quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
- Capítulo 3 : Os outros ( parte 3 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Ponte de comando, da Nave de Batalha Esperança.
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 20h03min

Otárius entra na ponte.
-Meus senhores, relatórios actualizados se fazem favor.

-
Ainda não sabemos nada do cruzador perdido senhor.
- Continuamos sem conseguir contacto nem com as nanites do capitão Lagrange.
- Já viram os dados dos nossos sensores?
- Já senhor. Com alguma interpolação, alguma extrapolação e os dados presentes as nossas simulações sugerem que o caça foi atingido por um projéctil explosivo, que aparentemente partiu do sector 44- 12.
-O quê? -
Otárius olhou para o mapa e continuou -Mas não é suposto haver nada naqueles sectores!
As vossas simulações já dizem alguma coisa sobre a variação de energia que nos fez mandá-los lá em primeiro lugar?
-Não... ainda estamos a discutir hipóteses.
-Despachem-se com isso. Já perdemos uma nave e dois homens, eu não vou enviar mais ninguém para lá até ter uma ideia do que aconteceu, e não quero dizer à rainha no dia do seu aniversário que perdemos o seu amigo.
Eu vou agora para a festa. Quando eu voltar quero notícias, sejam elas quais for!
Pennus, contacta-me assim que souberem qualquer coisa.
 -Sim senhor!
Otárius saiu.
Pennus olhou para os homens e mulheres no centro de comando, sem saber o que fazer.


Cratera , Planeta Cronos-Tenda da sábia
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 22h05min

Spectrum arrumava nanites, quando o comunicador tocou. A sábia aproximou-se.
-Da Esperança? Que me querem estes a esta hora?
Atendeu a chamada.
-Boa tarde senhora Maria, precisamos da sua ajuda.
-Senhora é a sua mãe. Chame-me só Maria subcomandante... com quem estou a falar?
-Subcomandante Jack Pennus, da nave de batalha esperança. Perdemos o contacto com um caça comandado pelo seu recente inquilino David Lagrange, não o conseguimos contactar nem por nanites. Pode ajudar-nos de alguma forma?
-Dê-me alguns segundos senhor Pennus.

A sábia fechou os olhos e quando os abriu disse:
-Frequência subespacial NIA-A23486FR3-063454GARE-2096N, se conseguir entrar em contacto com ela, ela pode ajudá-lo.
-Quem é essa “ela”?
-NIA, uma
inteligência artificial que vive nas nanites dele, mas, não divulgue a informação... use-a para encontrar o vosso homem.
-Obrigado pela ajuda.

Comunicação desligada.
A sábia virou-se para o Spectrum e pediu:
-Apaga todo e qualquer registo desta comunicação.
Depois, afastou-se em direcção ao seu quarto, ligou um computador velho com aspecto antigo.
-Ambrósio apetece-me algo.
Ao que o computador responde com uma voz metalizada.
-Tomei a liberdade de pensar nisso.
-Não não, nada disso Ambrósio! Quero que me procures e traduzas um blog dos meus arquivos da Terra original. Arquivo de há cerca de dez mil anos, blog intitulado “A TASCA no Universo 25”.
-A procurar senhora... Encontrado!
-Agora está calado porque eu vou ler.


(continua)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Num congresso internacional de medicina.

Partilhado por Durga

O médico alemão diz:
Na Alemanha, fazemos transplantes de dedo. Em 4 semanas o paciente
está procurando emprego.


O médico espanhol afirma:
A medicina espanhola é tão avançada que conseguimos fazer um
transplante de cérebro. Em 6 semanas o paciente está procurando
emprego.


O médico russo diz:
Fazemos um transplante de peito. Em 1 semana o camarada pode procurar emprego.


O médico grego disse:
Temos um trabalho de recuperação de bêbados. Em 15 dias o indivíduo
pode procurar emprego.


O médico português diz orgulhoso:
Isso não é nada! Em Portugal, nós arranjamos um homem sem cérebro,
sem consciência, sem peito, mentiroso, corrupto, e elegêmo-lo primeiro
ministro.

