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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA
Volume 1
V - O Pirata DoiDoi
Parte 1


Por Matemaníaco
(Baseado em factos verídicos)
Há exactamente um mês e nove dias...

Centro de comunicações do império de Mat, departamento diplomático.
A TASCA tinha sofrido um ataque não provocado por parte de um membro da coligação dos impérios: o pirata DoiDoi.
Matemaniaco: A mensagem diplomática saiu?
Troy Solo: Sim saiu.Passada uma hora.
Matemaniaco: Continuamos a não obter resposta? 
Troy acenou negativamente.
Matemaniaco: Contacta toda a TASCA: que comece o fogo de artifício
Passada outra hora
Troy: Imperador, não recebemos resposta, mas a TIA informa-nos que interceptou uma comunicação da coligação dos Impérios. O Pirata DoiDoi está a acusar a TASCA de ter começado as hostilidades.
Matemaniaco: Portanto, ficamos a saber que as comunicações dele funcionam muito bem. Só não nos quer responder, e está a mentir perante a coligação para ver se nos leva para guerra...
Troy: É muito lamentável senhor.

Passada mais uma hora.
Troy: mensagem da TIADoiDoi admitiu que foi ele que começou as hostilidades, mas requer apoio da Coligação porque sozinho não aguenta com a TASCA.
Matemaniaco: Troy, espero estar enganado, mas esse palerma um dia abandonará a coligação e eventualmente vai querer entrar na TASCA.
Troy: É um cenário que já se repete há milénios na história da humanidade.
Matemaniaco: A maioria, com desfechos catastróficos! Lamento. Quem não responde a diplomacia e nem sequer a uma mensagem nossa não tem lugar na TASCA. Redige tu uma mensagem a avisá-lo que nunca será aceite na TASCA e envia-a. Duvido que o cretino se digne a responder-nos.
De facto, a resposta nunca chegou.
Passadas várias horas, o agente Captain_Price 007 bombardeou um dos planetas de DoiDoi.
Ao fim de alguns dias, DoiDoi abandona a coligação.

Passadas três semanas, a TASCA recebe uma mensagem do Imperador Bejekas.
"Eu quero o Imperador SempreASomar nesta aliança. Mas ele impôs uma condição: Só adere se o imperador DoiDoi entrar na TASCA".
Troi ao ver a mensagem liga para o Capitão Solo.
Troy: Tenho uma má notícia!
Capitão Solo: Que se passa amor?
Troy: O  Imperador SempreASomar só entra na TASCA se o "Imperador" DoiDoi entrar.
Capitão Solo:"Imperador"? Esse nojento é um pirata que nunca respondeu sequer a uma mensagem do nosso império. Queres que eu dê o recado ao imperador?
Troy: A política está a ficar cada vez mais suja... Sim faz-me esse favor.
Capitão Solo: Suja, principalmente de sangue.
Assim que o imperador Matemática recebeu a mensagem, demitiu-se do cargo de relações diplomáticas e enviou a seguinte mensagem para a TASCA: ele entra e eu saio.
Aparentemente a mensagem foi entendida. e durante duas semanas não se falou no assunto.

Mas ontem... chegou uma nova mensagem. Falavam em "segundas oportunidades"...
Troy e Matemaniaco olham para a mensagem incrédulos.
Desta vez o próprio Matemaniaco perde o seu precioso tempo e escreve directamente ao imperador SempreASomar:


Vivas.
Constou-me que só vens para a TASCA se o DoiDoi for aceite.
Para te ser 100% honesto eu tenho sérios problemas em aceitar quem enquanto esteve na Coligação fez um ataque não provocado, sem lucro a um dos nossos (parecendo mesmo algum tipo de provocação ou retaliação), e tendo tido hipotese de resolver as coisas diplomaticamente preferiu ir chorar para a aliança (logo a Coligação)...
Eu não quero esse tipo de comportamento na TASCA, e é por isso que eu sou um dos que se opõe à entrada dele. (Não sou o único)
Agora tu, como sabes, és muito bem vindo.
Consegues garantir-me que ele na TASCA comporta-se, não vai andar por aí a provocar outros (tirando aqueles que já são os nossos alvos habituais...), e passa a ao menos ter a decência de responder a mensagens privadas, seja lá de quem for?
Eu não tenho nada contra dar 2ªs hipóteses às pessoas, aliás até acho que toda a gente tem o direito a errar, mas tenho muitas reservas quanto a este tipo de "Imperadores".

SempreASomar respondeu que não queria "ser do contra".

Face à votação que está neste momento prestes a aprovar a entrada de DoiDoi, Matemaniaco pediu a Troy que cortasse unilateralmente as comunicações com a TASCA, enquanto considera a saída da TASCA do universo 25.

Numa sala reunidos, estão Capitão Lagrange, Capitão Solo, NIA e Troy.
Lagrange: vamos mesmo abandonar a TASCA?
Troy: Pelo que eu conheço do Imperador, é uma forte hipótese.
Solo: Eu estou com ele a 100%, decida ele o que decidir.
NIA: Política não é lógica. Segundas hipóteses devem ser merecidas e não impostas por capricho de um amigo, por mais poderoso que seja.
Troy: Lamento mesmo.
Lagrange: Acabei de apresentar a minha demissão da frota da TASCA. Fui imediatamente aceite como Comandante na frota do Imperador.
NIA: Não te estás a precipitar David?
Lagrange: Antes de ser TASCA, sou fiel ao meu imperador. prefiro estar com ele do que estar numa organização com pessoas em quem não confio. Aqui, a minha patente é mais alta.
Solo: Vou dispensar todo o pessoal TASCA das minhas forças.


Nota do autor:
Como protesto pelos acontecimentos recentes abandono a publicação de histórias neste blog.
Podem continuar a ler as minhas histórias no Blog "As histórias do Mat" 

Até um dia.

Matemaníaco

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
Capítulo 3 : Os outros
( parte 13 )


por Matemaníaco
(Continua daqui) . Pode ver um resumo da história até agora aqui.

– Lagrange, não está preocupado com Hara e o resto dos tripulantes da Esperança?
–Hara está viva. Ela estava viva no ponto temporal de onde a minha exploração partiu, e você sabe o que está a fazer...
– Eu não posso estar aqui a perder tempo consigo. Quero que você e Gonzalez se metam no vosso cargueiro, que passou na nossa inspecção, e vão lá acima juntar-se à missão de procura de sobreviventes. O responsável pela missão é o capitão Dimitroc Jovian. Siga as suas instrucções.
Entretanto vou ver o que se passa com a sua boneca.
Lagrange saiu em direcção à tenda.
Chegando lá, sugeriu a Natália que tratasse do transporte da sábia para um sítio seguro, e fora do alcance de PéNaCov, ainda explicou a Glorie que todos os computadores, robots e instrumentos da sábia deviam sair dali, para segurança de todos.
Glorie não fez perguntas e disse que tratava de tudo.
Lagrange, antes de sair, despediu-se e beijou a face de Natália.
Depois, junto com Gonzalez, correu para o seu caça.
Já no cockpit do caça, Gonzalez não conseguiu deixar de observar:
– Você anda metido com a enfermeira e com a boneca? Tem mais alguma?
– Eu cheguei cá há apenas uma semana.
O caça começou a voar em direcção ao espaço.
– Mas a ter de ficar com alguma, eu quero a NIA.– Continuou Lagrange
– A boneca? É doido! A enfermeira é um mulherão.
– Conselho de um tipo que antes dos 20 anos já tinha namorado com cinquenta mulheres de todas as idades: Não deixe o aspeto físico ou a espécie decidir quem vai ser a sua companheira.
– Cinquenta? Vá mangar outro!
– Como queira.
– Sim, sim, cinquenta...
Lagrange manteve o silencio enquanto o caça se aproximava do campo de destroços.
Receberam uma trajectória de busca, e começaram a sua missão.
Passadas doze horas, ainda sem encontrar sobreviventes ou quaisquer destroços de salva-vidas, receberam uma comunicação do capitão Jovian
“Tudo me faz crer que os atacantes capturaram os sobreviventes. Por falta de combustível, vamos cancelar a missão de busca.”
–Gonzalez, nós ainda aguentamos mais duas horas não é?
–Sim, temos combustível para mais duas... Capitão olhe para aquilo.
Lagrange olha pela janela e vê uma frota com vários interceptores.
Os sensores não mostravam nada naquele lugar, mas os seus olhos não o enganavam.
Lagrange aperta rapidamente o botão do comunicador.
– Capitão Jovian, daqui capitão Lagrange, tenho uma enorme frota de interceptores à minha frente, mas os nossos sensores não estão a detectar nada.
Passados alguns segundos Jovian responde:
– Já vos viram?
– Não sei, mas não estão a tomar nenhuma acção contra nós.
– Vou aproximar-me de vocês. Sugiro que desliguem as luzes e os motores.
A comunicação foi desligada.
– É impossível ainda não nos terem visto. O capitão Jovian aproximar-se parece-me má ideia – disse Gonzalez.
– A nave do Capitão Jovian tem um sistema de camuflagem. Para ser honesto, a única coisa que me está a incomodar é a possibilidade de estarem a monitorizar as nossas comunicações.
– Como não estamos a detectar nada, isto não pode ser algum tipo de engodo, ilusão?
– Como a Esperança foi destruida, não vamos assumir nada.
– Quem diabos são estes gajos?
– São outros sobreviventes... Se já nos detectaram, decidiram não comunicar.
Cerca de três minutos depois, Jovian envia uma mensagem via nanites a Lagrange.
“Chegámos ao vosso lado. Novidades?”
“Nenhumas. A vantagem está do vosso lado. A camuflagem do Aristóteles torna-o na nave ideal para se aproximar.”
“Querem vir connosco? Temos um teletransportadores”
“Vou perguntar aqui ao meu copiloto.”
“Dois dos nossos robots ofereceram-se para vos substituir nesse caça.”
– Gonzalez, a Arquimedes está camuflada aqui ao nosso lado. O capitão está a oferecer-nos um lugar lá, enquanto vão investigar esta armada de interceptores.
– Como é que vamos para lá sem dar nas vistas? E vamos abandonar este caça?
– Teletransportador. Dois robots deles ficam aqui no nosso lugar.
– Teletransportador? Pode ir capitão. Eu fico aqui!
“Capitão Jovian, eu vou. O meu copiloto fica.”
“Está bem. Aguarde alguns segundos.”
– Até breve Gonzalez.
O capitão desaparece à frente dos olhos de Gonzalez, e em seu lugar aparece um robot.
Na Arquimedes, Lagrange é rematerializado em frente ao capitão Jovian
– Bem vindo a bordo.
– Onde é que arranjou um teletransportador?
– Foi encontrado no meio dos destroços quando cá chegámos. Ainda não temos forma de duplicar esta tecnologia para implementar nas outras naves, por isso, não a publicitamos.
– Tem combustível para isto?
– Espero que o que temos seja suficiente.
Jovian deu sinal aos seus homens e a nave avançou em direcção à frota.

(continua)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
Capítulo 3 : Os outros
( parte 12 )


por Matemaníaco
(Continua daqui) . Pode ver um resumo da história até agora aqui.

