quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
III - A história de Óxinol
- parte II

por Matemaniaco

Alcão passou o projecto de Óxinol passou para as mãos de outros cientistas do centro, até que finalmente, ao fim de 21 horas alguém descobriu a causa da explosão da planta na holosala: nanovariações no fluxo de deutério. Não havia forma de corrigir isto com a tecnologia actual.
Aivota, por sua vez proibiu definitivamente a construcção de uma planta de fusão baseada nesta nova tecnologia, e exigiu que toda e qualquer nova forma de energia utilizada seja limpa e segura.
Óxinol confirmou a descoberta, e arquivou o esquema e toda a teoria da sua planta de fusão.
Alcão sugeriu-lhe vários outros projectos. Mas Óxinol rejeitou todos eles.
Estava desmotivado e não estava minimamente interessado em voltar a trabalhar no mundo científico.

-Vá lá Óxinol! Acontece!
-Eu demito-me. Vou dedicar-me à política. Quero fazer cair a imperatriz.
-Se não fosse ela a sugerir uma simulação estávamos a braços com um desastre ambiental e tu serias odiado por milhões.
-Não tem nada a ver com isso.
-Se isso vem a público a tua carreira política acaba.
-É algum tipo de chantagem?
-Não. Estou apenas a recordar-te que existe uma cópia dos nossos relatórios em todos os centros de pesquisas do nosso império, graças à nossa rede intergaláctica. Tira umas férias, e não penses em disparates.
Óxinol saiu e regressou à ilha de Sucellus.
Nos primeiros meses percebeu que a grande maioria das pessoas da ilha estava contente com o Império, e que se pudessem, as pessoas até votariam em massa em Tuga e na Imperatriz Aivota.
Mas lá conseguiu o seu grupo de descontentes.
Destes vamos destacar: Alinha, Omba, Erú e Apagaio, que foram nomeados vice-presidentes do grupo. Eles reuniam-se regularmente numa pequena localidade da ilha.
Óxinol: Se quisermos ver o império cair ainda nas vossas vidas vamos ter de mudar alguma coisa
Alinha:O segredo é dar cabo da imagem da imperatriz
Óxinol: Não tenham medo de recorrer a truques sujos. Aqui, os fins justificam os meios.
Erú: Os nossos truques sujos não podem ser públicos.
Apagaio: Alguma ideia?
Óxinol: Eu pensei numa coisa. Suponhamos que a imperatriz morre. Ela não tem herdeiros...
Omba: Espera, estás a propor um assassinato?
Óxinol: Um assassinato que ninguém suspeite que é assassinato, e que caso algo corra mal não dê para ser ligado a nós. Quero que pensem nisso.

Passados sete dias, Alinha apareceu com um plano.
AlinhaTodos os domingos, Aivota sai com os seus cem lobos...
Óxinol: Sim, vai ao templo do deus Sucellus.
Alinha: Um dos meus robots descobriu uma falha no sistema operativo que controla os satelites solares
Óxinol: Não brinques... eu fui o responsável pela criação e manutenção desse sistema durante dois anos e meio.
Alinha: Ainda bem que cometeste erros... A ideia é desviarmos os raios solares de um satélite e concentrarmos directamente em cima da imperatriz.
Omba: Ideia parva... Isso é detectável e a imperatriz será avisada a tempo.
AlinhaNão é... já foi feito antes. Lembras-te da história do turista que morreu de combustão instantânea?
Omba: Não?
Erú: há ano e meio, um turista ardeu completamente em segundos, à frente do grupo de turistas e da guia... no Polo Norte. Nunca encontraram uma explicação.Sobraram apenas cinzas...
AlinhaEra o meu ex. Posso fazer o mesmo à imperatriz. Assim que o trabalho estiver pronto, ponho o sistema a restaurar de um backup, e qualquer log da minha entrada deixa de existir.
Óxinol:  Brilhante. Agora só temos de maquinar a nossa entrada em cena para instaurar uma democracia...

Passaram várias horas a planear os detalhes, e o cenário repetiu-se nos dias seguintes.

Chegou-se ao Domingo do assassinato.
Apagaio estava a 100 metros do templo, e não podia se aproximar mais. Relatava o que via por telemóvel.
Alinha encontrava-se num cibercafé, disfarçada , com uma identidade falsa e a entrar no sistema informático imperial.
Oxinól estava no centro de pesquisas de Ria. Erú e Omba preparavam-se para marchar pela capital com dois exércitos de 10 000 robots cada, assim que tivessem confirmação da morte da imperatriz.

