sábado, 20 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 1 )

por Matemaníaco
Continua (daqui)

“Um império construído rapidamente, é um império de corsários e ladrões! Treinem os nossos homens para a pirataria, porque eu tenho pressa!” - Disse o imperador.
Fernão Hopes , “O império de may”

Eram 5h59min e David Lagrange acabava de chegar fardado e preparado à porta do escritório do comandante.
NIA estava desligada há mais de doze horas.
“NIA, liga-te.”
“Bom dia Capitão Lagrange.”
“Chama-me David”
“Desculpa. Deixaste-me desligada, chamo-te o que me apetecer.”
“Estou prestes a apresentar-me ao comandante. Só queria dizer-te olá e pedir-te desculpa.”
“Já disseste, e já pediste.”
NIA desligou-se.
A porta abriu-se e Lagrange entrou.
-Bom dia capitão Lagrange.
Pontualidade absoluta! Gosto disso num oficial!
-Sim senhor!
-Esteja à vontade. Viu toda a documentação que lhe foi mandada?
-Sim senhor!
-Importa-se de me dizer qual a nossa frota actual, sem recorrer às suas nanites?
-Uma nave de batalha, cinco cargueiros pequenos. Dez caças pesados e três caças pequenos.
-Quem comanda o Aristóteles?
-Aristóteles, cargueiro pequeno modificado com dispositivo de camuflagem, é comandado pelo capitão Dimitroc Jovian.
-Está bem, fez o trabalho de casa. Neste momento temos, um hangar nível 2 lá em baixo em Cronos. Em breve a nossa frota aumentará.
Como temos falta de homens, as naves serão totalmente automatizadas ou pilotadas por robots. No entanto, a rainha quer um grupo de naves comandadas por humanos.
O primeiro cruzador que produzirmos será teu.
Até lá acompanharás várias das nossas missões. Não te preocupes, não serás um turista. Vamos manter-te com trabalho sério.
Às 15 horas acoplará um caça pesado que te levará à superfície para a tua primeira missão. Receberás os detalhes na hora, por nanites.
E sê bem vindo a esta frota astral!
-Obrigado senhor.
-Ainda não tomei o pequeno almoço. Acompanhas-me?
-Obrigado pelo convite. Aceito sim senhor.
-Vamos deixar-nos de formalidades. Antes de chegarmos cá, a sua patente astral era de comandante, tal como a minha. A única coisa que nos distingue, é que servíamos senhores diferentes, tu estiveste um ano em coma e eu tenho mais 5 anos de experiência que tu.
-E eu venho de um ponto mais à frente no tempo.
-Em 10 anos o nosso universo alterou-se assim tanto? Vamos até ao refeitório. Conversamos pelo caminho.
-Nem por isso. Reinos passaram a impérios, impérios desapareceram... nada que não seja habitual há centenas de anos. A propósito... A contagem do tempo aqui, como se faz? Não faz sentido usarmos uma contagem do universo de onde viemos. Aqui há gente de várias alturas do espaço tempo.
-Dentro desta nave, continuamos a usar o calendário em vigor no reino oGamus, mas estabelecemos um novo calendário hoje à noite.
-Porquê hoje?
-Porque hoje, no nosso universo seria o aniversário da rainha Hara. Foi proposto pelos nossos cientistas.
-Como funciona?
-Foi escolhido um ponto de referência no tempo e os anos começarão a contar-se a partir de lá.
-E que ponto é esse?
-A data do primeiro registo de população feito por cá.
-Conseguiram registar toda a gente?
-Claro que não... e não sabemos nada de mais de metade da população. Registados só temos pouco mais de 2300, e de momento não podemos censurar quem não quis se registar. Não temos forma de garantir a segurança a toda a gente lá em baixo. Homens como nós são muito raros por aqui. A maioria dos comandantes morre ao chegar cá. Eu próprio readquiri a minha patente porque o comandante Jamaica, comandante desta nave morreu, e o nosso subcomandante, 2º na linha de comando teve azar numa missão em que supomos a nave onde ele estava saltou, e ninguém sabe para onde.
Mas mais raros que nós ainda são seguranças, e forças militares terrestres, e sem esses homens, não conseguimos manter a segurança lá em baixo.
-O comandante disse”readquiri”?
-Eu tive uns problemas com um almirante, e ele pôs-me na prisão por 2 meses, com redução de patente.
-Epa, isso é algo que eu gostaria de ouvir!
-Chegámos ao refeitório. Segue-me, temos prioridade.
Passaram à frente de uma fila de 20 pessoas.
-Bom dia senhor, o que é que vai tomar?
O comandante vira-se para Lagrange e pergunta-lhe:
-O que é que vais tomar?
-Um café com leite e uma sandes de bangue.
-O habitual para mim, um café com leite e uma sandes de bangue aqui para o capitão.
-Podem ir para a mesa. Já vos levo o pequeno almoço.
-Obrigado José.

