quinta-feira, 15 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange
Capítulo 3 : Os outros
( parte 12 )


por Matemaníaco
(Continua daqui) . Pode ver um resumo da história até agora aqui.

Gonzalez saiu.
– Peço desculpa por não te ter contactado mais cedo. Passei uns dias a habituar-me à IA das minhas nanites. Depois estive fora do planeta, na Esperança e depois ainda estive um dia incomunicável.
– Não precisa de se desculpar. Eu compreendo.
– Não é nada disso, eu estou a falar a sério!
– Eu conheço a sua fama, eu nasci num ponto no seu futuro.
– Por favor não me fale do meu futuro. Deixe-me chegar lá... E por favor, aceite tomar uma copo comigo. Esqueça tudo o que julga saber sobre mim.
– Dois centímetros que passaram a trinta é difícil esquecer!
– Não fujas ao assunto!
– Eu prometo pensar nisso.
Ao fim de alguns minutos, Glorie chega à divisão onde estão Natália e Lagrange.
– Injeção de nano-desligas.
– Nano-quê?
– Nano-desligas. São nanites destinadas a fazer o paciente, perder a consciência e a depois executar funções especificas, dissolvendo-se na corrente sanguínea assim que acabam. Isto era tecnologia típica da TIA até alguns anos antes do meu nascimento.
– Se se dissolvem como é que sabes o que eram?–Perguntou David.
As nanites da sábia também são nanites fora do vulgar. Têm forma de travar as nano-desligas após a perda de consciencia. Que eu saiba, também só os agentes da TIA têm tecnologia desta.
– Ou seja, esteve cá um agente da TIA e fez a sabia perder consciência. E a sábia também é TIA?! –concluiu Natália.
Ela vai recuperar a consciência dentro de algumas horas. Fizeste bem em chamar-me. Sei que a tenda médica daqui responde a PéNaCov, que foi … ou será director da TIA, conforme os nossos pontos de origem no espaço-tempo.
– Podes examinar-me agora? É o PéNaCov que precisa de uma confirmação de que eu estou apto ao serviço. Ali na tenda deram-me um “chumbo”.
Glorie estendeu a mão a Lagrange.
Lagrange apertou-a e as nanites de ambos começaram a trocar informações.
Passados vários minutos Glorie larga a mão de Lagrange.
–Que aconteceu a NIA?
–Foi-me removida. Por robots que presumo serem do futuro.
–Tirando a remoção de NIA não encontrei absolutamente nada anormal em ti. Aliás, até estás melhor do que da última vez que te examinei. O relatório está gravado nas tuas nanites. Qualquer scanner médico consegue o ler.
–Obrigado.
Virando-se para Natália, Lagrange pede:
–Podes ficar aqui com a sábia? Eu deixo o cabo Gonzalez lá fora para se precisares de alguma coisa.
–Sim, desde que a Dra Boavida justifique a minha permanência por cá.
–Não te preocupes Natália.
–Eu vou falar com o Serguei.
Lagrange sai da tenda.
– Gonzalez, preciso que fiques aqui a guardar esta tenda. Não deixes ninguém, especialmente se estiver a servir sob o PéNaCov aproximar-se.
– Hã?
– Até já.
– Mas senhor...!
Lagrange afastou-se a correr para a tenda militar.
Chegando lá. Lagrange viu Serguei rodeado de homens... e ouviu:
– ...vamos precisar urgentemente de defesas planetárias! Esses piratas não sabem com quem é que se meteram! A destruição da Esperança não sairá impune!
Serguei viu Lagrange.
– David preciso de falar contigo em particular.
– A Esperança foi destruída?
– Um dos nossos cargueiros foi às últimas coordenadas conhecidas da Esperança, e encontrou só destroços. Alguns visivelmente do casco da Esperança. A caixa negra mostrou que tiveram os sistemas atacados com protanerabacter.
E sem controlo nenhum dos sistemas foram atingidos por misseis. Acabámos de mandar uma pequena frota em missão de procura e recolha de cápsulas salva-vidas.
– Misseis? Dos robots?
– Não, de uma nave de piratas! Para além dos robots... há outros sobreviventes.
Serguei mandou os homens dispersar e reuniu-se com Lagrange.
Apertou-lhe a mão e viu o relatório médico de Glorie.
– Óptimo! Penso que vamos ter de aceitar a ajuda dos seus robots.
– A sábia foi atacada por um agente da TIA.
Serguei vira-se para Lagrange e olha-o espantado.
– É uma acusação grave...
– Não te ponhas com rodeios comigo.
– A sábia tem consigo uma cópia de um blog com mais de dez mil anos. Um blog da Terra original que conta a nossa história e de tudo o que se está a passar por aqui. Como não é um blog vindo do futuro, não está na lista de bases de dados proibidas, e que estavam na Esperança antes da sua destruição.
– Como sabes disso?
– Eu sou um homem da TIA. Estou sempre bem informado...
– Não era mais simples pedir uma cópia?
– A sábia não quis colaborar...
– Estou a ver...
– Ela continua com a sua base de dados. O meu agente fez uma cópia indetectável.
– A posse desse tipo de coisas não é proíbido?
– Eu repito: As bases de dados “do futuro” da rainha Hara são proibidas. Esta, veio do nosso passado, de há cerca de cem séculos, portanto é permitida.
– Do passado? Como é que isso é possível?
– Tanto quanto sei, até este diálogo entre nós dois pode estar lá escrito num idioma da época. Ainda não sabemos como é que tal é possível.
– O blog não te dá informações sobre o ataque à Esperança?
– Tenho homens da minha confiança a lê-lo. Em breve saberemos.
– E a NIA?
– Está entregue aos meus técnicos. Ainda não me deram notícias.
– Eu quero-a de volta.