Gonzalez saiu.
– Peço desculpa por não te ter contactado mais cedo. Passei uns dias a habituar-me à IA das minhas nanites. Depois estive fora do planeta, na Esperança e depois ainda estive um dia incomunicável.
– Não precisa de se desculpar. Eu compreendo.
– Não é nada disso, eu estou a falar a sério!
– Eu conheço a sua fama, eu nasci num ponto no seu futuro.
– Por favor não me fale do meu futuro. Deixe-me chegar lá... E por favor, aceite tomar uma copo comigo. Esqueça tudo o que julga saber sobre mim.
– Dois centímetros que passaram a trinta é difícil esquecer!
– Não fujas ao assunto!
– Eu prometo pensar nisso.
Ao fim de alguns minutos, Glorie chega à divisão onde estão Natália e Lagrange.
– Injeção de nano-desligas.
– Nano-quê?
– Nano-desligas. São nanites destinadas a fazer o paciente, perder a consciência e a depois executar funções especificas, dissolvendo-se na corrente sanguínea assim que acabam. Isto era tecnologia típica da TIA até alguns anos antes do meu nascimento.
– Se se dissolvem como é que sabes o que eram?–Perguntou David.
As nanites da sábia também são nanites fora do vulgar. Têm forma de travar as nano-desligas após a perda de consciencia. Que eu saiba, também só os agentes da TIA têm tecnologia desta.
– Ou seja, esteve cá um agente da TIA e fez a sabia perder consciência. E a sábia também é TIA?! –concluiu Natália.
Ela vai recuperar a consciência dentro de algumas horas. Fizeste bem em chamar-me. Sei que a tenda médica daqui responde a PéNaCov, que foi … ou será director da TIA, conforme os nossos pontos de origem no espaço-tempo.
– Podes examinar-me agora? É o PéNaCov que precisa de uma confirmação de que eu estou apto ao serviço. Ali na tenda deram-me um “chumbo”.
Glorie estendeu a mão a Lagrange.
Lagrange apertou-a e as nanites de ambos começaram a trocar informações.
Passados vários minutos Glorie larga a mão de Lagrange.
–Que aconteceu a NIA?
–Foi-me removida. Por robots que presumo serem do futuro.
–Tirando a remoção de NIA não encontrei absolutamente nada anormal em ti. Aliás, até estás melhor do que da última vez que te examinei. O relatório está gravado nas tuas nanites. Qualquer scanner médico consegue o ler.
–Obrigado.
Virando-se para Natália, Lagrange pede:
–Podes ficar aqui com a sábia? Eu deixo o cabo Gonzalez lá fora para se precisares de alguma coisa.
–Sim, desde que a Dra Boavida justifique a minha permanência por cá.
–Não te preocupes Natália.
–Eu vou falar com o Serguei.
Lagrange sai da tenda.
– Gonzalez, preciso que fiques aqui a guardar esta tenda. Não deixes ninguém, especialmente se estiver a servir sob o PéNaCov aproximar-se.
– Hã?
– Até já.
– Mas senhor...!
Lagrange afastou-se a correr para a tenda militar.
Chegando lá. Lagrange viu Serguei rodeado de homens... e ouviu:
– ...vamos precisar urgentemente de defesas planetárias! Esses piratas não sabem com quem é que se meteram! A destruição da Esperança não sairá impune!
Serguei viu Lagrange.
– David preciso de falar contigo em particular.
– A Esperança foi destruída?
– Um dos nossos cargueiros foi às últimas coordenadas conhecidas da Esperança, e encontrou só destroços. Alguns visivelmente do casco da Esperança. A caixa negra mostrou que tiveram os sistemas atacados com protanerabacter.
E sem controlo nenhum dos sistemas foram atingidos por misseis. Acabámos de mandar uma pequena frota em missão de procura e recolha de cápsulas salva-vidas.
– Misseis? Dos robots?
– Não, de uma nave de piratas! Para além dos robots... há outros sobreviventes.
Serguei mandou os homens dispersar e reuniu-se com Lagrange.
Apertou-lhe a mão e viu o relatório médico de Glorie.
– Óptimo! Penso que vamos ter de aceitar a ajuda dos seus robots.
– A sábia foi atacada por um agente da TIA.
Serguei vira-se para Lagrange e olha-o espantado.
– É uma acusação grave...
– Não te ponhas com rodeios comigo.
– A sábia tem consigo uma cópia de um blog com mais de dez mil anos. Um blog da Terra original que conta a nossa história e de tudo o que se está a passar por aqui. Como não é um blog vindo do futuro, não está na lista de bases de dados proibidas, e que estavam na Esperança antes da sua destruição.
– Como sabes disso?
– Eu sou um homem da TIA. Estou sempre bem informado...
– Não era mais simples pedir uma cópia?
– A sábia não quis colaborar...
– Estou a ver...
– Ela continua com a sua base de dados. O meu agente fez uma cópia indetectável.
– A posse desse tipo de coisas não é proíbido?
– Eu repito: As bases de dados “do futuro” da rainha Hara são proibidas. Esta, veio do nosso passado, de há cerca de cem séculos, portanto é permitida.
– Do passado? Como é que isso é possível?
– Tanto quanto sei, até este diálogo entre nós dois pode estar lá escrito num idioma da época. Ainda não sabemos como é que tal é possível.
– O blog não te dá informações sobre o ataque à Esperança?
– Tenho homens da minha confiança a lê-lo. Em breve saberemos.
– E a NIA?
– Está entregue aos meus técnicos. Ainda não me deram notícias.
– Eu quero-a de volta.

(continua)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
IV - O homem da TIA
- parte I

por Matemaniaco

Como o leitor já deve ter percebido os impérios do universo 25 não têm nome oficial.
Os impérios são designados pelos nomes oficiais dos seus imperadores. Por vezes estes impérios juntam-se em alianças, como a TASCA, com objectivos de entreajuda e convívio entre os vários imperadores.
No caso da TASCA, cedo se percebeu a necessidade de um serviço de informações que obtivesse e gerisse informações relativas a impérios externos, e ainda agisse secretamente, em nome da TASCA, no exterior.
Desta necessidade nasceu a TIA – TASCA Inteligence Agency, os serviço secretos da TASCA.
Todos os imperadores da TASCA podem ser agentes da TIA, desde que a missão assim o exija.
No entanto, são os outros agentes, aqueles de quem ninguém fala, os responsáveis pelos maiores sucessos da TIA.
E convenhamos, que as melhores missões, são aquelas que passam despercebidas.
Desta vez vou contar-vos a história de um agente que se tornou o modelo de toda a agência, e que é conhecido por todos como “O homem da TIA”.
Após a fundação da TASCA, coube ao imperador Matemaníaco a organização da TIA, e pediu a todos os impérios que mandassem bons agentes para a lua [censurado pela TIA], de coordenadas [censurado pela TIA].
Todos os impérios mandaram excelentes agentes.
Do imperador Bejekas, entre muitos outros, veio o agente PéNaCov.
Da primeira vez que apareceu, foi logo reportado: Estava tão alcoolizado que a única coisa que saíu da sua boca foi um
“Viva à TASCA”
Quando foi levado à presença do Imperador Matemaníaco, saiu um jorro de vómito que pintou o peito do Imperador.
– És uma desgraça! Se fosses homem do meu império, mandava-te decapitar, após uma longa e matemática tortura!
Ao que PéNaCov responde:
– Como quiser, mas mande vir mais uma rodada, para mim, para si e aqui para os seus homens.
Matemaníaco mandou os seus homens meter o agente uma jaula, e contactou de imediato o imperador Bejekas.
– Ó Bejekas, mandaste-me um bêbado para a TIA?
– Ó Mates! Queres uma TASCA sem bêbados? Acredita em mim, o gajo é muito bom!
– Quer dizer que já sabes de quem falo! O gajo não tem nanites para controlar as bebedeiras?
– Ter, até deve ter, mas pelo que ele consegue beber, disseram-me que nem as nanites dão conta do recado.
– Ok, eu já trato do assunto.
– Se achares que o gajo não serve, manda-mo de volta vivo...
– O mayNard mandou-me várias boazonas que se recusam a usar roupas e que eu preferia ter no meu harém e não na TIA
– Hihi, sim, sabes que no império dele neste momento é proibido o uso de roupas.
– Eu nem te vou dizer onde é que elas guardam as armas...
Matemaníaco, em funções de director da TIA, ligou para os centros de pesquisas nas capitais dos impérios de toda a TASCA e pediu a tecnologia mais recente e eficaz em nanites contra o alcool.
As nanites vieram muito rapidamente do imperador Alentejano.
PéNaCov levou uma injecção com essas nanites e em cerca de trinta e quatro segundos voltou ao estado sóbrio. Foi levado à presença do director.
– Quero lhe pedir desculpa pelo meu comportamento senhor.
– Isto foi acontecimento único. Não voltas a aparecer alcoolizado à minha frente enquanto estiveres em funções.
– Sim senhor.
– Só estás aqui vivo porque o Imperador Bejekas disse-me que eras um bom agente.
– Peço perdão pela pergunta. Sendo o senhor imperador de tão grande império, como é que tem tempo para estar aqui a dirigir os serviços secretos?
– Delegando funções em pessoas da minha confiança.
– Ah! Estou a ver... Deixou a sua ex-concubina Troy no seu lugar a gerir o império.
– Isso é algum tipo de provocação?
– Não, senhor. Estou a lembrar-lhe que também é homem...
Matemaníaco olha para a lista de agentes enviadas pelo imperador mayNard e diz:
– Não preciso que me lembres disso. Fazemos assim: vou dar-te uma missão. Se fores bem sucedido, aceito-te como agente. Se não, voltas ao serviço do imperador Bejekas.
– Sim senhor.
– Assim por acaso, fazes ideia de como se convencem 203 agentes com corpos de top model a passar a usar roupas em serviço?
– Não senhor, mas não me importaria nada de conviver com elas.
– Estás dispensado. Receberás a tua missão via nanites.
PéNaCov saiu em direcção ao seu quarto, quando foi abordado pelo agente Apagaio.
– Agente Serguei PéNaCov?
– Sim, sou eu mesmo.
– Sou o agente Apagaio, enviado da imperatriz Aivota. Serei o teu colega nesta missão.
– Eu ainda não recebi qualquer missão. E aqui, não preciso de saber de onde vens. Somos todos agentes da TIA.
De repente, Serguei recebe uma mensagem, via nanocomunicações:
Comunicação da TIA: Ouça com atenção, pois a mensagem só será emitida uma vez!
Serguei faz sinal a Apagaio:
– Xiu! Nanocomunicação!
E continua a ouvir:
“Agente PéNaCov, esta é a sua missão: Infiltrar-se no palácio do imperador XYZ (nome modificado pela TIA) e evitará que ele receba a frota que está a chega à lua X2+Y2=1 (nome modificado pela TIA) dentro de rigorosamente 12horas, 29 minutos 14 segundos. Pode contar com o apoio do agente Apagaio. Se algum dos agentes for apanhado, tanto a TASCA como a TIA negarão conhecimento de qualquer das vossas acções. Fim de comunicação”
Olhando para Apagaio:
– Querem crashar a frota do XYZ e nós é que temos de fazer o trabalho sujo, que nunca será reconhecido ou admitido por ninguém...
– É uma missão de rotina?
– Não, nunca tive de infiltrar um império. Regra geral esperam que os imperadores se distraiam sozinhos. O XYZ deve estar na lista negra da TASCA.
Nisto passa uma agente “top-model” completamente nua à frente de Apagaio, que fica arregalado a olhar.
– Se o imperador for como tu, a missão está no papo...
– Sim? Desculpa, que dizias? ...Viste onde é que ela tinha a arma?