Lagrange seguiu o capitão e sentaram-se numa mesa à janela. Via-se perfeitamente o planeta, e o enorme campo de destroços.
-Um campo tão grande não devia dar origem a lua?
-Os nossos computadores dizem que sim, mas nunca conseguimos a opinião de um astrofísico.
-Deixe-me adivinhar, também são raros!
-Sim, mas a rainha já conseguiu recrutar quatro que estão a estudar o caso a partir daqui, da esperança. Bom agora, diz-me tu, o que é que achas disto tudo?
-Para mim, é tudo novo. Desde ter nanites, a cicatrizes em várias partes do corpo... Até o meu... “instrumento” é novo! Depois este lugar, voltar a ser capitão, … Isto é algo que não acontece a ninguém! Nem na melhor ficção que temos! Sou um homem novo num lugar novo.
-A rainha disse-me que as suas nanites são de à volta de 2100CO, nanites a um nivel acima de 80?
-Sim, e não... não são nanites como as feitas nas nossas fábricas de nanites ou como as nanites imperiais habituais. Pelo que percebi são nanites desenvolvidas de raiz especificamente para seres humanos, pois parece que a partir de certa altura tornaram-se obrigatórias em todos os seres humanos para controlo de doenças.
-Estou a ver, e pelo que percebi, essas também têm uma IA?
-Sim... mas o senhor está muito bem informado!

-Não aceito ninguém com tecnologia ao meu serviço sem estar informado sobre ela.
-Boa filosofia. Sim, tenho uma IA, cujo avatar deve ser a mulher mais atraente que eu alguma vez conheci na vida. E está a dar comigo em doido ela não ser “real”.
-Ó David, há várias soluções para isso, mas a melhor que posso dar-te é que arranjes uma namorada real, e mantenhas a relação com a tua IA profissional.
-Eu já me disse isso algumas vezes... mas é ela que está literalmente sempre na minha mente. Optei por mantê-la desligada e usar um interface mais tradicional.
-Por mim, até podes casar com a tua IA, que não serás o primeiro a fazer isso. Só espero que essa relação não interfira negativamente no cumprimento das tuas obrigações para com a frota astral .
-Convenhamos que a ideia de ter uma IA com estas características e com personalidade completa em nanites não me parece ser a ideia mais feliz que vão ter num futuro próximo.
-Não sei, devem ter tido alguma boa razão para isso. Pode ser que a descubras.
Entretanto chegou o tal José com os pequenos almoços. Colocou-os na mesa.
-Cá está meus senhores. Tenham uma boa refeição.

E afastou-se,
-Vou ser honesto contigo. Gosto da tua sinceridade, do que vi da tua folha de serviço, invejo a tua IA, e não gosto que sejas amigo da rainha.
-Qual é o problema de eu ser amigo da rainha? Eu valho por mim mesmo. Não preciso de favores de ninguém!

-Sim, mas se não fosses amigo da rainha, hoje não estarias aqui. Só estarias aqui depois de teres te registado lá em baixo.
-Eu não sabia de nada disso.
-Não te preocupes, sei que não pediste nada disto. Eu reconheço um bom homem quando vejo um.
Assim que acabaram, saíram do refeitório e despediram-se um do outro:
-Gostei de te conhecer capitão Lagrange. Sempre que puderes, aparece.
-Igualmente comandante Otárius.