(continua)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
IV - O homem da TIA
- parte I

por Matemaniaco

Como o leitor já deve ter percebido os impérios do universo 25 não têm nome oficial.
Os impérios são designados pelos nomes oficiais dos seus imperadores. Por vezes estes impérios juntam-se em alianças, como a TASCA, com objectivos de entreajuda e convívio entre os vários imperadores.
No caso da TASCA, cedo se percebeu a necessidade de um serviço de informações que obtivesse e gerisse informações relativas a impérios externos, e ainda agisse secretamente, em nome da TASCA, no exterior.
Desta necessidade nasceu a TIA – TASCA Inteligence Agency, os serviço secretos da TASCA.
Todos os imperadores da TASCA podem ser agentes da TIA, desde que a missão assim o exija.
No entanto, são os outros agentes, aqueles de quem ninguém fala, os responsáveis pelos maiores sucessos da TIA.
E convenhamos, que as melhores missões, são aquelas que passam despercebidas.
Desta vez vou contar-vos a história de um agente que se tornou o modelo de toda a agência, e que é conhecido por todos como “O homem da TIA”.
Após a fundação da TASCA, coube ao imperador Matemaníaco a organização da TIA, e pediu a todos os impérios que mandassem bons agentes para a lua [censurado pela TIA], de coordenadas [censurado pela TIA].
Todos os impérios mandaram excelentes agentes.
Do imperador Bejekas, entre muitos outros, veio o agente PéNaCov.
Da primeira vez que apareceu, foi logo reportado: Estava tão alcoolizado que a única coisa que saíu da sua boca foi um
“Viva à TASCA”
Quando foi levado à presença do Imperador Matemaníaco, saiu um jorro de vómito que pintou o peito do Imperador.
– És uma desgraça! Se fosses homem do meu império, mandava-te decapitar, após uma longa e matemática tortura!
Ao que PéNaCov responde:
– Como quiser, mas mande vir mais uma rodada, para mim, para si e aqui para os seus homens.
Matemaníaco mandou os seus homens meter o agente uma jaula, e contactou de imediato o imperador Bejekas.
– Ó Bejekas, mandaste-me um bêbado para a TIA?
– Ó Mates! Queres uma TASCA sem bêbados? Acredita em mim, o gajo é muito bom!
– Quer dizer que já sabes de quem falo! O gajo não tem nanites para controlar as bebedeiras?
– Ter, até deve ter, mas pelo que ele consegue beber, disseram-me que nem as nanites dão conta do recado.
– Ok, eu já trato do assunto.
– Se achares que o gajo não serve, manda-mo de volta vivo...
– O mayNard mandou-me várias boazonas que se recusam a usar roupas e que eu preferia ter no meu harém e não na TIA
– Hihi, sim, sabes que no império dele neste momento é proibido o uso de roupas.
– Eu nem te vou dizer onde é que elas guardam as armas...
Matemaníaco, em funções de director da TIA, ligou para os centros de pesquisas nas capitais dos impérios de toda a TASCA e pediu a tecnologia mais recente e eficaz em nanites contra o alcool.