Aivota estava a menos de 20 metros do templo quando incendiou-se instantaneamente... e em segundos se viu reduzida a cinzas.
Apagaio confirmou a notícia a Óxinol, Omba e Erú. Alinha como combinado, activou o restauro de um backup, desligou-se da rede e levantou-se com um sorriso nos lábios.
Mas ao levantar-se tinha dois guardas imperiais por detrás.
-Alinha, está presa por crimes contra o império e por tentativa de assassinato da imperatriz Aivota.
Alinha não percebeu o que se passou mas manteve-se calada.

Omba preparava-se para sair do armanzém com os robots, quando todos lhe apontam as armas, o mesmo acontecendo com Erú.

Óxinol foi algemado por outro guarda que entrou no centro de pesquisas, à procura dele...
Alcão viu Óxinol a sair algemado e abanou negativamente a cabeça...

Apagaio, via os lobos a uivar, e diz:
"Computador, terminar a simulação"
A simulação é terminada, e Apagaio,  sai da holosala. Lá fora, estava a Imperatriz com um dos seus guardiões..
- Excelente trabalho agente Apagaio. Salvou a minha vida.
- Fiz apenas aquilo para que fui treinado. Que acontecerá aos criminosos?
- Quero-os exilados deste império...exceptuando a rapariga que acedeu aos satélites. Essa, quero-a presa por 10 anos, numa prisão de segurança máxima de um dos impérios com que temos boas relações. 

Nisto o guarda-costas Alo pergunta à imperatriz:
-Vossa magnificência acha isso cauteloso? Em qualquer outro império, a pena para tentativa de assassinato do imperador é... morte!
-Sim, mas eu não preciso disso. Acredito numa coisa chamada Karma!


No templo, a estátua do grande deus Sucellus modificou-se sem qualquer explicação. O deus agora sorria...

Dias depois... as naves que levavam os criminosos para fora do império desapareceram todas em anomalias espaciais.

A história foi transmitida a todos os impérios com boas relações com o da imperatriz Aivota.
E até aos dias de hoje, as plantas de fusão modificada estão proíbidas em todos os impérios da TASCA.




Agradecimentos nesta história:
mayNard e Aivota





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
III - A história de Óxinol
- parte I

Por Matemaníaco

Deve-se à imperatriz Aivota o império menos urbanizado, mais pacífico e mais procurado como destino turístico. É excepcionalmente popular entre casais em lua de mel, e casais com crianças entre os 3 e os 12 anos.
Seja como for, há um decreto imperial com um limite superior para o número de turistas admissível, para proteger a natureza.

Nos impérios vizinhos, todas as crianças conhecem lendas e contos de fadas que se passam naqueles planetas.

Óxinol Assarinho vivia na ilha de Sucellus no planeta Ria.
O nome da ilha era tão antigo que ninguém sabia a sua verdadeira origem. Circulava a lenda de que a ilha tinha recebido este nome de um antigo deus do vinho e da agricultura venerado pelos lusitanos na Terra original.
Sucellus era gerida por Tuga, um homem nomeado pela imperatriz, e que cumpria na integra as directrizes imperiais.
Óxinol era um investigador energético. Trabalhava no centro de pesquisas de Ria.
Não gostava do regime nem de Tuga, nem de viver no império menos urbanizado do universo.
Os congressos em que participou noutros planetas, apenas o ajudaram a reforçar as suas ideias.
Embora não conhecesse nenhuma democracia no universo, acreditava que o trono do império devia ser democraticamente ocupado, assim como todos os cargos importantes para o império!
Mesmo tendo a democracia falhado sempre em todas as épocas anteriores da história!

