sábado, 6 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 6)

Por Matemaníaco
(continua daqui)

Após caminhar várias horas, não havia sinal da tal cratera.
Em ambos os lados do caminho só se via uma superfície árida e....
-Deus! Aquilo são pegadas?
Uma pista de pegadas de três dedos com cerca de um metro atravessava o caminho.
-Só me faltava esta... Também haver dinossauros aqui.
Lagrange bebe de um trago o que sobrava, e atira a garrafa na direcção em que seguiam as pegadas.
-Meti combustível... vamos lá ver se o carro anda.
Lagrange começa a correr... e a acelerar.
E em cerca de 5 minutos chega ao pé de uma gigantesca cratera.
-Gostava mesmo de saber que distancia corri..
De repente Lagrange ouve uma voz artificial
102.23 Km
-Quem falou?
-Nano IA.
-Está bem.. deixa-me adivinhar, és a IA que gere as minhas nanites?
-Sim, está correcto.
-E só eu é que te ouço?
-Sim, está correcto.
-Nem quero pensar como é que vão detectar esquizofrenia no futuro.
-Diga?
-Estava só a pensar em voz alta. Podes explicar-me como é que funcionas?
-Pode chamar o tutorial sempre que quiser.
-Chamar? Quer dizer que tenho de usar a voz?
-Não. Pode simplesmente pensar.
-E posso desligar-te quando me apetecer?
-Sim.
-Desliga-te!
Depois de alguns minutos de silêncio..
-Eu fiz 102.23 Km em 5 minutos? .. Epa … Estou a sentir-me cansado..
E desmaiou.
Quando acordou, estava deitado numa cama, numa tenda, e estava uma velhota de costas para ele, a usar um computador.
-Sabes, o que fizeste foi bastante estúpido. Nunca se desligam nanites depois de ter corrido mais de 100 km em menos de 5 minutos... muito menos depois de ter ingerido uma bebida 95% álcool. As nanites têm de recalibrar o teu organismo. Podias ter morrido.
-Eu ainda não sei usar isto.
-Estiveste inconsciente durante dois dias.
-Deviam chamar-me “comandante desmaios”... Quem é a senhora?
-”Quem és tu?”, Senhora é a tua mãe! Eu sou Maria, a alentejana, mas todos me chamam “a sábia”.
-”Alentejana"?
-Eu servi na corte do imperador Armaggedom, o alentejano, mas está calado. Se queres manter-te vivo, quem fala aqui sou eu, comandante desmaios. Entendido?
Lagrange acena afirmativamente com a cabeça, e “a sábia” vira-se para ele.
-Óptimo. Tu ainda não me conheces, mas eu já te conheço há mais de 50 anos, e é sempre bom rever um velho amigo. Tens 30 minutos para aprender a usar as nanites. Ao entrares no modo tutorial adormecerás, por isso não te levantes da cama, e entrarás num ambiente de realidade artificial. A tua IA ganhará uma forma física feminina e será tua companheira na viagem. Penso que não estará muito contente contigo neste momento, visto que desligaste-a à bruta.
O que para mim serão 30 minutos, para ti serão 3horas.

E como eu te conheço muito bem, deixa-me avisar-te: a tua IA deve ter a forma de uma belíssima rapariga.
Não a tentes seduzir, não é uma mulher, e as consequências podem ser catastróficas! Entendido?
Lagrange, mais uma vez acena afirmativamente com a cabeça.
-Escuta bem meu Don Juan: Isto é a sério! Estamos a falar de uma IA com nanites espalhadas por todo o teu corpo. Trata-a dignamente ou as consequências serão bem más! Historicamente más, se é que me entendes! Agora... dorme. Falamos quando acordares.
E ele adormece repentinamente.
Na sua mente, Lagrange aparece sentado frente a uma bela mulher loura com um corpo escultural e um traje militar imperial justíssimo que lhe diz:
-Olá, eu sou a tua Nano IA, podes chamar-me NIA. Finalmente, estamos frente a frente.
-Céus! Estou mesmo metido em sarilhos!-Responde Lagrange

(Continua na próxima 3ª feira)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 5)


Por Matemaníaco
(continua daqui)

Através de Hic Silva, Lagrange aprendeu um pouco sobre a vida em “Cronos”, o planeta azul rodeado de anéis e destroços, e oficialmente habitado por menos de 3 milhares de sobreviventes de todo o tipo de missões espaciais de todo o Universo conhecido.

-Sabes, uma frota de recicladores limpava aquilo lá em cima, e assim evitavam-se saltos com rematerializações em cima de destroços.
-Já muitos clientes me disseram isso. Só temos um problema: não há recicladores.
-Que espera a rainha para termos um Hangar?

-O problema é que aqui temos de começar do zero. Disseram-me que aqui algumas leis da Física são diferentes das que conhecemos.
-Leis da Física diferentes? Quais? Quem disse isso?
-Dois cientistas de uma das expedições, que costumam vir cá todas as noites de 6ª. Eu não sou perito no assunto, mas pelo que me disseram a nossa tecnologia de salto tem de ser repensada do zero.
-Obrigado pela conversa e pela bebida. Diz-me só onde encontro essa tal “sábia”.

-Vá para este, siga a estrada até encontrar uma enorme cratera. Dentro da cratera encontra várias tendas. A sábia está na 2ª tenda azul à esquerda.
-Obrigado. Leve lá isto. Oferta da casa.- Hic oferece-lhe uma garrafa de um litro com um líquido transparente.
-O que é?
-Vodka, considere isto um convite para voltar cá.
-Hic... és o meu melhor amigo neste planeta! Trata-me por tu!

E Lagrange sai, ainda com o amargo da protanera na lingua, mas o sabor da “Estrela da Morte”.
Ao atravessar a porta choca com Natália, mas muito rapidamente apanha-a e evita que caia ao chão... deixando esse destino para a garrafa de vodka.
-Peço imensas desculpas- disse Lagrange.
-Sr Lagrange!
-Por favor não me bata.. só não quis que caísse.

-Oh---Obrigado. -Gaguejou Natália- Foi muito rápido. Nunca vi ninguém mexer-se tão rapidamente.
Lagrange parou, soltou Natália e respondeu, olhando para os seus braços:
-Nem eu.
-Se prometer que não tenta beijar-me outra vez daquela forma, um dia tomamos um copo.

Lagrange sorriu.
-É bom saber que  posso tentar de outras formas.
-O senhor sabe o que eu quis dizer.
-Está bem, aceito o convite, diga-me como posso entrar em contacto consigo.

Natália agarrou-lhe na mão e apertou-a.
-Que foi isso?
-As minhas nanites enviaram o meu contacto às suas.
-Também tem nanites?
Natália sorriu.
-No seu tempo isso não é comum?
-Só em quem serve as casas imperiais de toda a galáxia... Portanto a menina é do meu futuro?
-Sim sou, mas não sei nada sobre si. Por favor não divulgue...

Lagrange beija-a na face, pega na garrafa que caiu intacta no chão e disse.
-O seu segredo está seguro comigo..
-Até à próxima.- Despediu-se Natália entrando no bar.
Lagrange olhou para a porta, tentava lembrar-se da cara da enfermeira que o deixou inconsciente da única vez que acordou na nave de batalha... mas a memória não o ajudava.
Se fosse Natália, sabia que havia inconsciências na história. Se não... queria poder confiar nela.
Lagrange afastou-se e foi em direcção a este.

Cargueiro Grande Leonard Euler , 4 de Agosto de 2054C0 , 20h15min 
Log pessoal da estudante de enfermagem Natália Sofia Andrómeda
Hoje vi uma rapariga igualzinha a mim numa notícia de há 42 anos. Não consegui descobrir o nome. Era uma notícia sobre uma exploração espacial onde encontraram várias naves que foram recuperadas e passaram a fazer parte da frota do imperador da altura.

Cabine de sua majestade, a rainha Hara, a bordo da Nave de Batalha Esperança.Presente
Comunicação encriptada a chegar.
-Passa para as minhas nanites – Diz Hara, dentro de uma banheira , no banho.
-Hara?
-Podes falar Glorie, a comunicação está segura.
-Lagrange está fora daqui, O chefe deu-nos uma valente descasca por termos deixado um doente que saiu inexplicavelmente dum coma sair daqui.
-Portanto, tudo correu como o planeado?
-Sim, mas tive de por o Rui, o Joaquim e a Natália a par de certas informações.
-Confias neles?
-Apaguei a memória do acontecido ao Joaquim. Confio no Rui e na Natália.
-E eu confio em ti. Portanto já posso contactar o David por nanites?
-Sim, já. Vou enviar o ID de comunicação subespacial em anexo no fim desta comunicação.
-Obrigado. Um dos meus detectives particulares, mostrou-me que existe por cá uma 2ª versão da Natália e do Rui, supostamente, vindos do futuro das versões que conheces. Sabes de alguma coisa?
-....
-Glorie?
-... Peço desculpa. Estou chocada por ouvir isso. Essas versões não entraram em contacto?
-Não...
-O melhor conselho que posso dar é o que mais ouvi nas aulas de mecânica temporal: “Deixem o tempo seguir o seu curso e tomem as decisões que tiverem de tomar...”.

-Se calhar é mesmo o melhor. Eles não têm interferido em nada, parece mesmo que não querem alterar a história.
-Não te preocupes Hara. Vai tudo correr bem. Sobre isso de alterar a História... parte do código que escrevi nas nanites alterou ...uma condição médica do meu bisavô. Mas, de acordo com um livro que aqui tenho, a história não mudou, ou seja, na altura em que este livro for escrito... tudo estará como se eu não tivesse lhe dado as injecções.
-Está bem... como me explicaste um dia, isso significa que podemos conseguir regressar aos universos que conhecemos...
-Sim..e não a versões alternativas.
-Por outro lado incomoda-me saber que o meu futuro pode estar predefinido.
-Por hoje é tudo. Beijos Hara..
-Beijinhos Glorie.