Em 6 meses o país inteiro está quase todo à procura de emprego.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 2 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

“A contactar, espere... beeep”
Lagrange esperava impacientemente.
Passado um minuto o computador diz:
“De momento a Dra Boavida não está disponível.”
-Obrigado na mesma”
Lagrange olhou para o cacifo mal fechado. Numa das estantes estava um tablet, com uma cópia de “O império de may”.
“Hara, para que raios queres que eu leia isso? Nunca fui homem de ler.”
Lagrange levantou-se, foi buscar o tablet e voltou para a cama.
“Será que ainda não existe isto em filme?”- Pensou.
De repente o computador avisa:
“Comunicação a chegar. Glorie L. Boavida. Atender?”
-”Sim!”
-David? Tentaste contactar-me?
-Sim, Glorie, tentei. Eu estou com um problema sério com a minha NIA.
-Que tipo de problema?
-Eu, beijei-a. Ela beijou-me de volta, chateou-se comigo e desligou-se...
-A sério? Tu fizeste mesmo isso? Isso costuma funcionar com as tuas conquistas?
-Funcionou em cerca de um terço delas.
-Tu tens isso contabilizado? Não acredito!
-É o que acontece quando se serve muito tempo o Imperador Matemaniaco.
-Não é nada que eu não esperasse de ti. Ela deve ter activado um protocolo de protecção de 6 horas. Durante 6 horas não a conseguirás ligar. Trata-a como uma pessoa, não como um objecto.
-Ela não deve ser a mulher da minha vida, visto que tu existes. A tua bisavó é humana certo?
-Sim, é.
-Não me podes dizer quem é?
-Nada de atalhos. Descobre por ti mesmo.
-Porque foram dar personalidades completas a IAs?
-No meu tempo, os últimos 50 anos as IAs “de personalidades completas”, como tu chamas, preservaram a sanidade mental de muita gente, e foram indirectamente responsáveis pela redução de doenças e criminalidade nos mundos onde foram usadas.
-E contra-indicações? Por exemplo, um esquizofrénico...
-Não te preocupes com isso. Preocupa-te contigo! Se voltas a armar-te em conquistadorzeco a tua NIA pode até reduzir-te o tamanho da tua masculinidade.
-O que queres dizer com isso?
-Quero dizer que a NIA é para ser bem tratada e respeitada.
-Pois, a sábia já me tinha dito isso.
-E mesmo assim tu...
-Caramba, puseram-me um mulherão à minha mente e eu sou obrigado a negar os meus instintos mais básicos?
-Tem juizo David. Ela pode estar na tua mente mas ela é realmente apenas um software altamente sofisticado a correr em nanites. Tudo nela é fabricado.
-Eu não consigo deixar de pensar nela como mulher...
-Podes até usá-la como teu brinquedo, mas isso vai ter um preço bem alto, que eu garanto que não vais querer pagar.
-Porque me deste uma coisa assim?
-Porque tu precisas.
-Posso viver sem estas nanites?
-Não. Tu não fazes ideia do estado em que estavas quando chegaste cá. A injecção que te dei no hospital não foi a única. Levaste dezenas de injecções de nanites para te reconstruir o corpo todo.
Nanites que podiam ter sido usadas noutras pessoas. A IA que tens instalada tem como principal função a manutenção das nanites e do teu organismo.
A NIA, foi criada assim que activaste o tutorial,e é um upgrade à IA que já estava instalada. O downgrade é impossível.
Por outro lado a NIA é fundamental para detectar desvios na tua personalidade que possam ser sintomas de algum problema médico mais sério.
Trata-a dignamente.

-Ela pode fazer-me mal?
-Não te vou responder a isso. Achas que estás em situação de arriscar?
-Merda.
-Vá. Eu tenho pacientes para tratar. Volta a ligá-la quando for possível e não voltes a fazer outra.
-Tchau, e obrigado Glorie.
-Tchau David.

