segunda-feira, 12 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 11 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

NIA deixa-os analisar o que quiserem, mas não os deixes abusar de ti.”
“Obrigado pela tua preocupação. Eu sei cuidar de mim.”

Lagrange e Gonzalez foram para levados para uma tenda médica.
NIA, foi levada a um grupo de peritos em tecnologias.
Serguei entra numa tenda e senta-se à frente de um comunicador, pressiona algumas teclas e diz:
– Missão cancelada, Laura! Temos novas informações.
A passagem de Gonzalez pelo gabinete médico foi relativamente rápida.
A de Lagrange foi muito mais demorada.
O corpo de Lagrange já tinha passado por muito, e ter nanites mais evoluídas e sofisticadas do que as usadas no centro não ajudou em nada. Lagrange foi proibido de se aproximar das naves da frota e de qualquer soldado sob a pena de ser abatido.
Quando perguntou por NIA, responderam-lhe que o assunto não lhe dizia respeito.
Lagrange saiu da tenda médica.
Á sua espera estava Gonzalez.
– Estou proibido de me aproximar de si cabo.
– Mas eu não estou proibido de me aproximar de si.
– Não brinque. É em mim que vão dar um tiro.
– Encontraram alguma coisa de anormal em si?
– Eles não conseguem perceber as nanites que tenho no meu corpo, por via das dúvidas, proibiram-me o acesso a instalações não civís.
– Tem essas nanites há muito tempo?
– O que é que isso interessa?
– Se puder comparar o estado das nanites agora com os do registo de uma manutenção anterior...
– Sim, eu já pensei em contactar uma pessoa... mas porque é que está aqui meu rapaz?
– O Sr PéNaCov suspeitou que a sua avaliação fosse essa, e mandou-me acompanhá-lo onde quer que fosse para fazer um check-up às suas nanites.
– Não teme que eu vos aldrabe?
– Palavras dele: “O homem é um patriota, não vai querer por nenhum de nós em perigo.”
– Sim, eu sou um patriota, mas por cá não há nada a que eu chame pátria...
– E então? Para onde vamos?
– Espere. Preciso de fazer umas nanocomunicações primeiro.
Lagrange fechou os olhos.
“NIA. Estejas onde estiveres... consegues contactar-me?”
Esperou dez segundos, Voltou a abrir os olhos e olhou para Gonzalez.
– Viu a NIA?
– A sua boneca? Não senhor, não a vi, nem sei nada dela.
– Independentemente do que ela é, trate-a como uma pessoa. Ela não é “a minha boneca”. É minha amiga.
– Sim senhor.

Lagrange olhou para o poeirento chão, e tentou contactar outra pessoa.
“Chamar Glorie Lagrange Boavida”
Lagrange aguardou dois segundos.
“Sim? Que se passa?”
“Preciso que me faças um check-up a mim e às minhas nanites”
“Porque é que a NIA não te faz isso? Voltaste a meter-te com ela?”
“Não. Não me peças detalhes, extraíram a NIA das nanites.”
“O quê? Como te fizeram isso?”
“Eu tenho aqui um soldado à minha espera, não posso dar-te detalhes.”
“Vai ter com a sábia. Eu passo por lá mais tarde.”
“Como vai a enfermeira Natália?”
“Se bem me lembro, ela deu-te o seu nanocontacto e nunca lhe ligaste... Mas estou a gostar de ver! Sem NIA nas nanites, o menino já pensa noutras mulheres.”
“Não é nada disso! Manda-lhe cumprimentos meus e diz-lhe que peço desculpa...
“Diz-lhe tu isso! Até logo.“

Glorie desligou.
Lagrange levantou a cabeça e olhou para Gonzalez.
– Pelo seu ar, esteve a falar com uma mulher.
– Família...
– Tem família aqui? Quem?
– Por favor, não comente ninguém... e não é da sua conta.
– A sua esposa?