Os seus contributos nas pesquisas de energia permitiram ao império optimizar a utilização de recursos, e motivaram-no de tal forma que deixou de ter vida pessoal e dedicou-se exclusivamente ao seu trabalho.
Nos seus tempos livres começou a  investigar uma nova forma de fusão nuclear que se funcionasse, seria equivalente a uma planta de fusão nível 30 tradicional, mas que consumiria menos deutério que uma planta tradicional de nível 1.
Um dia submeteu a sua ideia no centro de pesquisas em Ria.
O director do centro olhou para a ideia com alguma suspeição, mas leu o estudo de Óxinol.
Dois dias depois, reuniu-se com ele.
- Senhor Assarinho, a sua ideia é interessante, mas levanta-nos um grave problema. Esta forma de fusão não é limpa. Deixa resíduos radioactivos e como sabe, isso é proibido por lei.
- Lei imposta por uma imperatriz que não foi escolhida por ninguém.
- Senhor Assarinho, não nos cabe a nós discutir o regime. Apenas cumprir o nosso dever e a lei. Seja como for, tendo em conta a poupança de espaço e a poupança energética que propõe, vou submeter a sua proposta à imperatriz.
- Obrigado director Alcão.
- E por favor, não volte a contestar as leis do império em instalações imperiais. Existem sítios próprios para isso.

Assim que Óxinol saíu, Alcão submeteu a proposta como sendo proposta do centro de pesquisas.
Duas semanas depois, Aivota lê a proposta, junto com uma recomendação do director Alcão.
Aivota recusava-se a aceitar qualquer forma de energia poluente, mas a ideia de poder poupar espaço e assim manter o império o mais natural possível também era aliciante, e decidiu partilhar a proposta por comunicadorcom o seu amigo e colega de aliança, o imperador Matemaníaco.
Mal começou a ler a proposta, Matemaníaco disse a Aivota:
-Os meus homens investigaram isto há anos. Além de libertar resíduos perigosos, este tipo de fusão não é estável. Basta um pequeno desvio no fluxo de deutério e a planta torna-se numa bomba nuclear.
-Mat, não estás a exagerar?
-Eu sugiro-te que vejas por ti própria. Pede aos teus homens uma simulação numa holosala.
-Obrigado Mat, até à próxima.
-De nada. Até à próxima.

Aivota chamou Alcão à sua casa.
Horas mais tarde, Alcão chegou.
-Muito boa tarde sua magnificência.
-Senhor Alcão, eu quero lhe pedir que simule esta central numa holosala. Eu quero visitar virtualmente esta planta de fusão.
-Sim, senhora. A simulação estará pronta dentro de dois dias.
-Obrigado senhor Alcão.

Dois dias depois, tal como prometido por Alcão, a simulação estava pronta.
Á porta da holosala, à espera da imperatriz, estavam Alcão e Óxinol.
- Senhor Assarinho, só o facto de a imperatriz pedir uma simulação já é muito bom sinal.
- Eu revi todos os parâmetros da simulação da fusão. A simulação comportar-se-á como uma planta real.

A imperatriz chegou acompanhada do seu fiel guarda-costas Alo.
-Meus senhores, vamos a isto?
Alcão abre a porta da holosala, e todos entram.
Era impressionante estar perante aquela planta em realidade virtual.
Óxinol foi o guia de visita da planta.
Tudo corria às mil maravilhas, até que de repente a planta virtual explode, terminando a simulação e deixando os 4 dentro de uma holosala desligada.
-Que se passou? - Perguntou Aivota.
-Não sei explicar - Respondeu Óxinol.
-Vamos investigar o que se passa. -disse Alcão.
-Meus senhores, não preciso de dizer-lhes que, enquanto não for possível uma simulação segura, eu não vou sequer considerar a ideia de construir uma planta destas.
Assim que Aivota saiu, Óxinol pôs mãos à obra e passou dois meses a trabalhar na simulação, a fazer e refazer cálculos e não conseguiu perceber o que é que correu mal.
Ao fim de dois meses foi ter com Alcão.
-Senhor Alcão, acho que o problema é estarmos a tentar simular. Isto tem de ser visto no mundo real.
-Está maluco? As simulações existem mesmo para evitar problemas no mundo real. Em que é que baseia a sua afirmação?
-No facto de todos os geradores recorrerem a valores pseudo-aleatórios e não a verdadeiramente aleatórios.
-Essa razão é estúpida. Um pseudo-aleatório, é para todos os efeitos, como se fosse aleatório!

A discussão continuou, com Óxinol a apresentar razões que eram sempre rejeitadas por Alcão.
-Óxinol, a sua planta não é segura. Descubra a razão, e só depois voltaremos a submeter uma simulação  à Imperatriz.