Lagrange voltou para a sua cabine. Deitou-se na cama e activou o programa tutorial nas suas nanites.
Na sua mente, Lagrange voltou à sala toda branca, onde estava sentado à frente de NIA.
Levantou-se, chegou à frente de NIA, agarrou-a e beijou-a... “à francesa”.
NIA a princípio não reagiu. Depois, correspondeu ao beijo.
“Foi por isto que não te liguei ontem. Desde que te conheço que não sais da minha mente.”
“Sim, mas, eu fui desenhada para ser assim!”
“Não é isso que eu quero dizer... quer dizer... se calhar até é. A verdade é que não quero saber. Estou doido por ti.”
“A sábia avisou que isto era má ideia.”
“Que se lixe a sábia. Preciso de saber, que sentes tu?”
“Sinto que estou confusa. Primeiro ignoras-me, depois de repente isto...”
“Está bem, eu já te pedi desculpas, e volto a pedir. Tu beijaste-me de volta!”
“Sim, beijei. Não te sei justificar porquê. Deve ser parte do meu programa.”
“Esquece o teu programa. Diz-me... porque te aborreceste por eu não ter-te ligado ontem?”
“Devo estar a precisar de manutenção.”
“Não precisas de manutenção nenhuma! Podes ser uma IA, mas és uma mulher, e sentes algo por mim!”
“Isso é muito presunçoso não te parece?”
“Faz uma análise de sistemas, mas eu quero voltar a beijar-te.”
“Eu não quero ser o teu software de fantasias eróticas”

NIA terminou o programa e desligou-se.
Lagrange acorda e olha para o relógio -screensaver no monitor na parede.
-8h00. Definitivamente uma IA nas minhas nanites foi uma péssima ideia.
Sentando-se à frente do monitor diz:
Computador, manda esta mensagem à rainha Hara: “Parabéns Hara”.
“Mensagem enviada”
-É possível contactar alguém à superfície do planeta?
“Negativo. As comunicações para o planeta requerem uma autorização E-alfa-aleph.”
-Onde arranjo isso?
“As autorizações E-alfa são emitidas pela IA central desta nave, automaticamente.”
-Óptimo, tenho de esperar que ela se lembre de mim!
“Um ele neste caso. Bom dia Capitão Lagrange, eu sou o IAC Esperança, a inteligência artificial central da nave Esperança. Precisa de uma autorização E-alfa-aleph? ”
-Sim, preciso de contactar a minha médica, Glorie Boavida.

(continua)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (última parte)

por Matemaníaco
(Continua daqui)

Bom, agora tenho de me apresentar ao comandante Otárius.”
“Ele está na ponte de comando.”
“Como é que sabes isso?”
“Assim que voltaste a ligar-me vi que tinha e continuo a ter acesso à IA da nave, e espreitei”
“Linda menina! Vê se descobres de onde veio o acesso...”
“A tua patente dá-me acesso a tudo. Com o pormenor de que eu sou uma IA mais sofisticada do que a desta nave.”
“Pois! A tua tecnologia é de que ano mesmo?
Esta nave deve ser de à volta de 2000CO, e de ser um protótipo da altura.”
“As nanites, são de 2096CO, a Nano IA é a versão pós 80 de 2100CO”.

“Portanto, és apenas uma NIA entre muitas! O que te distingue das outras? Tens algum nome para além de NIA?”
“O que me distingue é que sou tua. E a minha personalidade foi extrapolada a partir da tua mente, para te ser o mais agradável possível.”
“Isso preocupa-me... é que tirando o facto de não seres de carne e osso, não há nada em ti que eu não goste.”
“Mas pediste-me para mudar o cabelo.”
“Fica-te muito melhor como está agora. Gosto mais dele assim. O programa não deve ter apanhado tudo correctamente.”
“Eu não tenho outro nome para além de NIA.. Queres dar-me um?”
“Não tenho esse direito... escolhe tu um de que gostes, e depois dizes-me.”
“Está bem... mas em vez de estarmos aqui a tagarelar, não devias enviar uma mensagem a Otárius?”
“Podes mandá-la?”
“Posso, mas sugiro-te que te ponhas à frente de um comunicador, sejas scaneado, vistas a farda correspondente ao teu novo posto, que te vai ser fornecida, e só depois te apresentes ao comandante.”
“Está bem. Logo à noite, dá para abrires um ambiente virtual do género do tutorial, onde eu possa estar e conversar contigo?”
“Como assim?”
“Um ambiente onde meia hora no mundo real corresponda a 3 horas contigo.”
“Sim, posso. Que pretendes?”
“Nada... simplesmente conversar contigo, para evitar estar aqui parado nos corredores feito um totó a conversar contigo na minha mente”
“Oh... desculpa!”
“Estás desculpada. Não tens culpa de ser interessante. Vou desligar-te, está bem?”
“Está bem.”
“NIA off”
Lagrange seguiu as instrucções de NIA, e contactou a ponte de comando.
-Capitão Lagrange apresenta-se ao serviço.

