sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 9 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)


Log pessoal da andróide NIA. Terceiro dia do terceiro mês do ano 1
         Ajustar-me a um corpo andróide não foi fácil. Fizeram-me um upgrade para que eu conseguisse aceder a todas as potencialidades e sensores deste corpo. Tarefas simples que aos humanos levam imenso tempo a aprender, como falar, andar e comer foram-me transmitidas quase instantaneamente.
As facilidades acabaram aí.
Ninguém me fez um upload de um programa que me ensinasse a vestir-me ou a despir-me.
Quando finalmente a enfermeira S0N14-X3 e o auxiliar P3
me arranjaram roupas, levei cerca de uma hora a descobrir como me meter correctamente nelas.
Pelas 14horas fui apresentada ao andróide que transplantou-me das nanites para este corpo.
Curiosamente é também um modelo muito metálico.
Não vi nenhum androide como eu. Isto é, um modelo que seja indistinguível dos seres humanos a olho nu.
Disse-me que era um crime ter uma IA avançada como eu em nanites quando há aqui protoformes que precisam de IAs. 
No princípio não acreditei na conversa dele.
Foi a primeira vez que desconfiei de um robot.
Mostraram-me à cidade deles, Robótica.
Percebi que é uma sociedade de robots sem a capacidade de se reproduzir ou mesmo criar novas IAs. A sociedade foi fundada há cerca de um milhar de anos.
Tal como nós, vieram em explorações espaciais oriundas de todo o universo onde
se passou algo anormal.
Muito dos seres biológicos que vieram com eles falec
eram lá em cima nos choques entre naves e nos choques com destroços. Os robots, repararam-se uns aos outros. Com o passar do tempo, vieram outras explorações.
Algumas vindas de impérios mais bélicos bombardearam a cidade.
Os robots enviaram recicladores lá acima e com o material reciclado evoluiram as suas defesas, e desenvolveram algo nunca visto no nosso universo: Camuflagem.
Uma tecnologia que torna este sector invisível a qualquer sonda vinda de quase todas as épocas, e milhares de lançadores de misseis para quando essa tecnologia falhasse.
Ao fim da tarde, pelas 20h02 min, encontrei-me com David e com o cabo Gonzalez no que parecia ser um hospital improvisado.
Ambos olharam-me de forma estranha. David correu para mim e abraçou-me.
A frequência cardíaca
dele estava superior à que eu me lembrava.
 A pressão arterial também.
Notei que continuo a poder monitorizar e até a controlar as nanites, mesmo estando fora do corpo dele.Detectei que os protocolos de comunicação das nanites foram apagados.Pouco depois chegou lá um dos líderes de robótica, B055.
Pediu-nos desculpa pela destruição do caça, informou-nos que foi reparado que estava pronto a partir, e que há já algum tempo que monitorizava as nossas comunicações.
Em particular, disse-nos que há várias horas que não haviam comunicações entre o planeta e a nave Esperança.
Notei que David não tirou os olhos de cima de mim.
B055 disse que querem ajudar-nos a construir o império em troca da partilha de conhecimento obtida nos nossos laboratórios de pesquisa, e pediu-nos para sermos os embaixadores deles.
A mim pessoalmente, foi-me oferecido um lugar na sua sociedade.
Agradeci o meu novo corpo andróide, e disse que ia pensar no assunto.
Jantámos todos juntos e pelas 24horas, deixaram-nos partir no nosso caça em direcção ao sector 0-0.
Os nossos sensores não detectaram absolutamente nada no sítio onde estava a cidade.

Caça pesado EFAS-43243
24horas 12 minutos


Lagrange saiu do cockpit e foi ter com NIA. Sentou-se à frente dela.
NIA, eu ainda não sei o que dizer disto tudo.
Passaste o tempo todo a olhar-me.
Não consigo evitar.
O cabo Gonzalez consegue.
O cabo Gonzalez deve ser gay.
Olhe que eu ouvi isso! - Respondeu Gonzalez no cockpit! Sou muito hetero. Só aprendi a não me meter com os engates dos meus superiores.
Lagrange fechou a porta.
NIA ri
u-se.
Nunca te tinha visto a rir.
Não tenho direito a ter um sentido de humor?
Sim, tens. Peço desculpa se fui incómodo lá em Robótica.
Deixa estar. Até achei fofo. Podes tentar ser mais discreto.
Podes já não estar na minha mente, mas nunca saíste dela.
Eu também estava preocupada com vocês. E também estou preocupada com a nave Esperança.
Não estou a falar disso.
Fica-te muito bem estares preocupado comigo. Só que não é a altura indicada. Eu estou bem David, a sério!
Essa pressão arterial alta em ti está a incomodar-me.

