!”
“A sério, eu estou bem.”

“Não, não estás não. Precisas de comer!”
“NIA desliga-te”
NIA desligou-se. Pegou no tablet, mas já não conseguia concentrar-se na leitura.
Guardou-no no cacifo. E foi em direcção ao bar.
-Uma “Estrela da Morte” se faz favor.
-Peço desculpa, não faço ideia do que seja.
-Então, uma vodka preta.
-Lamento, por cá só temos vodka normal.
-Que seja.

Ao fim de 5 copos de vodka normal, Lagrange sai do bar e a meio do corredor grita aborrecido.
-Merda de nanites, nem deixam um gajo embebedar-se como qualquer pessoa normal!
Alguns tripulantes olharam para ele.
Lagrange afastou-se em direcção à porta 2A.
“NIA liga-te”
“Que se passa David?”
“Lá em baixo, eu desliguei-te e pouco depois perdi a consciencia porque as nanites estavam desligadas. Cá em cima eu desliguei-te e a vodka continuou a não fazer efeito. Explica-me isso”

“Lá em baixo desligaste uma forma menos sofisticada de mim. Eu só fui criada quando ligaste o tutorial. Se me desligas a mim, não desligas as nanites.”
“Como é que eu posso desligar as nanites?”
“Se o queres fazer por causa de mim, não te digo. Mas prometo que não te incomodo.”
“Não consegues fazer isso... tu não sais da minha mente estejas tu ligada ou não.”
“Desculpa...”
“Preciso mesmo de saber como desligar as nanites.”
“Lamento, sem me dizeres porque queres desligar as nanites, não te posso dar essa informação!”
“Quero poder beber e sentir o efeito da bebida de vez em quando.”
“Razão válida. Um dia, digo-te como. Não hoje.”
“Não gosto dos comandos para ligar-te e desligar-te... posso mudá-los ?”
“Sim, podes, qual deve ser o novo comando para ligar-me?”
“NIA... Eu não gosto mesmo desse verbo. Para mim és uma pessoa! Muda isso para sei lá...«Estás aí NIA?»”
“Comando mudado. David, eu não posso alterar aquilo que eu sou.”
“Eu sei.”
“Qual deve ser o comando para desligar?”
“Tchau NIA”
“Comando mudado.”
“Tchau NIA”

NIA desligou-se.
De repente Lagrance ouve:
“Boa tarde capitão Lagrange. Está a receber uma nanocomunicação do comando astral. A sua missão é de reconhecimento. Deve seguir com o cabo Gonzalez no caça pesado A84 em direcção ao sector 45-12.
Foram detectadas estranhas variações de energia na zona, e os nossos sensores não conseguem analisar a região.
Deve comunicar e transmitir qualquer situação anómala.
O comando é seu.”
Lagrange atravessou a porta 2A, passou por um tunel transparente de energia, entrou no caça, vestiu o equipamento de voo e sentou-se ao lado do cabo Gonzalez.
-Boa tarde amigo. Vamos lá ao nosso passeio.
-Sim meu capitão.

O túnel foi desligado. Então a nave partiu a toda a velocidade para o sector 45-12.
Após uma hora, o local tinha sido todo sobrevoado duas vezes
- Variações de energia? Isto parece uma selva sem animais.
-Concordo senhor, aqui não parece haver nada. É estranho não se registar qualquer tipo de fauna.
-Também concordo.

De repente o caça é atingido por um míssil, e explode.

(Continua)

sábado, 20 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 1 )

por Matemaníaco
Continua (daqui)

“Um império construído rapidamente, é um império de corsários e ladrões! Treinem os nossos homens para a pirataria, porque eu tenho pressa!” - Disse o imperador.
Fernão Hopes , “O império de may”