Comunicação terminada.
-Abrir comunicação segura protocolo Hara0012002 comandante David Lagrange.
Comunicação em curso.
Comunicação em aberto via nanites.
-Olá velho amigo.
-Hã?? Quem é que está a falar? - Lagrange olha à sua volta e não vê ninguém.- Aquela protanera deve ter efeitos secundários
-Comunicação por nanites.
-Hara? És tu? ...Tenho de aprender a usar isto, imagina que eu estava no bar a falar com o Hic.. passava por maluco.
-Já encontraste “a sábia?”
-Ainda não.. tive de passar primeiro pelo bar.do Hic

-Sempre o mesmo...
-Pelo que percebi, não sou o mesmo que tu conheces.. sou uma versão anos mais velha...
-Sim, eu sei, eu visitei-te algumas vezes.
-Como é que estás a contactar-me pelas nanites?

-Foi a Glorie que me deu o teu contacto.
-E eu nem posso ver uma coisa do tipo “chamada a chegar”, “aceitar” ou “recusar chamada”?
-Quando aprenderes a usar isso, vais ver que tens essa opção.
-Mas diz lá o que é que tu queres.
-Quero que tenhas cuidado... e marcar um encontro contigo aqui nesta nave.
-Um encontro.. tu e eu? Neste momento estou com uma coisa com uma enfermeira..
-Mudaste mesmo.. o Lagrange que eu conheci nunca recusaria.
-Eu não estou a recusar, estou a informar-te que o teu papel aqui é o de “a outra mulher”.

-Sim, mas o encontro é para assuntos sérios e deve manter-se o mais secreto possível...
-Não me podes adiantar para o que é?
-Não.. só pessoalmente.
-Está bem, sua majestade!
-Agora vou desligar comunicações. Até breve David.
-Até breve.

Comunicação terminada.
Lagrange olha para a garrafa de vodka que tinha na mão e diz:
-Isto merece uma bebida...
Abre a garrafa, e bebe logo um quarto de litro rapidamente como se fosse água.
(continua)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Histórias da vida

por mayNard

    Numa tarde chuvosa entra na Tasca, o Imperador Bejekas todo eufórico, recebeu uma mensagem do Imperador Poeta, a informar que estava fan do Blog e que iria haver festa no sistema solar 0 : 99 .
   Os restantes Imperadores ficaram a olhar e pensaram, foi desta, que passou-se…..
-'tadinho do Imperador Bejekas-disseram as Imperatrizes Aivota, Diianik e Hara em coro.
O Imperador Bejekas insiste,  mostra o referido comunicado e o Imperador Matemaniaco, fica meio desconfiado com a noticia, os restantes Imperadores e Imperatrizes dizem em couro:
-Vais atura-lo Bejekas agora é que ninguém o cala, fizeste a bonita…
O Imperador Matemaniaco, ao fim de 2 horas continuava a discursar, até que um dos Imperadores disse:
-Vou chamar a Maria dos Prazeres.
 E então o Mates, excitou-se , pensou e disse:
-Uma rodada para todos, eu vou mudar de roupa.
Não satisfeito o Bejekas acrescenta:
-Então sai mais uma, oferta do Imperador Poeta a todos os Imperadores e Imperatrizes da Tasca. Nisto, o Imperador Cobrador que estava ao meu lado começa a contar a sua ascensão a Imperador:
-Sabes mayNard quando era um jovem aprendiz de Imperador, sim hoje considero que na altura, era um aprendiz cheio de sangue nas guelras e a querer mostrar aos outros Imperadores o que valia, então desafiei um grande Imperador, claro que o desfecho dessas batalhas foi desastroso para mim e para o meu Império, a última batalha ficou conhecida como o Exorcísmo Final, foi aí que observando o meu povo, percebi que não estava a ser um líder mas sim uma criança, afinal de contas estava na hora de mudar. Aos poucos fui mudando e aprendendo a admirar esse Imperador e a sua filosofia de estadista.
Ainda nos dias de hoje, pago caro esse desafio, pois de vez em quando, as frotas desse vasto Império dizimam os planetas que governo, hoje sei que foi errado o meu procedimento e a atitude tomada para com outro ser Humano, neste caso foi com o maior Imperador conhecido-
 Mas hoje, sendo um Homem mais maduro e sábio devido à experiência de vida e às longas guerras para criar o meu próprio Império e mantê-lo, verifico que fui injusto, sentido uma grande magoa pela minha atitude em jovem, hoje em dia administro o meu Império com a mesma filosofia desse magífico imperador, e espero que um dia o nossas frotas possam estar em paz.
O Imperador Cobrador confidenciou-me ainda uma coisa:
-... o meu grande sonho é a Paz entre os dois Impérios e tomar um daqueles coktails com protanera com o esse tal imperador, na TASCA, rodeado pelos imperadores das 2 Alianças, para selar a Paz, que se deseja longa e duradora. 
No fim, o imperador Matemaníaco disse:
-Se a Maria dos Prazeres não chega eu vou chorar!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Uma questão de honra...

Bejekas estava na TASCA a provar a ultima remessa e chega 007, pedindo um Martini.
-Quem és tu? Nunca te vi por aqui.
-Meu nome é Bond, j...
Põe-se IMPRTRS à janela a pedir o contacto msn de Bejekas.

007 indignado diz a Bejekas:
-Nunca fui interrompido na vida! Chama Lagrange!
-Lagrange? O Supremo comandante da TASCA? Se for para vingar a tua honra ele pode comandar a minha frota..
-Ok, combinamos as duas frotas e Lagrange que vingue a nossa honra!
Bejekas, pega no telemovel e liga para Lagrange.
-Ó coiso. Estás muito ocupado?"
-Um bocadinho, porquê?
-Temos um trabalhinho para ti...

Lagrange, indignado, aceitou sem pensar duas vezes.



As frotas seguintes encontraram-se em 03.10.2012 , e obviamente o combate iniciou:



Atacante Bejekas 

 N.Batalha 3.971

 Destruidor 1.191
 Interceptor 826

Atacante 007 
Interceptor 5.438

Defensor IMPRTRS 

Cg.Grande 100

 N.Colonização 20

 Reciclador 100
 Sonda 100
 Sat.Solar 500
 L.Misseis. 1.000
 Laser L. 1.000
 Laser P. 400
 C.Gauss 400
 C.Iões 400
 C.Plasma 200
 P.Escudo 1
 G.Escudo 1


Depois da batalha...


Atacante Bejekas 


N.Batalha 3.913 ( -58 )

 Destruidor 1.190 ( -1 )
 Interceptor 823 ( -3 )

Atacante 007 
Interceptor 5.379 ( -59 )

Defensor IMPRTRS 



Destruído!


Ele roubou

 1.020.994 Metal, 642.033 Cristal e 344.847 Deutério.
O atacante perdeu um total de 8.875.000 Unidades.

O defensor perdeu um total de 56.470.000 Unidades.
 Nestas coordenadas flutuam: 3.165.000 Metal e 3.050.000 Cristal.
 A probabilidade de criação de lua devido aos destroços do combate é de 20 %.



Durante a Batalha a tripulação ainda fez um intervalo para o chá.
Entre os destroços da batalha foram encontrados muitos exemplares do Kama Sutra .




Ao regressar ao hangar Lagrange ligou a 007:
-Honra recuperada. Como habitualmente, pagas-me em Bondgirls por estrear... 

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 4)

Por Matemaníaco
(continua daqui)

-Que se colonize outros planetas da vizinhança, e se construa um império?
-Sim sua majestade. A única forma de sairmos daqui é com tecnologia de salto. Vamos precisar de centros de pesquisa, recursos...
-Óxinol, eu já li o “O império de may”.
-Peço desculpa pela inconveniência.
-Sabes, desde que acabei de ler o livro que penso nisso.
-E?
-E ainda não decidi. Eu estou a considerar a ideia.
-Se não é indiscrição, há quanto tempo leu o livro?
-É indiscrição. Podes sair Óxinol.
-Só mais uma coisa...
-Sim Óxinol.
-Nas contrucções, as pessoas que vieram do futuro...
-Sai Óxinol. Deixa as pessoas que vieram do futuro em paz. Até tu vieste do futuro de muita gente, incluindo eu!

Óxinol saiu, e dirigiu-se calado para o bar da nave. Pouco depois Hara recebeu o detective Muitus Tretus.
-Boa tarde sua majestade.
-Boa tarde senhor Tretus. Finalmente vou ter notícias do alegado sabotador?
-Hoje vai saber disso e muito mais...
-Muito mais?
-Bom. Lembra-se de ter-me pedido que investigasse as pessoas que compõem o seu governo provisório? Tenho aqui informações que devem interessar-lhe - E entregou um cartão de leitura a uma das empregadas de Hara, que prontamente entregou-o a Hara.
Os cartões de leitura são dispositivos de armazenamento portatil de informação, tal como as disquetes ou as Pen’s dos finais do século XX, princípio do século XXI da Terra Original.
-Pode resumir-me?
-Não vale a pena. Mas devo avisar-lhe que nas minhas investigações, encontrei duas versões de duas pessoas.
-Como assim?
-Sabe que aqui é teoricamente possível termos uma pessoa que veio de dois pontos distintos no tempo. Pois bem, encontrei duas pessoas nessas condições.
-Como foi que isso escapou aos serviços de identificação?
-Não seja ingénua sua majestade. Sabe que nem toda a gente está identificada. Mas são pessoas que sabem como sair daqui, uma vez que a versão mais velha, foi alguém que regressou.
-Quem são elas?
-Doutor Rui Matos e estudante de enfermagem Natália Sofia. As primeiras versões e estão a servir a bordo do Destruidor-Hospital no sector 32-43. As segundas estão no sector 63-52, e vieram como investigadores, a bordo de um intersector imperial da frota do imperador McLopes.
-”Imperador” McLopes? Não conheço.
-Claro que conhece. Foi subcomandante desta nave, numa missão de exploração espacial a mando de sua alteza real, o rei Flávius...
-Incrível. Saber que chegará a imperador. Mas sr Tretus, essa não foi uma missão qualquer: foi a missão que me trouxe aqui. Já agora, não sabes mesmo como sairemos daqui?
-Não, mas sei que sairemos.
-E o sabotador?
-O sabotador... foi João Tudor. Mas se não o fizesse a NB teria se desfeito no hiper-salto. Está tudo explicado no cartão de leitura.
Hara não sabia o que dizer.
-Muito obrigado pelos teus serviços.
-Foi uma honra para mim. Contacte-me sempre que precisar.
E Tretus saiu...