(Continua... é só mais uma parte)

Nota da TIA:
Pede-se ao autor que tenha cuidado e não revele informações confidenciais sob a pena de uma próxima história não ser autorizada  

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
III - A história de Óxinol
- parte II

por Matemaniaco

Alcão passou o projecto de Óxinol passou para as mãos de outros cientistas do centro, até que finalmente, ao fim de 21 horas alguém descobriu a causa da explosão da planta na holosala: nanovariações no fluxo de deutério. Não havia forma de corrigir isto com a tecnologia actual.
Aivota, por sua vez proibiu definitivamente a construcção de uma planta de fusão baseada nesta nova tecnologia, e exigiu que toda e qualquer nova forma de energia utilizada seja limpa e segura.
Óxinol confirmou a descoberta, e arquivou o esquema e toda a teoria da sua planta de fusão.
Alcão sugeriu-lhe vários outros projectos. Mas Óxinol rejeitou todos eles.
Estava desmotivado e não estava minimamente interessado em voltar a trabalhar no mundo científico.

-Vá lá Óxinol! Acontece!
-Eu demito-me. Vou dedicar-me à política. Quero fazer cair a imperatriz.
-Se não fosse ela a sugerir uma simulação estávamos a braços com um desastre ambiental e tu serias odiado por milhões.
-Não tem nada a ver com isso.
-Se isso vem a público a tua carreira política acaba.
-É algum tipo de chantagem?
-Não. Estou apenas a recordar-te que existe uma cópia dos nossos relatórios em todos os centros de pesquisas do nosso império, graças à nossa rede intergaláctica. Tira umas férias, e não penses em disparates.
Óxinol saiu e regressou à ilha de Sucellus.
Nos primeiros meses percebeu que a grande maioria das pessoas da ilha estava contente com o Império, e que se pudessem, as pessoas até votariam em massa em Tuga e na Imperatriz Aivota.
Mas lá conseguiu o seu grupo de descontentes.
Destes vamos destacar: Alinha, Omba, Erú e Apagaio, que foram nomeados vice-presidentes do grupo. Eles reuniam-se regularmente numa pequena localidade da ilha.
Óxinol: Se quisermos ver o império cair ainda nas vossas vidas vamos ter de mudar alguma coisa
Alinha:O segredo é dar cabo da imagem da imperatriz
Óxinol: Não tenham medo de recorrer a truques sujos. Aqui, os fins justificam os meios.
Erú: Os nossos truques sujos não podem ser públicos.
Apagaio: Alguma ideia?
Óxinol: Eu pensei numa coisa. Suponhamos que a imperatriz morre. Ela não tem herdeiros...
Omba: Espera, estás a propor um assassinato?
Óxinol: Um assassinato que ninguém suspeite que é assassinato, e que caso algo corra mal não dê para ser ligado a nós. Quero que pensem nisso.

Passados sete dias, Alinha apareceu com um plano.
AlinhaTodos os domingos, Aivota sai com os seus cem lobos...
Óxinol: Sim, vai ao templo do deus Sucellus.
Alinha: Um dos meus robots descobriu uma falha no sistema operativo que controla os satelites solares
Óxinol: Não brinques... eu fui o responsável pela criação e manutenção desse sistema durante dois anos e meio.
Alinha: Ainda bem que cometeste erros... A ideia é desviarmos os raios solares de um satélite e concentrarmos directamente em cima da imperatriz.
Omba: Ideia parva... Isso é detectável e a imperatriz será avisada a tempo.
AlinhaNão é... já foi feito antes. Lembras-te da história do turista que morreu de combustão instantânea?
Omba: Não?
Erú: há ano e meio, um turista ardeu completamente em segundos, à frente do grupo de turistas e da guia... no Polo Norte. Nunca encontraram uma explicação.Sobraram apenas cinzas...
AlinhaEra o meu ex. Posso fazer o mesmo à imperatriz. Assim que o trabalho estiver pronto, ponho o sistema a restaurar de um backup, e qualquer log da minha entrada deixa de existir.
Óxinol:  Brilhante. Agora só temos de maquinar a nossa entrada em cena para instaurar uma democracia...

Passaram várias horas a planear os detalhes, e o cenário repetiu-se nos dias seguintes.

Chegou-se ao Domingo do assassinato.
Apagaio estava a 100 metros do templo, e não podia se aproximar mais. Relatava o que via por telemóvel.
Alinha encontrava-se num cibercafé, disfarçada , com uma identidade falsa e a entrar no sistema informático imperial.
Oxinól estava no centro de pesquisas de Ria. Erú e Omba preparavam-se para marchar pela capital com dois exércitos de 10 000 robots cada, assim que tivessem confirmação da morte da imperatriz.

Aivota estava a menos de 20 metros do templo quando incendiou-se instantaneamente... e em segundos se viu reduzida a cinzas.
Apagaio confirmou a notícia a Óxinol, Omba e Erú. Alinha como combinado, activou o restauro de um backup, desligou-se da rede e levantou-se com um sorriso nos lábios.
Mas ao levantar-se tinha dois guardas imperiais por detrás.
-Alinha, está presa por crimes contra o império e por tentativa de assassinato da imperatriz Aivota.
Alinha não percebeu o que se passou mas manteve-se calada.

Omba preparava-se para sair do armanzém com os robots, quando todos lhe apontam as armas, o mesmo acontecendo com Erú.

Óxinol foi algemado por outro guarda que entrou no centro de pesquisas, à procura dele...
Alcão viu Óxinol a sair algemado e abanou negativamente a cabeça...

Apagaio, via os lobos a uivar, e diz:
"Computador, terminar a simulação"
A simulação é terminada, e Apagaio,  sai da holosala. Lá fora, estava a Imperatriz com um dos seus guardiões..
- Excelente trabalho agente Apagaio. Salvou a minha vida.
- Fiz apenas aquilo para que fui treinado. Que acontecerá aos criminosos?
- Quero-os exilados deste império...exceptuando a rapariga que acedeu aos satélites. Essa, quero-a presa por 10 anos, numa prisão de segurança máxima de um dos impérios com que temos boas relações. 

Nisto o guarda-costas Alo pergunta à imperatriz:
-Vossa magnificência acha isso cauteloso? Em qualquer outro império, a pena para tentativa de assassinato do imperador é... morte!
-Sim, mas eu não preciso disso. Acredito numa coisa chamada Karma!


No templo, a estátua do grande deus Sucellus modificou-se sem qualquer explicação. O deus agora sorria...

Dias depois... as naves que levavam os criminosos para fora do império desapareceram todas em anomalias espaciais.

A história foi transmitida a todos os impérios com boas relações com o da imperatriz Aivota.
E até aos dias de hoje, as plantas de fusão modificada estão proíbidas em todos os impérios da TASCA.




Agradecimentos nesta história:
mayNard e Aivota





terça-feira, 6 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 10 )

por Matemaníaco
(Continua daqui)
Esta história com os robots incomoda-me! Eles destruíram o nosso caça, e reconstruiram-no. Tiraram-te das minhas nanites, e puseram-te nesse corpo espectacular, e só queriam conversar connosco? Não achas isto estranho?
– Capitão, é a primeira sociedade organizada de robots que eu conheço. Para eles, desactivar um máquina e reactivá-la é normal.
– Não estejas a simpatizar com eles só porque também és artificial.
– Eles fizeram-me upload de alguns ficheiros com a história de Robótica. Tiveram muitos dos mesmos problemas que vocês.
Algumas pessoas, às portas da morte foram convertidas em IAs e até hoje ainda são IAs. Naquela sociedade, muitos já foram humanos. Internamente, é assim que funcionam... nunca precisaram de destruir um dos deles.
– E a Esperança?
– Acho estranho. Por exemplo podem ter detectado que mais alguém estava a receber as mensagens deles e desligado os comunicadores.
– Consegues ligar-te a mim, como antes?
“Assim? Agora consigo!”- NIA e Lagrange podiam comunicar como que telepaticamente.
“Porquê só agora?”
“Não sei, mas parece-me que o problema estava nas tuas nanites. Voltas lá para dentro?”
“Sim, volto, mas preciso que saibas que eu acho isto muito estranho.”
Lagrange voltou a sentar-se ao lado de Gonzalez.
– Perdoe-me a ousadia... pode dizer-me de onde conhece aquela bomba?
– É classificado.
– Classificado por quem?
– Também é classificado.
O caça sobrevoou a cratera e aterrou numa pequena pista de aterragem a norte. Lá já estavam aterrados quatro cargueiros pequenos e dois caças ligeiros.
As portas abriram-se e saiu NIA, Lagrange e por fim Gonzalez.
Serguei e um conjunto de homens armados aproximou-se do cargueiro.
– Capitão Lagrange? Disseram-nos que este caça tinha sido destruído.
– E foi – Respondeu Gonzalez.
Lagrange estendeu a mão a Serguei e diz
– Dá cá um bacalhau.
Serguei aperta a mão de Lagrange e dá-se uma comunicação entre as nanites de ambos.
– Que diabos?
– Agora aperte a mão dela, e terá as respostas que quiser.
NIA estende a mão.
Serguei aperta-a e NIA mantem-na apertada por cerca de 32 segundos, enviando-lhe pelas nanites imagens de onde esteve, partes do seu log pessoal e alguns ficheiros com a história de Robótica.
– Capitão, que se está a passar?- perguntou Gonzalez
– NIA deve estar a contar-lhe o que nos aconteceu...
– Ela também tem nanites?
– Ela é um andróide bem sofisticado.
– Andróide? Como é que eu não percebi isso? Capitão, eu gostaria de ter uma “boneca insuflável” daquelas!
– Gonzalez, só te vou avisar uma vez: Se voltas a referir-te a ela desrespeitosamente vais ter problemas sérios comigo!
– Peço desculpa capitão.
Entretanto a comunicação acabou.
Serguei olhou NIA nos olhos e depois olhou para Lagrange.

– Mas que história mais marada!
– Concordo plenamente!– Respondeu Lagrange – Onde anda o resto da frota?
– Os restantes caças ainda não chegaram. Estão a seguir o protocolo.
– Em caso de perda de contacto com a Esperança, manter as comunicações apenas em modo de recepção, e vir para aqui, certo... acho que não devem ter percebido a parte de “vir para aqui” .
Serguei fez sinal e os homens baixaram as armas.
– Se a vossa base de dados estiver intacta, vocês têm a última posição conhecida da Esperança.
Vocês os dois, acompanhem-me. Ela que espere pela nossa equipe técnica.
– Que vão fazer-lhe?
– Não estás à espera que eu deixe uma androide que veio de um exercito de robots, que destruiu e reconstruiu um dos nossos caças e sabe-se lá como, consegue monitorizar as nossas comunicações e também sabe-se lá mais o quê, circular por aqui, estás?
– Eu sei mas... eu não consigo deixar de confiar nela!
– Capitão, se a equipa técnica não encontrar nada de errado com ela, talvez eu lhe devolva a boneca.
Voltando-se para um dos homens diz-lhe:
– Quero uma equipa de técnicos, de preferência mulheres a analisar aquela androide uma equipa só de humanos a analisar aquele caça, e uma equipa médica a fazer um check-up a estes dois com a máxima urgência!