As nanites vieram muito rapidamente do imperador Alentejano.
PéNaCov levou uma injecção com essas nanites e em cerca de trinta e quatro segundos voltou ao estado sóbrio. Foi levado à presença do director.
– Quero lhe pedir desculpa pelo meu comportamento senhor.
– Isto foi acontecimento único. Não voltas a aparecer alcoolizado à minha frente enquanto estiveres em funções.
– Sim senhor.
– Só estás aqui vivo porque o Imperador Bejekas disse-me que eras um bom agente.
– Peço perdão pela pergunta. Sendo o senhor imperador de tão grande império, como é que tem tempo para estar aqui a dirigir os serviços secretos?
– Delegando funções em pessoas da minha confiança.
– Ah! Estou a ver... Deixou a sua ex-concubina Troy no seu lugar a gerir o império.
– Isso é algum tipo de provocação?
– Não, senhor. Estou a lembrar-lhe que também é homem...
Matemaníaco olha para a lista de agentes enviadas pelo imperador mayNard e diz:
– Não preciso que me lembres disso. Fazemos assim: vou dar-te uma missão. Se fores bem sucedido, aceito-te como agente. Se não, voltas ao serviço do imperador Bejekas.
– Sim senhor.
– Assim por acaso, fazes ideia de como se convencem 203 agentes com corpos de top model a passar a usar roupas em serviço?
– Não senhor, mas não me importaria nada de conviver com elas.
– Estás dispensado. Receberás a tua missão via nanites.
PéNaCov saiu em direcção ao seu quarto, quando foi abordado pelo agente Apagaio.
– Agente Serguei PéNaCov?
– Sim, sou eu mesmo.
– Sou o agente Apagaio, enviado da imperatriz Aivota. Serei o teu colega nesta missão.
– Eu ainda não recebi qualquer missão. E aqui, não preciso de saber de onde vens. Somos todos agentes da TIA.
De repente, Serguei recebe uma mensagem, via nanocomunicações:
Comunicação da TIA: Ouça com atenção, pois a mensagem só será emitida uma vez!
Serguei faz sinal a Apagaio:
– Xiu! Nanocomunicação!
E continua a ouvir:
“Agente PéNaCov, esta é a sua missão: Infiltrar-se no palácio do imperador XYZ (nome modificado pela TIA) e evitará que ele receba a frota que está a chega à lua X2+Y2=1 (nome modificado pela TIA) dentro de rigorosamente 12horas, 29 minutos 14 segundos. Pode contar com o apoio do agente Apagaio. Se algum dos agentes for apanhado, tanto a TASCA como a TIA negarão conhecimento de qualquer das vossas acções. Fim de comunicação”
Olhando para Apagaio:
– Querem crashar a frota do XYZ e nós é que temos de fazer o trabalho sujo, que nunca será reconhecido ou admitido por ninguém...
– É uma missão de rotina?
– Não, nunca tive de infiltrar um império. Regra geral esperam que os imperadores se distraiam sozinhos. O XYZ deve estar na lista negra da TASCA.
Nisto passa uma agente “top-model” completamente nua à frente de Apagaio, que fica arregalado a olhar.
– Se o imperador for como tu, a missão está no papo...
– Sim? Desculpa, que dizias? ...Viste onde é que ela tinha a arma?