A comunicação foi desligada.
Lagrange pegou no tablet e passou horas a ler “O império de may”.
Por volta das 14h16m, Lagrange pousou o tablet.
- NIA. Liga-te.
“Sim David, que pretendes?”
“Conversar contigo.”
“Sobre?”
“Eu nunca tive uma IA na minha mente antes. Peço-te desculpa se estou a ser um imbecil”
“Eu também nunca estive na mente de ninguém. Aliás, até ter sido ligada nunca conheci ninguém, de espécie nenhuma. Nunca teres tido uma IA na tua mente antes não é desculpa.”
“Pois não, mas preciso mesmo de estar bem contigo.”
“Eu admito que gosto de ti, mas não nesse sentido. Incomoda-me o facto de teres tantas ex’s, e a forma como trataste várias delas. Eu sei tudo sobre ti, não te esqueças.”
“A primeira pessoa que sabe tudo sobre mim, não gosta de mim. Obrigado. Agora sinto-me mesmo miserável”
“Que te sirva de lição. Que andaste a fazer aos teus olhos? Precisam de tratamento especial.”
“Diz-me, a tua voz, a voz que eu ouço na minha mente, também foi sintetizada para mim?”
“Sim, foi. Também queres que eu a mude?”
“Não. É perfeita!”
“Estiveste a ler?”
“Sim, o império de may.”
“Pelos teus sinais vitais, eu sei que sentes que gostas mesmo de mim, e que só queres resolver isto de qualquer forma.”
“Sim. Nunca tive uma situação destas na vida.”
“Vamos manter-nos amigos?”
“Sim, por favor. Mas diz-me, porque me beijaste de volta?”
“Nunca tinha beijado ninguém. Foi o meu primeiro beijo. Foi uma experiência agradável, obrigado!”
“E não queres repetir?”
“Ficou gravado nos meus ficheiros. Posso repetir quando me apetecer”
“Esquece.”
“Não almoçaste. Precisas de comer.”
“Não me apetece!”
“Não faças birras! Vai comer!”
“A sério, eu estou bem.”

“Não, não estás não. Precisas de comer!”
“NIA desliga-te”
NIA desligou-se. Pegou no tablet, mas já não conseguia concentrar-se na leitura.
Guardou-no no cacifo. E foi em direcção ao bar.
-Uma “Estrela da Morte” se faz favor.
-Peço desculpa, não faço ideia do que seja.
-Então, uma vodka preta.
-Lamento, por cá só temos vodka normal.
-Que seja.

Ao fim de 5 copos de vodka normal, Lagrange sai do bar e a meio do corredor grita aborrecido.
-Merda de nanites, nem deixam um gajo embebedar-se como qualquer pessoa normal!
Alguns tripulantes olharam para ele.
Lagrange afastou-se em direcção à porta 2A.
“NIA liga-te”
“Que se passa David?”
“Lá em baixo, eu desliguei-te e pouco depois perdi a consciencia porque as nanites estavam desligadas. Cá em cima eu desliguei-te e a vodka continuou a não fazer efeito. Explica-me isso”

“Lá em baixo desligaste uma forma menos sofisticada de mim. Eu só fui criada quando ligaste o tutorial. Se me desligas a mim, não desligas as nanites.”
“Como é que eu posso desligar as nanites?”
“Se o queres fazer por causa de mim, não te digo. Mas prometo que não te incomodo.”
“Não consegues fazer isso... tu não sais da minha mente estejas tu ligada ou não.”
“Desculpa...”
“Preciso mesmo de saber como desligar as nanites.”
“Lamento, sem me dizeres porque queres desligar as nanites, não te posso dar essa informação!”
“Quero poder beber e sentir o efeito da bebida de vez em quando.”
“Razão válida. Um dia, digo-te como. Não hoje.”
“Não gosto dos comandos para ligar-te e desligar-te... posso mudá-los ?”
“Sim, podes, qual deve ser o novo comando para ligar-me?”
“NIA... Eu não gosto mesmo desse verbo. Para mim és uma pessoa! Muda isso para sei lá...«Estás aí NIA?»”
“Comando mudado. David, eu não posso alterar aquilo que eu sou.”
“Eu sei.”
“Qual deve ser o comando para desligar?”
“Tchau NIA”
“Comando mudado.”
“Tchau NIA”

NIA desligou-se.
De repente Lagrance ouve:
“Boa tarde capitão Lagrange. Está a receber uma nanocomunicação do comando astral. A sua missão é de reconhecimento. Deve seguir com o cabo Gonzalez no caça pesado A84 em direcção ao sector 45-12.
Foram detectadas estranhas variações de energia na zona, e os nossos sensores não conseguem analisar a região.
Deve comunicar e transmitir qualquer situação anómala.
O comando é seu.”
Lagrange atravessou a porta 2A, passou por um tunel transparente de energia, entrou no caça, vestiu o equipamento de voo e sentou-se ao lado do cabo Gonzalez.
-Boa tarde amigo. Vamos lá ao nosso passeio.
-Sim meu capitão.

O túnel foi desligado. Então a nave partiu a toda a velocidade para o sector 45-12.
Após uma hora, o local tinha sido todo sobrevoado duas vezes
- Variações de energia? Isto parece uma selva sem animais.
-Concordo senhor, aqui não parece haver nada. É estranho não se registar qualquer tipo de fauna.
-Também concordo.