Localização : planeta com aneis, sector 32-43

Lagrange saiu do destruidor, ainda com a marca vermelha da bofetada de Natália na cara. Lá fora estavam várias construcções recentes. Casas, estradas, bares, restaurantes, night-clubs, edifícios burocráticos. Algo que noutra época da história da humanidade seria impossível conceber, e inimaginável tendo em conta as condições que tinham os médicos dentro do destruidor.
-Ir para Este,disse ela...
Lagrange fechou os olhos e na sua mente surgiu um mapa.
-Só é pena que eu nunca tenha sido bom a ler mapas bidimensionais.
Lagrange anda uns 10 minutos até entrar num bar.
Ao entrar, o bar estava meio vazio. E estava uma cara conhecida ao balcão.
-Comandante Lagrange!!
Lagrange olhou-o...
-Você era o barman na minha nave! Desculpe, não me lembro do seu nome..
-Barman Hic Silva, senhor. Ofereço-lhe uma bebida!
-Isso faz de você o meu melhor amigo. Desde que acordei neste planeta que, parece que estou num planeta de abstémios.
-Só uma coisa: Não me peça vodka preta. Não temos!
-Olhe, ainda bem que é grátis. Não sei com que é que se pagam as coisas por cá.
-Onde é que tem andado? Debaixo de uma rocha?
-Estive em coma.
-Se já está em pé e cá fora, deve ter acordado há algum tempo.
-Sabe, pode ser o meu melhor amigo, mas não lhe posso dar muitos detalhes.
-Fale só do que puder. Não estou aqui para lhe arranjar problemas. Então, o que é que vai ser?
-Ofereça-me um copo da sua melhor bebida.
-Do melhor? Sim senhor, uma vez comandante, sempre comandante
-Aqui entre nós.. Já ouviu falar de uma tal de “sábia”?
-Pode tratar-me na 2ª pessoa senhor. A sábia, é uma ex-concubina do Imperador Armaggedom. Por cá é uma negociante de sucata, e é a única negociante de nanites autorizada neste sector pela rainha Hara.
-Já têm fábricas de nanites por cá?
-Não, as nanites e os robots que encontrar por cá vieram todos nas naves. Oficialmente não temos nanites suficientes para construcções nem programadores para aplicações médicas, mas temos forma de as usar para refinar material.
-Oficialmente?
-Sabemos que alguns indivíduos têm, e usam para ganhar recursos no mercado negro.
Hic põe um copo em cima da mesa, prepara um cocktail, colocando uma rodela de uma fruta que Lagrange não conhecia.
-Tome, por cá chamam a isso Estrela da Morte.
-E isto?
-Isso é uma fruta nativa, chamam-lhe protanera. Pode comer a rodela.
Lagrange prova...
-Muito bom. Eu estava mesmo a precisar de uma coisa destas...
E bebe o resto.
Depois dá uma dentada na protanera e cospe...
-Pá... Isto é amargamente ácido.
Hic ri-se.
-Que história é essa de “Rainha Hara”? No império Ogamus despromoveram a imperatriz?
-Comandante, esta é uma versão anterior. A rainha é muito jovem... e que eu saiba não estamos em ponto nenhum do universo conhecido.
-Não sei como é que vou me habituar a este mundo... Já agora, este planeta já tem nome?
-Oficialmente não... mas por cá chamamos-lhe “Cronos”.
-Como é que sobreviveste?
E a conversa continuou...

(Continua aqui.)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 3)

Por Matemaníaco
(continua daqui)
Localização desconhecida, supostamente, no planeta com anéis, nos balneários , de um destruidor despenhado.
Presente.


Lagrange estava a arrombar cacifos, Quando chegam dois médicos acompanhados pela enfermeira Natália.

-Senhor Lagrange. O que está a fazer?
-Com sorte algum dos antigos soldados tinha por aqui uma garrafa com qualquer coisa que se beba.
-É um verdadeiro milagre estar de pé. Porque não nos deixa analisá-lo?
-Estou muito agradecido por tudo o que fizeram por mim, mas desculpe, não volta a encostar um dedo em mim.
-Mas porquê? Tem alguma razão de queixa?
-Pelo que percebi, a primeira pessoa que vi quando acordei não era médico, nem enfermeiro.
-Ah, o sr. Óxinol? Ele vem vê-lo de vez em quando.
-Quem é ele realmente?
-Ele é o sobrevivente de uma frota que rebentou lá em cima. Agora por cá é um dos nossos actuais líderes.
-Ah, um político. Vocês estão proibidos de lhe dar informações sobre o meu estado de saúde. O único político em quem confio é o imperador.
-Está bem, mas precisamos mesmo de compreender como se reestabeleceu tão rapidamente. E o seu pénis que sempre mediu dois centímetros e de repente passou a medir... trinta? É isso Natália?
-A Natália é tão bonita que fê-lo crescer.
Natália corou.
-Não brinque porque o assunto é sério. Pode ter sido contaminado com qualquer coisa. Se por um tumor podemos ter de amputar-Respondeu o outro médico.
-Fui eu - ouve-se uma voz feminina.
Os médicos afastam-se e vêm Glorie.
-Eu sou de 2111CO. Trouxe nanites pré-programadas para ele.
Lagrange olhou para ela e perguntou:
-Não é segredo?
-Era segredo até estares reestabelecido...
E, voltando-se para os médicos diz-lhes:
-Eu agradeço que mantenham isto em segredo. Se alguém perguntar, diremos que ele fugiu.
-Tu vens mesmo do futuro e nunca disseste nada?
-Não é do meu interesse mudar a minha linha temporal.
-Mas, ao dares-lhe os 30 cm não estás a mudar a história e como tal a poluir a tua “linha temporal”?
-Acham mesmo que o tamanho interessa e vai mudar a História?
Os dois médicos olham um para o outro e o segundo que até agora tinha estado calado responde:
-Por mim tudo bem, eu só quero salvar vidas... Sobraram nanites que eu possa usar?
-O sr doutor também quer 30 cm?-perguntou Lagrange.
-Não. Quero salvar vidas!
-Rui, as nanites estavam programadas exclusivamente para ele, mas sim, eu trouxe um microprogramador de nanites, e sei utilizá-lo.
-Então podemos extrair as nanites dele e reutilizá-las.
-Não, as dele são demasiado específicas. São pessoais e intransmissíveis...
-Nanites imperiais? Que diabos se passa aqui?
-Por favor, a segurança de dezoito impérios e das nossas vidas depende de estarmos calados.
-Quem diabos és tu Glorie? A que império respondes?
-Senhores... Eu tenho nanites. Querem ou não salvar vidas? Deixem a história tomar o rumo enquanto nós fazemos o nosso trabalho. Lagrange, essas nanites vão dar-te sentido de orientação, um mapa na tua mente, e mecanismos de auto-defesa. Segue rumo a Este e assim que encontrares outros seres humanos pede que te levem à sábia.
-À sabia?
-À sabia.
-À sábia? Só isso mais nada?.. E aqui não há mesmo nada que se beba?
-Duvido muito. O bar foi destruído quando a nave se despenhou- respondeu o doutor Rui.

-Só isso. Aqui só água...
-Obrigado por tudo meus senhores, mas aqui o comandante je vai à sábia. Natália,...

E Lagrange beija os lábios de Natália.. que lhe dá uma valente bofetada na cara.
-Eu não sou dessas!
Lagrange sorriu, despede-se, e sai da nave.
-Que vamos dizer ao Sr Óxinol?
-Que o doente teve alta...-Respondeu Glorie.

Localização desconhecida, a bordo da Nave de Batalha Esperança
Log pessoal da princesa Hara oGamus

Passaram as horas, os dias, os meses, e já cá estou há dois anos. Temos 2321 sobreviventes de várias frotas de vários pontos no tempo. Desde um passado longínquo a um futuro bem distante.
Este é um ponto de encontro no espaço-tempo.
As bases de dados com identificações que foram encontradas são preservadas aqui nesta nave. Foram dadas novas identificações a todos os sobreviventes, e criados alguns aldeamentos à superfície. Pedimos às pessoas que mantenham as informações sobre as suas regiões temporais para si e não as divulguem.
Sabemos que isso não acontece, e de vez em quando aparecem pessoas que morreram nas mãos de indivíduos que queriam informações à força, ou por pessoas que pretendiam que certas decisões nunca sejam tomadas.
Fui nomeada rainha deste planeta. E apesar de já estar neste cargo há um ano ainda não me habituei a ele. Tenho resolvido imensas situações, mas preciso mesmo de relaxar, de pessoas com quem possa conviver.
Otárius é um bom amigo, e de vez em quando trocamos livros.
Óxinól é um ser estranho. Já por várias vezes me pediu acesso à base de identificações, mas eu tenho recusado. Agora mudou de estratégia: tenta ser meu amigo.

-Óxinol, se é mais um pedido de acesso já sabes que vou recusar...
-Não sua majestade, eu venho apenas dar-lhe uma sugestão.
-Podias ter-me mandado um email.
-Não, este assunto é muito sério para ser tratado por email.
-Sim? Que vens sugerir...
-Que se colonize outros planetas da vizinhança, e se construa um império

(continua aqui...)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O leão, o velho e a loura

O dono de um circo colocou um anúncio procurando um domador de leão.
Apareceram 2 pessoas: um senhor de boa aparência, aposentado, 70 anos, e uma loura de 25 anos.
O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz:
- Eu vou directo ao assunto. O meu leão é extremamente feroz e matou os meus dois últimos domadores. Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto! Aqui está o equipamento - banquinho, chicote e pistola. Quem quer entrar primeiro?
Diz a loura:
- Vou eu!
Ela ignora o banquinho, o chicote e a pistola e entra rapidamente na jaula.
O leão ruge e começa a correr na direcção dela. Quando falta um metro para ser alcançada, a loura abre o vestido e fica toda nua, mostrando todo o esplendor do seu corpo.
O leão pára como se tivesse sido fulminado por um raio!
Ele deita-se na frente da loura e começa a lamber-lhe os pés!
Pouco a pouco, vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante minutos!
O dono do circo, com o queixo caído até ao chão diz:
- Eu nunca vi nada assim na minha vida!
Vira-se para o senhor aposentado e pergunta:
- Você consegue fazer a mesma coisa?
E o velhinho responde:
- Claro! É só tirar de lá o leão...
Com os cumprimentos da TASCA do Universo Electra  

domingo, 30 de setembro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 2)