-Seja bem vindo a bordo capitão. Daqui fala o Subcomandante Pennus. Apresente-se directamente ao comandante Otárius, amanhã pelas 6h00min no escritório A-01. Foi-lhe atribuída uma cabine com acesso à nossa rede interna da dados, e um email interno. Lá estão uma lista de protocolos a seguir dentro desta nave, e uma série de informações com que se deve familiarizar. Entendido?
-Entendido senhor.
A comunicação foi desligada.

Fim de capítulo
(Continua)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 10)

por Matemaníaco
Continua (daqui)

Lagrange correu para os balneários, tomou um duche rápido, e ao por-se à frente do scanner, o computador dá-lhe uma farda de segurança, que ele rapidamente veste, e logo depois põe-se a correr pelos corredores para a porta 3.
“Foi um banho rápido, vais chegar a tempo, não precisas de correr”
“Obrigado NIA”
“Gostaste do balneário misto?”
“Estava vazio!”
“E qual é o problema disso? Ias só tomar um duche.”
“NIA, eu gosto de mulheres! Lindas, como tu, e se eu tiver oportunidade de as ver nuas, seja em que circunstancia for, melhor.”
“És tão... oco.”
“Sim, sou! E também quero ver-te nua.”
“A personalidade das pessoas não conta para ti?”
“NIA... és uma voz na minha cabeça. Raramente vejo o teu corpo e apesar de estares comigo só há alguns dias, gosto imenso de ti. Isso não te diz algo?”
“Incrível. Estás mesmo a falar a sério! Tu gostas mesmo de mim. Confirmei com os teus sinais vitais”
“Não podias só acreditar em mim, sem recorrer a tecnologia para me sondar?”
“Peço desculpa... obrigado pela parte que me toca. Mas não me vais ver nua!”
“Eu sei disso. Também achei que devias saber o que eu sinto.”
“Queres só ver mulheres nuas? Por exemplo a sábia é mulher!”
“Cruzes... Não distorças as coisas! Eu disse mulheres lindas!”
“A beleza está nos olhos de quem vê!”
“Já que consegues medir tudo em mim, aprende a fazer a distinção”
“Eu também gosto de estar aqui ligada contigo. Só que eu não tenho corpo. Sou apenas software a correr em nanites. Até a imagem que viste de mim foi fabricada. Eu não sou humana. Tecnicamente, não podes ver-me nua. ”
“Eu sei... podemos continuar a conversa depois?”
“Podemos conversar quando quiseres. Sabes disso.”
“Posso desligar-te por uns momentos?”
“Sim, podes. É seguro.”
“Não era isso que eu queria perguntar...ficas chateada?”
“Porque haveria eu de ficar chateada?”
“Está bem, desliga-te NIA.”
Lagrange chegou à porta 3, onde também estavam outras 3 pessoas. O scanner óptico não lhe levantou problemas.
A porta abriu-se, atravessaram um túnel invisível, gerado de forma análoga aos pequenos escudo planetários. Ao chegar ao outro lado, todos passaram por scanners ópticos.
“Hara, eu estou aqui, identificado como segurança da família oGamus”
Enviou Lagrange através das suas nanites, para Hara.
Hara, encontrava-se num salão, em reunião com vários cientistas e militares.
-Com licença minhas senhoras e meus senhores, eu já volto.
Hara afastou-se, pegou num comunicador e ligou para Otárius:
-Ele está aqui, é um dos meus seguranças. Faz com que chegue ao salão.
Em menos de um minuto, chegou um segurança ao pé de Lagrange e pediu que este o acompanhasse.
Lagrange acompanhou-o, e chegaram ao salão onde estava Hara.
-David!
Hara chegou ao pé dele e abraçou-o
Todos olharam para Hara.
-É um velho amigo!
-Tinhas mesmo de me chamar velho?- Sussurrou Lagrange.
-Estás mais velho...espero que mais maduro, e finalmente de pé.
-Agora vais explicar-me o que se passa aqui?
-Não, vou deixar isso para o comandante desta nave, tu, vem comigo.
Lagrange seguiu a rainha até à sala de refeições da rainha.
-Aqui ninguém nos ouve.
-Não me digas que não confias no pessoal que tens à tua volta nesta nave!
-David. Lembras-te da noite em que te falei das nanites imperiais?
-Não. Porquê.
-Foi a noite em que embarquei para aqui. Eu não vivi a tua história a partir desse dia.