(Continua)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 8 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Estes tipos não brincam em serviço. Deram cabo do caça sem nos matar. Desarmaram-nos, extraíram qualquer coisa das minhas nanites, não consigo estabelecer nanocomunicação com lado nenhum e não consigo me levantar. Eles querem qualquer coisa de nós... Mas não nos estão a dar o tratamento típico de prisioneiros.
Pode ser o tratamento típico do futuro!
Pode até ser Gonzalez, mas eu sugiro que esperemos para ver.
Como é que pode estar tão calmo nesta situação?
Lembre-se do seu treino. Permanecer calmo para conseguir pensar. Você já é cabo. Comporte-se como tal.

Peço desculpa capitão. Nunca estive nesta situação.
Olhe, eu precisei de urinar e o meu uniforme não processou a urina, portanto eu estou numa situação pior!


Planeta Cronos, Tenda da sábia
12H02min
A sábia estava a fechar um negócio de compra de nanites quando o seu comunicador começou a tocar insistentemente.
Desculpe-me!
Spectrum, atende isso! Gritou a sábia.
Bem sei que isto são nanites nível 1 e já com alguma idade, mas não pode mesmo subir a oferta?
Amigo, já andamos nisto há quanto tempo? Sabes que não vou dar mais.
Aqui não há fábricas de nanites, ainda vai chegar o dia em que vou ser eu a ditar os preços.
Quando esse dia chegar, falamos. Como de costume, recebes o pagamento após a entrega, no sítio do costume. Até à próxima!
Até a próxima.
O homenzinho saiu, e logo depois chega Spectrum ao pé dela:
Maria, tens mesmo de ir ao comunicador. É o agente PéNaCov.
A sabia dirige-se ao comunicador
.
Que se passa Serguei?
Não há qualquer comunicação com a Esperança desde pelo menos as 25h de ontem.
Já passaram 13 horas. Suponho que não saibas a posição da nave nessa altura.
A posição da nave é sempre desconhecida.
Tu és um homem da TIA, sabes sempre mais do que aquilo que dizes. Diz lá o que queres e não me faças perder tempo.
Olha só quem fala. Tu também sabes sempre muito mais do que dizes e também sei que já trabalhaste para a TIA. O que eu quero é informação!
Que tipo de informação?
Sei que tens na tua base de dados um blog com cerca de dez mil anos, com o sugestivo título “A TASCA no Unverso 25”. Quero pedir-te acesso a ele.
Eu não sei onde foste buscar esse disparate, mas eu se fosse a ti mandava uma equipa investigar um caça que foi abatido no sector 45-12.
 Obrigado, e pensa seriamente em partilhar esse blog a bem porque não quero chatices contigo.
Não há blog nenhum!
Sim, claro que não... A comunicação terminou.
Spectrum anda já aqui, que preciso de ver uma coisa.
Sim sábia. Que se passa?
Eu suspeito que estás infectado com um trojan da TIA. Desliga-te.
Mas e as minhas tarefas?
Tratas delas depois.
Spectrum desligou-se, e a sábia saiu.


Planeta Cronos, sede da agência de informações. Localização desconhecida
12H15min

Serguei está reunido numa pequena sala, sentado à mesa com uma equipa de dois homens, três mulheres e 2 robots.

Um caça foi abatido no sector 45-12. Como estamos sem comunicações com a Esperança não temos mais detalhes. Não vão mandar mais caças para saber o que se passou. Portanto vocês são a equipa escolhida para investigar o que se passou, e trazer os sobreviventes se os houver.
Sector 45-12? Existe algum portal de salto terrestre por perto? Perguntou um dos homens.
Não. O mais perto está a mais de 100 km respondeu um dos robots.
Não podemos usar transportes voadores nem portais de salto. Vai ser mais uma daquelas...Exactamente o que estás a pensar Laura. Vocês os 7 foram escolhidos pela vossa excepcional capacidade de improviso. Elaborem um plano, apresentem-mo, e preparem-se para executá-lo.Serguei sai da sala, e estava um outro agente à espera à porta.
Segue-me. Preciso que me faças uma cópia de uma base de dados que está nas mãos de uma mulher. Mas que seja feita sem ninguém dar por isso.
Que tipo de base de dados?
Eu não sei, mas suponho que seja uma base antiga num formato ultrapassado.
Estou a ver. Quem é essa ex-agente?
A sábia.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 7 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