(continua daqui)
Por Matemaníaco

93 anos e alguns meses depois
Júpiter [1:39:4], 31 de Janeiro de 2096 , 19h13min C0

-Mãe! Acabei de saber que fui admitida na frota astral imperial! - dizia Glorie enquanto descia pelas escadas abaixo.
-Parabéns filha! Estou tão feliz!
-Onde está o pai?
-Foi chamado ao palácio pela hora de almoço e ainda não chegou. Espera, eu já lhe ligo.
-Não o incomodes.Dizemos-lhe assim que chegar.
-E o Miguel?
-O Miguel, não foi.
-Oh...
-Ele tenta outra vez para o ano.
-É pena.
-Mãe, onde está a tal surpresa que me prometeu?
-Tenho aqui uma carta escrita para ti, pelo teu bisavô David Lagrange.
-Oh, mãe. Não brinque. Já fui suficientemente humilhada por ser a neta do “Capitão mulherengo micropénis”.
-Filha, esta carta está mesmo dirigida a ti, e foi entregue ao meu pai, antes de eu nascer, com instrucções para que fosse passando de geração em geração até ti.
-Está a brincar! E nunca ninguém a abriu antes?
-Foi um pedido especial do teu bisavô.
-Isto é mesmo verdade? Não está a gozar com a sua querida filha que acabou de ser admitida na frota imperial?
-Lê isso de uma vez.
Glorie abriu o envelope e tirou uma carta manuscrita.
Leu-a atentamente...
-Meu Deus.
Glorie voltou a meter a carta dentro do envelope.
-Que se passa filha? Que escreveu o capitão?
-Mãe, eu preciso mesmo de uma bebida.
A mãe vai à cozinha e traz-lhe um copo com água.
-Não mãe.. traga-me uma bebida a sério.
A mãe volta à cozinha e quando regressa Glorie já não estava.
-Glorie?
Glorie saiu, meteu-se na sua mota e foi em direcção à Academia Astral Imperial.

Cinco anos depois


Bar do Centro deComando Astral, Júpiter [1:39:4], 03 de Março de 2101 , 08h17min C0

Está Glorie a tomar um copo com o comandante Jonas McWarrior
-Sabe Glorie.Nunca percebi o seu fascínio pelas missões de exploração espacial. Apesar de só 4% delas serem perigosas , quem puder evitá-las evita-as.
-E já vão em 200. Eu sou uma aventureira :). É uma coisa de família.
-Pois, sendo filha do Comandante Boavida, acredito que sim.
-Veja lá que a minha mãe também vem de uma longa linhagem de aventureiros.
-Ai sim?
-Nunca reparou que o meu nome do meio é Lagrange?
-É da família d’O Lagrange? O supremo comandante que comandou frotas de vários imperadores da TASCA em explorações espaciais?
-Esse mesmo.
-Bom, menina. Está nos seus genes então! Força.
-Mas não espalhe por aí. Sabe, aquela história do “micropénis Lagrange...”
-Não se preocupe. Mas se quer mesmo saber, acho que foi uma história da esposa dele para se vingar de qualquer coisa.
-Nunca percebi como se tornou num livro de leitura obrigatória. Foi humilhante para vários rapazes da família...
-Não pense nisso. Podemos ter abandonado a Terra original há vários milénios, mas a raça humana ainda é muito infantil.
-Comandante, obrigado pelo copo. Está na hora.
-Não se esqueça de actualizar as suas nanites com os últimos prodígios da medicina moderna :)
-Sabe que nunca me esqueço disso!
E Glorie saiu em direcção ao centro médico de programação de nanites, dentro das instalações do centro de comando astral. A tecnologia de nanites permitia actualmente tratar uma grande variedade de infecções e parasitas de todo o universo, e era obrigatória a actualização de sofware nas nanites antes de cada missão.
Chegada ao centro Glorie coloca a mão sobre um painel e diz
-Actualizar definições médicas das nanites.
Passa-se 5 segundos e a ouve-se uma voz artificial
“definições actualizadas”.
Glorie olha para o terminal e murmura
“Micropenis Lagrange? ... será que eu posso alterar a história?”
Então, diz com uma voz firme.
Actualização de nanites externas, modo de programação, autorização Glorie L.Boavida POSMAT432OM232-2102.
E coloca o seu colar sobre o terminal.
“Ponto! Em modo de programação” -responde a voz artificial.
“Carregar fonte do programa PEnlargement 20.2, e deixar-me alterar parâmetros”
“Carregado. Em modo de alteração de parametros”
“Bem, Bisavô Lagrange, se realmente, um dia no futuro eu e tu nos encontrarmos como dizias na carta, eu vou mudar a história!”- murmurou Glorie.
Assim que acaba a alteração de parametros, Glorie apaga os registos do computador central e sai em direcção ao destruidor LoboDoEspaço 2095, que partiu em direcção a mais uma missão de exploração espacial.

Mas regressemos agora a 2002CO

Localização desconhecida, supostamente 4 de Dezembro de 2002 , 04h32min C0

Log pessoal da Princesa Hara Flavius oGamus

       Chegámos cá há 3 dias. Entreguei o comando da Nave de Batalha ao subcomandante Genuinus Burrus Otárius.
       A suspeita de sabotagem está a ser investigada. O oficial responsável pela investigação prefere manter-me afastada do assunto até ter respostas. 
       Por aqui, é difícil encontrar alguém até para tomar um copo. Todos temem divertir-se com a realeza. O stock de bebida deve acabar dentro de uma semana. O que é que vai ser de mim?
      Há dois dias reestabelecemos contacto com a tripulação de uma frota de uma imperatriz Aivota que eu não conheço. Disseram-nos que partiram do planeta Ariamne [1:57:7]. Nos nossos mapas, esse planeta está marcado como independente. Desconhecíamos o nascimento de um império por aqueles lados.
      Ao partilhar logs e mapas obtidos pelos sensores das nossas naves, percebemos que eles são do nosso futuro... ou nós é que somos do passado deles, e vieram cá ter por uma anomalia numa zona que investigavam.
     Um dos cientistas que trouxemos, João Tudor, é perito em mecânica temporal e está a estudar a informação que temos.
     Eles despenharam-se no planeta com Aneis e só uma pequena parte da tripulação sobreviveu. De acordo com o Subcomandante Otárius as modificações que sugeriram devem permitir-nos detectar os destroços mais facilmente.

       Ontem encontrámos outra nave de Batalha abandonada. A NB Imperial HAR0032534-2010. Parece que chegou cá há mais de 100 anos. Os nossos engenheiros conseguiram ligar o suporte de vida, mas a nave não tem motores. 
      Parece que alguém os levou. Descobriram que a nave será lançada dentro de aproximadamente 8 anos... de um império com sede no meu planeta e liderado por mim.
      O Sr Tudor aconselhou-me a tomar as minhas decisões e tentar não saber muito sobre o meu futuro.
Como é que se faz isso? A base de dados da nave está intacta e com aquele conhecimento posso corrigir eventuais erros no meu destino. Será que não devo mesmo?

Um dos meus engenheiros sugeriu que tornássemos a NB que encontrámos base espacial improvisada, numa enfermaria.
A ideia agrada-me, temos vários médicos e enfermeiros a bordo, e alguns estudantes que se voluntariaram para a missão original, e de certeza que os sobreviventes que estão lá em baixo no planeta não vão ter nada a opor... E eu posso sempre ler algo sobre o meu futuro. Em particular, como é que eu vou sair daqui.
Entretanto continuamos a cuidadosamente explorar a zona.

Localização desconhecida, supostamente 4 de Março de 2004 , 01h52min C0
Log pessoal da Princesa Hara Flavius oGamus
        Já cá estamos há um ano e 3 meses. Há seis meses que não logo nada.
Em Janeiro chegou uma frota imperial do Imperador Matemaníaco, vinda de 2012CO que vinha em missão de exploração espacial. A frota colidiu contra os destroços e nave nenhuma se salvou. No entanto conseguimos salvar vários tripulantes, incluindo uma versão mais madura do meu amigo David Lagrange, que esteve em coma na Nave de Batalha com mais de 100 anos que estava servir de enfermaria.
       Há três semanas chegaram várias naves de vários pontos no tempo, que vieram de vários saltos falhados, e acabaram por colidir umas com as outras ou se materializar mesmo no mesmo ponto no espaço-tempo
      Um cargueiro desgovernado colidiu com a Nave de Batalha enfermaria. Nessa altura, Tudor estava dentro da nave a usar os seus computadores para fazer simulações. Perdemos todo o pessoal médico que estava a abordo e praticamente todos os doentes. Tudor está na lista de desaparecidos.
Conseguiram salvar Lagrange que ficou a cargo dos estudantes de medicina e de enfermagem, que neste momento são o melhor que temos.
     Algumas das naves que chegaram despenharam-se no planeta. Óxinol coordenou missões de busca e encontrou um Destruidor que quer tornar na nova enfermaria. Eu não me oponho.
Tenho passado imenso tempo com os sobreviventes. Somos todos de diferentes pontos e diferentes épocas no espaço e no tempo. Fazer com que as pessoas não saibam muito sobre o seu futuro é... impossível. 
    Tudor, se estiveres vivo, diz lá como se resolve isto!

PS:Há pouco menos de duas horas, Otarius ofereceu-me um livro: "O império de may" 


(Continua aqui)

sábado, 29 de setembro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 1)

Por Matemaníaco
(Continua daqui)
Há 10 anos...
Planeta Principal [1:56:5]
Capital 1 de Dezembro de 2002 C0
Hara era uma rapariga da noite, tal como a grande maioria dos jovens de Principal. Gostava de dançar e de se divertir. Por perto, andavam sempre alguns seguranças do reino, pois não era uma rapariga assim tão usual. Era a única herdeira do rei Flavius Claudis oGamus, seu tio.
-Uma imperial
-Não achas que já bebeste demais?
-Achas mesmo que eu entro sóbria numa nave de batalha?
-Numa nave da batalha?
-Daqui a duas horas tenho de estar no espaço-porto para uma missão de exploração espacial
-Escuta a opinião de quem já saíu do planeta várias vezes: Entrar num ambiente de gravidade artificial bebado só piora a ressaca...
-Isso é para ti. Eu tenho nanites! Amanhã de manhã eu estou mais sobria que o meu tio, quando quer me dar um sermão.
-Nanites? Não me arranjas disso?
-São exclusividades da realeza. E não penses que me esqueci que já largaste para aí metade das minhas amigas. Não mereces!
-Ora, as tuas amigas não são tu,..
-Vê se cresces Lagrange!