(Continua)

sábado, 3 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
II - O culto ao deus may

por Matemaníaco
"O império de may" é um dos livros de maior sucesso em toda a TASCA.
Nele, o cronista Fernão Hopes relata a história da construcção do império e da corte do imperador mayNard.
No entanto "O império de may", não tem a importância  de "O Livro de may", provavelmente o livro religioso mais importante do universo 25.
De acordo com a introdução do livro pela evangelista Esclarecida, a revelação da divindade de may deu-se um dia, antes da abolição da roupa:
" O imperador passeava pela praia com duas das suas concubinas preferidas, quando é empurrado por um individuo que jogava à bola com outras meninas. O imperador cai sobre Esclarecida, que fazia topless.
Não reconhecendo o imperador, Esclarecida deu-lhe uma bofetada na cara e chamou-o de pervertido.
O imperador, não tolerou a bofetada e disse-lhe:
-Mas quem pensas tu que és? Para ti eu sou deus, e vais tratar-me como tal.
Esclarecida, pôs-se de joelhos e reconheceu may como seu deus, jurando espalhar a sua palavra por todo o universo se o imperador a poupasse!"

O imperador aceitou a proposta, mas acrescentou um dia de concubinato como condição para a salvação.
Assim foi. Esclarecida descreve no seu evangelho, esse dia como tendo sido o dia mais divino da sua vida, e após esse dia, faz um voto de castidade, para além de may, mais homem nenhum tocaria nela.

O livro conta com outros evangelhos de outras mulheres, que também foram iluminadas com revelações únicas e que são a inveja de praticamente todas as habitantes do universo.

Com as trocas comerciais e colonização de novos mundos, o culto ao deus may espalhou-se para além das fronteiras do império. chegando aos confins do universo.

Diariamente biliões de mulheres fazem o voto de castidade de Esclarecida, e rumam ao império de mayNard.

O próprio nome do imperador é visto como uma prova da sua divindade. Em todo o universo, o nome das pessoas começa com uma letra maiúscula.
may decidiu que o seu nome só teria uma maiúscula a meio do nome, e sendo ele deus, ninguém no universo se atreve a contradizê-lo.

De entre as biliões de mulheres, muito poucas passam os elevadíssimos e severíssimos critérios de selecção para concubinas do imperador.
Na sua eterna benevolência, may liberta do voto de castidade todas as que não passam nos critérios de selecção, que passam a ser conhecidas como "as rejeitadas por may".
Deste grupo, é grande a percentagem de fieis que muda a orientação sexual. Muitas tornam-se lésbicas ou bissexuais.
Entre o grupo das bissexuais já tem havido casos de repescagem pelo imperador.

Este culto cresceu tanto que ganhou o estatuto de religião intergaláctica, tornando o principal planeta do império no mais poderoso centro espiritual do universo, e ao mesmo tempo, o império de may no império com menos homens por metro quadrado.

A propagação desta fé continua a ser feita por grupos organizados, como as testemunhas de may, que têm o hábito regular de bater às portas ou enviar emails numa tentativa de converter as pessoas a esta fé.

Por entre os homens a fé só tem conseguido se espalhar entre a comunidade gay, mas até hoje may nunca teve um gay no seu harém, motivo pelo qual já houveram manifestações e até batalhas no espaço.

Aos homens que servem bem o imperador em batalha, é frequente o império dar-lhes acesso a uma "rejeitada" que tenha sido rejeitada por pouco.

Nesta religião as noções de paraíso ou inferno também existem e só não serão aqui descritas porque este texto não é apenas para maiores de 18 anos

Por agora ficaremos por aqui, lembrando que esta é apenas uma das muitas Histórias dos Impérios da TASCA.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 9 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)


Log pessoal da andróide NIA. Terceiro dia do terceiro mês do ano 1
         Ajustar-me a um corpo andróide não foi fácil. Fizeram-me um upgrade para que eu conseguisse aceder a todas as potencialidades e sensores deste corpo. Tarefas simples que aos humanos levam imenso tempo a aprender, como falar, andar e comer foram-me transmitidas quase instantaneamente.
As facilidades acabaram aí.
Ninguém me fez um upload de um programa que me ensinasse a vestir-me ou a despir-me.
Quando finalmente a enfermeira S0N14-X3 e o auxiliar P3
me arranjaram roupas, levei cerca de uma hora a descobrir como me meter correctamente nelas.
Pelas 14horas fui apresentada ao andróide que transplantou-me das nanites para este corpo.
Curiosamente é também um modelo muito metálico.
Não vi nenhum androide como eu. Isto é, um modelo que seja indistinguível dos seres humanos a olho nu.
Disse-me que era um crime ter uma IA avançada como eu em nanites quando há aqui protoformes que precisam de IAs. 
No princípio não acreditei na conversa dele.
Foi a primeira vez que desconfiei de um robot.
Mostraram-me à cidade deles, Robótica.
Percebi que é uma sociedade de robots sem a capacidade de se reproduzir ou mesmo criar novas IAs. A sociedade foi fundada há cerca de um milhar de anos.
Tal como nós, vieram em explorações espaciais oriundas de todo o universo onde
se passou algo anormal.
Muito dos seres biológicos que vieram com eles falec
eram lá em cima nos choques entre naves e nos choques com destroços. Os robots, repararam-se uns aos outros. Com o passar do tempo, vieram outras explorações.
Algumas vindas de impérios mais bélicos bombardearam a cidade.
Os robots enviaram recicladores lá acima e com o material reciclado evoluiram as suas defesas, e desenvolveram algo nunca visto no nosso universo: Camuflagem.
Uma tecnologia que torna este sector invisível a qualquer sonda vinda de quase todas as épocas, e milhares de lançadores de misseis para quando essa tecnologia falhasse.
Ao fim da tarde, pelas 20h02 min, encontrei-me com David e com o cabo Gonzalez no que parecia ser um hospital improvisado.
Ambos olharam-me de forma estranha. David correu para mim e abraçou-me.
A frequência cardíaca
dele estava superior à que eu me lembrava.
 A pressão arterial também.
Notei que continuo a poder monitorizar e até a controlar as nanites, mesmo estando fora do corpo dele.Detectei que os protocolos de comunicação das nanites foram apagados.Pouco depois chegou lá um dos líderes de robótica, B055.
Pediu-nos desculpa pela destruição do caça, informou-nos que foi reparado que estava pronto a partir, e que há já algum tempo que monitorizava as nossas comunicações.
Em particular, disse-nos que há várias horas que não haviam comunicações entre o planeta e a nave Esperança.
Notei que David não tirou os olhos de cima de mim.
B055 disse que querem ajudar-nos a construir o império em troca da partilha de conhecimento obtida nos nossos laboratórios de pesquisa, e pediu-nos para sermos os embaixadores deles.
A mim pessoalmente, foi-me oferecido um lugar na sua sociedade.
Agradeci o meu novo corpo andróide, e disse que ia pensar no assunto.
Jantámos todos juntos e pelas 24horas, deixaram-nos partir no nosso caça em direcção ao sector 0-0.
Os nossos sensores não detectaram absolutamente nada no sítio onde estava a cidade.

Caça pesado EFAS-43243
24horas 12 minutos


Lagrange saiu do cockpit e foi ter com NIA. Sentou-se à frente dela.
NIA, eu ainda não sei o que dizer disto tudo.
Passaste o tempo todo a olhar-me.
Não consigo evitar.
O cabo Gonzalez consegue.
O cabo Gonzalez deve ser gay.
Olhe que eu ouvi isso! - Respondeu Gonzalez no cockpit! Sou muito hetero. Só aprendi a não me meter com os engates dos meus superiores.
Lagrange fechou a porta.
NIA ri
u-se.
Nunca te tinha visto a rir.
Não tenho direito a ter um sentido de humor?
Sim, tens. Peço desculpa se fui incómodo lá em Robótica.
Deixa estar. Até achei fofo. Podes tentar ser mais discreto.
Podes já não estar na minha mente, mas nunca saíste dela.
Eu também estava preocupada com vocês. E também estou preocupada com a nave Esperança.
Não estou a falar disso.
Fica-te muito bem estares preocupado comigo. Só que não é a altura indicada. Eu estou bem David, a sério!
Essa pressão arterial alta em ti está a incomodar-me.

(Continua)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 6 )

por Matemaníaco
Continua (daqui)

Nave de batalha Esperança, centro médico.
Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 04H00min

O senhor Óxinol continua intoxicado. Com protanerabacter no organismo não temos forma de o por sóbrio com nanites. -Disse a dra Johan Taylor
E sem nanites?- Perguntou o tenente Han, segurança na Esperança
– Há dois mil e quinhentos anos que não se usa outra coisa para isto. Estivemos a ver o código fonte do programa usado pelas nanites mas ainda não está completamente percebido.
– Mantenha-o afastado de equipamento bio-electrónico que possa estar ligado à nossa rede central.
– Sim, não precisa de lembrar-nos disso. Vamos ter de o manter de quarentena e a antibióticos.
– Antibióticos?
– Também já não se usavam há milénios também. São substancias químicas que matam certos microorganismos. Por ordem real, tivemos de investigar forma de nos livrarmos destas bactérias.
– Elas não desapareciam sozinhas do organismo de uma pessoa?
– Sim, desaparecem, mas levam o seu tempo. E se tiver uma certa quantidade delas, só saem se forem obrigadas... O sr. Óxinol passou ultrapassou largamente esse número.
– Precisamos de saber com que objectivo! Embora o protocolo nos mande deixar a cabine dele de quarentena, eu quero perguntar se há forma de esterilizar todos os sítios por onde ele andou. Não preciso de lembrar-lhe que esta é a única Nave de Batalha com circuitos biológicos integrados e com nanites a fazer interface entre circuitos de diferentes naturezas.
– Do nosso tempo.
– Sim, do nosso tempo.

Nisto, chega uma mensagem ao auscultador de Han.
«Tenente, temos de evacuar o piso -5! Há protanerabacter espalhada por todo o piso e os circuitos neurológicos deste piso estão afectados!»
– Bom doutora Johan, parece que estamos no pior cenário possível. O andar da cabine do senhor Óxinol está contaminado. Vou ter de ir, e não sei se não teremos de lhe enviar mais pessoas para a quarentena.
– Como é que é isto é possível? Os scanners não funcionaram?
– Tenho mesmo de ir. Falamos depois.
O Tenente Han afastou-se a correr em direcção a um dos elevadores

Planeta Cronus. Sector 44-12 ?
Dia Presente: Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 9h30min
NIA acordou completamente nua debaixo de um lençol, em cima de uma maca.
Era estranho acordar num corpo.
Olhou para o lado e viu nove protoformes humanoides inanimados deitados em macas.
Os protoformes são robots antes de receberem a sua IA, e de terem o seu aspecto físico final moldado.
“David...” - Pensou - “Onde estás?”
Mas não tinha resposta na sua mente. Estar sozinha também era novo para NIA.
Levantou-se, e cobriu-se com o lençol. Seguiu até um espelho junto à porta e olhou para o seu reflexo. Era fisicamente uma mulher humana... mas por dentro devia ser robot.
“Ele tinha razão. Eu sou bonita...” - pensou .
A admirar o seu novo corpo?-Perguntou uma robot que acabara de atravessar a porta..
Porque me fizeram isto?- Perguntou NIA.
O som da sua voz pareceu-lhe estranho.
A minha voz. Deve ter sido ma processada.
Não se preocupe. Toda a gente a ouve com a voz que tinha quando era uma simples IA-Disse um outro robot que tinha acabado de atravessar a porta.
– Se olhar à sua volta, verá que somos todos seres artificiais providos de IAs.
– Onde está o David?
– Está assustada. Acalme-se.
– Assustada, eu? Porque é que vocês não me respondem?
– Porque não temos as respostas.
– Como não têm respostas? Vocês extraíram a minha IA do corpo dele!
– Foram robots, dos nossos, mas não fomos nós. Nós aqui somos apenas médicos de IAs e seres artificiais. Não nos cabe a nós tomar decisões, nem ter conhecimento de coisas dessa natureza.