(Continua... é só mais uma parte)

Nota da TIA:
Pede-se ao autor que tenha cuidado e não revele informações confidenciais sob a pena de uma próxima história não ser autorizada  

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

As aventuras de Capitão Lagrange - Capítulo 3 : Os outros ( parte 11 )


por Matemaníaco
(Continua daqui)

NIA deixa-os analisar o que quiserem, mas não os deixes abusar de ti.”
“Obrigado pela tua preocupação. Eu sei cuidar de mim.”

Lagrange e Gonzalez foram para levados para uma tenda médica.
NIA, foi levada a um grupo de peritos em tecnologias.
Serguei entra numa tenda e senta-se à frente de um comunicador, pressiona algumas teclas e diz:
– Missão cancelada, Laura! Temos novas informações.
A passagem de Gonzalez pelo gabinete médico foi relativamente rápida.
A de Lagrange foi muito mais demorada.
O corpo de Lagrange já tinha passado por muito, e ter nanites mais evoluídas e sofisticadas do que as usadas no centro não ajudou em nada. Lagrange foi proibido de se aproximar das naves da frota e de qualquer soldado sob a pena de ser abatido.
Quando perguntou por NIA, responderam-lhe que o assunto não lhe dizia respeito.
Lagrange saiu da tenda médica.
Á sua espera estava Gonzalez.
– Estou proibido de me aproximar de si cabo.
– Mas eu não estou proibido de me aproximar de si.
– Não brinque. É em mim que vão dar um tiro.
– Encontraram alguma coisa de anormal em si?
– Eles não conseguem perceber as nanites que tenho no meu corpo, por via das dúvidas, proibiram-me o acesso a instalações não civís.
– Tem essas nanites há muito tempo?
– O que é que isso interessa?
– Se puder comparar o estado das nanites agora com os do registo de uma manutenção anterior...
– Sim, eu já pensei em contactar uma pessoa... mas porque é que está aqui meu rapaz?
– O Sr PéNaCov suspeitou que a sua avaliação fosse essa, e mandou-me acompanhá-lo onde quer que fosse para fazer um check-up às suas nanites.
– Não teme que eu vos aldrabe?
– Palavras dele: “O homem é um patriota, não vai querer por nenhum de nós em perigo.”
– Sim, eu sou um patriota, mas por cá não há nada a que eu chame pátria...
– E então? Para onde vamos?
– Espere. Preciso de fazer umas nanocomunicações primeiro.
Lagrange fechou os olhos.
“NIA. Estejas onde estiveres... consegues contactar-me?”
Esperou dez segundos, Voltou a abrir os olhos e olhou para Gonzalez.
– Viu a NIA?
– A sua boneca? Não senhor, não a vi, nem sei nada dela.
– Independentemente do que ela é, trate-a como uma pessoa. Ela não é “a minha boneca”. É minha amiga.
– Sim senhor.

Lagrange olhou para o poeirento chão, e tentou contactar outra pessoa.
“Chamar Glorie Lagrange Boavida”
Lagrange aguardou dois segundos.
“Sim? Que se passa?”
“Preciso que me faças um check-up a mim e às minhas nanites”
“Porque é que a NIA não te faz isso? Voltaste a meter-te com ela?”
“Não. Não me peças detalhes, extraíram a NIA das nanites.”
“O quê? Como te fizeram isso?”
“Eu tenho aqui um soldado à minha espera, não posso dar-te detalhes.”
“Vai ter com a sábia. Eu passo por lá mais tarde.”
“Como vai a enfermeira Natália?”
“Se bem me lembro, ela deu-te o seu nanocontacto e nunca lhe ligaste... Mas estou a gostar de ver! Sem NIA nas nanites, o menino já pensa noutras mulheres.”
“Não é nada disso! Manda-lhe cumprimentos meus e diz-lhe que peço desculpa...
“Diz-lhe tu isso! Até logo.“

Glorie desligou.
Lagrange levantou a cabeça e olhou para Gonzalez.
– Pelo seu ar, esteve a falar com uma mulher.
– Família...
– Tem família aqui? Quem?
– Por favor, não comente ninguém... e não é da sua conta.
– A sua esposa?