– Não. No entanto não precisa de se preocupar. Já todos nós a vimos sem roupa. – Disse o robot que chegou por último.
– Nenhum de nós usa roupa, por isso não nos ocorreu que precisasse, até que há cerca de duas horas pensei que sendo fisicamente uma réplica de um ser humano, poderia estar programada para ter os mesmos comportamentos. Foi então que fui à procura deste lençol.
NIA olhou para eles
-Já todos me viram nua?

Nave de batalha Esperança, suite da rainha Hara.
9H30min

Hara acordou tarde e bem diposta. Foi ao duche, vestiu-se e quando ia para o refeitório parou num corredor e recorrendo a um comunicador contactou Ótárius.
– Bom dia comandante. Como estão as coisas hoje?
– Sua majestade... Todo o 5º andar e toda a tripulação dessas cabines estão infectados com protanerabacter. Ao que parece uma versão diferente, resistente aos antibióticos que tínhamos.

– Todo o 5º andar? Como é que isso aconteceu?
– A primeira pessoa que notámos estar infectada foi o senhor Óxinol, mas depois percebemos que ele é apenas um. O subcomandante Pennus, e toda a tribulação com cabine nesse andar estão de quarentena. Estamos a desligar todas as unidades de processamento e computadores da vizinhança.
– Há perigo para as pessoas?
– Até agora, só têm sido afectados sistemas e tripulação com nanites imperiais.
– Mantém-me informada
– Sim majestade!
Hara desligou e continuou em rumo ao refeitório.

Planeta Cronus. Sector 44-12 ?
12H02min

Gonzalez recuperou a consciência. Estava em cima de uma maca. O seu uniforme estava intacto. Numa maca ao lado, estava Lagrange, com uma máscara sobre metade da face.
– Capitão! – chamou, em voz baixa.
– Sim cabo, finalmente acordaste. Não precisas de falar em voz baixa. Até agora, por aqui só vi robots. Daqueles que conseguem ouvir o som de um pelo a cair no chão. Tem só cuidado com o que dizes.

– Fomos atingidos por um míssil?
– Sim.
– Somos prisioneiros?
– Isto não se parece com nenhuma prisão que eu conheça, e supostamente até estão a tratar de nós.
– É seguro eu levantar-me?
– Pode até ser, mas pelo menos a mim, “desligaram-me as pernas”.
Gonzalez tentou mexer uma perna e não conseguiu.
– Céus! A mim também! Então somos mesmo prisioneiros?

– Não vamos tirar conclusões precipitadas.
– "Não vamos tirar conclusões precipitadas"? Está a brincar senhor?

(continua)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 6 )

por Matemaníaco
Continua (daqui)

Nave de batalha Esperança, centro médico.
Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 04H00min

O senhor Óxinol continua intoxicado. Com protanerabacter no organismo não temos forma de o por sóbrio com nanites. -Disse a dra Johan Taylor
E sem nanites?- Perguntou o tenente Han, segurança na Esperança
– Há dois mil e quinhentos anos que não se usa outra coisa para isto. Estivemos a ver o código fonte do programa usado pelas nanites mas ainda não está completamente percebido.
– Mantenha-o afastado de equipamento bio-electrónico que possa estar ligado à nossa rede central.
– Sim, não precisa de lembrar-nos disso. Vamos ter de o manter de quarentena e a antibióticos.
– Antibióticos?
– Também já não se usavam há milénios também. São substancias químicas que matam certos microorganismos. Por ordem real, tivemos de investigar forma de nos livrarmos destas bactérias.
– Elas não desapareciam sozinhas do organismo de uma pessoa?
– Sim, desaparecem, mas levam o seu tempo. E se tiver uma certa quantidade delas, só saem se forem obrigadas... O sr. Óxinol passou ultrapassou largamente esse número.
– Precisamos de saber com que objectivo! Embora o protocolo nos mande deixar a cabine dele de quarentena, eu quero perguntar se há forma de esterilizar todos os sítios por onde ele andou. Não preciso de lembrar-lhe que esta é a única Nave de Batalha com circuitos biológicos integrados e com nanites a fazer interface entre circuitos de diferentes naturezas.
– Do nosso tempo.
– Sim, do nosso tempo.