Lagrange olha para Gonzalez com os olhos semi-cerrados
– Peço desculpa, não é da minha conta.
Para onde vamos então?
– Para a tenda da sábia.
– Eu não sei onde é...
– Não faz mal. Eu sei! Siga-me, mas mantenha uma certa distancia.

Quando chegaram, a sábia estava deitada, inconsciente no chão.
Lagrange chamou Spectrum, que não respondeu, e via nanocomunicação, chamou Natália.
“Olá senhor Lagrange! Que bom ter notícias suas!”
“Olá, peço desculpa por não ter ligado antes,...Eu preciso de falar contigo. Mas neste momento estamos com um problema urgente. Estou na tenda da sábia. Encontrámos a sábia inconsciente no chão!”
“Há uma tenda médica aí na cratera, eu vou ligar-lhes.”
“Acabei de ter um episódio com eles... Por favor vem tu, e traz a Glorie.”
“Senhor Lagrange, isso não pode ser assim! Eu e a Dra Boavida temos pacientes aqui.”
“Diz a Glorie! Ela que decida!”

Em pouco menos de 15 minutos Glorie e Natália chegaram à tenda.
Glorie esteve a ver a sábia. Apertou-lhe a mão, e pediu a Gonzalez e a Lagrange ajuda para a deitarem numa cama.
Assim que deitaram a sábia, Glorie pediu a todos que saíssem do quarto da sabia.
Ainda dentro da tenda mas noutra divisão, Gonzalez olhava para Natália.
– Gonzalez, dás-nos licença? Podes ir lá fora um bocadinho?
– Lá para fora?
– Sim, o tecido é à prova de som...


(Continua)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Resoluções...

Como As aventuras de Capitão Lagrange só têm 4 votos ali na sondagem que ainda está a decorrer, passará a ter apenas um ou dois episódios ("longos") por semana, e terá um separador com resumo mensal aqui no blog.

As Histórias dos Impérios da TASCA-Volume 1, terão direito a publicações sempre que houver histórias. E, como viram, tratarão muitas vezes de assuntos e personagens que passam, já passaram ou vão passar n"as aventuras de Capitão Lagrange".
Já agora, posso adiantar que a próxima história chamar-se-à "O homem da TIA".



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
III - A história de Óxinol
- parte II

por Matemaniaco

Alcão passou o projecto de Óxinol passou para as mãos de outros cientistas do centro, até que finalmente, ao fim de 21 horas alguém descobriu a causa da explosão da planta na holosala: nanovariações no fluxo de deutério. Não havia forma de corrigir isto com a tecnologia actual.
Aivota, por sua vez proibiu definitivamente a construcção de uma planta de fusão baseada nesta nova tecnologia, e exigiu que toda e qualquer nova forma de energia utilizada seja limpa e segura.
Óxinol confirmou a descoberta, e arquivou o esquema e toda a teoria da sua planta de fusão.
Alcão sugeriu-lhe vários outros projectos. Mas Óxinol rejeitou todos eles.
Estava desmotivado e não estava minimamente interessado em voltar a trabalhar no mundo científico.