Eram 5h59min e David Lagrange acabava de chegar fardado e preparado à porta do escritório do comandante.
NIA estava desligada há mais de doze horas.
“NIA, liga-te.”
“Bom dia Capitão Lagrange.”
“Chama-me David”
“Desculpa. Deixaste-me desligada, chamo-te o que me apetecer.”
“Estou prestes a apresentar-me ao comandante. Só queria dizer-te olá e pedir-te desculpa.”
“Já disseste, e já pediste.”
NIA desligou-se.
A porta abriu-se e Lagrange entrou.
-Bom dia capitão Lagrange.
Pontualidade absoluta! Gosto disso num oficial!
-Sim senhor!
-Esteja à vontade. Viu toda a documentação que lhe foi mandada?
-Sim senhor!
-Importa-se de me dizer qual a nossa frota actual, sem recorrer às suas nanites?
-Uma nave de batalha, cinco cargueiros pequenos. Dez caças pesados e três caças pequenos.
-Quem comanda o Aristóteles?
-Aristóteles, cargueiro pequeno modificado com dispositivo de camuflagem, é comandado pelo capitão Dimitroc Jovian.
-Está bem, fez o trabalho de casa. Neste momento temos, um hangar nível 2 lá em baixo em Cronos. Em breve a nossa frota aumentará.
Como temos falta de homens, as naves serão totalmente automatizadas ou pilotadas por robots. No entanto, a rainha quer um grupo de naves comandadas por humanos.
O primeiro cruzador que produzirmos será teu.
Até lá acompanharás várias das nossas missões. Não te preocupes, não serás um turista. Vamos manter-te com trabalho sério.
Às 15 horas acoplará um caça pesado que te levará à superfície para a tua primeira missão. Receberás os detalhes na hora, por nanites.
E sê bem vindo a esta frota astral!
-Obrigado senhor.
-Ainda não tomei o pequeno almoço. Acompanhas-me?
-Obrigado pelo convite. Aceito sim senhor.
-Vamos deixar-nos de formalidades. Antes de chegarmos cá, a sua patente astral era de comandante, tal como a minha. A única coisa que nos distingue, é que servíamos senhores diferentes, tu estiveste um ano em coma e eu tenho mais 5 anos de experiência que tu.
-E eu venho de um ponto mais à frente no tempo.
-Em 10 anos o nosso universo alterou-se assim tanto? Vamos até ao refeitório. Conversamos pelo caminho.
-Nem por isso. Reinos passaram a impérios, impérios desapareceram... nada que não seja habitual há centenas de anos. A propósito... A contagem do tempo aqui, como se faz? Não faz sentido usarmos uma contagem do universo de onde viemos. Aqui há gente de várias alturas do espaço tempo.
-Dentro desta nave, continuamos a usar o calendário em vigor no reino oGamus, mas estabelecemos um novo calendário hoje à noite.
-Porquê hoje?
-Porque hoje, no nosso universo seria o aniversário da rainha Hara. Foi proposto pelos nossos cientistas.
-Como funciona?
-Foi escolhido um ponto de referência no tempo e os anos começarão a contar-se a partir de lá.
-E que ponto é esse?
-A data do primeiro registo de população feito por cá.
-Conseguiram registar toda a gente?
-Claro que não... e não sabemos nada de mais de metade da população. Registados só temos pouco mais de 2300, e de momento não podemos censurar quem não quis se registar. Não temos forma de garantir a segurança a toda a gente lá em baixo. Homens como nós são muito raros por aqui. A maioria dos comandantes morre ao chegar cá. Eu próprio readquiri a minha patente porque o comandante Jamaica, comandante desta nave morreu, e o nosso subcomandante, 2º na linha de comando teve azar numa missão em que supomos a nave onde ele estava saltou, e ninguém sabe para onde.
Mas mais raros que nós ainda são seguranças, e forças militares terrestres, e sem esses homens, não conseguimos manter a segurança lá em baixo.
-O comandante disse”readquiri”?
-Eu tive uns problemas com um almirante, e ele pôs-me na prisão por 2 meses, com redução de patente.
-Epa, isso é algo que eu gostaria de ouvir!
-Chegámos ao refeitório. Segue-me, temos prioridade.
Passaram à frente de uma fila de 20 pessoas.
-Bom dia senhor, o que é que vai tomar?
O comandante vira-se para Lagrange e pergunta-lhe:
-O que é que vais tomar?
-Um café com leite e uma sandes de bangue.
-O habitual para mim, um café com leite e uma sandes de bangue aqui para o capitão.
-Podem ir para a mesa. Já vos levo o pequeno almoço.
-Obrigado José.

Lagrange seguiu o capitão e sentaram-se numa mesa à janela. Via-se perfeitamente o planeta, e o enorme campo de destroços.
-Um campo tão grande não devia dar origem a lua?
-Os nossos computadores dizem que sim, mas nunca conseguimos a opinião de um astrofísico.
-Deixe-me adivinhar, também são raros!
-Sim, mas a rainha já conseguiu recrutar quatro que estão a estudar o caso a partir daqui, da esperança. Bom agora, diz-me tu, o que é que achas disto tudo?
-Para mim, é tudo novo. Desde ter nanites, a cicatrizes em várias partes do corpo... Até o meu... “instrumento” é novo! Depois este lugar, voltar a ser capitão, … Isto é algo que não acontece a ninguém! Nem na melhor ficção que temos! Sou um homem novo num lugar novo.
-A rainha disse-me que as suas nanites são de à volta de 2100CO, nanites a um nivel acima de 80?
-Sim, e não... não são nanites como as feitas nas nossas fábricas de nanites ou como as nanites imperiais habituais. Pelo que percebi são nanites desenvolvidas de raiz especificamente para seres humanos, pois parece que a partir de certa altura tornaram-se obrigatórias em todos os seres humanos para controlo de doenças.
-Estou a ver, e pelo que percebi, essas também têm uma IA?
-Sim... mas o senhor está muito bem informado!