Lagrange olha para Gonzalez com os olhos semi-cerrados
– Peço desculpa, não é da minha conta.
Para onde vamos então?
– Para a tenda da sábia.
– Eu não sei onde é...
– Não faz mal. Eu sei! Siga-me, mas mantenha uma certa distancia.

Quando chegaram, a sábia estava deitada, inconsciente no chão.
Lagrange chamou Spectrum, que não respondeu, e via nanocomunicação, chamou Natália.
“Olá senhor Lagrange! Que bom ter notícias suas!”
“Olá, peço desculpa por não ter ligado antes,...Eu preciso de falar contigo. Mas neste momento estamos com um problema urgente. Estou na tenda da sábia. Encontrámos a sábia inconsciente no chão!”
“Há uma tenda médica aí na cratera, eu vou ligar-lhes.”
“Acabei de ter um episódio com eles... Por favor vem tu, e traz a Glorie.”
“Senhor Lagrange, isso não pode ser assim! Eu e a Dra Boavida temos pacientes aqui.”
“Diz a Glorie! Ela que decida!”

Em pouco menos de 15 minutos Glorie e Natália chegaram à tenda.
Glorie esteve a ver a sábia. Apertou-lhe a mão, e pediu a Gonzalez e a Lagrange ajuda para a deitarem numa cama.
Assim que deitaram a sábia, Glorie pediu a todos que saíssem do quarto da sabia.
Ainda dentro da tenda mas noutra divisão, Gonzalez olhava para Natália.
– Gonzalez, dás-nos licença? Podes ir lá fora um bocadinho?
– Lá para fora?
– Sim, o tecido é à prova de som...


(Continua)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Resoluções...

Como As aventuras de Capitão Lagrange só têm 4 votos ali na sondagem que ainda está a decorrer, passará a ter apenas um ou dois episódios ("longos") por semana, e terá um separador com resumo mensal aqui no blog.

As Histórias dos Impérios da TASCA-Volume 1, terão direito a publicações sempre que houver histórias. E, como viram, tratarão muitas vezes de assuntos e personagens que passam, já passaram ou vão passar n"as aventuras de Capitão Lagrange".
Já agora, posso adiantar que a próxima história chamar-se-à "O homem da TIA".



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
III - A história de Óxinol
- parte II

por Matemaniaco

Alcão passou o projecto de Óxinol passou para as mãos de outros cientistas do centro, até que finalmente, ao fim de 21 horas alguém descobriu a causa da explosão da planta na holosala: nanovariações no fluxo de deutério. Não havia forma de corrigir isto com a tecnologia actual.
Aivota, por sua vez proibiu definitivamente a construcção de uma planta de fusão baseada nesta nova tecnologia, e exigiu que toda e qualquer nova forma de energia utilizada seja limpa e segura.
Óxinol confirmou a descoberta, e arquivou o esquema e toda a teoria da sua planta de fusão.
Alcão sugeriu-lhe vários outros projectos. Mas Óxinol rejeitou todos eles.
Estava desmotivado e não estava minimamente interessado em voltar a trabalhar no mundo científico.