-Vá lá Óxinol! Acontece!
-Eu demito-me. Vou dedicar-me à política. Quero fazer cair a imperatriz.
-Se não fosse ela a sugerir uma simulação estávamos a braços com um desastre ambiental e tu serias odiado por milhões.
-Não tem nada a ver com isso.
-Se isso vem a público a tua carreira política acaba.
-É algum tipo de chantagem?
-Não. Estou apenas a recordar-te que existe uma cópia dos nossos relatórios em todos os centros de pesquisas do nosso império, graças à nossa rede intergaláctica. Tira umas férias, e não penses em disparates.
Óxinol saiu e regressou à ilha de Sucellus.
Nos primeiros meses percebeu que a grande maioria das pessoas da ilha estava contente com o Império, e que se pudessem, as pessoas até votariam em massa em Tuga e na Imperatriz Aivota.
Mas lá conseguiu o seu grupo de descontentes.
Destes vamos destacar: Alinha, Omba, Erú e Apagaio, que foram nomeados vice-presidentes do grupo. Eles reuniam-se regularmente numa pequena localidade da ilha.
Óxinol: Se quisermos ver o império cair ainda nas vossas vidas vamos ter de mudar alguma coisa
Alinha:O segredo é dar cabo da imagem da imperatriz
Óxinol: Não tenham medo de recorrer a truques sujos. Aqui, os fins justificam os meios.
Erú: Os nossos truques sujos não podem ser públicos.
Apagaio: Alguma ideia?
Óxinol: Eu pensei numa coisa. Suponhamos que a imperatriz morre. Ela não tem herdeiros...
Omba: Espera, estás a propor um assassinato?
Óxinol: Um assassinato que ninguém suspeite que é assassinato, e que caso algo corra mal não dê para ser ligado a nós. Quero que pensem nisso.

Passados sete dias, Alinha apareceu com um plano.
AlinhaTodos os domingos, Aivota sai com os seus cem lobos...
Óxinol: Sim, vai ao templo do deus Sucellus.
Alinha: Um dos meus robots descobriu uma falha no sistema operativo que controla os satelites solares
Óxinol: Não brinques... eu fui o responsável pela criação e manutenção desse sistema durante dois anos e meio.
Alinha: Ainda bem que cometeste erros... A ideia é desviarmos os raios solares de um satélite e concentrarmos directamente em cima da imperatriz.
Omba: Ideia parva... Isso é detectável e a imperatriz será avisada a tempo.
AlinhaNão é... já foi feito antes. Lembras-te da história do turista que morreu de combustão instantânea?
Omba: Não?
Erú: há ano e meio, um turista ardeu completamente em segundos, à frente do grupo de turistas e da guia... no Polo Norte. Nunca encontraram uma explicação.Sobraram apenas cinzas...
AlinhaEra o meu ex. Posso fazer o mesmo à imperatriz. Assim que o trabalho estiver pronto, ponho o sistema a restaurar de um backup, e qualquer log da minha entrada deixa de existir.
Óxinol:  Brilhante. Agora só temos de maquinar a nossa entrada em cena para instaurar uma democracia...

Passaram várias horas a planear os detalhes, e o cenário repetiu-se nos dias seguintes.

Chegou-se ao Domingo do assassinato.
Apagaio estava a 100 metros do templo, e não podia se aproximar mais. Relatava o que via por telemóvel.
Alinha encontrava-se num cibercafé, disfarçada , com uma identidade falsa e a entrar no sistema informático imperial.
Oxinól estava no centro de pesquisas de Ria. Erú e Omba preparavam-se para marchar pela capital com dois exércitos de 10 000 robots cada, assim que tivessem confirmação da morte da imperatriz.

Aivota estava a menos de 20 metros do templo quando incendiou-se instantaneamente... e em segundos se viu reduzida a cinzas.
Apagaio confirmou a notícia a Óxinol, Omba e Erú. Alinha como combinado, activou o restauro de um backup, desligou-se da rede e levantou-se com um sorriso nos lábios.
Mas ao levantar-se tinha dois guardas imperiais por detrás.
-Alinha, está presa por crimes contra o império e por tentativa de assassinato da imperatriz Aivota.
Alinha não percebeu o que se passou mas manteve-se calada.

Omba preparava-se para sair do armanzém com os robots, quando todos lhe apontam as armas, o mesmo acontecendo com Erú.

Óxinol foi algemado por outro guarda que entrou no centro de pesquisas, à procura dele...
Alcão viu Óxinol a sair algemado e abanou negativamente a cabeça...