(continua)

domingo, 28 de outubro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
I - Casado com a ex-concubina preferida do Imperador.


por Matemaniaco 

Naquele dia, Solo acordou sobressaltado do seu pesadelo.
Há já vários dias que sonhava com a sua morte às mãos do Imperador, que ficava assim com o caminho aberto para avançar e reconquistar Troy.
"Eu jogo limpo e perdi...Ela nunca me perdoaria! És um excelente capitão." (ver isto)
Tinha-lhe dito o imperador alguns dias antes, e as palavras não saíam da mente de Solo.
Ao seu lado, Troy ainda dormia.
Solo sorriu, beijou Troy, foi a um duche rápido, vestiu a farda, tomou um toké, saiu de casa e correu para a estação de Hipercomboios de Galieo.
Chegando lá estava lá apenas mais uma pessoa sentada à espera do comboio.
-David! Que fazes aqui tão cedo?
-Vivas Bat, meu cabrão! Isso pergunto-te eu.
-Eu acordei mais cedo e decidi vir arejar.
-Arejar fardado e sem Ítaca? Homem, estás mesmo mal!
-Então e tu? Com um mulherão daqueles e estás aqui sozinho?
-Sabes que, a minha ligação com a minha esposa é única neste universo. Que se passa amigo?
-Isto de estar casado com uma ex-concubina do Imperador...
-Capitão Solo, vais me dizer que ainda andas com esses problemas? Foi contigo que ela casou! É só contigo que ela dorme! Pareces um adolescente pá! Tens motivos para duvidar dela?
-Dela?Nenhuns!
-O imperador tem um harém, ele quer lá saber da Ítaca!
-Já foi a concubina preferida dele!
-Sim, já. Mas isso está no passado! Em vez de estar aqui devias estar em casa a falar com... Quero lá saber de falar, devias estar lá a fazer amor com a tua mulher!
-Eu preciso mesmo de arejar.
-Fardado?
Nisto chega o Hipercomboio.
Solo e David Lagrange entram numa carruagem, e sentam-se frente um ao outro.
-Solo, eu conheço pessoalmente o imperador. Ele considera Ítaca uma amiga e não tem qualquer outro interesse nela. Aliás, ele trata-a por Troy!
-Sim, eu sei. Ela mesmo já me disse isso. Não quero voltar a tocar no assunto com ela.
-E então? Não chega?
-Está bem, olha para ti. Toda a vida foste um mulherengo do pior tipo que há. Diz-me que de vez em quando não te apetece voltar à tua velha vida.
-Pá... Se eu não tivesse muito bem servido, nem a tua mulher me escapava!
-É exactamente esse o meu problema! O homem mais poderoso do império não está "bem servido".
-Ups. Eu realmente devia devia pensar antes de abrir a boca...
 Como não está bem servido com aquele harém de mulheres de todo o universo escolhidas a dedo para ele?

-Tenta alguma coisa com Ítaca e podes perder alguma coisa que te faz falta!
-Não te preocupes querido. Eu não me metia com Lagrange nem por ordem do imperador! -Diz Troy que acabava chegar ao pé deles.

Troy senta-se ao lado de Solo e agarra-lhe na mão.
-Eu adoro ver o meu homem fardado!
-Olá Troy.
-Olá amorzinho.

-TTTu sabias que ela ia aparecer?-Pergunta Lagrange a Solo
-Claro que sim. Se eu não conhecesse a minha minha mulher que tipo de marido seria eu?
-Um capitão da guarda que casou com uma concubina do imperador?-Respondeu Lagrange.
-Ex-concubina! Actual conselheira e governadora de Galileo. - Corrigiu Troy
De repente o Hipercomboio para.
-Eu vou ficar aqui. Gostei de rever-vos.
Lagrange saiu. Lá fora, à sua espera estava uma NIA de carne e osso.
Olhando pela janela Troy diz a Solo
-Aquela mulher é lindíssima.
-É muita areia para a carroça dele. Nunca o vi manter um par por mais de duas semanas...
-As pessoas mudam. Ele já está com ela há vários anos!
-E eu devo acreditar que ele tem sido fiel?
-Eu sei que tem sido...

O hipercomboio volta a andar...
-Como podes saber disso?
-É informação secreta! Agora diz-me.. voltaste a ter o pesadelo?
-Sim, voltei.
-Estive a pensar. Se for preciso abandonamos os nossos cargos e saímos deste império.
-Mas Troy... tu adoras o que fazes.
-O imperador é meu amigo... mas no fundo sei que ele sente algo por mim. Não quero sujeitar-te a perigos evitáveis.
-Eu no mês passado ofereci-me para uma missão de exploração espacial. Ele recusou.
"Solo, se não fosses casado com Troy talvez, e só talvez te deixavasse partir."
"Solo, justamente por seres o melhor para Troy é que não te deixo partir, pelo menos, sem ela.", disse-me.
-Mesmo assim continuas a ter pesadelos.
-Achas que vão passar se sairmos daqui?
-Não sei. Ele é um homem poderoso, e tenta ser justo. Só que ordena frotas de ataque saquear outros mundos onde os imperadores não se importam com a população, está envolvido em missões de ataque conjuntos planeados pela TASCA. É difícil não temer um homem com essas características. Por outro lado, ele não suportaria ver-me chorar, por isso não te vai expor a perigos desnecessários.
-Eu sou capitão da guarda pessoal dele!
-Portanto, ele também confia em ti e não tem interesse em trair essa confiança.
-Só que...eu sou substituível.
-Eu sei. Podemos sempre ir para o império do teu antigo mentor, o Tasqueiro BoinaVerde.
-O que é que tu farias lá?
-Com o meu curriculo, eu arranjo qualquer coisa.
-Sim, mas concubinato, agora... só para mim.
Solo agarra e beija Troy.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
- Capítulo 3 : Os outros ( parte 3 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Ponte de comando, da Nave de Batalha Esperança.
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 20h03min

Otárius entra na ponte.
-Meus senhores, relatórios actualizados se fazem favor.

-
Ainda não sabemos nada do cruzador perdido senhor.
- Continuamos sem conseguir contacto nem com as nanites do capitão Lagrange.
- Já viram os dados dos nossos sensores?
- Já senhor. Com alguma interpolação, alguma extrapolação e os dados presentes as nossas simulações sugerem que o caça foi atingido por um projéctil explosivo, que aparentemente partiu do sector 44- 12.
-O quê? -
Otárius olhou para o mapa e continuou -Mas não é suposto haver nada naqueles sectores!
As vossas simulações já dizem alguma coisa sobre a variação de energia que nos fez mandá-los lá em primeiro lugar?
-Não... ainda estamos a discutir hipóteses.
-Despachem-se com isso. Já perdemos uma nave e dois homens, eu não vou enviar mais ninguém para lá até ter uma ideia do que aconteceu, e não quero dizer à rainha no dia do seu aniversário que perdemos o seu amigo.
Eu vou agora para a festa. Quando eu voltar quero notícias, sejam elas quais for!
Pennus, contacta-me assim que souberem qualquer coisa.
 -Sim senhor!
Otárius saiu.
Pennus olhou para os homens e mulheres no centro de comando, sem saber o que fazer.


Cratera , Planeta Cronos-Tenda da sábia
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 22h05min

Spectrum arrumava nanites, quando o comunicador tocou. A sábia aproximou-se.
-Da Esperança? Que me querem estes a esta hora?
Atendeu a chamada.
-Boa tarde senhora Maria, precisamos da sua ajuda.
-Senhora é a sua mãe. Chame-me só Maria subcomandante... com quem estou a falar?
-Subcomandante Jack Pennus, da nave de batalha esperança. Perdemos o contacto com um caça comandado pelo seu recente inquilino David Lagrange, não o conseguimos contactar nem por nanites. Pode ajudar-nos de alguma forma?
-Dê-me alguns segundos senhor Pennus.

A sábia fechou os olhos e quando os abriu disse:
-Frequência subespacial NIA-A23486FR3-063454GARE-2096N, se conseguir entrar em contacto com ela, ela pode ajudá-lo.
-Quem é essa “ela”?
-NIA, uma
inteligência artificial que vive nas nanites dele, mas, não divulgue a informação... use-a para encontrar o vosso homem.
-Obrigado pela ajuda.

Comunicação desligada.
A sábia virou-se para o Spectrum e pediu:
-Apaga todo e qualquer registo desta comunicação.
Depois, afastou-se em direcção ao seu quarto, ligou um computador velho com aspecto antigo.
-Ambrósio apetece-me algo.
Ao que o computador responde com uma voz metalizada.
-Tomei a liberdade de pensar nisso.
-Não não, nada disso Ambrósio! Quero que me procures e traduzas um blog dos meus arquivos da Terra original. Arquivo de há cerca de dez mil anos, blog intitulado “A TASCA no Universo 25”.
-A procurar senhora... Encontrado!
-Agora está calado porque eu vou ler.


(continua)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 2 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

“A contactar, espere... beeep”
Lagrange esperava impacientemente.
Passado um minuto o computador diz:
“De momento a Dra Boavida não está disponível.”
-Obrigado na mesma”
Lagrange olhou para o cacifo mal fechado. Numa das estantes estava um tablet, com uma cópia de “O império de may”.
“Hara, para que raios queres que eu leia isso? Nunca fui homem de ler.”
Lagrange levantou-se, foi buscar o tablet e voltou para a cama.
“Será que ainda não existe isto em filme?”- Pensou.
De repente o computador avisa:
“Comunicação a chegar. Glorie L. Boavida. Atender?”
-”Sim!”
-David? Tentaste contactar-me?
-Sim, Glorie, tentei. Eu estou com um problema sério com a minha NIA.
-Que tipo de problema?
-Eu, beijei-a. Ela beijou-me de volta, chateou-se comigo e desligou-se...
-A sério? Tu fizeste mesmo isso? Isso costuma funcionar com as tuas conquistas?
-Funcionou em cerca de um terço delas.
-Tu tens isso contabilizado? Não acredito!
-É o que acontece quando se serve muito tempo o Imperador Matemaniaco.
-Não é nada que eu não esperasse de ti. Ela deve ter activado um protocolo de protecção de 6 horas. Durante 6 horas não a conseguirás ligar. Trata-a como uma pessoa, não como um objecto.
-Ela não deve ser a mulher da minha vida, visto que tu existes. A tua bisavó é humana certo?
-Sim, é.
-Não me podes dizer quem é?
-Nada de atalhos. Descobre por ti mesmo.
-Porque foram dar personalidades completas a IAs?
-No meu tempo, os últimos 50 anos as IAs “de personalidades completas”, como tu chamas, preservaram a sanidade mental de muita gente, e foram indirectamente responsáveis pela redução de doenças e criminalidade nos mundos onde foram usadas.
-E contra-indicações? Por exemplo, um esquizofrénico...
-Não te preocupes com isso. Preocupa-te contigo! Se voltas a armar-te em conquistadorzeco a tua NIA pode até reduzir-te o tamanho da tua masculinidade.
-O que queres dizer com isso?
-Quero dizer que a NIA é para ser bem tratada e respeitada.
-Pois, a sábia já me tinha dito isso.
-E mesmo assim tu...
-Caramba, puseram-me um mulherão à minha mente e eu sou obrigado a negar os meus instintos mais básicos?
-Tem juizo David. Ela pode estar na tua mente mas ela é realmente apenas um software altamente sofisticado a correr em nanites. Tudo nela é fabricado.
-Eu não consigo deixar de pensar nela como mulher...
-Podes até usá-la como teu brinquedo, mas isso vai ter um preço bem alto, que eu garanto que não vais querer pagar.
-Porque me deste uma coisa assim?
-Porque tu precisas.
-Posso viver sem estas nanites?
-Não. Tu não fazes ideia do estado em que estavas quando chegaste cá. A injecção que te dei no hospital não foi a única. Levaste dezenas de injecções de nanites para te reconstruir o corpo todo.
Nanites que podiam ter sido usadas noutras pessoas. A IA que tens instalada tem como principal função a manutenção das nanites e do teu organismo.
A NIA, foi criada assim que activaste o tutorial,e é um upgrade à IA que já estava instalada. O downgrade é impossível.
Por outro lado a NIA é fundamental para detectar desvios na tua personalidade que possam ser sintomas de algum problema médico mais sério.
Trata-a dignamente.