Nisto, chega uma mensagem ao auscultador de Han.
«Tenente, temos de evacuar o piso -5! Há protanerabacter espalhada por todo o piso e os circuitos neurológicos deste piso estão afectados!»
– Bom doutora Johan, parece que estamos no pior cenário possível. O andar da cabine do senhor Óxinol está contaminado. Vou ter de ir, e não sei se não teremos de lhe enviar mais pessoas para a quarentena.
– Como é que é isto é possível? Os scanners não funcionaram?
– Tenho mesmo de ir. Falamos depois.
O Tenente Han afastou-se a correr em direcção a um dos elevadores

Planeta Cronus. Sector 44-12 ?
Dia Presente: Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 9h30min
NIA acordou completamente nua debaixo de um lençol, em cima de uma maca.
Era estranho acordar num corpo.
Olhou para o lado e viu nove protoformes humanoides inanimados deitados em macas.
Os protoformes são robots antes de receberem a sua IA, e de terem o seu aspecto físico final moldado.
“David...” - Pensou - “Onde estás?”
Mas não tinha resposta na sua mente. Estar sozinha também era novo para NIA.
Levantou-se, e cobriu-se com o lençol. Seguiu até um espelho junto à porta e olhou para o seu reflexo. Era fisicamente uma mulher humana... mas por dentro devia ser robot.
“Ele tinha razão. Eu sou bonita...” - pensou .
A admirar o seu novo corpo?-Perguntou uma robot que acabara de atravessar a porta..
Porque me fizeram isto?- Perguntou NIA.
O som da sua voz pareceu-lhe estranho.
A minha voz. Deve ter sido ma processada.
Não se preocupe. Toda a gente a ouve com a voz que tinha quando era uma simples IA-Disse um outro robot que tinha acabado de atravessar a porta.
– Se olhar à sua volta, verá que somos todos seres artificiais providos de IAs.
– Onde está o David?
– Está assustada. Acalme-se.
– Assustada, eu? Porque é que vocês não me respondem?
– Porque não temos as respostas.
– Como não têm respostas? Vocês extraíram a minha IA do corpo dele!
– Foram robots, dos nossos, mas não fomos nós. Nós aqui somos apenas médicos de IAs e seres artificiais. Não nos cabe a nós tomar decisões, nem ter conhecimento de coisas dessa natureza.

(continua)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 5 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)


Nave de batalha Esperança, cabine do subcomandante Pennus.

Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 24h50min

Pennus tentou várias vezes voltar a contactar NIA, mas não conseguiu.
"Isto não pode ser bom sinal."-pensou.
-Computador...Esquece. Estou cansado e já não estou em condições de pensar. Liga-me ao comandante Otárius.
"A estabelecer contacto..."
"Estabelecido"
-Comandante, estou há 20 minutos a tentar contactar a IA do capitão, mas não tenho resposta.
-Isso não é bom sinal.
-Estou cansado capitão. Peço para abandonar o serviço alguns minutos mais cedo e descansar. Não estou em condições de estar ao serviço.
-Está bem, está dispensado subcomandante.
-Obrigado meu capitão!
Penus esticou-se na cama se fechou os olhos.
Otárius, na ponte de comando estava sentado frente a um ecrã que mostrava o mapa supostamente conhecido do sector onde as simulações indicavam ter sido o ponto de origem do tal míssil.
-Isto não é trabalho para nós... Pennus tem razão, precisamos do Serguei e da equipa dele.
-Se me permite Comandante...
-Sim? Diga senhor Kim.
-Esta nave de batalha não é uma nave de batalha normal. Podemos activar a camuflagem, sobrevoar e scanear esses sectores.
-Sim senhor Kim... Ja Kim não é?
 Kim acenou afirmativamente com a cabeça.
-O problema é que podemos ter ali tecnologia 200 anos à frente do nosso tempo, por mais truques que tenhamos, somos a residencia oficial da rainha e não somos invulneráveis. Precisamos de informações.
 Neste momento a nossa tecnologia de espionagem vale zero!