Apagaio, via os lobos a uivar, e diz:
"Computador, terminar a simulação"
A simulação é terminada, e Apagaio,  sai da holosala. Lá fora, estava a Imperatriz com um dos seus guardiões..
- Excelente trabalho agente Apagaio. Salvou a minha vida.
- Fiz apenas aquilo para que fui treinado. Que acontecerá aos criminosos?
- Quero-os exilados deste império...exceptuando a rapariga que acedeu aos satélites. Essa, quero-a presa por 10 anos, numa prisão de segurança máxima de um dos impérios com que temos boas relações. 

Nisto o guarda-costas Alo pergunta à imperatriz:
-Vossa magnificência acha isso cauteloso? Em qualquer outro império, a pena para tentativa de assassinato do imperador é... morte!
-Sim, mas eu não preciso disso. Acredito numa coisa chamada Karma!


No templo, a estátua do grande deus Sucellus modificou-se sem qualquer explicação. O deus agora sorria...

Dias depois... as naves que levavam os criminosos para fora do império desapareceram todas em anomalias espaciais.

A história foi transmitida a todos os impérios com boas relações com o da imperatriz Aivota.
E até aos dias de hoje, as plantas de fusão modificada estão proíbidas em todos os impérios da TASCA.




Agradecimentos nesta história:
mayNard e Aivota





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
III - A história de Óxinol
- parte I

Por Matemaníaco

Deve-se à imperatriz Aivota o império menos urbanizado, mais pacífico e mais procurado como destino turístico. É excepcionalmente popular entre casais em lua de mel, e casais com crianças entre os 3 e os 12 anos.
Seja como for, há um decreto imperial com um limite superior para o número de turistas admissível, para proteger a natureza.

Nos impérios vizinhos, todas as crianças conhecem lendas e contos de fadas que se passam naqueles planetas.

Óxinol Assarinho vivia na ilha de Sucellus no planeta Ria.
O nome da ilha era tão antigo que ninguém sabia a sua verdadeira origem. Circulava a lenda de que a ilha tinha recebido este nome de um antigo deus do vinho e da agricultura venerado pelos lusitanos na Terra original.
Sucellus era gerida por Tuga, um homem nomeado pela imperatriz, e que cumpria na integra as directrizes imperiais.
Óxinol era um investigador energético. Trabalhava no centro de pesquisas de Ria.
Não gostava do regime nem de Tuga, nem de viver no império menos urbanizado do universo.
Os congressos em que participou noutros planetas, apenas o ajudaram a reforçar as suas ideias.
Embora não conhecesse nenhuma democracia no universo, acreditava que o trono do império devia ser democraticamente ocupado, assim como todos os cargos importantes para o império!
Mesmo tendo a democracia falhado sempre em todas as épocas anteriores da história!

Os seus contributos nas pesquisas de energia permitiram ao império optimizar a utilização de recursos, e motivaram-no de tal forma que deixou de ter vida pessoal e dedicou-se exclusivamente ao seu trabalho.
Nos seus tempos livres começou a  investigar uma nova forma de fusão nuclear que se funcionasse, seria equivalente a uma planta de fusão nível 30 tradicional, mas que consumiria menos deutério que uma planta tradicional de nível 1.
Um dia submeteu a sua ideia no centro de pesquisas em Ria.
O director do centro olhou para a ideia com alguma suspeição, mas leu o estudo de Óxinol.
Dois dias depois, reuniu-se com ele.
- Senhor Assarinho, a sua ideia é interessante, mas levanta-nos um grave problema. Esta forma de fusão não é limpa. Deixa resíduos radioactivos e como sabe, isso é proibido por lei.
- Lei imposta por uma imperatriz que não foi escolhida por ninguém.
- Senhor Assarinho, não nos cabe a nós discutir o regime. Apenas cumprir o nosso dever e a lei. Seja como for, tendo em conta a poupança de espaço e a poupança energética que propõe, vou submeter a sua proposta à imperatriz.
- Obrigado director Alcão.
- E por favor, não volte a contestar as leis do império em instalações imperiais. Existem sítios próprios para isso.