De repente o caça é atingido por um míssil, e explode.

(Continua)

sábado, 20 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 1 )

por Matemaníaco
Continua (daqui)

“Um império construído rapidamente, é um império de corsários e ladrões! Treinem os nossos homens para a pirataria, porque eu tenho pressa!” - Disse o imperador.
Fernão Hopes , “O império de may”

Eram 5h59min e David Lagrange acabava de chegar fardado e preparado à porta do escritório do comandante.
NIA estava desligada há mais de doze horas.
“NIA, liga-te.”
“Bom dia Capitão Lagrange.”
“Chama-me David”
“Desculpa. Deixaste-me desligada, chamo-te o que me apetecer.”
“Estou prestes a apresentar-me ao comandante. Só queria dizer-te olá e pedir-te desculpa.”
“Já disseste, e já pediste.”
NIA desligou-se.
A porta abriu-se e Lagrange entrou.
-Bom dia capitão Lagrange.
Pontualidade absoluta! Gosto disso num oficial!
-Sim senhor!
-Esteja à vontade. Viu toda a documentação que lhe foi mandada?
-Sim senhor!
-Importa-se de me dizer qual a nossa frota actual, sem recorrer às suas nanites?
-Uma nave de batalha, cinco cargueiros pequenos. Dez caças pesados e três caças pequenos.
-Quem comanda o Aristóteles?
-Aristóteles, cargueiro pequeno modificado com dispositivo de camuflagem, é comandado pelo capitão Dimitroc Jovian.
-Está bem, fez o trabalho de casa. Neste momento temos, um hangar nível 2 lá em baixo em Cronos. Em breve a nossa frota aumentará.
Como temos falta de homens, as naves serão totalmente automatizadas ou pilotadas por robots. No entanto, a rainha quer um grupo de naves comandadas por humanos.
O primeiro cruzador que produzirmos será teu.
Até lá acompanharás várias das nossas missões. Não te preocupes, não serás um turista. Vamos manter-te com trabalho sério.
Às 15 horas acoplará um caça pesado que te levará à superfície para a tua primeira missão. Receberás os detalhes na hora, por nanites.
E sê bem vindo a esta frota astral!
-Obrigado senhor.
-Ainda não tomei o pequeno almoço. Acompanhas-me?
-Obrigado pelo convite. Aceito sim senhor.
-Vamos deixar-nos de formalidades. Antes de chegarmos cá, a sua patente astral era de comandante, tal como a minha. A única coisa que nos distingue, é que servíamos senhores diferentes, tu estiveste um ano em coma e eu tenho mais 5 anos de experiência que tu.
-E eu venho de um ponto mais à frente no tempo.
-Em 10 anos o nosso universo alterou-se assim tanto? Vamos até ao refeitório. Conversamos pelo caminho.
-Nem por isso. Reinos passaram a impérios, impérios desapareceram... nada que não seja habitual há centenas de anos. A propósito... A contagem do tempo aqui, como se faz? Não faz sentido usarmos uma contagem do universo de onde viemos. Aqui há gente de várias alturas do espaço tempo.
-Dentro desta nave, continuamos a usar o calendário em vigor no reino oGamus, mas estabelecemos um novo calendário hoje à noite.
-Porquê hoje?
-Porque hoje, no nosso universo seria o aniversário da rainha Hara. Foi proposto pelos nossos cientistas.
-Como funciona?
-Foi escolhido um ponto de referência no tempo e os anos começarão a contar-se a partir de lá.
-E que ponto é esse?
-A data do primeiro registo de população feito por cá.
-Conseguiram registar toda a gente?
-Claro que não... e não sabemos nada de mais de metade da população. Registados só temos pouco mais de 2300, e de momento não podemos censurar quem não quis se registar. Não temos forma de garantir a segurança a toda a gente lá em baixo. Homens como nós são muito raros por aqui. A maioria dos comandantes morre ao chegar cá. Eu próprio readquiri a minha patente porque o comandante Jamaica, comandante desta nave morreu, e o nosso subcomandante, 2º na linha de comando teve azar numa missão em que supomos a nave onde ele estava saltou, e ninguém sabe para onde.
Mas mais raros que nós ainda são seguranças, e forças militares terrestres, e sem esses homens, não conseguimos manter a segurança lá em baixo.
-O comandante disse”readquiri”?
-Eu tive uns problemas com um almirante, e ele pôs-me na prisão por 2 meses, com redução de patente.
-Epa, isso é algo que eu gostaria de ouvir!
-Chegámos ao refeitório. Segue-me, temos prioridade.
Passaram à frente de uma fila de 20 pessoas.
-Bom dia senhor, o que é que vai tomar?
O comandante vira-se para Lagrange e pergunta-lhe:
-O que é que vais tomar?
-Um café com leite e uma sandes de bangue.
-O habitual para mim, um café com leite e uma sandes de bangue aqui para o capitão.
-Podem ir para a mesa. Já vos levo o pequeno almoço.
-Obrigado José.