-Não aceito ninguém com tecnologia ao meu serviço sem estar informado sobre ela.
-Boa filosofia. Sim, tenho uma IA, cujo avatar deve ser a mulher mais atraente que eu alguma vez conheci na vida. E está a dar comigo em doido ela não ser “real”.
-Ó David, há várias soluções para isso, mas a melhor que posso dar-te é que arranjes uma namorada real, e mantenhas a relação com a tua IA profissional.
-Eu já me disse isso algumas vezes... mas é ela que está literalmente sempre na minha mente. Optei por mantê-la desligada e usar um interface mais tradicional.
-Por mim, até podes casar com a tua IA, que não serás o primeiro a fazer isso. Só espero que essa relação não interfira negativamente no cumprimento das tuas obrigações para com a frota astral .
-Convenhamos que a ideia de ter uma IA com estas características e com personalidade completa em nanites não me parece ser a ideia mais feliz que vão ter num futuro próximo.
-Não sei, devem ter tido alguma boa razão para isso. Pode ser que a descubras.
Entretanto chegou o tal José com os pequenos almoços. Colocou-os na mesa.
-Cá está meus senhores. Tenham uma boa refeição.

E afastou-se,
-Vou ser honesto contigo. Gosto da tua sinceridade, do que vi da tua folha de serviço, invejo a tua IA, e não gosto que sejas amigo da rainha.
-Qual é o problema de eu ser amigo da rainha? Eu valho por mim mesmo. Não preciso de favores de ninguém!

-Sim, mas se não fosses amigo da rainha, hoje não estarias aqui. Só estarias aqui depois de teres te registado lá em baixo.
-Eu não sabia de nada disso.
-Não te preocupes, sei que não pediste nada disto. Eu reconheço um bom homem quando vejo um.
Assim que acabaram, saíram do refeitório e despediram-se um do outro:
-Gostei de te conhecer capitão Lagrange. Sempre que puderes, aparece.
-Igualmente comandante Otárius.

Lagrange voltou para a sua cabine. Deitou-se na cama e activou o programa tutorial nas suas nanites.
Na sua mente, Lagrange voltou à sala toda branca, onde estava sentado à frente de NIA.
Levantou-se, chegou à frente de NIA, agarrou-a e beijou-a... “à francesa”.
NIA a princípio não reagiu. Depois, correspondeu ao beijo.
“Foi por isto que não te liguei ontem. Desde que te conheço que não sais da minha mente.”
“Sim, mas, eu fui desenhada para ser assim!”
“Não é isso que eu quero dizer... quer dizer... se calhar até é. A verdade é que não quero saber. Estou doido por ti.”
“A sábia avisou que isto era má ideia.”
“Que se lixe a sábia. Preciso de saber, que sentes tu?”
“Sinto que estou confusa. Primeiro ignoras-me, depois de repente isto...”
“Está bem, eu já te pedi desculpas, e volto a pedir. Tu beijaste-me de volta!”
“Sim, beijei. Não te sei justificar porquê. Deve ser parte do meu programa.”
“Esquece o teu programa. Diz-me... porque te aborreceste por eu não ter-te ligado ontem?”
“Devo estar a precisar de manutenção.”
“Não precisas de manutenção nenhuma! Podes ser uma IA, mas és uma mulher, e sentes algo por mim!”
“Isso é muito presunçoso não te parece?”
“Faz uma análise de sistemas, mas eu quero voltar a beijar-te.”
“Eu não quero ser o teu software de fantasias eróticas”

NIA terminou o programa e desligou-se.
Lagrange acorda e olha para o relógio -screensaver no monitor na parede.
-8h00. Definitivamente uma IA nas minhas nanites foi uma péssima ideia.
Sentando-se à frente do monitor diz:
Computador, manda esta mensagem à rainha Hara: “Parabéns Hara”.
“Mensagem enviada”
-É possível contactar alguém à superfície do planeta?
“Negativo. As comunicações para o planeta requerem uma autorização E-alfa-aleph.”
-Onde arranjo isso?
“As autorizações E-alfa são emitidas pela IA central desta nave, automaticamente.”
-Óptimo, tenho de esperar que ela se lembre de mim!
“Um ele neste caso. Bom dia Capitão Lagrange, eu sou o IAC Esperança, a inteligência artificial central da nave Esperança. Precisa de uma autorização E-alfa-aleph? ”
-Sim, preciso de contactar a minha médica, Glorie Boavida.

(continua)