Assim que Óxinol saíu, Alcão submeteu a proposta como sendo proposta do centro de pesquisas.
Duas semanas depois, Aivota lê a proposta, junto com uma recomendação do director Alcão.
Aivota recusava-se a aceitar qualquer forma de energia poluente, mas a ideia de poder poupar espaço e assim manter o império o mais natural possível também era aliciante, e decidiu partilhar a proposta por comunicadorcom o seu amigo e colega de aliança, o imperador Matemaníaco.
Mal começou a ler a proposta, Matemaníaco disse a Aivota:
-Os meus homens investigaram isto há anos. Além de libertar resíduos perigosos, este tipo de fusão não é estável. Basta um pequeno desvio no fluxo de deutério e a planta torna-se numa bomba nuclear.
-Mat, não estás a exagerar?
-Eu sugiro-te que vejas por ti própria. Pede aos teus homens uma simulação numa holosala.
-Obrigado Mat, até à próxima.
-De nada. Até à próxima.

Aivota chamou Alcão à sua casa.
Horas mais tarde, Alcão chegou.
-Muito boa tarde sua magnificência.
-Senhor Alcão, eu quero lhe pedir que simule esta central numa holosala. Eu quero visitar virtualmente esta planta de fusão.
-Sim, senhora. A simulação estará pronta dentro de dois dias.
-Obrigado senhor Alcão.

Dois dias depois, tal como prometido por Alcão, a simulação estava pronta.
Á porta da holosala, à espera da imperatriz, estavam Alcão e Óxinol.
- Senhor Assarinho, só o facto de a imperatriz pedir uma simulação já é muito bom sinal.
- Eu revi todos os parâmetros da simulação da fusão. A simulação comportar-se-á como uma planta real.

A imperatriz chegou acompanhada do seu fiel guarda-costas Alo.
-Meus senhores, vamos a isto?
Alcão abre a porta da holosala, e todos entram.
Era impressionante estar perante aquela planta em realidade virtual.
Óxinol foi o guia de visita da planta.
Tudo corria às mil maravilhas, até que de repente a planta virtual explode, terminando a simulação e deixando os 4 dentro de uma holosala desligada.
-Que se passou? - Perguntou Aivota.
-Não sei explicar - Respondeu Óxinol.
-Vamos investigar o que se passa. -disse Alcão.
-Meus senhores, não preciso de dizer-lhes que, enquanto não for possível uma simulação segura, eu não vou sequer considerar a ideia de construir uma planta destas.
Assim que Aivota saiu, Óxinol pôs mãos à obra e passou dois meses a trabalhar na simulação, a fazer e refazer cálculos e não conseguiu perceber o que é que correu mal.
Ao fim de dois meses foi ter com Alcão.
-Senhor Alcão, acho que o problema é estarmos a tentar simular. Isto tem de ser visto no mundo real.
-Está maluco? As simulações existem mesmo para evitar problemas no mundo real. Em que é que baseia a sua afirmação?
-No facto de todos os geradores recorrerem a valores pseudo-aleatórios e não a verdadeiramente aleatórios.
-Essa razão é estúpida. Um pseudo-aleatório, é para todos os efeitos, como se fosse aleatório!

A discussão continuou, com Óxinol a apresentar razões que eram sempre rejeitadas por Alcão.
-Óxinol, a sua planta não é segura. Descubra a razão, e só depois voltaremos a submeter uma simulação  à Imperatriz.