-Espera lá... já me lembro. Tomaste uma piela e os teus seguranças afastaram-nos e levaram-te. Dizias que tinhas nanites e que no dia seguinte ias estar sóbria.
-Nesse dia eu embarquei nesta Nave de Batalha, e de forma que não deve ser muito diferente da tua, eu acabei aqui.
-Aqui, foste promovida a rainha.
-Longa história. A verdade é que preciso de ti.
-Tu também com essa história?
-Como assim?
-Quando acordei pela primeira vez, lá em baixo naquele destruidor, estava um tipo gordo de óculos...
-Sim, o senhor Óxinol. Afirma ser um cientista ao serviço da imperatriz Aivota, mas descobrimos que nos está a mentir e tem um passado bem obscuro. Tirando isso, por cá não o conseguimos ligar a nenhum crime, por isso fica com os cargos que tinha antes de descobrirmos isso, e só deixo atribuirem-lhe novos cargos quando ele conquistar a minha confiança.
-Aparentemente ele sabe muito sobre mim, e um suposto futuro eu.
-Sabe. A sábia ajudou-o no acesso à documentação. E foi ela que descobriu as informações sobre ele.
-São fidedignas?
-Demasiado.Tive mesmo de optar por uma política de protecção da informação, e recolher todas as bases de dados que encontramos nos destroços. Estão aqui nesta nave.
-Portanto o secretismo cá dentro, e fazer-me passar por segurança...
-Foi para não chamar a atenção de Óxinol.
-Mas não é um pouco exagerado? Bastaria demitires o homem!
-Preciso dele, por enquanto.
-Que raio de passado obscuro terá ele?
-De acordo com várias bases de dados, esteve envolvido numa tentativa de assassinato da tal imperatriz Aivota, numa tentativa de tornar o império numa democracia. Foi expulso do império e era para ser abandonado numa missão de exploração espacial, mas a missão acabou aqui.
-E ninguém o denunciou?É preciso ser louco para ainda acreditar nessa ideia ultrapassada de democracia.
-Não encontrámos mais sobreviventes daquela missão. Mas encontrámos sobreviventes de épocas anteriores que no garantem que ele é um homem respeitado.
-Desculpa o questionário... mas para que precisas dele?
-Para sairmos daqui vamos precisar dos recursos de um império, a investigar o que se passa aqqui. Todos os cientistas que tivermos são poucos. De todos os nossos sobreviventes ele é o único perito em tecnologia de energia.
-Estou a ver...
-Sabemos que existem muitos mais sobreviventes espalhados pelo planeta, e que muitos se recusam a juntar-se a nós.
-Porquê?
-Vamos mudar de assunto... Essas informações vão te ser transmitidas via nanites por mim.
-Nanites... ainda me estou a habituar a elas.
-Para construir um império, preciso de pessoas em quem eu possa confiar pessoalmente. Quero-te a comandar uma das minhas frotas. Começarás com a patente de capitão.
-Capitão? Mas eu sou comandante, isso é descida de posto!
-Comandante na frota de outro império. Aqui, capitão é quase o equivalente à tua patente, mas um pouco mais! Estarás entre homens muito mais experientes do que tu.
-Vais dizer-me que estás a fazer-me um favor?
-Não, que és das poucas pessoas em quem confio para o trabalho. Podes ser um traste, ter deixado metade das minhas amigas de rastos, mas tens um excelente currículo.
-Não tem nada a ver com o meu suposto futuro?
-Nunca quis saber dele . Sendo teu... as orgias descritas no “Império de may” devem ser consideradas contos infantis.
-”Império de may”? Não conheço.
- Eu faço com que te chegue um exemplar. Há lá boas sugestões para a construção de um império.
Acabei de dar a ordem via nanites. Já és capitão!
-”Capitão Lagrange”... outra vez. Bah!
- Apresenta-te ao comandante Otárius.
-Com esse nome, vou ter imensa confiança nele...
-Até à próxima Lagrange. Gostei de rever-te!
-Até à próxima. Fez-me impressão ver-te tão... nova.
Lagrange sai para o salão, onde é olhado por todos os presentes e diz:
-Não se preocupem... Ela gostou! Está só a recuperar o fôlego e já volta.
… e sai para o corredor.
“NIA liga-te.”
“Estou de volta.”
“Ela deu-me a patente de Capitão, e sabe-se lá o que vem a seguir!”
“Capitão Lagrange! Fica-te bem.. eu gosto!”