Planeta Cronus. Sector 44-12 ?.
Dia Presente: segundo dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 25h30min

Lagrange acordou mais uma vez numa enfermaria, mas nesta, todos os médicos e enfermeiros eram robots.
Na cama ao lado estava o cabo Gonzalez a ser tratado por outra equipa de robots.
"NIA?" - Pensou Lagrange... mas NIA não respondeu.
"...Está bem, eu mudei o comando. Estás aí NIA?"- NIA continuava a não responder.
-Sabemos que consegue ouvir-nos - Disse um dos robots. - Extraímos a sua IA e estamos a repará-lo.
-Extraíram a minha IA?
-Não vale a pena tentar mover-se. Até acabarmos não conseguirá mexer outra coisa a não ser a boca.
 Sim, extraímos, mas as suas nanites vão continuar consigo com outro tipo de interface.
-Quem são vocês?
-Somos as pessoas que estão a tratá-lo.
-Pessoas? Sem querer ofender, vocês são robots.
-E um robot não pode ser uma pessoa?
Lagrange calou-se por uns segundos.
-Está bem, peço desculpa. Não volto a cometer esse erro... Sabe... eu preciso de saber o que é vão fazer com a NIA. Eu gostava de a ter de volta na minha mente.
-Se ela estiver de acordo, voltará a tê-la na sua mente e a monitorizar as suas nanites.
-Faz ideia de porque é que o nosso caça foi antingido?
-A função aqui da minha equipa é tratá-lo. Alguém depois falará consigo sobre isso. Agora vamos fazê-lo descansar mais um pouco.
De repente Lagrange adormeceu.

Noutro sítio, outra equipa de robots estava a trabalhar um corpo feminino.
Ela acordou.
-Olá NIA. Bem vinda à vida..
NIA piscou os olhos. Abriu e fechou a boca, mas sem sair um som.
-Utilizámos o seu avatar para modelar o seu corpo a partir de um protoforme. O seu software está a ser actualizado para que aprenda a usar o seu novo corpo.

Nave de batalha Esperança, bar.
Terceiro dia do terceiro mês do ano 1 [Data Cronos]. 00h48min
Óxinol já estava bem bêbado, quando chegou um dos seus seguranças para o levar.
-Hic! Vá não sejas chato... eu só quero mais um sumo de pota * hic protanera.
-Vocês servem isso aqui? Isso é proibido nesta nave por ordem! - Disse o segurança para o barman.
-Nós não temos nada disso aqui.
-Dado o estado dele, eu tenho de discordar, ele consumiu algum derivado de protanera sim. Vou levar o sr. Óxinol e depois sou obrigado a reportar o acontecido.
O segurança saiu com Óxinol sobre o ombro a ouvir insultos.
-Estás parvo? Que deste ao senhor Óxinol?-Perguntou um dos barmans ao que estava a servir o senhor Óxinol.
-Só o habitual, o cocktail número 23.
-O 23 nem é alcoólico!
-Sim, eu sei. Ele deve ter misturado qualquer coisa que trouxe com ele.
-Temos de guardar os copo dele para quando chegarem os guardas.
-Temos?
-Não fazes mesmo a mínima ideia dos problemas que podemos arranjar se alguma das nossas bebidas contiver algum derivado de protanera.

(continua

domingo, 28 de outubro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
I - Casado com a ex-concubina preferida do Imperador.