Hara bebeu e dançou até cair para o lado, altura em que um dos seguranças do reino, pegou nela ao colo e saíu da discoteca, afastando todos os seus amigos.
Os seguranças metem-se num dos carros reais, deitam Hara num dos assentos e dirigem-se a alta velocidade para o Espaço-porto
Chegados lá , um dos seguranças deu-lhe uma injecção de nanites 2.
-Isso não tem efeitos secundários?- perguntou outro segurança.
-Rapaz, hoje até foi uma noite calma para ela. As nanites poem-na como nova. Assim que estiver ok, saem do organismo pelos poros e entram aqui neste cartão, prontos para outra.
O segurança coloca o cartão no bolso da inconsciente Hara.
-Não te preocupes rapaz, tembem terás as tuas nanites quando chegar a altura. O rei exige que todos nós responsáveis pela segurança da casa real, tenhamos as nossas nanites. São pessoais, intransmissiveis, e devem ser carregadas uma vez por ano.
-E agora?
-Agora, vamos a dentro daquela nave de batalha e deixamos a princesa em cima da cama na sua cabine e saímos. Certifica-te que tens a identificação à vista, ou és abatido pela segurança automática.
E assim foi. Hara acordou uma hora depois, sóbria, já com a nave de batalha no espaço em direcção ao ponto de salto [1:5616].
Foi ao duche, vestiu o seu uniforme e dirigiu-se à ponte, onde estava o comandante.
-Boa noite comandante...
Hara lê o nome do comandante no seu peito
-Comandante Jamaica?
-Boa noite princesa. Pronta para a sua primeira exploração espacial?
-Podemos estar prontos para uma coisa destas? Pelo que li, costumam ser imprevisíveis, até parece-me idiota ter uma princesa, única herdeira numa missão destas.
-Não se preocupe, 90% delas correm bem. Esta não será excepção, seu tio garantiu que nesta missão só participariam os melhores.
-Sim, mas um destruidor não seria mais seguro do que uma nave de batalha?
-Sim, é! Mas esta nave de batalha tem algumas modificações que a tornam única. Espero que não tenha de as ver.
De repente houve-se a voz da inteligencia artificial que controla a nave:
“Chegada às coordenadas de salto.....Salto”
E a nave saltou...

Hara acordou deitada no chão. Assim como toda a tripulação. Pela janela viu um enorme campo de destroços e um planeta, com aneis.
Hara tentou ver o pulso do comandante.
...Estava morto.
A restante tripulação estava a acordar.
-Estamos a receber uma mensagem. - disse alguém.
-Vocês vão precisar de um novo comandante. Este, está morto.
Chega um jovem à ponte e diz
-Boa noite sua alteza, sou o sub-comandante McLopes, Vou tomar comando a menos que se oponha.
-A menos que me oponha?
-Como membro da casa real, pode tomar comando.
-Não... cumpra o seu dever. Eu não faço a mínima ideia do que fazer.
-Obrigado...- E levantando-se grita para o tripulante que estava nos comunicadores - Passem a mensagem.
“zzzzzzz Nave de batalha desconhecida. Se conseguirem ouvir isto, mantenham-se afastado do planeta com aneis. Está rodeado de destroços em zona de navegação, mas que não são detectados por nenhum dos radares”
-Identifique-se se faz favor.
“Meu nome é Óxinol, comandante da frota de sua magnificiencia a Imperatriz Aivota”
-Eu não conheço nenhuma imperatriz Aivota – Disse Hara a McLopes.
-Qual é o estado da restante frota?
-Senhor, eu estou acordado há cerca de 10 minutos e não encontro vestígios do resto da frota, e não parece ser falha do sistema.
-Onde estamos?
-O computador não consegue identificar o sítio onde estamos. Aparentemente estamos numa parte desconhecida do Universo.
-Portanto, estamos perdidos? - Perguntou Hara.
-Eu diria que sim, respondeu o oficial de comunicações.
-Relatório de Estragos- pediu McLopes
-Motor de salto em mau estado, mas deve aguentar mais um salto, o resto da nave está funcional.
-Estando nós sozinhos eu acho melhor saltarmos de volta para o nosso espaço – disse McLopes a Hara
-Isso é possível? Não sabemos as coordenadas de onde estamos.
-Esta é uma nave experimental. Entre outras coisas, inclui um protótipo de tecnologia que permite o regresso ao ponto do último salto sem ter as coordenadas actuais. Foi concebida para evitar que se percam naves..
-É suposto estarmos numa missão de exploração, não vamos investigar aquele “Óxinol” comandante da frota da Imperatriz Aivota?
-Sua Alteza, quer comandar?
“Subcomandante, acabámos de detectar e receber contacto de outra nave... é a Léon”.
- Não. Só acho que devemos investigar a mensagem antes de tentar regressar. Esta Léon fazia parte da nossa frota?
-É um dos nossos destruidores.
“Estamos à deriva, sem motor de navegação. A ponte explodiu e toda a tripulação de comando morreu..zzzz... recebemos uma mensagem zzz Óxinól zzzzz xxxx”
-Perdemos a comunicação senhor.
-Leme: Dirijam-se a eles. Vamos em missão de salvamento.
-Escute... aconteça o que acontecer, você fica nesta nave. O rei executa-nos a todos se lhe acontece alguma coisa!
-Claro que sim, e deixa-me ir numa missão de exploração espacial...
-Não vamos discutir isto. Discuta o assunto com o seu tio quando voltarmos. Nós temos as nossas ordens!
McLopes levantou-se e saiu da ponte.
Assim que a Nave de Batalha se aproximou da Leon, foi estabelecida uma ponte de transporte entre as duas naves e vários tripulantes e soldados entraram na nave danificada, junto com McLopes.
-Gravidade artificial avariada! Detesto surpresas destas.
-Senhor, há uma contagem decrescente neste monitor, mostrou um dos soldados.
McLopes diz: “ Alguém activou o portal de salto experimental, a nave salta dentro de menos de meia hora ...Eu odeio estas surpresas!”. Então diz para o seu comunicador:
-Fechem as portas e a ponte já, e mantenham a distancia- Não sabemos em que estado está esta nave e uma tentativa de salto desta nave pode dar cabo do nosso motor de salto.”
-Não seria mais seguro voltarmos?
-Voltamos quando soubermos que diabos se passa aqui...
Na Nave de Batalha, Hara ficou ao comando da nave, e concordou. Afastou-se o suficiente da Léon.
McLopes e a sua equipa encontraram vários tripulantes a flutuar pelo corredor principal do dormitório.
-Alguém sabe me explicar porque é que vocês têm o motor de salto em contagem decrescente?
Um dos tripulantes flutuou até McLopes e disse:
-A IA da nave avariou. Não temos como operar em modo manual até estar desligada.
-Bonito... como uma missão de babysitting se transformou nma missão de merda! Aceito sugestões!
-Estas IAs são computadores super-sofisticados ligados a todos os terminais e sistemas da Nave. Penso que em qualquer um deles, duas identificações de comando são suficentes para desligar a IA.-respondeu um dos tripulantes que vinha com McLopes.
-Uma das ligações identificações pode ser remota?
-Sim senhor.
-Óptimo, estabeleçam uma ligação com a nossa Nave de Batalha e expliquem a situação. Depois disto, ela também merecerá um nome, mas não deixem a IA tocar na ligação. Vamos para a sala do motor de salto e vejam se desligam o cronómetro. Vocês vêm comigo até aos terminais da sala das máquinas.
Após alguns entraves lá chegaram à sala do motor. Ligaram um dos dispositivos electrónicos portateis que traziam a um dos terminais e estabeleceram ligação à NB.
-Ligação estabelecida.
McLopes, noutro terminal pressiona algumas teclas. E de repente ouve-se a IA.
“Desligar a IA? Este procedimento requer a autorização de dois administradores de comando.”
McLopes insere a sua autorização.
Na Nave de Batalha, Hara insere a sua.
“IA desligada”.
-Pronto, desliguem-me essa contagem decrescente... faltam 60 segundos.
-Senhor .. o software de controlo do motor de salto foi apagado, estou à procura de cópias nos sistemas de backup!...
Encontrei. A reinstalar...
McLopes fazia figas
-”Isso está a demorar muito.. não há forma de acelerar isso?”
-”Isto está a ir o mais acelerado que pode, por favor não me stresse!”
-”Instalado! Estou a abrir o software... ”
No ecrã via-se
"6...5... 4...5...2...1.. . Salto".

-”Desligado”
Ouviu-se um grande estrondo.
Em todo o destruidor a gravidade voltou.
-Qual é o estado da nave?
Ouve-se num dos altifalantes: “A nave saltou. Reaparecemos à superfície de um planeta independente e desabitado em espaço conhecido. Metade da nave saiu do hiperespaço depaixo do solo, portanto, perdemos os motores.”
-Espaço conhecido? Onde estamos?
-[7:7:4] .
-Parece-me que esse motor de portal ainda precisa de algumas afinações. Aqui, o rei Flavius nunca saberá de nós
-Que fazemos senhor?
-Vocês são livres, mas eu tenho uma sugestão: Vamos tomar conta deste planeta e fundar um império.
Os sobreviventes olharam uns para os outros.
-Está a falar a sério?
-Muito a sério! E começarei por batizar este planeta: Terra!
-Senhor,... já existem várias Terras neste universo.
-E depois? Passa a haver mais uma. Só que esta será a nossa Terra, com as nossas leis...
E assim nasceu o Império de McLopes.

Do outro lado, Hara ao comando da NB não sabia o que fazer:
-Ele saltou e deixou-me aqui ao comando desta nave? Não tenho outra hipótese. Preparem o motor de salto! Vamos regressar!
-Sua alteza, o motor de salto está offline, permanentemente.- respondeu o piloto
-Como?
-Não tenho permissão para ver o relatório.
Hara aproxima-se de um terminal. O scanner óptico reconhece-a.
E fica escandalizada ao ler o relatório: alguém dentro da nave tinha sabotado o motor de salto.