-Ela pode fazer-me mal?
-Não te vou responder a isso. Achas que estás em situação de arriscar?
-Merda.
-Vá. Eu tenho pacientes para tratar. Volta a ligá-la quando for possível e não voltes a fazer outra.
-Tchau, e obrigado Glorie.
-Tchau David.

A comunicação foi desligada.
Lagrange pegou no tablet e passou horas a ler “O império de may”.
Por volta das 14h16m, Lagrange pousou o tablet.
- NIA. Liga-te.
“Sim David, que pretendes?”
“Conversar contigo.”
“Sobre?”
“Eu nunca tive uma IA na minha mente antes. Peço-te desculpa se estou a ser um imbecil”
“Eu também nunca estive na mente de ninguém. Aliás, até ter sido ligada nunca conheci ninguém, de espécie nenhuma. Nunca teres tido uma IA na tua mente antes não é desculpa.”
“Pois não, mas preciso mesmo de estar bem contigo.”
“Eu admito que gosto de ti, mas não nesse sentido. Incomoda-me o facto de teres tantas ex’s, e a forma como trataste várias delas. Eu sei tudo sobre ti, não te esqueças.”
“A primeira pessoa que sabe tudo sobre mim, não gosta de mim. Obrigado. Agora sinto-me mesmo miserável”
“Que te sirva de lição. Que andaste a fazer aos teus olhos? Precisam de tratamento especial.”
“Diz-me, a tua voz, a voz que eu ouço na minha mente, também foi sintetizada para mim?”
“Sim, foi. Também queres que eu a mude?”
“Não. É perfeita!”
“Estiveste a ler?”
“Sim, o império de may.”
“Pelos teus sinais vitais, eu sei que sentes que gostas mesmo de mim, e que só queres resolver isto de qualquer forma.”
“Sim. Nunca tive uma situação destas na vida.”
“Vamos manter-nos amigos?”
“Sim, por favor. Mas diz-me, porque me beijaste de volta?”
“Nunca tinha beijado ninguém. Foi o meu primeiro beijo. Foi uma experiência agradável, obrigado!”
“E não queres repetir?”
“Ficou gravado nos meus ficheiros. Posso repetir quando me apetecer”
“Esquece.”
“Não almoçaste. Precisas de comer.”
“Não me apetece!”
“Não faças birras! Vai comer!”
“A sério, eu estou bem.”

“Não, não estás não. Precisas de comer!”
“NIA desliga-te”
NIA desligou-se. Pegou no tablet, mas já não conseguia concentrar-se na leitura.
Guardou-no no cacifo. E foi em direcção ao bar.
-Uma “Estrela da Morte” se faz favor.
-Peço desculpa, não faço ideia do que seja.
-Então, uma vodka preta.
-Lamento, por cá só temos vodka normal.
-Que seja.

Ao fim de 5 copos de vodka normal, Lagrange sai do bar e a meio do corredor grita aborrecido.
-Merda de nanites, nem deixam um gajo embebedar-se como qualquer pessoa normal!
Alguns tripulantes olharam para ele.
Lagrange afastou-se em direcção à porta 2A.
“NIA liga-te”
“Que se passa David?”
“Lá em baixo, eu desliguei-te e pouco depois perdi a consciencia porque as nanites estavam desligadas. Cá em cima eu desliguei-te e a vodka continuou a não fazer efeito. Explica-me isso”

“Lá em baixo desligaste uma forma menos sofisticada de mim. Eu só fui criada quando ligaste o tutorial. Se me desligas a mim, não desligas as nanites.”
“Como é que eu posso desligar as nanites?”
“Se o queres fazer por causa de mim, não te digo. Mas prometo que não te incomodo.”
“Não consegues fazer isso... tu não sais da minha mente estejas tu ligada ou não.”
“Desculpa...”
“Preciso mesmo de saber como desligar as nanites.”
“Lamento, sem me dizeres porque queres desligar as nanites, não te posso dar essa informação!”
“Quero poder beber e sentir o efeito da bebida de vez em quando.”
“Razão válida. Um dia, digo-te como. Não hoje.”
“Não gosto dos comandos para ligar-te e desligar-te... posso mudá-los ?”
“Sim, podes, qual deve ser o novo comando para ligar-me?”
“NIA... Eu não gosto mesmo desse verbo. Para mim és uma pessoa! Muda isso para sei lá...«Estás aí NIA?»”
“Comando mudado. David, eu não posso alterar aquilo que eu sou.”
“Eu sei.”
“Qual deve ser o comando para desligar?”
“Tchau NIA”
“Comando mudado.”
“Tchau NIA”

NIA desligou-se.
De repente Lagrance ouve:
“Boa tarde capitão Lagrange. Está a receber uma nanocomunicação do comando astral. A sua missão é de reconhecimento. Deve seguir com o cabo Gonzalez no caça pesado A84 em direcção ao sector 45-12.
Foram detectadas estranhas variações de energia na zona, e os nossos sensores não conseguem analisar a região.
Deve comunicar e transmitir qualquer situação anómala.
O comando é seu.”
Lagrange atravessou a porta 2A, passou por um tunel transparente de energia, entrou no caça, vestiu o equipamento de voo e sentou-se ao lado do cabo Gonzalez.
-Boa tarde amigo. Vamos lá ao nosso passeio.
-Sim meu capitão.

O túnel foi desligado. Então a nave partiu a toda a velocidade para o sector 45-12.
Após uma hora, o local tinha sido todo sobrevoado duas vezes
- Variações de energia? Isto parece uma selva sem animais.
-Concordo senhor, aqui não parece haver nada. É estranho não se registar qualquer tipo de fauna.
-Também concordo.

De repente o caça é atingido por um míssil, e explode.

(Continua)

sábado, 20 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 1 )

por Matemaníaco
Continua (daqui)

“Um império construído rapidamente, é um império de corsários e ladrões! Treinem os nossos homens para a pirataria, porque eu tenho pressa!” - Disse o imperador.
Fernão Hopes , “O império de may”

Eram 5h59min e David Lagrange acabava de chegar fardado e preparado à porta do escritório do comandante.
NIA estava desligada há mais de doze horas.
“NIA, liga-te.”
“Bom dia Capitão Lagrange.”
“Chama-me David”
“Desculpa. Deixaste-me desligada, chamo-te o que me apetecer.”
“Estou prestes a apresentar-me ao comandante. Só queria dizer-te olá e pedir-te desculpa.”
“Já disseste, e já pediste.”
NIA desligou-se.
A porta abriu-se e Lagrange entrou.
-Bom dia capitão Lagrange.
Pontualidade absoluta! Gosto disso num oficial!
-Sim senhor!
-Esteja à vontade. Viu toda a documentação que lhe foi mandada?
-Sim senhor!
-Importa-se de me dizer qual a nossa frota actual, sem recorrer às suas nanites?
-Uma nave de batalha, cinco cargueiros pequenos. Dez caças pesados e três caças pequenos.
-Quem comanda o Aristóteles?
-Aristóteles, cargueiro pequeno modificado com dispositivo de camuflagem, é comandado pelo capitão Dimitroc Jovian.
-Está bem, fez o trabalho de casa. Neste momento temos, um hangar nível 2 lá em baixo em Cronos. Em breve a nossa frota aumentará.
Como temos falta de homens, as naves serão totalmente automatizadas ou pilotadas por robots. No entanto, a rainha quer um grupo de naves comandadas por humanos.
O primeiro cruzador que produzirmos será teu.
Até lá acompanharás várias das nossas missões. Não te preocupes, não serás um turista. Vamos manter-te com trabalho sério.
Às 15 horas acoplará um caça pesado que te levará à superfície para a tua primeira missão. Receberás os detalhes na hora, por nanites.
E sê bem vindo a esta frota astral!
-Obrigado senhor.
-Ainda não tomei o pequeno almoço. Acompanhas-me?
-Obrigado pelo convite. Aceito sim senhor.
-Vamos deixar-nos de formalidades. Antes de chegarmos cá, a sua patente astral era de comandante, tal como a minha. A única coisa que nos distingue, é que servíamos senhores diferentes, tu estiveste um ano em coma e eu tenho mais 5 anos de experiência que tu.
-E eu venho de um ponto mais à frente no tempo.
-Em 10 anos o nosso universo alterou-se assim tanto? Vamos até ao refeitório. Conversamos pelo caminho.
-Nem por isso. Reinos passaram a impérios, impérios desapareceram... nada que não seja habitual há centenas de anos. A propósito... A contagem do tempo aqui, como se faz? Não faz sentido usarmos uma contagem do universo de onde viemos. Aqui há gente de várias alturas do espaço tempo.
-Dentro desta nave, continuamos a usar o calendário em vigor no reino oGamus, mas estabelecemos um novo calendário hoje à noite.
-Porquê hoje?
-Porque hoje, no nosso universo seria o aniversário da rainha Hara. Foi proposto pelos nossos cientistas.
-Como funciona?
-Foi escolhido um ponto de referência no tempo e os anos começarão a contar-se a partir de lá.
-E que ponto é esse?
-A data do primeiro registo de população feito por cá.
-Conseguiram registar toda a gente?
-Claro que não... e não sabemos nada de mais de metade da população. Registados só temos pouco mais de 2300, e de momento não podemos censurar quem não quis se registar. Não temos forma de garantir a segurança a toda a gente lá em baixo. Homens como nós são muito raros por aqui. A maioria dos comandantes morre ao chegar cá. Eu próprio readquiri a minha patente porque o comandante Jamaica, comandante desta nave morreu, e o nosso subcomandante, 2º na linha de comando teve azar numa missão em que supomos a nave onde ele estava saltou, e ninguém sabe para onde.
Mas mais raros que nós ainda são seguranças, e forças militares terrestres, e sem esses homens, não conseguimos manter a segurança lá em baixo.
-O comandante disse”readquiri”?
-Eu tive uns problemas com um almirante, e ele pôs-me na prisão por 2 meses, com redução de patente.
-Epa, isso é algo que eu gostaria de ouvir!
-Chegámos ao refeitório. Segue-me, temos prioridade.
Passaram à frente de uma fila de 20 pessoas.
-Bom dia senhor, o que é que vai tomar?
O comandante vira-se para Lagrange e pergunta-lhe:
-O que é que vais tomar?
-Um café com leite e uma sandes de bangue.
-O habitual para mim, um café com leite e uma sandes de bangue aqui para o capitão.
-Podem ir para a mesa. Já vos levo o pequeno almoço.
-Obrigado José.