(Continua)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 10 )

por Matemaníaco
(Continua daqui)
Esta história com os robots incomoda-me! Eles destruíram o nosso caça, e reconstruiram-no. Tiraram-te das minhas nanites, e puseram-te nesse corpo espectacular, e só queriam conversar connosco? Não achas isto estranho?
– Capitão, é a primeira sociedade organizada de robots que eu conheço. Para eles, desactivar um máquina e reactivá-la é normal.
– Não estejas a simpatizar com eles só porque também és artificial.
– Eles fizeram-me upload de alguns ficheiros com a história de Robótica. Tiveram muitos dos mesmos problemas que vocês.
Algumas pessoas, às portas da morte foram convertidas em IAs e até hoje ainda são IAs. Naquela sociedade, muitos já foram humanos. Internamente, é assim que funcionam... nunca precisaram de destruir um dos deles.
– E a Esperança?
– Acho estranho. Por exemplo podem ter detectado que mais alguém estava a receber as mensagens deles e desligado os comunicadores.
– Consegues ligar-te a mim, como antes?
“Assim? Agora consigo!”- NIA e Lagrange podiam comunicar como que telepaticamente.
“Porquê só agora?”
“Não sei, mas parece-me que o problema estava nas tuas nanites. Voltas lá para dentro?”
“Sim, volto, mas preciso que saibas que eu acho isto muito estranho.”
Lagrange voltou a sentar-se ao lado de Gonzalez.
– Perdoe-me a ousadia... pode dizer-me de onde conhece aquela bomba?
– É classificado.
– Classificado por quem?
– Também é classificado.
O caça sobrevoou a cratera e aterrou numa pequena pista de aterragem a norte. Lá já estavam aterrados quatro cargueiros pequenos e dois caças ligeiros.
As portas abriram-se e saiu NIA, Lagrange e por fim Gonzalez.
Serguei e um conjunto de homens armados aproximou-se do cargueiro.
– Capitão Lagrange? Disseram-nos que este caça tinha sido destruído.
– E foi – Respondeu Gonzalez.
Lagrange estendeu a mão a Serguei e diz
– Dá cá um bacalhau.
Serguei aperta a mão de Lagrange e dá-se uma comunicação entre as nanites de ambos.
– Que diabos?
– Agora aperte a mão dela, e terá as respostas que quiser.
NIA estende a mão.
Serguei aperta-a e NIA mantem-na apertada por cerca de 32 segundos, enviando-lhe pelas nanites imagens de onde esteve, partes do seu log pessoal e alguns ficheiros com a história de Robótica.
– Capitão, que se está a passar?- perguntou Gonzalez
– NIA deve estar a contar-lhe o que nos aconteceu...
– Ela também tem nanites?
– Ela é um andróide bem sofisticado.
– Andróide? Como é que eu não percebi isso? Capitão, eu gostaria de ter uma “boneca insuflável” daquelas!
– Gonzalez, só te vou avisar uma vez: Se voltas a referir-te a ela desrespeitosamente vais ter problemas sérios comigo!
– Peço desculpa capitão.
Entretanto a comunicação acabou.
Serguei olhou NIA nos olhos e depois olhou para Lagrange.

– Mas que história mais marada!
– Concordo plenamente!– Respondeu Lagrange – Onde anda o resto da frota?
– Os restantes caças ainda não chegaram. Estão a seguir o protocolo.
– Em caso de perda de contacto com a Esperança, manter as comunicações apenas em modo de recepção, e vir para aqui, certo... acho que não devem ter percebido a parte de “vir para aqui” .
Serguei fez sinal e os homens baixaram as armas.
– Se a vossa base de dados estiver intacta, vocês têm a última posição conhecida da Esperança.
Vocês os dois, acompanhem-me. Ela que espere pela nossa equipe técnica.
– Que vão fazer-lhe?
– Não estás à espera que eu deixe uma androide que veio de um exercito de robots, que destruiu e reconstruiu um dos nossos caças e sabe-se lá como, consegue monitorizar as nossas comunicações e também sabe-se lá mais o quê, circular por aqui, estás?
– Eu sei mas... eu não consigo deixar de confiar nela!
– Capitão, se a equipa técnica não encontrar nada de errado com ela, talvez eu lhe devolva a boneca.
Voltando-se para um dos homens diz-lhe:
– Quero uma equipa de técnicos, de preferência mulheres a analisar aquela androide uma equipa só de humanos a analisar aquele caça, e uma equipa médica a fazer um check-up a estes dois com a máxima urgência!