Continua aqui)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange: Capítulo 1 - Introdução (3ª parte)

Por Matemaníaco
(continua daqui)
Algumas horas depois, Lagrange acorda com uma jovem médica pela frente.
-O meu nome é Glorie L. Boavida. Peço desculpa por termos deixado aquele burocrata falar consigo antes de nós.
-Ele sabia coisas...
-Mais ninguém sabe, mas eu sou sua bisneta e sua médica, por isso penso que sei mais do que ele e que toda a equipa.
-Oh bonito... uma médica do futuro.
-Aquele Óxinol não é de confiança. O meu chefe de equipa anda a dar-lhe informação a mais e ele nem é da família.
-O quê? Eu preciso mesmo de uma bebida...
-Eu sei que isto deve ser muito para si, mas eu preciso que se mantenha calmo, e eu conto-lhe o que sei.
-Mas antes de mais nada... Eu não consigo controlar nada do meu tórax para baixo!
-As lesões que sofreu são graves. Os meus colegas de equipa, todos de pontos anteriores no tempo só conhecem uma forma de abordagem: tratamento com nanites pré-programadas por um neurologista. Por cá isso está fora de questão. Não temos um único neurologista programador, nem o equipamento necessário para escrever código em nanites. Isso está tudo nas mãos dos militares.
-Oh... vou realmente ser um grande heroi neste estado.
-O chefe disse ao Óxinol que com Fisioterapia, o sr ..
-Por favor.. não te dirijas a mim na 3ª pessoa. Deves ter mais ou menos a minha idade.
-Está bem, bisavô.
-E não me chames isso! Chama-me David.
-David! Pronto! A verdade é que sem nanites, a fisioterapia não vai fazer milagres por ti. Não sei o que é que o meu chefe tem em mente, mas não quero discutir com ele nem que ele perceba que eu venho de um ponto mais à frente no tempo.
-E eu a pensar que me ias dar alguma esperança. Espera... para eu ser teu bisavô, há qualquer coisa em mim que ainda vai ter de voltar a funcionar! Eu ainda nem sou pai!
-Como é que sabes? Já pensaste nas raparigas todas que foste deixando para trás? Gostarias que fizessem o mesmo a uma filha, neta ou bisneta tua?
Lagrange corou e calou-se.
-Tu deixaste-me uma carta lacrada, ainda escrita em papel que passou de geração em geração até mim. Foi-me entregue pela minha mãe, no dia em que fui admitida como médica na frota astral.
-Dizia-te alguma coisa interessante?
-Não te vou dizer. Tens de tomar as tuas decisões sozinho. Não porque estão escritas.
Sabendo que este dia eventualmente chegaria, há 5 anos que trago comigo, neste colar nanites especiais, pré-programadas e autoprogramáveis, que ainda não foram inventadas no teu tempo. Para além de curar-te vão dar-te alguns extras que te vão ser úteis quando fugires daqui.
-Fugir?
Glorie começa a preparar uma injecção e continua a dar instrucções.
-Amanhã de manhã as nanites já terão completo o trabalho. Uma enfermeira virá dar-te o banho. É bom que não suspeite de nada, portanto, nada de mover um músculo. Assim que ela sair tens cerca de 20 minutos em que não haverá um médico nos corredores principais. Estamos dentro de um destruidor do teu tempo, não deves ter dificuldades em encontrar uma saída.
-Eu não conheço o design de um destruidor! Esse plano não me ajuda! AI. Isso doeu! Que raio de médica! Nem sabes dar injecções!
-Não te preocupes com nada, a dor foi propositada. As nanites vão ajudar-te. Agora vou sair. Vou dizer aos meus colegas que continuas sem alterações e que ainda tentaste seduzir-me...
-Sim, vai contribuir para a fama do bisavô... Mas antes aproxima-te, por favor.
Glorie aproximou-se e Lagrange deu-lhe um beijo na testa.
-Obrigado por tudo. Ainda não sei se deva acreditar em ti, mas prefiro-te a ti do que ao outro tipo.
Glorie sorriu e saiu.
Na manhã seguinte, passou a enfermeira para dar o banho.
-Sabe, hoje eu estou acordado... vou vê-la a dar-me o banho.
-Eu sou uma profissional. Nunca um doente teve uma única queixa de mim.
-Ah, você mata quem tiver motivos de queixa!
-Não diga disparates.... Meu Deus!!!!
-Que se passa?
-O seu... o seu... Está muito, mas mesmo muito maior!
Lagrange olha para baixo, volta a olhar para a enfermeira e começa a rir-se
-Pensei que o tamanho não interessava!
-No seu caso eu tenho de ir informar os médicos. Pode ser um tumor.
-Por favor, dê-me o banho antes...
-Sim, deve ser melhor.
E a enfermeira pega na esponja e dá-lhe o banho.
-Sabe, nunca me disse o seu nome, e não está na sua bata como seria normal.
-Oh, peço desculpa. Chamo-me Natália Sofia. Estamos sem material para por os nomes nas fardas. Espere! Eu vi-o mexer a perna!
-Hã? Sabe perfeitamente que isso é impossível.
-Não, eu sei perfeitamente o que vi. Espere, eu vou mesmo chamar um médico.
-Não faça isso...
A enfermeira afasta-se a correr,
-Bolas! Não podia ao menos dizer-me onde posso arranjar um pijama?
Lagrange salta da cama e começa a correr nú  pelo corredor vazio até apanhar a enfermeira.
Caem ambos no chão. Lagrange tapando a boca da enfermeira diz:
-Peço imensa desculpa Natalia. Só quero lhe pedir que diga onde arranjo roupa e pedir-me que lhe explique porque é que não há mais ninguém por cá. E não faça nenhum disparate.
-Somos apenas 3 enfermeiros e dois auxiliares para 90 doentes acamados. Por favor não me faça mal.
-Natália, eu só quero roupa e sair daqui.
-Mas ainda não lhe deram alta!
-Juro que se me sentir mal eu volto. Onde posso encontrar roupa?
-Existem uns balneários com cacifos no princípio do corredor. Ainda devem ter as fardas e equipamento da tripulação.


-Muito obrigado Natália.Peço-lhe que se mantenha deitada por mais 10 minutos, só para me dar tempo de sair daqui. Em troca eu vejo o que posso fazer para que as suas condições de trabalho melhorem.
Lagrange dá-lhe um beijo na face e e mais uma vez corre completamente nu, aceleradamente pelo corredor até aos balneários. Lá encontra vários cacifos identificados com os nomes dos médicos, incluindo o da Glorie e algumas dezenas de cacifos fechados.
Lagrange arromba o cacifo de um “Frank Stewart” e felizmente logo nesse encontra roupa à sua medida.
Entretanto, Natalia chega à sala dos médicos e diz:
-O paciente Lagrange! Acabei de o ver a correr... e tem o coiso muito maior!
-Isso é impossível, não brinque!
-Coiso maior? Está a falar de quê?
- O pénis – Responde Natália com um ar sério!
-Foste tu que combinaste isto com ela? -Pergunta um dos médicos a Glorie -Olha para a cara dela! Tão séria!
-Senhores, eu não estou a brincar, ele saiu a correr até aos balneários!


(... continua, aqui )

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange: Capítulo 1 - Introdução (2ª parte)

Por Matemaníaco
(continua daqui)
-Tive acesso à sua ficha. Você foi um excelente piloto no seu treino de simulações, melhor do que muitos experientes cá fora na realidade, sei inclusivamente que você é quem comandará a frota que nos tirará daqui.
- A minha ficha é material classificado do Império Mat da coligação dos Impérios! Se está aqui há três anos como é que conseguiu vê-la? E isso de eu comandar a frota que nos tirará daqui.. Eu nem sei onde é “aqui”. Tanto quanto eu sei, o senhor pode ser alguém a mando de outro imperador só para conseguir extrair-me alguma informação.
-Sabe há quanto tempo está aqui?
-Talvez dois ou três dias? Uma semana no máximo!
-Um ano. Você neste momento nem consegue andar.
-Peço desculpa?
-Quando foi recolhido, estava em coma, tinha vários ossos partidos, órgãos destruídos, e sob o efeito de muitos tipos de radiação. Trazê-lo de volta foi um verdadeiro milagre! Sei muita coisa sobre você porque uma das naves que chegou cá, veio do futuro, onde você é uma lenda histórica.
Sei como veio aqui parar, histórias do seu tempo na academia militar, tudo sobre a sua infancia em cargueiros civis, e repito, sei que comandará a frota que nos tirará daqui, sei como se chamarão todos os seus filhos, alguns dos seus netos, que a coligação dos Impérios sofrerá uma divisão... Ponha-me à prova. Há muito pouco sobre si que eu não saiba.
Lagrange estava incrédulo.
-Está bem, vou entrar no seu jogo. Diga o tamanho do meu instrumento quando não está flácido.
-É uma pergunta retórica ou está a falar a sério? Como não quero envergonhá-lo espero que a enfermeira saia.
-Não precisa, eu dei-lhe banho hoje de manhã.- Respondeu a enfermeira que aparentemente ouvia a conversa.
-Não vale! Isso é batota! Se ela já viu, deve ter comentado com os colegas e de alguma forma a informação chegou a si!
-Acha mesmo que esse tipo de informação me interessa? Eu sei o valor mas é porque está no diário da sua futura esposa, e esse diário será de estudo obrigatório em todos os cursos de literatura imperial, da futura aliança TASCA, e motivo de anedotas nas gerações futuras de todas as vertentes de defesa imperial.
-Não se preocupe, não é o tamanho que interessa- sorriu-lhe a enfermeira
- Engraçadinha.
-Tem alguma questão em particular?
-Sim, diga-me o nome da primeira rapariga por quem me apaixonei na primária, mas nunca lhe contei.
-Joaquina Mendes.
-Depois dessa?
-Cristina Ano-Luz. Olhe.. eu sei que é, sempre foi e continuará a ser um grande mulherengo, mas não quer mudar de assunto?
-Mulherengo eu?
-Com 45 namoradas até aos 18 anos não sei o que quer que eu lhe chame...
-Ok, Quem me convenceu a entrar na academia imperial?
-A sua professora de educação física Joana Torres, que resistiu aos seus avanços.
-E quando foi que...
-Espere, eu tenho uma ideia melhor. Vou contar-lhe algo que mais ninguém sabe e ficamos por aqui, pode ser?
-Não estou a ver como...
-Comandante David Lagrange você aos 15 anos perdeu um jogo de Xadrês na segunda eliminatória para Xic Taylor do planeta Achenar239, na altura planeta independente. Passou duas horas a chorar no duche e só parou porque acabou a água. Passou o resto do dia com óculos de sol a ver desenhos animados holográficos, e quando seus pais chegaram, disse-lhes que perdeu o jogo mas que não era nada de especial.
-Nunca contei isso a ninguém!
-Vai contar isso um dia a um filho seu que por sua vez o escreverá na introdução de um livro sobre você.
-Sabe muito sobre mim.
-Passei 6 meses a estudá-lo antes de você chegar.
-Há por aqui alguém desse futuro?
-A maioria morreu, mas sobreviveram algumas pessoas. Em particular, uma concubina do Imperador Armaggedon foi muito útil ao dar-me informações sobre o seu futuro próximo.
-Se ela contou-lhe sobre mim, porque é que não salva você esta gente em meu lugar?
-Como não percebe nada de mecânica temporal, vou por-lhe em termos leigos: Não podemos mudar a história,
-Mas você contou-me que eu vou comandar a frota que sairá daqui.. isso não me dá liberdade para mudar o futuro?
-Não. Você ouviu o que tinha de ouvir. Foi tudo calculado por forma a que você cumpra o seu papel na história.
-Eu não gosto dessa história de já ter o meu destino escrito! Eu faço o meu destino! Isso são tudo tretas! Hã? Porque é que eu não consigo me levantar? Que me fizeram? Socorro! Cabrões! Vão pagá-las! Filhos duma grandessíssima p...
Gritou Lagrange enquanto tentava desesperadamente mexer-se. A enfermeira aproximou-se e deu-lhe mais uma injecção e pô-lo a dormir.
-Isto vai demorar. Não tem piada saber o futuro se vamos levar imenso tempo a lá chegar.
Óxinol saíu da sala... atravessou vários corredores gigantescos naquele destruidor despenhado no planeta com aneis, que agora servia de hospital improvisado. À porta estava um caça à sua espera.