(Continua)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 10 )

por Matemaníaco
(Continua daqui)
Esta história com os robots incomoda-me! Eles destruíram o nosso caça, e reconstruiram-no. Tiraram-te das minhas nanites, e puseram-te nesse corpo espectacular, e só queriam conversar connosco? Não achas isto estranho?
– Capitão, é a primeira sociedade organizada de robots que eu conheço. Para eles, desactivar um máquina e reactivá-la é normal.
– Não estejas a simpatizar com eles só porque também és artificial.
– Eles fizeram-me upload de alguns ficheiros com a história de Robótica. Tiveram muitos dos mesmos problemas que vocês.
Algumas pessoas, às portas da morte foram convertidas em IAs e até hoje ainda são IAs. Naquela sociedade, muitos já foram humanos. Internamente, é assim que funcionam... nunca precisaram de destruir um dos deles.
– E a Esperança?
– Acho estranho. Por exemplo podem ter detectado que mais alguém estava a receber as mensagens deles e desligado os comunicadores.
– Consegues ligar-te a mim, como antes?
“Assim? Agora consigo!”- NIA e Lagrange podiam comunicar como que telepaticamente.
“Porquê só agora?”
“Não sei, mas parece-me que o problema estava nas tuas nanites. Voltas lá para dentro?”
“Sim, volto, mas preciso que saibas que eu acho isto muito estranho.”
Lagrange voltou a sentar-se ao lado de Gonzalez.
– Perdoe-me a ousadia... pode dizer-me de onde conhece aquela bomba?
– É classificado.
– Classificado por quem?
– Também é classificado.
O caça sobrevoou a cratera e aterrou numa pequena pista de aterragem a norte. Lá já estavam aterrados quatro cargueiros pequenos e dois caças ligeiros.
As portas abriram-se e saiu NIA, Lagrange e por fim Gonzalez.
Serguei e um conjunto de homens armados aproximou-se do cargueiro.
– Capitão Lagrange? Disseram-nos que este caça tinha sido destruído.
– E foi – Respondeu Gonzalez.
Lagrange estendeu a mão a Serguei e diz
– Dá cá um bacalhau.
Serguei aperta a mão de Lagrange e dá-se uma comunicação entre as nanites de ambos.
– Que diabos?
– Agora aperte a mão dela, e terá as respostas que quiser.
NIA estende a mão.
Serguei aperta-a e NIA mantem-na apertada por cerca de 32 segundos, enviando-lhe pelas nanites imagens de onde esteve, partes do seu log pessoal e alguns ficheiros com a história de Robótica.
– Capitão, que se está a passar?- perguntou Gonzalez
– NIA deve estar a contar-lhe o que nos aconteceu...
– Ela também tem nanites?
– Ela é um andróide bem sofisticado.
– Andróide? Como é que eu não percebi isso? Capitão, eu gostaria de ter uma “boneca insuflável” daquelas!
– Gonzalez, só te vou avisar uma vez: Se voltas a referir-te a ela desrespeitosamente vais ter problemas sérios comigo!
– Peço desculpa capitão.
Entretanto a comunicação acabou.
Serguei olhou NIA nos olhos e depois olhou para Lagrange.

– Mas que história mais marada!
– Concordo plenamente!– Respondeu Lagrange – Onde anda o resto da frota?
– Os restantes caças ainda não chegaram. Estão a seguir o protocolo.
– Em caso de perda de contacto com a Esperança, manter as comunicações apenas em modo de recepção, e vir para aqui, certo... acho que não devem ter percebido a parte de “vir para aqui” .
Serguei fez sinal e os homens baixaram as armas.
– Se a vossa base de dados estiver intacta, vocês têm a última posição conhecida da Esperança.
Vocês os dois, acompanhem-me. Ela que espere pela nossa equipe técnica.
– Que vão fazer-lhe?
– Não estás à espera que eu deixe uma androide que veio de um exercito de robots, que destruiu e reconstruiu um dos nossos caças e sabe-se lá como, consegue monitorizar as nossas comunicações e também sabe-se lá mais o quê, circular por aqui, estás?
– Eu sei mas... eu não consigo deixar de confiar nela!
– Capitão, se a equipa técnica não encontrar nada de errado com ela, talvez eu lhe devolva a boneca.
Voltando-se para um dos homens diz-lhe:
– Quero uma equipa de técnicos, de preferência mulheres a analisar aquela androide uma equipa só de humanos a analisar aquele caça, e uma equipa médica a fazer um check-up a estes dois com a máxima urgência!