por Matemaniaco 

Naquele dia, Solo acordou sobressaltado do seu pesadelo.
Há já vários dias que sonhava com a sua morte às mãos do Imperador, que ficava assim com o caminho aberto para avançar e reconquistar Troy.
"Eu jogo limpo e perdi...Ela nunca me perdoaria! És um excelente capitão." (ver isto)
Tinha-lhe dito o imperador alguns dias antes, e as palavras não saíam da mente de Solo.
Ao seu lado, Troy ainda dormia.
Solo sorriu, beijou Troy, foi a um duche rápido, vestiu a farda, tomou um toké, saiu de casa e correu para a estação de Hipercomboios de Galieo.
Chegando lá estava lá apenas mais uma pessoa sentada à espera do comboio.
-David! Que fazes aqui tão cedo?
-Vivas Bat, meu cabrão! Isso pergunto-te eu.
-Eu acordei mais cedo e decidi vir arejar.
-Arejar fardado e sem Ítaca? Homem, estás mesmo mal!
-Então e tu? Com um mulherão daqueles e estás aqui sozinho?
-Sabes que, a minha ligação com a minha esposa é única neste universo. Que se passa amigo?
-Isto de estar casado com uma ex-concubina do Imperador...
-Capitão Solo, vais me dizer que ainda andas com esses problemas? Foi contigo que ela casou! É só contigo que ela dorme! Pareces um adolescente pá! Tens motivos para duvidar dela?
-Dela?Nenhuns!
-O imperador tem um harém, ele quer lá saber da Ítaca!
-Já foi a concubina preferida dele!
-Sim, já. Mas isso está no passado! Em vez de estar aqui devias estar em casa a falar com... Quero lá saber de falar, devias estar lá a fazer amor com a tua mulher!
-Eu preciso mesmo de arejar.
-Fardado?
Nisto chega o Hipercomboio.
Solo e David Lagrange entram numa carruagem, e sentam-se frente um ao outro.
-Solo, eu conheço pessoalmente o imperador. Ele considera Ítaca uma amiga e não tem qualquer outro interesse nela. Aliás, ele trata-a por Troy!
-Sim, eu sei. Ela mesmo já me disse isso. Não quero voltar a tocar no assunto com ela.
-E então? Não chega?
-Está bem, olha para ti. Toda a vida foste um mulherengo do pior tipo que há. Diz-me que de vez em quando não te apetece voltar à tua velha vida.
-Pá... Se eu não tivesse muito bem servido, nem a tua mulher me escapava!
-É exactamente esse o meu problema! O homem mais poderoso do império não está "bem servido".
-Ups. Eu realmente devia devia pensar antes de abrir a boca...
 Como não está bem servido com aquele harém de mulheres de todo o universo escolhidas a dedo para ele?

-Tenta alguma coisa com Ítaca e podes perder alguma coisa que te faz falta!
-Não te preocupes querido. Eu não me metia com Lagrange nem por ordem do imperador! -Diz Troy que acabava chegar ao pé deles.

Troy senta-se ao lado de Solo e agarra-lhe na mão.
-Eu adoro ver o meu homem fardado!
-Olá Troy.
-Olá amorzinho.

-TTTu sabias que ela ia aparecer?-Pergunta Lagrange a Solo
-Claro que sim. Se eu não conhecesse a minha minha mulher que tipo de marido seria eu?
-Um capitão da guarda que casou com uma concubina do imperador?-Respondeu Lagrange.
-Ex-concubina! Actual conselheira e governadora de Galileo. - Corrigiu Troy
De repente o Hipercomboio para.
-Eu vou ficar aqui. Gostei de rever-vos.
Lagrange saiu. Lá fora, à sua espera estava uma NIA de carne e osso.
Olhando pela janela Troy diz a Solo
-Aquela mulher é lindíssima.
-É muita areia para a carroça dele. Nunca o vi manter um par por mais de duas semanas...
-As pessoas mudam. Ele já está com ela há vários anos!
-E eu devo acreditar que ele tem sido fiel?
-Eu sei que tem sido...

O hipercomboio volta a andar...
-Como podes saber disso?
-É informação secreta! Agora diz-me.. voltaste a ter o pesadelo?
-Sim, voltei.
-Estive a pensar. Se for preciso abandonamos os nossos cargos e saímos deste império.
-Mas Troy... tu adoras o que fazes.
-O imperador é meu amigo... mas no fundo sei que ele sente algo por mim. Não quero sujeitar-te a perigos evitáveis.
-Eu no mês passado ofereci-me para uma missão de exploração espacial. Ele recusou.
"Solo, se não fosses casado com Troy talvez, e só talvez te deixavasse partir."
"Solo, justamente por seres o melhor para Troy é que não te deixo partir, pelo menos, sem ela.", disse-me.
-Mesmo assim continuas a ter pesadelos.
-Achas que vão passar se sairmos daqui?
-Não sei. Ele é um homem poderoso, e tenta ser justo. Só que ordena frotas de ataque saquear outros mundos onde os imperadores não se importam com a população, está envolvido em missões de ataque conjuntos planeados pela TASCA. É difícil não temer um homem com essas características. Por outro lado, ele não suportaria ver-me chorar, por isso não te vai expor a perigos desnecessários.
-Eu sou capitão da guarda pessoal dele!
-Portanto, ele também confia em ti e não tem interesse em trair essa confiança.
-Só que...eu sou substituível.
-Eu sei. Podemos sempre ir para o império do teu antigo mentor, o Tasqueiro BoinaVerde.
-O que é que tu farias lá?
-Com o meu curriculo, eu arranjo qualquer coisa.
-Sim, mas concubinato, agora... só para mim.
Solo agarra e beija Troy.