( Continua )

terça-feira, 16 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 9)


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Sabes o nome daquela estrela, NIA?
De acordo com as informações que me foram carregadas pela sábia não há nome oficial, chamam-lhe só Sol
Que mais informações te deu a sábia?”
“Não muito. Mapas recentes e localizações com nomes, e a identificação de algumas pessoas”
“Está bem... posso pedir-te uma coisa?”
“Pede.”
“Sei que foi o software que te deu essa forma física, baseada na minha mente... mas podes mudar a cor do cabelo? Eu preferia que fosse preto... ou castanho escuro.”
“Sim, posso. Faço-o quando adormeceres”
“Obrigado... sabes se esta caminhada ainda vai demorar?”
“O cargueiro nunca aterra duas vezes no mesmo ponto. E as localizações não são divulgadas por nenhum canal a que eu consiga aceder.”
Porque é que vamos a pé?”
“Isso vais ter de perguntar a eles.”

-Alguém pode me dizer porque é que vamos a pé?
Estou a receber uma comunicação.. do agente SergueiPeNaCov”-Disse NIA
Comandante Lagrange, a sua patente militar aqui nada vale. Por favor mantenha-se calado e confie em mim”-
“Comunicação desligada”-
Disse NIA
“Nada vale?”
“Enquanto não passares pelos serviços de identificação daqui, não passas de um zé ninguém”-Respondeu NIA.

Passados 23 minutos, chegaram a uma enorme plataforma metálica.
PéNaCov olha para os homens,
E de repente toda a gente desaparece dali e reaparece no outro lado do planeta, onde é noite.
“O que foi isto NIA”?
“ Espera... eu não estou bem”-
NIA desligou-se.
“NIA? NIA? ...”
Do céu vem uma luz. Era um cargueiro! E aterrou a 20 metros de  Serguei . O deutério é carregado, e  Serguei  vai falar com um dos militares que estavam a guardar os técnicos que recebiam o deuta.Depois Serguei faz sinal a Lagrange, para ir ter com ele.
Ao aproximar-se de Serguei, Lagrange diz-lhe
-”Passa-se algo com as minhas nanites”
-”Lá em cima tratam-lhe disso. Dê cá a arma... a farda pode devolver-nos depois quando regressar. E até breve.”-Responde Serguei
-”Entre”- diz o soldado a Lagrange.
Lagrange olhou para Serguei e agradeceu.
Entrou no cargueiro pequeno, que levantou voo, saiu da atmosfera do planeta e dirigiu-se à nave Esperança.
“NIA, vá lá, responde!”
NIA continuava a não responder.
Lagrange ia sentado num pequeno camarote para visitantes. A viagem até à Esperança, num cargueiro pequeno devia durar à volta de 6 minutos, portanto ter de ficar num camarote parecia-lhe um pouco exagerado.
A fim de dois minutos chega um homem de cabelos brancos mas que aparentava estar nos seus 30 à que diz-lhe:
-Assim que chegar à nave de Batalha, será scaneado e identificado. De acordo com o Agente Serguei, o senhor tem nanites e tem encontro marcado com sua majestade a rainha Hara, por isso, deixe-me cá ver a sua mão."

O homem pega na mão de Lagrange e dá-se uma troca de informações entre nanites.
-Está tudo nos conformes, a sua identificação como segurança real ainda é válida.

NIA!!!!! Preciso de ti!”- pensava Lagrange.
-Foi-lhe dada acomodação porque não somos nós que vamos ter à Nave Esperança. Ela é que vem a nós, sem horário definido.