-Como correu? - perguntou o piloto
-Missão cumprida. Agora espera-lhe uma demorada fisioterapia.
-Fisioterapia?

-De acordo com a equipa médica ele não deve conseguir voltar a andar sem um tratamento de injecções de nanites programas por um especialista em neurologia. Temos nanites, não temos um especialista. Até encontrarmos um, não podemos ter as últimas nanites paradas
-Então, vamos usá-las em quê? É suposto ele ser o nosso salvador!
-Que se salve a si mesmo primeiro. Vamos usar as nanites a reconstruir cargueiros e naves de batalha. Vamos explorar a vizinhança, obter recursos e tratar este planeta como se fosse um planeta colonizado em qualquer um dos impérios intergalácticos.
-Sim mas para isso vamos precisar de um imperador.
-Felizmente, caiu-nos um do céu...
(... continua, aqui )

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Exterminador e Implacável


por Matemaníaco

Se bem me lembro,
foi numa tarde de Setembro,
Ainda sóbrio estava Bejekas
a limpar o pó das canecas.
Entra o ferrugento exterminador
Precisava mesmo de  manutenção
mas só pediu um canecão.
E até pediu com "se faz favor".

Pouco depois chega outro imperador
Pede uma colher,
Mas sem o "o faz favor"
E finalmente, uma bela mulher.

Ao vê-la foge um cliente
e mais um
e ainda mais um
fugiu muita gente.

Pergunta Bejekas preocupado:
"Eles conhecem-na de algum lado?"
"Faça-me Uma caipirinha"
"És tu Isabelinha?"
Perguntou Exterminador, sem a olhar.
E o silêncio ficou no ar.
Aproximou-se o da colher.
"Olá, sou o Implacável, muito prazer!"
"Faz o favor de desaparecer!"
"Isso não é forma de me responder!"
"Se calhar preferes que te mande f..."

"Afasta-te! Ela é assunto meu."
Diz Exterminador num tom ameaçador
"Sim, são todas tuas ó Romeu!"
"Mostra-lhe como és homem Exterminador"
Ri-se a mulher.

E com uma rixa como nunca se viu,
o Balcão da TASCA ruiu.
Enquanto lutavam, foi com Bejekas que ela fugiu.
"Sabes, foi por mim que ela do convento saiu."

A luta parou.
"Desculpa? Esta é a tal?"
E Implacável se levantou.
Exterminador nem se chateou.
Deu um murro e Implacável voou.

"Vamos parar com isto, ou continuar noutro lugar
Mas sendo ela a tal, eu já não vou lutar."
"Ok, eu vou concordar,
mas és tu que vais limpar"

"Onde já se viu?
Lutar por uma oferecida"
-Diz Hara, aborrecida-
"Não! Limpam os dois!
Depressa. Eu volto depois!
Quero isto a brilhar!"

Exterminador e Implacável, passaram a noite a trabalhar
e a se insultar.
Assim nasceu uma
Uma estranha aliança que já fez muitos chorar.

PS: É para verem como o cinema não adapta bem história nenhuma. Acham que isto tem alguma coisa a ver com o filme "Exterminador Implacável"?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange: Capítulo 1 - Introdução (1ª parte)

Por Matemaníaco

Cargueiro Grande CG MAT4532534-2010,  Diário de bordo  1 de Setembro  de 2012  C0
Estamos a carregar Deutério para Ganymede. É uma viagem de pouco menos de 4 minutos. Temos ordens para depois juntar-nos a uma frota de exploração que partirá de [1:39:16].

Log Pessoal do comandante David Lagrange
Acabámos de sair de Ganymede, onde nos juntámos à 3ª frota imperial para uma missão de exploração.
Dentro de 30 minutos chegaremos a [1:39:16]. É a primeira vez que comando uma nave na frota imperial.
O pessoal aqui é demasiado disciplinado. Não estou habituado a tanta disciplina.
Nas frotas civis, onde cresci, há crianças, há tripulação viciada em jogos tipo oGame, bêbados e viciados em narcóticos.
Aqui, até as sanitas brilham, e o cargueiro já tem dois anos.
Após 5 anos na academia imperial, passei um ano a treinar em simuladores. Os simuladores também não me prepararam para algo tão organizado.
Como toda a tripulação, sinto-me honrado por servir o império. Sim, ... pois!
Vou ao bar da nave, e deixo isto em piloto automático. Para mim as bebidas são de borla.

Log pessoal do barman  Hic Bota Mais Um da Silva.
Faltava cerca de uma quarto de hora para o salto. O comandante chegou ao bar. Se me for permitido adivinhar, acho que como todos os anteriores comandantes saídos da academia que passaram por este bar, estava aborrecido com o excesso de disciplina e limpeza.
Pediu uma vodka preta. pedido pouco habitual. Não tínhamos. Pediu uma vodka normal. Saiu, levou a garrafa e não me disse mais nada. Parece que o comando imperial mandou-nos mais um idiota com manias.
Atendi mais dois ou três clientes, até chegarmos ao ponto de salto. Olhei à janela. e... a frota saltou.
Mas, não reconheci o local de chegada.
Além de idiota com manias, o burro não soube programar o salto! Ai ai, isto nunca tinha acontecido antes!
Havia um planeta com anéis e muitos destroços. Vi pela janela do bar naves da frota a explodir!
 Pouco depois, a gravidade começou a falhar e eu a flutuar.
 Juro que ainda não tinha bebido!


Log Pessoal do comandante David Lagrange, suplemento

Não sei o que se passou. A frota não saltou para as coordenadas previstas.
A frota rematerializou-se sobre um campo de destroços. Várias naves de batalha explodiram. Sobrou um destruidor. mas o tipo que a comandava, capitão da frota e meu superior directo morreu, com cristal enfiado na cabeça.
Não sei onde estamos, mas a única nave com instrumentos de leitura funcional, diz que estamos noutro universo.

Lagrange acordou no que parecia ser uma enfermaria improvisada. Sentia dores em todo o corpo.
-Está a bordo da NB Imperial HAR0032534-2010. O seu cargueiro perdeu suporte de vida, gravidade, e motores - disse-me uma rapariga. Não tinha uniforme imperial.
-Como é que vim parar aqui? Onde está o meu vodka?
-Descanse. Está em boas mãos.
E com uma injeção sabe-se lá de quê Lagrange perdeu outra vez a consciência..
Quando a recuperou, estava um homem de barbas sentado à sua frente. Lagrange olhou-o fixamente e não disse nada.
-Olá, meu nome é Óxinol. Sou um cientista ao serviço da Imperatriz Aivota.
-Não me diga... Também há impérios depois da vida, espero que também haja bebida, porque sem nada esta história não é fácil de engolir.
-Não, nada disso, o senhor e eu estamos bem vivos, mas muito longe de qualquer império
-Vá directo ao assunto, porque está aqui?E quando sair diga à rapariga que tenho sede.
-Eu estou aqui há 3 anos. Muitas expedições de vários imperadores perderam-se com um salto que ultrapassa o nosso conhecimento científico, e muitas outras ainda se perderão. Mas, eu acho que tenho uma forma de voltarmos ao império.Só que vou precisar da sua ajuda. Você tem treino de...
-Três anos? Espere lá, como é que eu vim aqui parar? Eu estava no meu cargueiro a logar o acontecido, após ter avaliado estragos e ...
-E?
-E... vi pela janela outro cargueiro a vir contra o meu! Como é que eu estou vivo?
-Não sei. Mas sei que é a nossa melhor hipótese para criarmos um portal de salto.
-Repita lá isso?
(... continua, aqui )

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Umas horas na vida de um Imperador (II)

Por Matemaníaco

Ganymede, lua em torno de Jupiter [1:39:4]