Lagrange seguiu o capitão e sentaram-se numa mesa à janela. Via-se perfeitamente o planeta, e o enorme campo de destroços.
-Um campo tão grande não devia dar origem a lua?
-Os nossos computadores dizem que sim, mas nunca conseguimos a opinião de um astrofísico.
-Deixe-me adivinhar, também são raros!
-Sim, mas a rainha já conseguiu recrutar quatro que estão a estudar o caso a partir daqui, da esperança. Bom agora, diz-me tu, o que é que achas disto tudo?
-Para mim, é tudo novo. Desde ter nanites, a cicatrizes em várias partes do corpo... Até o meu... “instrumento” é novo! Depois este lugar, voltar a ser capitão, … Isto é algo que não acontece a ninguém! Nem na melhor ficção que temos! Sou um homem novo num lugar novo.
-A rainha disse-me que as suas nanites são de à volta de 2100CO, nanites a um nivel acima de 80?
-Sim, e não... não são nanites como as feitas nas nossas fábricas de nanites ou como as nanites imperiais habituais. Pelo que percebi são nanites desenvolvidas de raiz especificamente para seres humanos, pois parece que a partir de certa altura tornaram-se obrigatórias em todos os seres humanos para controlo de doenças.
-Estou a ver, e pelo que percebi, essas também têm uma IA?
-Sim... mas o senhor está muito bem informado!

-Não aceito ninguém com tecnologia ao meu serviço sem estar informado sobre ela.
-Boa filosofia. Sim, tenho uma IA, cujo avatar deve ser a mulher mais atraente que eu alguma vez conheci na vida. E está a dar comigo em doido ela não ser “real”.
-Ó David, há várias soluções para isso, mas a melhor que posso dar-te é que arranjes uma namorada real, e mantenhas a relação com a tua IA profissional.
-Eu já me disse isso algumas vezes... mas é ela que está literalmente sempre na minha mente. Optei por mantê-la desligada e usar um interface mais tradicional.
-Por mim, até podes casar com a tua IA, que não serás o primeiro a fazer isso. Só espero que essa relação não interfira negativamente no cumprimento das tuas obrigações para com a frota astral .
-Convenhamos que a ideia de ter uma IA com estas características e com personalidade completa em nanites não me parece ser a ideia mais feliz que vão ter num futuro próximo.
-Não sei, devem ter tido alguma boa razão para isso. Pode ser que a descubras.
Entretanto chegou o tal José com os pequenos almoços. Colocou-os na mesa.
-Cá está meus senhores. Tenham uma boa refeição.

E afastou-se,
-Vou ser honesto contigo. Gosto da tua sinceridade, do que vi da tua folha de serviço, invejo a tua IA, e não gosto que sejas amigo da rainha.
-Qual é o problema de eu ser amigo da rainha? Eu valho por mim mesmo. Não preciso de favores de ninguém!

-Sim, mas se não fosses amigo da rainha, hoje não estarias aqui. Só estarias aqui depois de teres te registado lá em baixo.
-Eu não sabia de nada disso.
-Não te preocupes, sei que não pediste nada disto. Eu reconheço um bom homem quando vejo um.
Assim que acabaram, saíram do refeitório e despediram-se um do outro:
-Gostei de te conhecer capitão Lagrange. Sempre que puderes, aparece.
-Igualmente comandante Otárius.