-Posso circular pelo cargueiro?
-Pode, mas agradecemos que se limite às áreas
civis: refeitório, bar, sala de convívio e balneário.
Aqui o balneário
é misto, espero que não se importe.
-Balneário misto? Claro que não me importo... Eu não sabia que este cargueiro tinha áreas militares.
-Nesta zona todas as naves têm uma área militar. Passe bem.
E saíu.
“NIA, o protocolo de identificação está a funcionar corretamente.”

NIA continuava a não responder.
Lagrange abriu um armário, tirou uma toalha e um roupão e preparava-se para abrir a porta para dirigir-se para o balneário.
NIA, se consegues ouvir-me, o balneário é misto. Motivo mais do que suficiente para eu querer tomar um demorado duche.”
“fbbafaafr...”
“NIA?”
“Atenção, nanites offline para autoreparações. É imperativo que se deite para repouso absoluto.”
“Hã? Não me faças isso NIA”.

nejsaea...”
E de repente Lagrange sentiu-se mais cansado, zonzo..
“Vendo bem, é mesmo melhor eu meter-me na cama...”

Deitou-se na sua cama e adormeceu de repente, para acordar 8 horas depois, todo transpirado.
“Olá David”
NIA! Que se passou contigo?”
“Aquele hipersalto corrompeu as comunicações entre nanites, e destruiu mesmo várias delas. Várias das componentes que me gerem a mim, NIA, tiveram de ser reconstruidas.”

Hipersalto à superfície de um planeta com atmosfera, habitado e com recursos?”
Tecnologia abandonada há mais de mil anos, do teu ponto de vista, pelos problemas que criava e nunca conseguiram resolver.”
“Se foi abandonada porque é que Serguei e os seus homens recorrem a ela?”
Só posso te apresentar hipóteses. Nada em concreto.”
“Bem-vinda de volta... estava preocupado contigo. Nunca tive uma mulher tanto tempo na minha mente...”
“Sim, claro, lembro-me perfeitamente que desliguei-me quando ias para um demorado duche num balneário misto.”
“Por falar nisso... tenho de ir ao duche.”

De repente ouve-se:
Esperança estabeleceu contacto, pede-se ao pessoal que vai ser transferido que se apresente na porta 3 dentro de 15 minutos.
Vai a um duche rápido. Estás a precisar de um.”-Diz-lhe NIA.
(continua )

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Por motivos técnicos (crash do computador do autor), a publicação das aventuras de Capitão Lagrange só regressará na próxima 3ª feira 16 de Outubro de 2012.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 8)