(Continua)

sábado, 3 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
II - O culto ao deus may

por Matemaníaco
"O império de may" é um dos livros de maior sucesso em toda a TASCA.
Nele, o cronista Fernão Hopes relata a história da construcção do império e da corte do imperador mayNard.
No entanto "O império de may", não tem a importância  de "O Livro de may", provavelmente o livro religioso mais importante do universo 25.
De acordo com a introdução do livro pela evangelista Esclarecida, a revelação da divindade de may deu-se um dia, antes da abolição da roupa:
" O imperador passeava pela praia com duas das suas concubinas preferidas, quando é empurrado por um individuo que jogava à bola com outras meninas. O imperador cai sobre Esclarecida, que fazia topless.
Não reconhecendo o imperador, Esclarecida deu-lhe uma bofetada na cara e chamou-o de pervertido.
O imperador, não tolerou a bofetada e disse-lhe:
-Mas quem pensas tu que és? Para ti eu sou deus, e vais tratar-me como tal.
Esclarecida, pôs-se de joelhos e reconheceu may como seu deus, jurando espalhar a sua palavra por todo o universo se o imperador a poupasse!"

O imperador aceitou a proposta, mas acrescentou um dia de concubinato como condição para a salvação.
Assim foi. Esclarecida descreve no seu evangelho, esse dia como tendo sido o dia mais divino da sua vida, e após esse dia, faz um voto de castidade, para além de may, mais homem nenhum tocaria nela.

O livro conta com outros evangelhos de outras mulheres, que também foram iluminadas com revelações únicas e que são a inveja de praticamente todas as habitantes do universo.

Com as trocas comerciais e colonização de novos mundos, o culto ao deus may espalhou-se para além das fronteiras do império. chegando aos confins do universo.

Diariamente biliões de mulheres fazem o voto de castidade de Esclarecida, e rumam ao império de mayNard.

O próprio nome do imperador é visto como uma prova da sua divindade. Em todo o universo, o nome das pessoas começa com uma letra maiúscula.
may decidiu que o seu nome só teria uma maiúscula a meio do nome, e sendo ele deus, ninguém no universo se atreve a contradizê-lo.

De entre as biliões de mulheres, muito poucas passam os elevadíssimos e severíssimos critérios de selecção para concubinas do imperador.
Na sua eterna benevolência, may liberta do voto de castidade todas as que não passam nos critérios de selecção, que passam a ser conhecidas como "as rejeitadas por may".
Deste grupo, é grande a percentagem de fieis que muda a orientação sexual. Muitas tornam-se lésbicas ou bissexuais.
Entre o grupo das bissexuais já tem havido casos de repescagem pelo imperador.

Este culto cresceu tanto que ganhou o estatuto de religião intergaláctica, tornando o principal planeta do império no mais poderoso centro espiritual do universo, e ao mesmo tempo, o império de may no império com menos homens por metro quadrado.

A propagação desta fé continua a ser feita por grupos organizados, como as testemunhas de may, que têm o hábito regular de bater às portas ou enviar emails numa tentativa de converter as pessoas a esta fé.

Por entre os homens a fé só tem conseguido se espalhar entre a comunidade gay, mas até hoje may nunca teve um gay no seu harém, motivo pelo qual já houveram manifestações e até batalhas no espaço.

Aos homens que servem bem o imperador em batalha, é frequente o império dar-lhes acesso a uma "rejeitada" que tenha sido rejeitada por pouco.

Nesta religião as noções de paraíso ou inferno também existem e só não serão aqui descritas porque este texto não é apenas para maiores de 18 anos

Por agora ficaremos por aqui, lembrando que esta é apenas uma das muitas Histórias dos Impérios da TASCA.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 9 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)