Lagrange voltou para a sua cabine. Deitou-se na cama e activou o programa tutorial nas suas nanites.
Na sua mente, Lagrange voltou à sala toda branca, onde estava sentado à frente de NIA.
Levantou-se, chegou à frente de NIA, agarrou-a e beijou-a... “à francesa”.
NIA a princípio não reagiu. Depois, correspondeu ao beijo.
“Foi por isto que não te liguei ontem. Desde que te conheço que não sais da minha mente.”
“Sim, mas, eu fui desenhada para ser assim!”
“Não é isso que eu quero dizer... quer dizer... se calhar até é. A verdade é que não quero saber. Estou doido por ti.”
“A sábia avisou que isto era má ideia.”
“Que se lixe a sábia. Preciso de saber, que sentes tu?”
“Sinto que estou confusa. Primeiro ignoras-me, depois de repente isto...”
“Está bem, eu já te pedi desculpas, e volto a pedir. Tu beijaste-me de volta!”
“Sim, beijei. Não te sei justificar porquê. Deve ser parte do meu programa.”
“Esquece o teu programa. Diz-me... porque te aborreceste por eu não ter-te ligado ontem?”
“Devo estar a precisar de manutenção.”
“Não precisas de manutenção nenhuma! Podes ser uma IA, mas és uma mulher, e sentes algo por mim!”
“Isso é muito presunçoso não te parece?”
“Faz uma análise de sistemas, mas eu quero voltar a beijar-te.”
“Eu não quero ser o teu software de fantasias eróticas”

NIA terminou o programa e desligou-se.
Lagrange acorda e olha para o relógio -screensaver no monitor na parede.
-8h00. Definitivamente uma IA nas minhas nanites foi uma péssima ideia.
Sentando-se à frente do monitor diz:
Computador, manda esta mensagem à rainha Hara: “Parabéns Hara”.
“Mensagem enviada”
-É possível contactar alguém à superfície do planeta?
“Negativo. As comunicações para o planeta requerem uma autorização E-alfa-aleph.”
-Onde arranjo isso?
“As autorizações E-alfa são emitidas pela IA central desta nave, automaticamente.”
-Óptimo, tenho de esperar que ela se lembre de mim!
“Um ele neste caso. Bom dia Capitão Lagrange, eu sou o IAC Esperança, a inteligência artificial central da nave Esperança. Precisa de uma autorização E-alfa-aleph? ”
-Sim, preciso de contactar a minha médica, Glorie Boavida.

(continua)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (última parte)

por Matemaníaco
(Continua daqui)

Bom, agora tenho de me apresentar ao comandante Otárius.”
“Ele está na ponte de comando.”
“Como é que sabes isso?”
“Assim que voltaste a ligar-me vi que tinha e continuo a ter acesso à IA da nave, e espreitei”
“Linda menina! Vê se descobres de onde veio o acesso...”
“A tua patente dá-me acesso a tudo. Com o pormenor de que eu sou uma IA mais sofisticada do que a desta nave.”
“Pois! A tua tecnologia é de que ano mesmo?
Esta nave deve ser de à volta de 2000CO, e de ser um protótipo da altura.”
“As nanites, são de 2096CO, a Nano IA é a versão pós 80 de 2100CO”.

“Portanto, és apenas uma NIA entre muitas! O que te distingue das outras? Tens algum nome para além de NIA?”
“O que me distingue é que sou tua. E a minha personalidade foi extrapolada a partir da tua mente, para te ser o mais agradável possível.”
“Isso preocupa-me... é que tirando o facto de não seres de carne e osso, não há nada em ti que eu não goste.”
“Mas pediste-me para mudar o cabelo.”
“Fica-te muito melhor como está agora. Gosto mais dele assim. O programa não deve ter apanhado tudo correctamente.”
“Eu não tenho outro nome para além de NIA.. Queres dar-me um?”
“Não tenho esse direito... escolhe tu um de que gostes, e depois dizes-me.”
“Está bem... mas em vez de estarmos aqui a tagarelar, não devias enviar uma mensagem a Otárius?”
“Podes mandá-la?”
“Posso, mas sugiro-te que te ponhas à frente de um comunicador, sejas scaneado, vistas a farda correspondente ao teu novo posto, que te vai ser fornecida, e só depois te apresentes ao comandante.”
“Está bem. Logo à noite, dá para abrires um ambiente virtual do género do tutorial, onde eu possa estar e conversar contigo?”
“Como assim?”
“Um ambiente onde meia hora no mundo real corresponda a 3 horas contigo.”
“Sim, posso. Que pretendes?”
“Nada... simplesmente conversar contigo, para evitar estar aqui parado nos corredores feito um totó a conversar contigo na minha mente”
“Oh... desculpa!”
“Estás desculpada. Não tens culpa de ser interessante. Vou desligar-te, está bem?”
“Está bem.”
“NIA off”
Lagrange seguiu as instrucções de NIA, e contactou a ponte de comando.
-Capitão Lagrange apresenta-se ao serviço.