-Vá lá Óxinol! Acontece!
-Eu demito-me. Vou dedicar-me à política. Quero fazer cair a imperatriz.
-Se não fosse ela a sugerir uma simulação estávamos a braços com um desastre ambiental e tu serias odiado por milhões.
-Não tem nada a ver com isso.
-Se isso vem a público a tua carreira política acaba.
-É algum tipo de chantagem?
-Não. Estou apenas a recordar-te que existe uma cópia dos nossos relatórios em todos os centros de pesquisas do nosso império, graças à nossa rede intergaláctica. Tira umas férias, e não penses em disparates.
Óxinol saiu e regressou à ilha de Sucellus.
Nos primeiros meses percebeu que a grande maioria das pessoas da ilha estava contente com o Império, e que se pudessem, as pessoas até votariam em massa em Tuga e na Imperatriz Aivota.
Mas lá conseguiu o seu grupo de descontentes.
Destes vamos destacar: Alinha, Omba, Erú e Apagaio, que foram nomeados vice-presidentes do grupo. Eles reuniam-se regularmente numa pequena localidade da ilha.
Óxinol: Se quisermos ver o império cair ainda nas vossas vidas vamos ter de mudar alguma coisa
Alinha:O segredo é dar cabo da imagem da imperatriz
Óxinol: Não tenham medo de recorrer a truques sujos. Aqui, os fins justificam os meios.
Erú: Os nossos truques sujos não podem ser públicos.
Apagaio: Alguma ideia?
Óxinol: Eu pensei numa coisa. Suponhamos que a imperatriz morre. Ela não tem herdeiros...
Omba: Espera, estás a propor um assassinato?
Óxinol: Um assassinato que ninguém suspeite que é assassinato, e que caso algo corra mal não dê para ser ligado a nós. Quero que pensem nisso.

Passados sete dias, Alinha apareceu com um plano.
AlinhaTodos os domingos, Aivota sai com os seus cem lobos...
Óxinol: Sim, vai ao templo do deus Sucellus.
Alinha: Um dos meus robots descobriu uma falha no sistema operativo que controla os satelites solares
Óxinol: Não brinques... eu fui o responsável pela criação e manutenção desse sistema durante dois anos e meio.
Alinha: Ainda bem que cometeste erros... A ideia é desviarmos os raios solares de um satélite e concentrarmos directamente em cima da imperatriz.
Omba: Ideia parva... Isso é detectável e a imperatriz será avisada a tempo.
AlinhaNão é... já foi feito antes. Lembras-te da história do turista que morreu de combustão instantânea?
Omba: Não?
Erú: há ano e meio, um turista ardeu completamente em segundos, à frente do grupo de turistas e da guia... no Polo Norte. Nunca encontraram uma explicação.Sobraram apenas cinzas...
AlinhaEra o meu ex. Posso fazer o mesmo à imperatriz. Assim que o trabalho estiver pronto, ponho o sistema a restaurar de um backup, e qualquer log da minha entrada deixa de existir.
Óxinol:  Brilhante. Agora só temos de maquinar a nossa entrada em cena para instaurar uma democracia...

Passaram várias horas a planear os detalhes, e o cenário repetiu-se nos dias seguintes.

Chegou-se ao Domingo do assassinato.
Apagaio estava a 100 metros do templo, e não podia se aproximar mais. Relatava o que via por telemóvel.
Alinha encontrava-se num cibercafé, disfarçada , com uma identidade falsa e a entrar no sistema informático imperial.
Oxinól estava no centro de pesquisas de Ria. Erú e Omba preparavam-se para marchar pela capital com dois exércitos de 10 000 robots cada, assim que tivessem confirmação da morte da imperatriz.

Aivota estava a menos de 20 metros do templo quando incendiou-se instantaneamente... e em segundos se viu reduzida a cinzas.
Apagaio confirmou a notícia a Óxinol, Omba e Erú. Alinha como combinado, activou o restauro de um backup, desligou-se da rede e levantou-se com um sorriso nos lábios.
Mas ao levantar-se tinha dois guardas imperiais por detrás.
-Alinha, está presa por crimes contra o império e por tentativa de assassinato da imperatriz Aivota.
Alinha não percebeu o que se passou mas manteve-se calada.