Log pessoal da andróide NIA. Terceiro dia do terceiro mês do ano 1
         Ajustar-me a um corpo andróide não foi fácil. Fizeram-me um upgrade para que eu conseguisse aceder a todas as potencialidades e sensores deste corpo. Tarefas simples que aos humanos levam imenso tempo a aprender, como falar, andar e comer foram-me transmitidas quase instantaneamente.
As facilidades acabaram aí.
Ninguém me fez um upload de um programa que me ensinasse a vestir-me ou a despir-me.
Quando finalmente a enfermeira S0N14-X3 e o auxiliar P3
me arranjaram roupas, levei cerca de uma hora a descobrir como me meter correctamente nelas.
Pelas 14horas fui apresentada ao andróide que transplantou-me das nanites para este corpo.
Curiosamente é também um modelo muito metálico.
Não vi nenhum androide como eu. Isto é, um modelo que seja indistinguível dos seres humanos a olho nu.
Disse-me que era um crime ter uma IA avançada como eu em nanites quando há aqui protoformes que precisam de IAs. 
No princípio não acreditei na conversa dele.
Foi a primeira vez que desconfiei de um robot.
Mostraram-me à cidade deles, Robótica.
Percebi que é uma sociedade de robots sem a capacidade de se reproduzir ou mesmo criar novas IAs. A sociedade foi fundada há cerca de um milhar de anos.
Tal como nós, vieram em explorações espaciais oriundas de todo o universo onde
se passou algo anormal.
Muito dos seres biológicos que vieram com eles falec
eram lá em cima nos choques entre naves e nos choques com destroços. Os robots, repararam-se uns aos outros. Com o passar do tempo, vieram outras explorações.
Algumas vindas de impérios mais bélicos bombardearam a cidade.
Os robots enviaram recicladores lá acima e com o material reciclado evoluiram as suas defesas, e desenvolveram algo nunca visto no nosso universo: Camuflagem.
Uma tecnologia que torna este sector invisível a qualquer sonda vinda de quase todas as épocas, e milhares de lançadores de misseis para quando essa tecnologia falhasse.
Ao fim da tarde, pelas 20h02 min, encontrei-me com David e com o cabo Gonzalez no que parecia ser um hospital improvisado.
Ambos olharam-me de forma estranha. David correu para mim e abraçou-me.
A frequência cardíaca
dele estava superior à que eu me lembrava.
 A pressão arterial também.
Notei que continuo a poder monitorizar e até a controlar as nanites, mesmo estando fora do corpo dele.Detectei que os protocolos de comunicação das nanites foram apagados.Pouco depois chegou lá um dos líderes de robótica, B055.
Pediu-nos desculpa pela destruição do caça, informou-nos que foi reparado que estava pronto a partir, e que há já algum tempo que monitorizava as nossas comunicações.
Em particular, disse-nos que há várias horas que não haviam comunicações entre o planeta e a nave Esperança.
Notei que David não tirou os olhos de cima de mim.
B055 disse que querem ajudar-nos a construir o império em troca da partilha de conhecimento obtida nos nossos laboratórios de pesquisa, e pediu-nos para sermos os embaixadores deles.
A mim pessoalmente, foi-me oferecido um lugar na sua sociedade.
Agradeci o meu novo corpo andróide, e disse que ia pensar no assunto.
Jantámos todos juntos e pelas 24horas, deixaram-nos partir no nosso caça em direcção ao sector 0-0.
Os nossos sensores não detectaram absolutamente nada no sítio onde estava a cidade.

Caça pesado EFAS-43243
24horas 12 minutos


Lagrange saiu do cockpit e foi ter com NIA. Sentou-se à frente dela.
NIA, eu ainda não sei o que dizer disto tudo.
Passaste o tempo todo a olhar-me.
Não consigo evitar.
O cabo Gonzalez consegue.
O cabo Gonzalez deve ser gay.
Olhe que eu ouvi isso! - Respondeu Gonzalez no cockpit! Sou muito hetero. Só aprendi a não me meter com os engates dos meus superiores.
Lagrange fechou a porta.
NIA ri
u-se.
Nunca te tinha visto a rir.
Não tenho direito a ter um sentido de humor?
Sim, tens. Peço desculpa se fui incómodo lá em Robótica.
Deixa estar. Até achei fofo. Podes tentar ser mais discreto.
Podes já não estar na minha mente, mas nunca saíste dela.
Eu também estava preocupada com vocês. E também estou preocupada com a nave Esperança.
Não estou a falar disso.
Fica-te muito bem estares preocupado comigo. Só que não é a altura indicada. Eu estou bem David, a sério!
Essa pressão arterial alta em ti está a incomodar-me.