-Seja bem vindo a bordo capitão. Daqui fala o Subcomandante Pennus. Apresente-se directamente ao comandante Otárius, amanhã pelas 6h00min no escritório A-01. Foi-lhe atribuída uma cabine com acesso à nossa rede interna da dados, e um email interno. Lá estão uma lista de protocolos a seguir dentro desta nave, e uma série de informações com que se deve familiarizar. Entendido?
-Entendido senhor.
A comunicação foi desligada.

Fim de capítulo
(Continua)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As Aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 2 : Encontro no espaço-tempo (parte 10)

por Matemaníaco
Continua (daqui)

Lagrange correu para os balneários, tomou um duche rápido, e ao por-se à frente do scanner, o computador dá-lhe uma farda de segurança, que ele rapidamente veste, e logo depois põe-se a correr pelos corredores para a porta 3.
“Foi um banho rápido, vais chegar a tempo, não precisas de correr”
“Obrigado NIA”
“Gostaste do balneário misto?”
“Estava vazio!”
“E qual é o problema disso? Ias só tomar um duche.”
“NIA, eu gosto de mulheres! Lindas, como tu, e se eu tiver oportunidade de as ver nuas, seja em que circunstancia for, melhor.”
“És tão... oco.”
“Sim, sou! E também quero ver-te nua.”
“A personalidade das pessoas não conta para ti?”
“NIA... és uma voz na minha cabeça. Raramente vejo o teu corpo e apesar de estares comigo só há alguns dias, gosto imenso de ti. Isso não te diz algo?”
“Incrível. Estás mesmo a falar a sério! Tu gostas mesmo de mim. Confirmei com os teus sinais vitais”
“Não podias só acreditar em mim, sem recorrer a tecnologia para me sondar?”
“Peço desculpa... obrigado pela parte que me toca. Mas não me vais ver nua!”
“Eu sei disso. Também achei que devias saber o que eu sinto.”
“Queres só ver mulheres nuas? Por exemplo a sábia é mulher!”
“Cruzes... Não distorças as coisas! Eu disse mulheres lindas!”
“A beleza está nos olhos de quem vê!”
“Já que consegues medir tudo em mim, aprende a fazer a distinção”
“Eu também gosto de estar aqui ligada contigo. Só que eu não tenho corpo. Sou apenas software a correr em nanites. Até a imagem que viste de mim foi fabricada. Eu não sou humana. Tecnicamente, não podes ver-me nua. ”
“Eu sei... podemos continuar a conversa depois?”
“Podemos conversar quando quiseres. Sabes disso.”
“Posso desligar-te por uns momentos?”
“Sim, podes. É seguro.”
“Não era isso que eu queria perguntar...ficas chateada?”
“Porque haveria eu de ficar chateada?”
“Está bem, desliga-te NIA.”
Lagrange chegou à porta 3, onde também estavam outras 3 pessoas. O scanner óptico não lhe levantou problemas.
A porta abriu-se, atravessaram um túnel invisível, gerado de forma análoga aos pequenos escudo planetários. Ao chegar ao outro lado, todos passaram por scanners ópticos.
“Hara, eu estou aqui, identificado como segurança da família oGamus”
Enviou Lagrange através das suas nanites, para Hara.
Hara, encontrava-se num salão, em reunião com vários cientistas e militares.
-Com licença minhas senhoras e meus senhores, eu já volto.
Hara afastou-se, pegou num comunicador e ligou para Otárius:
-Ele está aqui, é um dos meus seguranças. Faz com que chegue ao salão.
Em menos de um minuto, chegou um segurança ao pé de Lagrange e pediu que este o acompanhasse.
Lagrange acompanhou-o, e chegaram ao salão onde estava Hara.
-David!
Hara chegou ao pé dele e abraçou-o
Todos olharam para Hara.
-É um velho amigo!
-Tinhas mesmo de me chamar velho?- Sussurrou Lagrange.
-Estás mais velho...espero que mais maduro, e finalmente de pé.
-Agora vais explicar-me o que se passa aqui?
-Não, vou deixar isso para o comandante desta nave, tu, vem comigo.
Lagrange seguiu a rainha até à sala de refeições da rainha.
-Aqui ninguém nos ouve.
-Não me digas que não confias no pessoal que tens à tua volta nesta nave!
-David. Lembras-te da noite em que te falei das nanites imperiais?
-Não. Porquê.
-Foi a noite em que embarquei para aqui. Eu não vivi a tua história a partir desse dia.