Como todas as noites, tenho as minhas concubinas no palácio carnal... Hoje não é diferente!
Só que hoje, apetecia-me mesmo ter a Troy. Minha conselheira e esposa do capitão da guarda, Bat Solo.
Sempre que brinco com ela, ela responde-me que é comprometida. Isso não é resposta!
Bem, se calhar, afinal até é!
Minha culpa! Foi a minha concubina preferida durante anos.
Um dia, dei-me ao trabalho de ver a ficha dela...e de várias outras.
Ofereceu-se para o lugar, tal como tantas outras cujo sonho é servir o imperador.
Passou nas provas de selecção, e deu entrada no meu harém pessoal.
No entanto, era diferente de muitas. Tinha formação multidisciplinar...
Era tremendamente inteligente e interessante. Podia ter sido uma cientista, uma médica, militar...
Com aquele currículo, como é que uma mulher pode querer ser concubina?
Segundo ela, era a única forma de poder que eu reparasse nela.
Tinha uma paixoneta por mim desde a adolescência.
Uma noite perguntei-lhe se queria ser minha conselheira.
Ela respondeu-me que queria ser minha mulher. Que morria de ciúmes de todas as outras concubinas.
Respondi-lhe:
"Sê minha conselheira. E um dia esse teu desejo pode concretizar-se."
Ela aceitou. Os primeiros dias foram péssimos, mas ela aguentou.
Uma concubina nunca tinha subido tanto na vida.
Mas ela aguentou firme, perante a hostilidade de outros meus funcionários.
Acabei por pedir a Solo que tratasse da segurança pessoal dela.
Durante vários meses, Troy demonstrou o seu valor. Suas sugestões na gestão do império destacaram-na perante todos os outros, e tornou-se popular, principalmente no seu paleta natal, Júpiter.
A minha admiração por ela cresceu tanto que me esqueci que eu tinha um harém pessoal.
Jantávamos juntos quatro dias por semana... Até ao dia, em que num desses jantares lhe disse que gostaria de passar mais tempo com ela.
Foi a primeira vez que ouvi:
"Senhor, eu sou uma mulher comprometida."
Aquilo atingiu-me como um relampago... mas ela, continuou.
"Solo esteve sempre comigo nos últimos anos. Tem passado mais tempo comigo numa semana do que o senhor em meses. Percebi que sou apenas uma serva de vossa magnificência, não uma companheira."
Mais uma vez, não consegui deixar de admirar a coragem dela. De facto eu mereci ouvir.
Qualquer outra pessoa, no mínimo seria expulsa do palácio.
Eu podia acabar com aquilo ali na hora, mas, o que saiu da minha boca foi:
"Compreendo. Posso continuar a contar consigo como minha conselheira e minha amiga?"
Ela olhou-me nos olhos e perguntou:
"Há algum motivo para as coisas mudarem?"
Sim, haviam milhões de motivos... mas mais uma vez o que me saíu da boca foi:
"Não!"
Até ao fim desse jantar não se disse mais nada.
Assim que ela saíu chamei Solo.
"Sim meu senhor?"
"Tu, voltas para o teu antigo posto de Capitão da Guarda, e a tua primeira ordem é, manda reabrir o meu harém!"
"E Troy?"
"Continua como minha conselheira, e se um dia quiserem, tu e ela podem casar, e terão a minha benção."
"Senhor... Casámos há um mês atrás."
Porra! Apeteceu-me mesmo matar o gajo!
"Tens as tuas ordens!"
Fiquei sozinho naquele enorme salão... Era a segunda vez que uma mulher se me escapava por entre os dedos.
Peguei no telemóvel e liguei para o Laboratório de Pesquisas.
"Abram o micro-wormhole, vou enfrascar-me à TASCA".
Desde essa altura que chego bebado ao harém.

Hoje senti particularmente a falta da Troy de outros tempos.
De repente, numa questão de segundos, vejo a minha frota mãe a sair do HiperEspaço, a despejar todos os recursos à minha frente e seguir para o hangar para manutenção.
É algo impressionante de se ver.
Enquanto caminhava pelos corredores do palácio ouvia as vozes das concubinas lá à frente... disputavam-me!
Meti-me na cama...e dormi por algumas horas.
De repente soam os alarmes. Olho para o meu comunicador e vejo que foram detectadas sondas hostis a aproximar-se de Ganymede e Júpiter.

"Mover frota para Júpiter! Quando lá chegar, as sondas já terão passado e não detectarão a frota!" grito ao telemóvel.
A frota parte...deixando os recursos, que foram detectados pela sonda!
Mas que dia de merda!
Assim que as sondas se afastam do planeta dou ordem para o regresso da frota, enquanto corro para o centro de comando. Ouço a IA que gere a base lunar em Ganymede:
"Senhor, temos uma frota hostil a dirigir-se para cá."
"Origem?"
"A mesma das sondas: [1:38:6]"
"Manda esta mensagem ao senhor: Não há nada para ti aqui."
Ao fim de alguns segundos, a frota hostil voltou para trás.
Segundo minhas instruções, os meus cargueiros pegaram nos recursos e mantiveram-se no hiperespaço até o regresso das 7 frotas de recicladores que tinham partido ao serviço da aliança.
 Assim que as sete frotas regressaram, os cargueiros saíram do hiperespaço, e houve fusão de frotas.

Solo aproximou-se de mim e disse:
"Sabe, um dia eu gostaria de partir numa missão de exploração."
"Solo, se não fosses casado com Troy talvez, e só talvez te deixavasse partir."

"Se o senhor fosse esperto, deixava-me partir. Se eu desaparecesse, Troy ficava livre para si."
Fiquei sem palavras. Olhei-o fixamente e acabei por lhe dizer.
"Solo, justamente por seres o melhor para Troy é que não te deixo partir, pelo menos, sem ela."
"Obrigado senhor! Tirou-me um peso de cima senhor! "
"Eu jogo limpo e perdi...Ela nunca me perdoaria! És um excelente capitão."
"Obrigado senhor!"
Vou para a TASCA. Qualquer coisa, avisa-me."


E enquanto me dirigia para o laboratório de pesquisas para me abrirem um micro-wormhole para a TASCA pensava:
"Otário... sou mesmo mesmo otário!"
Mas bem bem lá no fundo, mais fundo que o local mais fundo de todos os universos, eu sabia que tinha agido correctamente.


domingo, 23 de setembro de 2012

Umas horas na vida de um Imperador (I)

Por Matemaníaco
Tinha ficado com um cabelo da Maria dos Prazeres preso no meu uniforme.
Se a história do Exterminador fosse verdadeira, eu poderia ganhar algumas toneladas de recursos, ao entregar alguém odiado por todos.
Já quase toda gente tinha saído da TASCA. Quem não tinha estava a dormir sob o efeito da bebida.
Recorrendo aos micro "worm-holes" artificiais que nos permitem a todos ir à TASCA esquivei-me para o laboratório de pesquisas no meu planeta principal, Júpiter [1:39:4] e entreguei o cabelo ao doutor Hamilton.
Pedi-lhe que com base na análise me criasse um modelo holográfico do ser humano a quem pertencia esse cabelo.
Em poucos segundos, Hamilton volta e projecta-me o holograma de uma deslumbrante Maria dos Prazeres completamente despida.
"Gosto da vista, mas põe-lhe alguma roupa."
"Sim meu imperador"-respondeu-me embaraçado, premindo uma tecla, e pondo um biquíni azul no holograma.
"É possível que esta rapariga alguma vez tenha sido homem?"
Hamilton pressiona 3 teclas, ela fica mais vestida!
Depois, aguarda meio segundo, vira-se para mim e responde.
"Não imperador! Esta mulher sempre foi mulher!"
E a holograma ficou em biquíni.
"Podes ver se tem alguma relação com o burlão Sócrates Coelho?"
Hamilton pressiona várias teclas, e ao fim de um minuto responde-me:
"Meu senhor, isto ainda vai demorar para ter uma resposta com o rigor a que me habituou, mas parece que Sócrates-Coelho fez uma operação e agora é um sósia desta rapariga. Os nossos serviços de espionagem indicam que foi visto/a pela ultima vez nas vizinhanças do planeta principal do excelentíssimo magnificíssimo imperador Exterminador".
"Envia uma cópia disso para todos os imperadores da Aliança."
A minha cadeira identificou os meus sinais biométricos e autorizou o envio.
"Capitão Solo, destaque um pelotão ninja para proteger a menina Maria dos Prazeres da feira de abstecimento. Todos os membros do pelotão devem ter um software biométrico instalado nas lentes."
"O pelotão estará pronto e em serviço dentro de uma hora senhor".
E saí para os meus aposentos no palácio Galileano.
Lá esperava-me a conselheira Troy.
"Mais uma beldade protegida senhor?"
"Sabes como sou eu com as mulheres bonitas Troy, incluindo tu."
"O senhor sabe que sou uma mulher comprometida."
"Sim, sim, o capitão Riker..."
Ela sorriu.
"Não lhe chame isso senhor. Sabe que não temos nada a ver com Star Trek."
"Ele é o melhor guarda pessoal que já tive, mas de certeza que não gostaria de ser minha? Ele é um capitão, eu sou o imperador."
Troy corou.
"Um imperador, entre muitos."
"Sabe, respeito uma mulher fiel ao seu coração. Pode voltar ao seu trabalho. Diga ao seu marido que se o pelotão fizer bem o seu trabalho e a rapariga nem notar a presença dos ninjas, dar-lhe-ei o cargo de governador no meu planeta na G4"
"Muito generosa, essa oferta senhor, mas não será exagerada? É apenas uma rapariga!"
"Sabes Troy, Solo já salvou a vida dos habitantes de Júpiter mais vezes do que eu estive bebado! Isto é apenas uma desculpa, e uma mensagem para todos os meus homens: os melhores serão bem recompensados."
"Senhor, já é noite. Como sugeriu enviámos as suas concubinas preferidas para a lua Ganimede, para o palácio carnal."
"Noto algum desaprovo na tua voz?"
"O senhor precisa de uma mulher a sério, não de concubinas!"
"Bem, Troy, tu já és comprometida!" Sorri-lhe eu.
Para ser honesto, apesar da cativante beleza, inteligência, fidelidade, sorriso, amizade, confidencialidade, companheirismo (e não posso contar mais porque o marido dela pode ler) de Ítaca Troy, ela não era a mulher dos meus sonhos.
Nem María dos Prazeres...
Há uma razão para o meu nome, a mulher dos meus sonhos é a mulher mais poderosa de todos os universos.
Chama-se Matemática...
A história fica para outro dia.
Chegado a Ganymede num dos recicladores de serviço, fui escoltado até ao palácio.
Lá, as mais belas concubinas de todo o império esperavam-me. Nenhuma é sequer parecida com ela...
Mas, sendo eu imperador... acham mesmo que vou me fazer esquisito?
Ahahahahaha!