Lagrange seguiu o capitão e sentaram-se numa mesa à janela. Via-se perfeitamente o planeta, e o enorme campo de destroços.
-Um campo tão grande não devia dar origem a lua?
-Os nossos computadores dizem que sim, mas nunca conseguimos a opinião de um astrofísico.
-Deixe-me adivinhar, também são raros!
-Sim, mas a rainha já conseguiu recrutar quatro que estão a estudar o caso a partir daqui, da esperança. Bom agora, diz-me tu, o que é que achas disto tudo?
-Para mim, é tudo novo. Desde ter nanites, a cicatrizes em várias partes do corpo... Até o meu... “instrumento” é novo! Depois este lugar, voltar a ser capitão, … Isto é algo que não acontece a ninguém! Nem na melhor ficção que temos! Sou um homem novo num lugar novo.
-A rainha disse-me que as suas nanites são de à volta de 2100CO, nanites a um nivel acima de 80?
-Sim, e não... não são nanites como as feitas nas nossas fábricas de nanites ou como as nanites imperiais habituais. Pelo que percebi são nanites desenvolvidas de raiz especificamente para seres humanos, pois parece que a partir de certa altura tornaram-se obrigatórias em todos os seres humanos para controlo de doenças.
-Estou a ver, e pelo que percebi, essas também têm uma IA?
-Sim... mas o senhor está muito bem informado!

-Não aceito ninguém com tecnologia ao meu serviço sem estar informado sobre ela.
-Boa filosofia. Sim, tenho uma IA, cujo avatar deve ser a mulher mais atraente que eu alguma vez conheci na vida. E está a dar comigo em doido ela não ser “real”.
-Ó David, há várias soluções para isso, mas a melhor que posso dar-te é que arranjes uma namorada real, e mantenhas a relação com a tua IA profissional.
-Eu já me disse isso algumas vezes... mas é ela que está literalmente sempre na minha mente. Optei por mantê-la desligada e usar um interface mais tradicional.
-Por mim, até podes casar com a tua IA, que não serás o primeiro a fazer isso. Só espero que essa relação não interfira negativamente no cumprimento das tuas obrigações para com a frota astral .
-Convenhamos que a ideia de ter uma IA com estas características e com personalidade completa em nanites não me parece ser a ideia mais feliz que vão ter num futuro próximo.
-Não sei, devem ter tido alguma boa razão para isso. Pode ser que a descubras.
Entretanto chegou o tal José com os pequenos almoços. Colocou-os na mesa.
-Cá está meus senhores. Tenham uma boa refeição.

E afastou-se,
-Vou ser honesto contigo. Gosto da tua sinceridade, do que vi da tua folha de serviço, invejo a tua IA, e não gosto que sejas amigo da rainha.
-Qual é o problema de eu ser amigo da rainha? Eu valho por mim mesmo. Não preciso de favores de ninguém!

-Sim, mas se não fosses amigo da rainha, hoje não estarias aqui. Só estarias aqui depois de teres te registado lá em baixo.
-Eu não sabia de nada disso.
-Não te preocupes, sei que não pediste nada disto. Eu reconheço um bom homem quando vejo um.
Assim que acabaram, saíram do refeitório e despediram-se um do outro:
-Gostei de te conhecer capitão Lagrange. Sempre que puderes, aparece.
-Igualmente comandante Otárius.

Lagrange voltou para a sua cabine. Deitou-se na cama e activou o programa tutorial nas suas nanites.
Na sua mente, Lagrange voltou à sala toda branca, onde estava sentado à frente de NIA.
Levantou-se, chegou à frente de NIA, agarrou-a e beijou-a... “à francesa”.
NIA a princípio não reagiu. Depois, correspondeu ao beijo.
“Foi por isto que não te liguei ontem. Desde que te conheço que não sais da minha mente.”
“Sim, mas, eu fui desenhada para ser assim!”
“Não é isso que eu quero dizer... quer dizer... se calhar até é. A verdade é que não quero saber. Estou doido por ti.”
“A sábia avisou que isto era má ideia.”
“Que se lixe a sábia. Preciso de saber, que sentes tu?”
“Sinto que estou confusa. Primeiro ignoras-me, depois de repente isto...”
“Está bem, eu já te pedi desculpas, e volto a pedir. Tu beijaste-me de volta!”
“Sim, beijei. Não te sei justificar porquê. Deve ser parte do meu programa.”
“Esquece o teu programa. Diz-me... porque te aborreceste por eu não ter-te ligado ontem?”
“Devo estar a precisar de manutenção.”
“Não precisas de manutenção nenhuma! Podes ser uma IA, mas és uma mulher, e sentes algo por mim!”
“Isso é muito presunçoso não te parece?”
“Faz uma análise de sistemas, mas eu quero voltar a beijar-te.”
“Eu não quero ser o teu software de fantasias eróticas”

NIA terminou o programa e desligou-se.
Lagrange acorda e olha para o relógio -screensaver no monitor na parede.
-8h00. Definitivamente uma IA nas minhas nanites foi uma péssima ideia.
Sentando-se à frente do monitor diz:
Computador, manda esta mensagem à rainha Hara: “Parabéns Hara”.
“Mensagem enviada”
-É possível contactar alguém à superfície do planeta?
“Negativo. As comunicações para o planeta requerem uma autorização E-alfa-aleph.”
-Onde arranjo isso?
“As autorizações E-alfa são emitidas pela IA central desta nave, automaticamente.”
-Óptimo, tenho de esperar que ela se lembre de mim!
“Um ele neste caso. Bom dia Capitão Lagrange, eu sou o IAC Esperança, a inteligência artificial central da nave Esperança. Precisa de uma autorização E-alfa-aleph? ”
-Sim, preciso de contactar a minha médica, Glorie Boavida.

(continua)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (última parte)

por Matemaníaco
(Continua daqui)

Bom, agora tenho de me apresentar ao comandante Otárius.”
“Ele está na ponte de comando.”
“Como é que sabes isso?”
“Assim que voltaste a ligar-me vi que tinha e continuo a ter acesso à IA da nave, e espreitei”
“Linda menina! Vê se descobres de onde veio o acesso...”
“A tua patente dá-me acesso a tudo. Com o pormenor de que eu sou uma IA mais sofisticada do que a desta nave.”
“Pois! A tua tecnologia é de que ano mesmo?
Esta nave deve ser de à volta de 2000CO, e de ser um protótipo da altura.”
“As nanites, são de 2096CO, a Nano IA é a versão pós 80 de 2100CO”.

“Portanto, és apenas uma NIA entre muitas! O que te distingue das outras? Tens algum nome para além de NIA?”
“O que me distingue é que sou tua. E a minha personalidade foi extrapolada a partir da tua mente, para te ser o mais agradável possível.”
“Isso preocupa-me... é que tirando o facto de não seres de carne e osso, não há nada em ti que eu não goste.”
“Mas pediste-me para mudar o cabelo.”
“Fica-te muito melhor como está agora. Gosto mais dele assim. O programa não deve ter apanhado tudo correctamente.”
“Eu não tenho outro nome para além de NIA.. Queres dar-me um?”
“Não tenho esse direito... escolhe tu um de que gostes, e depois dizes-me.”
“Está bem... mas em vez de estarmos aqui a tagarelar, não devias enviar uma mensagem a Otárius?”
“Podes mandá-la?”
“Posso, mas sugiro-te que te ponhas à frente de um comunicador, sejas scaneado, vistas a farda correspondente ao teu novo posto, que te vai ser fornecida, e só depois te apresentes ao comandante.”
“Está bem. Logo à noite, dá para abrires um ambiente virtual do género do tutorial, onde eu possa estar e conversar contigo?”
“Como assim?”
“Um ambiente onde meia hora no mundo real corresponda a 3 horas contigo.”
“Sim, posso. Que pretendes?”
“Nada... simplesmente conversar contigo, para evitar estar aqui parado nos corredores feito um totó a conversar contigo na minha mente”
“Oh... desculpa!”
“Estás desculpada. Não tens culpa de ser interessante. Vou desligar-te, está bem?”
“Está bem.”
“NIA off”
Lagrange seguiu as instrucções de NIA, e contactou a ponte de comando.
-Capitão Lagrange apresenta-se ao serviço.

-Seja bem vindo a bordo capitão. Daqui fala o Subcomandante Pennus. Apresente-se directamente ao comandante Otárius, amanhã pelas 6h00min no escritório A-01. Foi-lhe atribuída uma cabine com acesso à nossa rede interna da dados, e um email interno. Lá estão uma lista de protocolos a seguir dentro desta nave, e uma série de informações com que se deve familiarizar. Entendido?
-Entendido senhor.
A comunicação foi desligada.

Fim de capítulo
(Continua)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 10)

por Matemaníaco
Continua (daqui)