Omba preparava-se para sair do armanzém com os robots, quando todos lhe apontam as armas, o mesmo acontecendo com Erú.

Óxinol foi algemado por outro guarda que entrou no centro de pesquisas, à procura dele...
Alcão viu Óxinol a sair algemado e abanou negativamente a cabeça...

Apagaio, via os lobos a uivar, e diz:
"Computador, terminar a simulação"
A simulação é terminada, e Apagaio,  sai da holosala. Lá fora, estava a Imperatriz com um dos seus guardiões..
- Excelente trabalho agente Apagaio. Salvou a minha vida.
- Fiz apenas aquilo para que fui treinado. Que acontecerá aos criminosos?
- Quero-os exilados deste império...exceptuando a rapariga que acedeu aos satélites. Essa, quero-a presa por 10 anos, numa prisão de segurança máxima de um dos impérios com que temos boas relações. 

Nisto o guarda-costas Alo pergunta à imperatriz:
-Vossa magnificência acha isso cauteloso? Em qualquer outro império, a pena para tentativa de assassinato do imperador é... morte!
-Sim, mas eu não preciso disso. Acredito numa coisa chamada Karma!


No templo, a estátua do grande deus Sucellus modificou-se sem qualquer explicação. O deus agora sorria...

Dias depois... as naves que levavam os criminosos para fora do império desapareceram todas em anomalias espaciais.

A história foi transmitida a todos os impérios com boas relações com o da imperatriz Aivota.
E até aos dias de hoje, as plantas de fusão modificada estão proíbidas em todos os impérios da TASCA.




Agradecimentos nesta história:
mayNard e Aivota





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Histórias dos Impérios da TASCA - Volume 1
III - A história de Óxinol
- parte I

Por Matemaníaco

Deve-se à imperatriz Aivota o império menos urbanizado, mais pacífico e mais procurado como destino turístico. É excepcionalmente popular entre casais em lua de mel, e casais com crianças entre os 3 e os 12 anos.
Seja como for, há um decreto imperial com um limite superior para o número de turistas admissível, para proteger a natureza.

Nos impérios vizinhos, todas as crianças conhecem lendas e contos de fadas que se passam naqueles planetas.

Óxinol Assarinho vivia na ilha de Sucellus no planeta Ria.
O nome da ilha era tão antigo que ninguém sabia a sua verdadeira origem. Circulava a lenda de que a ilha tinha recebido este nome de um antigo deus do vinho e da agricultura venerado pelos lusitanos na Terra original.
Sucellus era gerida por Tuga, um homem nomeado pela imperatriz, e que cumpria na integra as directrizes imperiais.
Óxinol era um investigador energético. Trabalhava no centro de pesquisas de Ria.
Não gostava do regime nem de Tuga, nem de viver no império menos urbanizado do universo.
Os congressos em que participou noutros planetas, apenas o ajudaram a reforçar as suas ideias.
Embora não conhecesse nenhuma democracia no universo, acreditava que o trono do império devia ser democraticamente ocupado, assim como todos os cargos importantes para o império!
Mesmo tendo a democracia falhado sempre em todas as épocas anteriores da história!

Os seus contributos nas pesquisas de energia permitiram ao império optimizar a utilização de recursos, e motivaram-no de tal forma que deixou de ter vida pessoal e dedicou-se exclusivamente ao seu trabalho.
Nos seus tempos livres começou a  investigar uma nova forma de fusão nuclear que se funcionasse, seria equivalente a uma planta de fusão nível 30 tradicional, mas que consumiria menos deutério que uma planta tradicional de nível 1.
Um dia submeteu a sua ideia no centro de pesquisas em Ria.
O director do centro olhou para a ideia com alguma suspeição, mas leu o estudo de Óxinol.
Dois dias depois, reuniu-se com ele.
- Senhor Assarinho, a sua ideia é interessante, mas levanta-nos um grave problema. Esta forma de fusão não é limpa. Deixa resíduos radioactivos e como sabe, isso é proibido por lei.
- Lei imposta por uma imperatriz que não foi escolhida por ninguém.
- Senhor Assarinho, não nos cabe a nós discutir o regime. Apenas cumprir o nosso dever e a lei. Seja como for, tendo em conta a poupança de espaço e a poupança energética que propõe, vou submeter a sua proposta à imperatriz.
- Obrigado director Alcão.
- E por favor, não volte a contestar as leis do império em instalações imperiais. Existem sítios próprios para isso.