(Continua)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 8 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

Estes tipos não brincam em serviço. Deram cabo do caça sem nos matar. Desarmaram-nos, extraíram qualquer coisa das minhas nanites, não consigo estabelecer nanocomunicação com lado nenhum e não consigo me levantar. Eles querem qualquer coisa de nós... Mas não nos estão a dar o tratamento típico de prisioneiros.
Pode ser o tratamento típico do futuro!
Pode até ser Gonzalez, mas eu sugiro que esperemos para ver.
Como é que pode estar tão calmo nesta situação?
Lembre-se do seu treino. Permanecer calmo para conseguir pensar. Você já é cabo. Comporte-se como tal.

Peço desculpa capitão. Nunca estive nesta situação.
Olhe, eu precisei de urinar e o meu uniforme não processou a urina, portanto eu estou numa situação pior!


Planeta Cronos, Tenda da sábia
12H02min
A sábia estava a fechar um negócio de compra de nanites quando o seu comunicador começou a tocar insistentemente.
Desculpe-me!
Spectrum, atende isso! Gritou a sábia.
Bem sei que isto são nanites nível 1 e já com alguma idade, mas não pode mesmo subir a oferta?
Amigo, já andamos nisto há quanto tempo? Sabes que não vou dar mais.
Aqui não há fábricas de nanites, ainda vai chegar o dia em que vou ser eu a ditar os preços.
Quando esse dia chegar, falamos. Como de costume, recebes o pagamento após a entrega, no sítio do costume. Até à próxima!
Até a próxima.
O homenzinho saiu, e logo depois chega Spectrum ao pé dela:
Maria, tens mesmo de ir ao comunicador. É o agente PéNaCov.
A sabia dirige-se ao comunicador
.
Que se passa Serguei?
Não há qualquer comunicação com a Esperança desde pelo menos as 25h de ontem.
Já passaram 13 horas. Suponho que não saibas a posição da nave nessa altura.
A posição da nave é sempre desconhecida.
Tu és um homem da TIA, sabes sempre mais do que aquilo que dizes. Diz lá o que queres e não me faças perder tempo.
Olha só quem fala. Tu também sabes sempre muito mais do que dizes e também sei que já trabalhaste para a TIA. O que eu quero é informação!
Que tipo de informação?
Sei que tens na tua base de dados um blog com cerca de dez mil anos, com o sugestivo título “A TASCA no Unverso 25”. Quero pedir-te acesso a ele.
Eu não sei onde foste buscar esse disparate, mas eu se fosse a ti mandava uma equipa investigar um caça que foi abatido no sector 45-12.
 Obrigado, e pensa seriamente em partilhar esse blog a bem porque não quero chatices contigo.
Não há blog nenhum!
Sim, claro que não... A comunicação terminou.
Spectrum anda já aqui, que preciso de ver uma coisa.
Sim sábia. Que se passa?
Eu suspeito que estás infectado com um trojan da TIA. Desliga-te.
Mas e as minhas tarefas?
Tratas delas depois.
Spectrum desligou-se, e a sábia saiu.


Planeta Cronos, sede da agência de informações. Localização desconhecida
12H15min

Serguei está reunido numa pequena sala, sentado à mesa com uma equipa de dois homens, três mulheres e 2 robots.

Um caça foi abatido no sector 45-12. Como estamos sem comunicações com a Esperança não temos mais detalhes. Não vão mandar mais caças para saber o que se passou. Portanto vocês são a equipa escolhida para investigar o que se passou, e trazer os sobreviventes se os houver.
Sector 45-12? Existe algum portal de salto terrestre por perto? Perguntou um dos homens.
Não. O mais perto está a mais de 100 km respondeu um dos robots.
Não podemos usar transportes voadores nem portais de salto. Vai ser mais uma daquelas...Exactamente o que estás a pensar Laura. Vocês os 7 foram escolhidos pela vossa excepcional capacidade de improviso. Elaborem um plano, apresentem-mo, e preparem-se para executá-lo.Serguei sai da sala, e estava um outro agente à espera à porta.
Segue-me. Preciso que me faças uma cópia de uma base de dados que está nas mãos de uma mulher. Mas que seja feita sem ninguém dar por isso.
Que tipo de base de dados?
Eu não sei, mas suponho que seja uma base antiga num formato ultrapassado.
Estou a ver. Quem é essa ex-agente?
A sábia.