Lagrange correu para os balneários, tomou um duche rápido, e ao por-se à frente do scanner, o computador dá-lhe uma farda de segurança, que ele rapidamente veste, e logo depois põe-se a correr pelos corredores para a porta 3.
“Foi um banho rápido, vais chegar a tempo, não precisas de correr”
“Obrigado NIA”
“Gostaste do balneário misto?”
“Estava vazio!”
“E qual é o problema disso? Ias só tomar um duche.”
“NIA, eu gosto de mulheres! Lindas, como tu, e se eu tiver oportunidade de as ver nuas, seja em que circunstancia for, melhor.”
“És tão... oco.”
“Sim, sou! E também quero ver-te nua.”
“A personalidade das pessoas não conta para ti?”
“NIA... és uma voz na minha cabeça. Raramente vejo o teu corpo e apesar de estares comigo só há alguns dias, gosto imenso de ti. Isso não te diz algo?”
“Incrível. Estás mesmo a falar a sério! Tu gostas mesmo de mim. Confirmei com os teus sinais vitais”
“Não podias só acreditar em mim, sem recorrer a tecnologia para me sondar?”
“Peço desculpa... obrigado pela parte que me toca. Mas não me vais ver nua!”
“Eu sei disso. Também achei que devias saber o que eu sinto.”
“Queres só ver mulheres nuas? Por exemplo a sábia é mulher!”
“Cruzes... Não distorças as coisas! Eu disse mulheres lindas!”
“A beleza está nos olhos de quem vê!”
“Já que consegues medir tudo em mim, aprende a fazer a distinção”
“Eu também gosto de estar aqui ligada contigo. Só que eu não tenho corpo. Sou apenas software a correr em nanites. Até a imagem que viste de mim foi fabricada. Eu não sou humana. Tecnicamente, não podes ver-me nua. ”
“Eu sei... podemos continuar a conversa depois?”
“Podemos conversar quando quiseres. Sabes disso.”
“Posso desligar-te por uns momentos?”
“Sim, podes. É seguro.”
“Não era isso que eu queria perguntar...ficas chateada?”
“Porque haveria eu de ficar chateada?”
“Está bem, desliga-te NIA.”
Lagrange chegou à porta 3, onde também estavam outras 3 pessoas. O scanner óptico não lhe levantou problemas.
A porta abriu-se, atravessaram um túnel invisível, gerado de forma análoga aos pequenos escudo planetários. Ao chegar ao outro lado, todos passaram por scanners ópticos.
“Hara, eu estou aqui, identificado como segurança da família oGamus”
Enviou Lagrange através das suas nanites, para Hara.
Hara, encontrava-se num salão, em reunião com vários cientistas e militares.
-Com licença minhas senhoras e meus senhores, eu já volto.
Hara afastou-se, pegou num comunicador e ligou para Otárius:
-Ele está aqui, é um dos meus seguranças. Faz com que chegue ao salão.
Em menos de um minuto, chegou um segurança ao pé de Lagrange e pediu que este o acompanhasse.
Lagrange acompanhou-o, e chegaram ao salão onde estava Hara.
-David!
Hara chegou ao pé dele e abraçou-o
Todos olharam para Hara.
-É um velho amigo!
-Tinhas mesmo de me chamar velho?- Sussurrou Lagrange.
-Estás mais velho...espero que mais maduro, e finalmente de pé.
-Agora vais explicar-me o que se passa aqui?
-Não, vou deixar isso para o comandante desta nave, tu, vem comigo.
Lagrange seguiu a rainha até à sala de refeições da rainha.
-Aqui ninguém nos ouve.
-Não me digas que não confias no pessoal que tens à tua volta nesta nave!
-David. Lembras-te da noite em que te falei das nanites imperiais?
-Não. Porquê.
-Foi a noite em que embarquei para aqui. Eu não vivi a tua história a partir desse dia.
-Espera lá... já me lembro. Tomaste uma piela e os teus seguranças afastaram-nos e levaram-te. Dizias que tinhas nanites e que no dia seguinte ias estar sóbria.
-Nesse dia eu embarquei nesta Nave de Batalha, e de forma que não deve ser muito diferente da tua, eu acabei aqui.
-Aqui, foste promovida a rainha.
-Longa história. A verdade é que preciso de ti.
-Tu também com essa história?
-Como assim?
-Quando acordei pela primeira vez, lá em baixo naquele destruidor, estava um tipo gordo de óculos...
-Sim, o senhor Óxinol. Afirma ser um cientista ao serviço da imperatriz Aivota, mas descobrimos que nos está a mentir e tem um passado bem obscuro. Tirando isso, por cá não o conseguimos ligar a nenhum crime, por isso fica com os cargos que tinha antes de descobrirmos isso, e só deixo atribuirem-lhe novos cargos quando ele conquistar a minha confiança.
-Aparentemente ele sabe muito sobre mim, e um suposto futuro eu.
-Sabe. A sábia ajudou-o no acesso à documentação. E foi ela que descobriu as informações sobre ele.
-São fidedignas?
-Demasiado.Tive mesmo de optar por uma política de protecção da informação, e recolher todas as bases de dados que encontramos nos destroços. Estão aqui nesta nave.
-Portanto o secretismo cá dentro, e fazer-me passar por segurança...
-Foi para não chamar a atenção de Óxinol.
-Mas não é um pouco exagerado? Bastaria demitires o homem!
-Preciso dele, por enquanto.
-Que raio de passado obscuro terá ele?
-De acordo com várias bases de dados, esteve envolvido numa tentativa de assassinato da tal imperatriz Aivota, numa tentativa de tornar o império numa democracia. Foi expulso do império e era para ser abandonado numa missão de exploração espacial, mas a missão acabou aqui.
-E ninguém o denunciou?É preciso ser louco para ainda acreditar nessa ideia ultrapassada de democracia.
-Não encontrámos mais sobreviventes daquela missão. Mas encontrámos sobreviventes de épocas anteriores que no garantem que ele é um homem respeitado.
-Desculpa o questionário... mas para que precisas dele?
-Para sairmos daqui vamos precisar dos recursos de um império, a investigar o que se passa aqqui. Todos os cientistas que tivermos são poucos. De todos os nossos sobreviventes ele é o único perito em tecnologia de energia.
-Estou a ver...
-Sabemos que existem muitos mais sobreviventes espalhados pelo planeta, e que muitos se recusam a juntar-se a nós.
-Porquê?
-Vamos mudar de assunto... Essas informações vão te ser transmitidas via nanites por mim.
-Nanites... ainda me estou a habituar a elas.
-Para construir um império, preciso de pessoas em quem eu possa confiar pessoalmente. Quero-te a comandar uma das minhas frotas. Começarás com a patente de capitão.
-Capitão? Mas eu sou comandante, isso é descida de posto!
-Comandante na frota de outro império. Aqui, capitão é quase o equivalente à tua patente, mas um pouco mais! Estarás entre homens muito mais experientes do que tu.
-Vais dizer-me que estás a fazer-me um favor?
-Não, que és das poucas pessoas em quem confio para o trabalho. Podes ser um traste, ter deixado metade das minhas amigas de rastos, mas tens um excelente currículo.
-Não tem nada a ver com o meu suposto futuro?
-Nunca quis saber dele . Sendo teu... as orgias descritas no “Império de may” devem ser consideradas contos infantis.
-”Império de may”? Não conheço.
- Eu faço com que te chegue um exemplar. Há lá boas sugestões para a construção de um império.
Acabei de dar a ordem via nanites. Já és capitão!
-”Capitão Lagrange”... outra vez. Bah!
- Apresenta-te ao comandante Otárius.
-Com esse nome, vou ter imensa confiança nele...
-Até à próxima Lagrange. Gostei de rever-te!
-Até à próxima. Fez-me impressão ver-te tão... nova.
Lagrange sai para o salão, onde é olhado por todos os presentes e diz:
-Não se preocupem... Ela gostou! Está só a recuperar o fôlego e já volta.
… e sai para o corredor.
“NIA liga-te.”
“Estou de volta.”
“Ela deu-me a patente de Capitão, e sabe-se lá o que vem a seguir!”
“Capitão Lagrange! Fica-te bem.. eu gosto!”

( Continua )

terça-feira, 16 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 9)


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Sabes o nome daquela estrela, NIA?
De acordo com as informações que me foram carregadas pela sábia não há nome oficial, chamam-lhe só Sol
Que mais informações te deu a sábia?”
“Não muito. Mapas recentes e localizações com nomes, e a identificação de algumas pessoas”
“Está bem... posso pedir-te uma coisa?”
“Pede.”
“Sei que foi o software que te deu essa forma física, baseada na minha mente... mas podes mudar a cor do cabelo? Eu preferia que fosse preto... ou castanho escuro.”
“Sim, posso. Faço-o quando adormeceres”
“Obrigado... sabes se esta caminhada ainda vai demorar?”
“O cargueiro nunca aterra duas vezes no mesmo ponto. E as localizações não são divulgadas por nenhum canal a que eu consiga aceder.”
Porque é que vamos a pé?”
“Isso vais ter de perguntar a eles.”

-Alguém pode me dizer porque é que vamos a pé?
Estou a receber uma comunicação.. do agente SergueiPeNaCov”-Disse NIA
Comandante Lagrange, a sua patente militar aqui nada vale. Por favor mantenha-se calado e confie em mim”-
“Comunicação desligada”-
Disse NIA
“Nada vale?”
“Enquanto não passares pelos serviços de identificação daqui, não passas de um zé ninguém”-Respondeu NIA.

Passados 23 minutos, chegaram a uma enorme plataforma metálica.
PéNaCov olha para os homens,
E de repente toda a gente desaparece dali e reaparece no outro lado do planeta, onde é noite.
“O que foi isto NIA”?
“ Espera... eu não estou bem”-
NIA desligou-se.
“NIA? NIA? ...”
Do céu vem uma luz. Era um cargueiro! E aterrou a 20 metros de  Serguei . O deutério é carregado, e  Serguei  vai falar com um dos militares que estavam a guardar os técnicos que recebiam o deuta.Depois Serguei faz sinal a Lagrange, para ir ter com ele.
Ao aproximar-se de Serguei, Lagrange diz-lhe
-”Passa-se algo com as minhas nanites”
-”Lá em cima tratam-lhe disso. Dê cá a arma... a farda pode devolver-nos depois quando regressar. E até breve.”-Responde Serguei
-”Entre”- diz o soldado a Lagrange.
Lagrange olhou para Serguei e agradeceu.
Entrou no cargueiro pequeno, que levantou voo, saiu da atmosfera do planeta e dirigiu-se à nave Esperança.
“NIA, vá lá, responde!”
NIA continuava a não responder.
Lagrange ia sentado num pequeno camarote para visitantes. A viagem até à Esperança, num cargueiro pequeno devia durar à volta de 6 minutos, portanto ter de ficar num camarote parecia-lhe um pouco exagerado.
A fim de dois minutos chega um homem de cabelos brancos mas que aparentava estar nos seus 30 à que diz-lhe:
-Assim que chegar à nave de Batalha, será scaneado e identificado. De acordo com o Agente Serguei, o senhor tem nanites e tem encontro marcado com sua majestade a rainha Hara, por isso, deixe-me cá ver a sua mão."

O homem pega na mão de Lagrange e dá-se uma troca de informações entre nanites.
-Está tudo nos conformes, a sua identificação como segurança real ainda é válida.

NIA!!!!! Preciso de ti!”- pensava Lagrange.
-Foi-lhe dada acomodação porque não somos nós que vamos ter à Nave Esperança. Ela é que vem a nós, sem horário definido.

-Posso circular pelo cargueiro?
-Pode, mas agradecemos que se limite às áreas
civis: refeitório, bar, sala de convívio e balneário.
Aqui o balneário
é misto, espero que não se importe.
-Balneário misto? Claro que não me importo... Eu não sabia que este cargueiro tinha áreas militares.
-Nesta zona todas as naves têm uma área militar. Passe bem.
E saíu.
“NIA, o protocolo de identificação está a funcionar corretamente.”

NIA continuava a não responder.
Lagrange abriu um armário, tirou uma toalha e um roupão e preparava-se para abrir a porta para dirigir-se para o balneário.
NIA, se consegues ouvir-me, o balneário é misto. Motivo mais do que suficiente para eu querer tomar um demorado duche.”
“fbbafaafr...”
“NIA?”
“Atenção, nanites offline para autoreparações. É imperativo que se deite para repouso absoluto.”
“Hã? Não me faças isso NIA”.

nejsaea...”
E de repente Lagrange sentiu-se mais cansado, zonzo..
“Vendo bem, é mesmo melhor eu meter-me na cama...”

Deitou-se na sua cama e adormeceu de repente, para acordar 8 horas depois, todo transpirado.
“Olá David”
NIA! Que se passou contigo?”
“Aquele hipersalto corrompeu as comunicações entre nanites, e destruiu mesmo várias delas. Várias das componentes que me gerem a mim, NIA, tiveram de ser reconstruidas.”

Hipersalto à superfície de um planeta com atmosfera, habitado e com recursos?”
Tecnologia abandonada há mais de mil anos, do teu ponto de vista, pelos problemas que criava e nunca conseguiram resolver.”
“Se foi abandonada porque é que Serguei e os seus homens recorrem a ela?”
Só posso te apresentar hipóteses. Nada em concreto.”
“Bem-vinda de volta... estava preocupado contigo. Nunca tive uma mulher tanto tempo na minha mente...”
“Sim, claro, lembro-me perfeitamente que desliguei-me quando ias para um demorado duche num balneário misto.”
“Por falar nisso... tenho de ir ao duche.”

De repente ouve-se:
Esperança estabeleceu contacto, pede-se ao pessoal que vai ser transferido que se apresente na porta 3 dentro de 15 minutos.
Vai a um duche rápido. Estás a precisar de um.”-Diz-lhe NIA.
(continua )