(Continua)

sábado, 3 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
II - O culto ao deus may

por Matemaníaco
"O império de may" é um dos livros de maior sucesso em toda a TASCA.
Nele, o cronista Fernão Hopes relata a história da construcção do império e da corte do imperador mayNard.
No entanto "O império de may", não tem a importância  de "O Livro de may", provavelmente o livro religioso mais importante do universo 25.
De acordo com a introdução do livro pela evangelista Esclarecida, a revelação da divindade de may deu-se um dia, antes da abolição da roupa:
" O imperador passeava pela praia com duas das suas concubinas preferidas, quando é empurrado por um individuo que jogava à bola com outras meninas. O imperador cai sobre Esclarecida, que fazia topless.
Não reconhecendo o imperador, Esclarecida deu-lhe uma bofetada na cara e chamou-o de pervertido.
O imperador, não tolerou a bofetada e disse-lhe:
-Mas quem pensas tu que és? Para ti eu sou deus, e vais tratar-me como tal.
Esclarecida, pôs-se de joelhos e reconheceu may como seu deus, jurando espalhar a sua palavra por todo o universo se o imperador a poupasse!"

O imperador aceitou a proposta, mas acrescentou um dia de concubinato como condição para a salvação.
Assim foi. Esclarecida descreve no seu evangelho, esse dia como tendo sido o dia mais divino da sua vida, e após esse dia, faz um voto de castidade, para além de may, mais homem nenhum tocaria nela.

O livro conta com outros evangelhos de outras mulheres, que também foram iluminadas com revelações únicas e que são a inveja de praticamente todas as habitantes do universo.

Com as trocas comerciais e colonização de novos mundos, o culto ao deus may espalhou-se para além das fronteiras do império. chegando aos confins do universo.

Diariamente biliões de mulheres fazem o voto de castidade de Esclarecida, e rumam ao império de mayNard.

O próprio nome do imperador é visto como uma prova da sua divindade. Em todo o universo, o nome das pessoas começa com uma letra maiúscula.
may decidiu que o seu nome só teria uma maiúscula a meio do nome, e sendo ele deus, ninguém no universo se atreve a contradizê-lo.

De entre as biliões de mulheres, muito poucas passam os elevadíssimos e severíssimos critérios de selecção para concubinas do imperador.
Na sua eterna benevolência, may liberta do voto de castidade todas as que não passam nos critérios de selecção, que passam a ser conhecidas como "as rejeitadas por may".
Deste grupo, é grande a percentagem de fieis que muda a orientação sexual. Muitas tornam-se lésbicas ou bissexuais.
Entre o grupo das bissexuais já tem havido casos de repescagem pelo imperador.

Este culto cresceu tanto que ganhou o estatuto de religião intergaláctica, tornando o principal planeta do império no mais poderoso centro espiritual do universo, e ao mesmo tempo, o império de may no império com menos homens por metro quadrado.

A propagação desta fé continua a ser feita por grupos organizados, como as testemunhas de may, que têm o hábito regular de bater às portas ou enviar emails numa tentativa de converter as pessoas a esta fé.

Por entre os homens a fé só tem conseguido se espalhar entre a comunidade gay, mas até hoje may nunca teve um gay no seu harém, motivo pelo qual já houveram manifestações e até batalhas no espaço.

Aos homens que servem bem o imperador em batalha, é frequente o império dar-lhes acesso a uma "rejeitada" que tenha sido rejeitada por pouco.

Nesta religião as noções de paraíso ou inferno também existem e só não serão aqui descritas porque este texto não é apenas para maiores de 18 anos

Por agora ficaremos por aqui, lembrando que esta é apenas uma das muitas Histórias dos Impérios da TASCA.