-Espera lá... já me lembro. Tomaste uma piela e os teus seguranças afastaram-nos e levaram-te. Dizias que tinhas nanites e que no dia seguinte ias estar sóbria.
-Nesse dia eu embarquei nesta Nave de Batalha, e de forma que não deve ser muito diferente da tua, eu acabei aqui.
-Aqui, foste promovida a rainha.
-Longa história. A verdade é que preciso de ti.
-Tu também com essa história?
-Como assim?
-Quando acordei pela primeira vez, lá em baixo naquele destruidor, estava um tipo gordo de óculos...
-Sim, o senhor Óxinol. Afirma ser um cientista ao serviço da imperatriz Aivota, mas descobrimos que nos está a mentir e tem um passado bem obscuro. Tirando isso, por cá não o conseguimos ligar a nenhum crime, por isso fica com os cargos que tinha antes de descobrirmos isso, e só deixo atribuirem-lhe novos cargos quando ele conquistar a minha confiança.
-Aparentemente ele sabe muito sobre mim, e um suposto futuro eu.
-Sabe. A sábia ajudou-o no acesso à documentação. E foi ela que descobriu as informações sobre ele.
-São fidedignas?
-Demasiado.Tive mesmo de optar por uma política de protecção da informação, e recolher todas as bases de dados que encontramos nos destroços. Estão aqui nesta nave.
-Portanto o secretismo cá dentro, e fazer-me passar por segurança...
-Foi para não chamar a atenção de Óxinol.
-Mas não é um pouco exagerado? Bastaria demitires o homem!
-Preciso dele, por enquanto.
-Que raio de passado obscuro terá ele?
-De acordo com várias bases de dados, esteve envolvido numa tentativa de assassinato da tal imperatriz Aivota, numa tentativa de tornar o império numa democracia. Foi expulso do império e era para ser abandonado numa missão de exploração espacial, mas a missão acabou aqui.
-E ninguém o denunciou?É preciso ser louco para ainda acreditar nessa ideia ultrapassada de democracia.
-Não encontrámos mais sobreviventes daquela missão. Mas encontrámos sobreviventes de épocas anteriores que no garantem que ele é um homem respeitado.
-Desculpa o questionário... mas para que precisas dele?
-Para sairmos daqui vamos precisar dos recursos de um império, a investigar o que se passa aqqui. Todos os cientistas que tivermos são poucos. De todos os nossos sobreviventes ele é o único perito em tecnologia de energia.
-Estou a ver...
-Sabemos que existem muitos mais sobreviventes espalhados pelo planeta, e que muitos se recusam a juntar-se a nós.
-Porquê?
-Vamos mudar de assunto... Essas informações vão te ser transmitidas via nanites por mim.
-Nanites... ainda me estou a habituar a elas.
-Para construir um império, preciso de pessoas em quem eu possa confiar pessoalmente. Quero-te a comandar uma das minhas frotas. Começarás com a patente de capitão.
-Capitão? Mas eu sou comandante, isso é descida de posto!
-Comandante na frota de outro império. Aqui, capitão é quase o equivalente à tua patente, mas um pouco mais! Estarás entre homens muito mais experientes do que tu.
-Vais dizer-me que estás a fazer-me um favor?
-Não, que és das poucas pessoas em quem confio para o trabalho. Podes ser um traste, ter deixado metade das minhas amigas de rastos, mas tens um excelente currículo.
-Não tem nada a ver com o meu suposto futuro?
-Nunca quis saber dele . Sendo teu... as orgias descritas no “Império de may” devem ser consideradas contos infantis.
-”Império de may”? Não conheço.
- Eu faço com que te chegue um exemplar. Há lá boas sugestões para a construção de um império.
Acabei de dar a ordem via nanites. Já és capitão!
-”Capitão Lagrange”... outra vez. Bah!
- Apresenta-te ao comandante Otárius.
-Com esse nome, vou ter imensa confiança nele...
-Até à próxima Lagrange. Gostei de rever-te!
-Até à próxima. Fez-me impressão ver-te tão... nova.
Lagrange sai para o salão, onde é olhado por todos os presentes e diz:
-Não se preocupem... Ela gostou! Está só a recuperar o fôlego e já volta.
… e sai para o corredor.
“NIA liga-te.”
“Estou de volta.”
“Ela deu-me a patente de Capitão, e sabe-se lá o que vem a seguir!”
“Capitão Lagrange! Fica-te bem.. eu gosto!”

( Continua )