Assim que Óxinol saíu, Alcão submeteu a proposta como sendo proposta do centro de pesquisas.
Duas semanas depois, Aivota lê a proposta, junto com uma recomendação do director Alcão.
Aivota recusava-se a aceitar qualquer forma de energia poluente, mas a ideia de poder poupar espaço e assim manter o império o mais natural possível também era aliciante, e decidiu partilhar a proposta por comunicadorcom o seu amigo e colega de aliança, o imperador Matemaníaco.
Mal começou a ler a proposta, Matemaníaco disse a Aivota:
-Os meus homens investigaram isto há anos. Além de libertar resíduos perigosos, este tipo de fusão não é estável. Basta um pequeno desvio no fluxo de deutério e a planta torna-se numa bomba nuclear.
-Mat, não estás a exagerar?
-Eu sugiro-te que vejas por ti própria. Pede aos teus homens uma simulação numa holosala.
-Obrigado Mat, até à próxima.
-De nada. Até à próxima.

Aivota chamou Alcão à sua casa.
Horas mais tarde, Alcão chegou.
-Muito boa tarde sua magnificência.
-Senhor Alcão, eu quero lhe pedir que simule esta central numa holosala. Eu quero visitar virtualmente esta planta de fusão.
-Sim, senhora. A simulação estará pronta dentro de dois dias.
-Obrigado senhor Alcão.

Dois dias depois, tal como prometido por Alcão, a simulação estava pronta.
Á porta da holosala, à espera da imperatriz, estavam Alcão e Óxinol.
- Senhor Assarinho, só o facto de a imperatriz pedir uma simulação já é muito bom sinal.
- Eu revi todos os parâmetros da simulação da fusão. A simulação comportar-se-á como uma planta real.

A imperatriz chegou acompanhada do seu fiel guarda-costas Alo.
-Meus senhores, vamos a isto?
Alcão abre a porta da holosala, e todos entram.
Era impressionante estar perante aquela planta em realidade virtual.
Óxinol foi o guia de visita da planta.
Tudo corria às mil maravilhas, até que de repente a planta virtual explode, terminando a simulação e deixando os 4 dentro de uma holosala desligada.
-Que se passou? - Perguntou Aivota.
-Não sei explicar - Respondeu Óxinol.
-Vamos investigar o que se passa. -disse Alcão.
-Meus senhores, não preciso de dizer-lhes que, enquanto não for possível uma simulação segura, eu não vou sequer considerar a ideia de construir uma planta destas.
Assim que Aivota saiu, Óxinol pôs mãos à obra e passou dois meses a trabalhar na simulação, a fazer e refazer cálculos e não conseguiu perceber o que é que correu mal.
Ao fim de dois meses foi ter com Alcão.
-Senhor Alcão, acho que o problema é estarmos a tentar simular. Isto tem de ser visto no mundo real.
-Está maluco? As simulações existem mesmo para evitar problemas no mundo real. Em que é que baseia a sua afirmação?
-No facto de todos os geradores recorrerem a valores pseudo-aleatórios e não a verdadeiramente aleatórios.
-Essa razão é estúpida. Um pseudo-aleatório, é para todos os efeitos, como se fosse aleatório!

A discussão continuou, com Óxinol a apresentar razões que eram sempre rejeitadas por Alcão.
-Óxinol, a sua planta não é segura. Descubra a razão, e só depois voltaremos a submeter uma simulação  à Imperatriz.

(Continua)