por Matemaníaco
Continua (daqui)
-Eu pensei que era suposto eu ser um segurança, não um programador industrial de nanites.
-Aqui, todos têm de crer que és um programador.
Na nave, têm de acreditar que és um segurança.
Acredita em mim, vai funcionar. Agora sai, vai conhecer as redondezas.
O jantar serve-se às 21h00m... As tuas nanites dizem-te as horas.
-Está bem... Até logo.
Lagrange afasta-se e sai da tenda.
-NIA, esta mulher dá-me uns arrepios.
"Estive a analisar o código que ela enviou. Está limpo... E ela tem razão. Não devias interromper as pessoas."
-Também vais ficar do lado dela?
"Não fales comigo sem te certificares que não há ninguém à volta. Ainda pensam que és maluco ou que tens nanites."
-Eu digo que estou a falar ao telemóvel. Por wireless.
"Não estou a detectar nenhum tipo de sinal que possa indicar a existência de uma rede de telemóveis aqui."
-Está bem, NIA, eu vou calar-me.
Olhando em volta Lagrange vê mais de uma centena de tendas.
-Senhor Lagrange?
Lagrange vira-se e vê um robot
- O meu nome é ZX-Spectrum. A sábia mandou-me acompanhá-lo.
-Zx Spectrum? -Riu-se Lagrange- Está bem, vamos.
“Tu tens-me a mim! Porque te manda ela um robot?”-Pergunta NIA na mente de Lagrange.
“Já estás com ciumes NIA? Não te preocupes, é a ti que eu levo para a cama!”-Respondeu Lagrange, também na sua mente.
NIA não respondeu.
-Fazes ideia de como se formou esta cratera?
-Inicialmente pensámos que tinha sido um meteorito, mas depois descobrimos que foi uma nave gigantesca que se despenhou há cerca de dois milhões de anos.
-Gigantesca como? Uma EDM?
-Uma nave equivalente a 100EDM’s, de origem desconhecida.
-Que império é que tinha um monstro desses há dois milhões de anos?
-Não lhe sei responder senhor Lagrange. Ainda não conseguimos decifrar a escrita.
“Há dois milhões de anos, não podia ser humano”-Disse NIA a Lagrange.
“NIA, eu juro que não te esqueço, mas por favor, fala só quando eu te perguntar alguma coisa”
-Spectrum, o que é aquela tenda acolá? Está cheia de gente.
- É a igreja emaGo.
-emaGo? Nunca ouvi falar.
-É uma fé que se espalhou por cá entre os sobreviventes. Segundo o lider o nosso universo faz parte de um jogo virtual online, jogado por pessoas naquilo a que ele chama verdadeiro mundo real. Segundo ele, os únicos seres com noção da realidade são os Imperadores. Os imperadores podem inclusivamente ocupar temporariamente o corpo de outros imperadores, numa operação chamada sitting.
-Há loucos para acreditar em tudo...
-Concordo senhor.
-E ali, aquela tenda?
-Ah, bom olho senhor. É o sítio daqui da zona onde vendem as melhores bebidas...
E Lagrange conheceu várias tendas...
Passados dois dias, estava Lagrange à frente de um computador a tentar apagar código de nanites.
-Desmaios... o cargueiro está a chegar. Os vendedores de deutas vão agora para o ponto de encontro. Vai com eles.
Lagrange larga o que estava a fazer e dirige-se para uma tenda a norte da cratera.
Chegado à tenda, lá estava um pequeno exército fortemente armado.
-E-Eu venho para acompanhar-vos na venda de-de De-Deuta.-Gaguejou Lagrange - Foi a sábia quem me mandou.
Os homens olham para ele. Um deles aproxima-se, aperta a mão de Lagrange...e há uma transferência de informação entre as nanites de Lagrange e as dele.
-David Lagrange, Comandante da frota imperial do Imperador Matemaníaco. Que interesse tem a sábia em mandá-lo connosco.
-Soube isso tudo só ao apertar a minha mão?
-Segurança Imperial Serguei PéNaCov, agente da TIA. Estamos sempre bem informados e bem equipados. As suas nanites têm um bonito código e passarão muito bem pelos scanners da rainha Hara.
-TIA?
-TIA – TASCA Inteligence Agency.
-TASCA?
-A que aliança pertence o Imperador Matemaníaco na zona temporal de onde veio?
-Coligação dos Impérios.
-Ah... não se preocupe. A TIA está no seu futuro. Garanto-lhe! Aqui os meus homens vêm todos de serviços secretos de todo o Universo e de várias zonas temporais... e todos escolhidos a dedo por mim. Pessoal, arranjem-lhe uma farda ponham-lhe uma arma de plasmas nas mãos. Partimos dentro de meia hora.
“NIA... querida estás aí?”
“Sim David”
“Como foi que ele conseguiu identificar-me?”
“Ele tinha as autorizações necessárias”
“E tu confias nele?”
“E porque não? A autorização dele é verdadeira e válida. Ele é agente da TIA”
“Eu começo a ficar farto de pessoas que sabem mais do meu futuro do que eu”
“Eu não tenho informações do teu futuro.”
“Mas sabes dessa tal de TIA?”
“Sim, sei. Está na minha base de dados. De acordo com essa base de dados, a aliança TASCA formou-se duas semanas depois de teres vindo para cá e a TIA foi apenas uma reorganização dos serviços secretos dos Impérios”
“E a Coligação dos Impérios?”
“O sofreu uma grande divisão.”
“Eu sirvo o meu imperador, e se a TIA está ao serviço dele, eu estou ao serviço da TIA”
-Eh toma. Veste-te.- Diz um dos agentes enviando-lhe a farda.
-Algum de vocês é militar?
-Somos todos agentes Imperiais. Os militares nem sonham do que é que somos capazes!- Sorriu Serguei.
Lagrange vestiu a farda.
-E a tal arma de plasma?
Alguém atira-lhe uma arma de plasma.
-Tem cuidado  para não nos dar cabo do deuta. Aponta isso só para os parvos que tentarem roubar-nos.

-Está bem.
E passados alguns minutos partiram a pé acompanhando um contentor flutuante de deuta.

(continua)